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Os Sem Igreja somam mais de 4 milhões no Brasil

domingo, 10 de novembro de 2013 0 comentários

Reportagem de capa da revista Cristianismo Hoje, do último bimestre (outubro/novembro), trouxe uma realidade desafiadora. Segundos dados do IBGE, o número de evangélicos que se dizem cristãos, mas que não frequentam uma igreja, ultrapassa 4 milhões. Isso representa mais ou menos 10% do total de "crentes" brasileiros. Outros dados chamam ainda mais a atenção. 62% desses "desigrejados" são egressos de denominações neopentecostais e 29% dizem que não pretendem manter vínculo com outra igreja novamente. Vale frisar que aí há dados, também, do Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (Bepec).
A longa reportagem conversou com especialistas e tentou avaliar as causas disso. Há todo o tipo de explicações. Mas o principal extraído da reportagem (cujo conteúdo integral somente assinantes podem acessar) é que muita gente alega não ter interesse em se vincular mais a uma igreja específica por conta de descontentamento com a forma como as igrejas são administradas ou lideradas, insatisfação com a falta de envolvimento próprio em alguma coisa concreta na igreja (ou seja, se sentem membros inúteis) e alguns se dizem desinteressados pela liturgia tradicional.
A reportagem merece uma análise sob dois ângulos. O primeiro é a constatação de que as igrejas evangélicas, tais como as conhecemos hoje, não estão sendo mais relevantes para muita gente. Algumas igrejas praticamente tiraram o foco da Bíblia e dos ensinamentos de Cristo (essência do cristianismo) e apontam para outros aspectos periféricos. E quem vai em busca de Cristo acaba frustrado. Consequentemente deixa de se congregar. Além disso, pude perceber no relato dos entrevistados que a grande maioria deles, mesmo deixando de assistir regularmente a cultos em igrejas tradicionais, continua orando e estudando a Bíblia porém em grupos menores (poderíamos chamar de pequenos grupos) em casas. É um registro que não pode ser desprezado. Será que mega igrejas lotadas são sinônimo necessariamente de espiritualidade em alta? Nas estatísticas da Igreja Adventista, para dar um outro exemplo, ficou claro que a maioria dos membros ativos e envolvidos em evangelização fazem parte de congregações com até 200 membros.
A função da igreja - Mas o outro aspecto, que considero importantíssimo, é que a Bíblia esclarece que a igreja é o corpo de Cristo formado por membros com distintas funções. Não é uma invenção humana, mas divina. Ir à igreja, estar adorando com outros membros, assistir a uma escola bíblica (no caso, a sabática seria a mais coerente com os ensinamentos das Sagradas Escrituras) e fazer parte desse corpo é se desenvolver espiritualmente de forma harmônica. Estar em casa orando e estudando a Bíblia com sua família (ainda que seja algo essencial) não substitui o papel que há em se congregar em uma igreja. Não foi sem propósito que o autor de Hebreus declarou, no capítulo 10 e versículo 25, que "não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima".
Respeito a opinião dos "sem-igreja", mas essa é uma compreensão incompleta se contrastada com a Palavra de Deus. Estar em pequenos grupos ou células de oração e estudo bíblico e manter um regular culto da família são estratégicos para o crescimento em Cristo. Mas jamais poderão ser práticas que anulam a relevância de se estar em uma igreja e fazer parte ativa do corpo de Cristo e exercer ali dons específicos dados por Deus.
A principal liderança para a qual um cristão deve olhar é a de Cristo. Ele é a razão de existir da igreja. E, se alguém tem dúvida quanto à congregação onde está, que a submeta ao crivo bíblico. Mas deixar de se congregar não é a melhor opção.


Cristãos presos no Togo aguardam justiça

domingo, 28 de julho de 2013 2 comentários

Do Portal Adventista, 18.07.2013.

No sábado, 27 de julho, a Igreja Adventista em todo o mundo estará unida em oração pelo pastor Antonio Monteiro e pelo empresário Bruno Amah, que seguem presos no Togo, um país que fica no oeste africano. Nesta data irão se completar exatos 500 dias da prisão e o lema será “500 dias de injustiça”.

Além desse movimento de oração a Igreja também disponibilizou na internet um site com explicações sobre o caso e com uma petição de libertação. Se a Igreja conseguir um milhão de assinaturas, enviará esses dados para o governo do Togo solicitando a imediata libertação dos dois adventistas. Visite o site e deixe a sua assinatura: www.pray4togo.com.

A esposa do pastor Monteiro, Madalena dos Anjos, fala da esperança que tem de que Deus irá atuar e resolver a situação. “Oro cada dia a Deus para que ele volte para casa”. Ela e a esposa do empresário Amah, diariamente levam comida para os dois prisioneiros.

Um pouco de história – O pastor Antonio Monteiro, natural de Cabo Verde, e o empresário Bruno Amah, foram presos no dia 15 de março de 2012, um ano após o assassinato de 12 mulheres que tiveram seu sangue retirado e seus órgãos sexuais extirpados. Um homem que trabalhou com o pastor Monteiro o acusou falsamente de ter provocado uma conspiração para matar as mulheres.

Advogados, a Igreja Adventista mundial e diversos diplomatas estrangeiros já intercederam por eles, mas não houve acordo. O diretor de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para o mundo, doutor John Graz, comenta que “a acusação contra Monteiro é a de que ele, como pastor adventista, fez uma conspiração para matar aquelas mulheres e usar seu sangue em uma cerimônia religiosa. Esta acusação é absolutamente inacreditável e absurda”.

Originalmente publicada em http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/gente/adventistas-seguem-presos-no-togo-veja-como-voce-pode-ajudar/

Meu Comentário - Esse tipo de problema de dimensão internacional só evidencia algo muito claro: o de que algumas instituições que deveriam promover a justiça não conseguem realizar isso com precisão e clareza em algumas partes do mundo. É muito complicado quando legislações judiciais abrem brechas ou permitem que pessoas sejam mantidas presas por mais de 1 ano sem qualquer tipo de julgamento ou com acusações formais pouco fundamentadas. No Brasil, isso também ocorre e o prejuízo para a família das pessoas que são vítimas disso é enorme. Os adventistas e outros cristãos estão fazendo sua parte ao orar e tentar, pelos meios lícitos, convencer as autoridades do Togo a libertarem os cristãos presos ou então efetuar um julgamento definitivo para avaliar, então, possíveis recursos em caso de condenação. O que não pode ocorrer é a indefinição de mais de 500 dias em relação a esse caso. Frágeis demais algumas instituições que deveriam zelar pela justiça em certas partes do mundo.

Ouça um resumo desse comentário em áudio também:

Ameaça na midiatização dos evangélicos

domingo, 12 de maio de 2013 1 comentários

Há quem sabe 30 anos a realidade é que o grupo religioso conhecido de maneira geral como evangélicos não tinha espaço significativo nas mídias de massa em geral no Brasil. Salvo algum escândalo ou uma reportagem pautada principalmente na suposta ameaça que essa fatia de crentes poderia representar ao universo católico.

Mas o tempo mudou e os números mostraram um vertiginoso crescimento desse contingente entre a população brasileira. O IBGE
revelou em 2012, por meio do Censo Demográfico, que o número de evangélicos no País aumentou 61,45% em dez anos. Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros.
Os evangélicos cresceram, também, em sua influência política, social, educacional e midiática. É um processo absolutamente natural que um determinado grupo, ao ser mais expressivo numericamente, amplie sua capacidade de se fazer ouvir em diferentes campos do conhecimento humano. A própria economia brasileira sentiu a reação disso. Segundo reportagem publicada pela Folha de São Paulo em outubro de 2012, “o mercado imobiliário é outro que segue o galope demográfico dos evangélicos. Segundo dados do IBGE liberados em junho, eles saltaram de 15,4% da população em 2000 para 22,2% dez anos depois. Até 2020, prevê-se que serão 57 milhões. A entidade Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes) estima que, a cada ano, surjam 10 mil novos templos. Hoje há cerca de 300 mil pelo país. Só a construção de dois megatemplos no Brás (zona leste de São Paulo), encomendados por igrejas rivais e previstos para 2013, deve absorver quase R$ 400 milhões”.
Mas e qual o impacto disso tudo na mídia brasileira? É enorme o impacto da pauta evangélica nas mídias convencionais como TV, rádio, jornais e revistas, além das redes sociais, blogs e sites. E não estou falando apenas do surgimento de novos canais de propriedade de igrejas ou do aparecimento de dezenas de portais e sites com viés evangélico. Nessa área também houve crescimento. Sim, há muito mais programas nas TVs abertas, fechadas, nos sites, nas redes sociais, enfim, os evangélicos definitivamente saíram do
ostracismo e estão em vários lugares e, de preferência, onde há mais visibilidade.
Na boca das mídias – Mas os evangélicos estão, sobretudo, na boca das mídias. O que fazem, o que deixam de fazer, suas opiniões polêmicas ou não se tornaram assunto diário de colunistas, especialistas, repórteres, pauteiros, sites conceituados. Há poucos dias li sobre dois líderes evangélicos que trocaram farpas por meio de uma rede social (Twitter) a respeito de um determinado tema. A discussão foi acalorada e, entre um tweet e outro, um pastor acusava, o outro revidava, depois vinha a réplica, enfim, parece que o bate-boca durou alguns dias. E teve repercussão entre milhares de pessoas. Sem falar na cobertura regular das declarações dos pastores-estrela, dos grandes eventos que reúnem milhares que professam alguma crença denominada evangélica, etc.
E com os evangélicos acontece o mesmo fenômeno que ocorre com outras temáticas abordadas pela mídia em geral. Quando algum veículo se propõe a falar sobre o assunto, os outros inevitavelmente despertam para a necessidade de também abordar ainda que seja sob outros prismas. E isso se fortalece com as redes sociais. O que diz respeito aos evangélicos vira tendência em Twitter, Facebook e outros lugares e vai parar na TV, no rádio, nos impressos. É o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu já dizia, no livro Sobre a Televisão,quando falava do conceito de circulação circular da informação. Ou seja, a informação circula entre os veículos sempre em uma espécie de ciclo.
Ameaça conceitual – Essa midiatização dos evangélicos tem um aspecto positivo que é mostrar à sociedade de uma maneira mais
ampla e sem tanto estigma que esse grupo pensante e atuante existe e se constitui em uma força a ser considerada. Há ameaças, no entanto, que muitas vezes não são percebidas nem pelos evangélicos.
A primeira delas é para a própria opinião pública que é bombardeada com o conceito de que os evangélicos são apenas um grupo politicamente importante e que, portanto, uma de suas principais características é a de se firmar como ator importante no cenário. Mas isso tem a ver com a essência do próprio cristianismo no que diz respeito as suas origens?
Se você tomar os escritos dos quatro principais evangelistas bíblicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e mesmo o relatório minucioso no livro de Atos (atribuído também a Lucas) a respeito da rotina da que alguns estudiosos de teologia chamam de igreja cristã primitiva perceberá algo interessante. Verá que o cristianismo, tal qual em seu início, tinha princípios bem claros de uma comunidade composta em sua maioria por crentes envolvidos profundamente com a missão eminentemente espiritual, solidariedade e despreocupados com pompa e visibilidade. Pelo contrário, o cristianismo primitivo foi objeto de intensa perseguição por parte dos antigos líderes hebreus e por parte do Império Romano antigo. Claro que os cristãos, à época, que não eram nem divididos entre católicos, evangélicos e qualquer outro grupo, somavam apenas milhares e não milhões como hoje.
Essa imagem do cristianismo foi drasticamente alterada ao longo dos séculos. E os evangélicos brasileiros, perante a mídia, são retratados majoritariamente como mais um grupo de poder no País. Diga-se de passagem que o mesmo ocorre com o catolicismo romano de uma maneira geral há muitos anos. Os evangélicos se tornaram interessantes e atraentes para quem produz a notícia, para quem vive da publicidade paga e para quem sobrevive com a difusão da polêmica alheia. Mas a essência do cristianismo, principalmente se a referência for o próprio livro sagrado da religião (a Bíblia), pouco dá as caras na mídia. Pouco se fala sobre o que creem os evangélicos e de que princípios norteiam suas vidas e muito pouco a respeito de algum aspecto missionário. A não ser que a crença seja digna de causar divergência e, por conseguinte, criar a espetacularização da informação.
E essa responsabilidade obviamente não é apenas das mídias ou do quem detém controle sobre a veiculação nos meios que mais ditam o direcionamento da opinião da maioria. É dos próprios evangélicos. Que tipos de pautas estão oferecendo consciente ou inconscientemente? Que imagem esperam transmitir às pessoas que os observam nas redes sociais ou na TV por assinatura? Será que todas as igrejas cristãs não católicas agem em bloco com esse mesmo viés?Não há nada contrário aos evangélicos estarem na mídia. Mas, por uma questão de fidelidade ao que originalmente se estabeleceu como as raízes do cristianismo (sobretudo tendo como fundamento os ensinamentos de Jesus Cristo), seria importante que o hoje denominado grupo dos evangélicos não seja visto apenas como mais um agrupamento em busca de poder a partir da midiatização.
Para mim, parece clara uma ameaça claramente decorrente da enorme exposição pública a que se submetem os líderes e os membros evangélicos nos últimos 4 ou 5 anos. Talvez não vivam mais apenas de escândalos na mídia, mas tampouco parecem deixar tão claro quem são em essência e qual a justificativa espiritual de sua existência. 

Mobilização de oração por cristãos presos no Togo será dia 1º

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 0 comentários


No próximo dia 1º de dezembro uma mobilização mundial acontecerá em favor da libertação de dois cristãos presos em Togo, país localizado na costa oeste do continente africano. Os instrumentos usados para esse movimento serão a oração e o jejum.
O apelo do líder mundial adventista, pastor Ted Wilson, feito nesta semana, é no sentido de que os mais de 17 milhões de membros da Igreja da qual os dois fazem parte se unam em oração mesmo distantes da situação. Paralelo a isso, advogados e ativistas de direitos humanos tentam, pelos meios legais, obter a libertação do pastor adventista Antonio dos Anjos Monteiro, natural de Cabo-Verde, e do empresário Bruno Amah, que vivem e trabalham na capital Lomé. “Eles são pessoas inocentes e nós estamos intercedendo ao Senhor por uma intervenção para que voltem a estar reunidos com suas famílias e continuem seu trabalho”, comentou Wilson.
Situação – Monteiro e Amah foram detidos em março de 2012 sob acusação de conspiração para cometer assassinato depois que ambos foram acusados de fazer parte de uma suposta rede de tráfico de sangue naquele país. Conforme apurou a agência adventista internacional de notícias, a ANN, o acusador já havia confessado o assassinato de cerca de 20 jovens, alegando que trabalhava para um esquema criminoso de tráfico de sangue humano.
Monteiro, natural de Cabo Verde, serve como diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal para a sede administrativa conhecida como União Missão do Sahel, com sede em Lomé, Togo, desde 2009. Foi realizada uma busca policial na casa de Monteiro e na sede local da igreja e nenhum tipo de prova foi encontrado.
Oração – Para fortalecer o movimento de oração, foi criada uma hastag para uso no Twitter chamada #pray4togo que ajudará no envolvimento de internautas, bem como ações no Facebook. “Entendemos que podemos contribuir, aqui na América do Sul, pedindo a todos os adventistas e amigos que orem em favor desses dois homens e suas famílias que passam por momentos muito difíceis”, afirma o pastor Almir Marroni, vice-presidente para oito países sul-americanos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Outras informações a respeito dessa mobilização podem ser vistas em www.pray4togo.com.

Meu comentário: Importantíssima essa mobilização para libertação de dois cristãos que, segundo apurei com pessoas da região, realmente não têm qualquer ligação com esse tipo de crime. Jejuar e orar são atitudes nobres diante de uma visível injustiça. O que parece estar um pouco mais claro aí é o desrespeito à liberdade religiosa de certa forma ou até intolerância. Prisão sem justificativa plausível é algo que precisa ser objeto de atenção de organismos que lutam para assegurar os direitos mínimos das pessoas. 
Mas a questão realmente é espiritual. A Bíblia deixa claro que, muitas vezes, cristãos serão perseguidos por causa da sua fidelidade à vontade de Deus. Nesses casos e de alguns outros personagens da história cristã em geral, a perseverança e o apego a Deus são fundamentais. Não existe antídoto específico contra essa intolerância ou perseguição infundada, mas a necessidade de apego a Deus. 

Panis et circensis, o retorno à barbárie

domingo, 8 de julho de 2012 2 comentários

Por Fabiana Bertotti, jornalista. 



Eu devia ter uns 10 anos quando ouvi pela primeira vez a expressão “panis et circenses”. Era uma aula de história em que fiquei sabendo dos horrores da carnificina promovida por imperadores romanos para distrair o povo, o famoso pão e circo. Na minha cabecinha ficou a associação entre violência gratuita e pessoas degeneradas moralmente, coisa de muito antigamente.
Sou pacifista por opção religiosa e índole. Lamento até em matar um pernilongo e fico pensando em como sofrerá a esposa e os filhinhos do bichinho que não voltará para casa. Até por isto rodeios, touradas e a infame farra do boi que acontece no litoral catarinense me exasperam. Tive que fazer reportagens lá, quando trabalhava numa TV local, e não conseguia ver lucidez na face daqueles homens (bêbados ou não) maltratando os animais só para rir.
Mas daí que esta insanidade me aparece novamente como moda do momento e com uma aura “cult”. São todos falando do tal UFC e da MMA que pelo que entendi é uma espécie de quase vale-tudo onde a graça é deixar o oponente no chão, de preferência inconsciente. Atores, artistas, intelectuais e – pasme! – cristãos comentando, torcendo, perdendo o sono para ver as tais lutas, como se fosse de fato um esporte. Tá que não sou das mais esportistas e admito que a preparação com corridas, musculação e ginástica seja de fato esporte, mas entrar no ringue como galos numa rinha e esmurrar o “parceiro”, fala sério!
Você pode ter uma opinião diferente, sinta-se livre, mas não consigo imaginar uma pessoa que torce, grita esbaforida vibrando com cada golpe violento achar coerente falar contra a violência. Você deixa seu filho assistir isto e quer ensinar pra ele que é errado brigar na escola? Você acompanha seu marido nestes serões de murros e golpes e depois advoga contra a violência doméstica? Como assim? Não vou culpar as tais lutas pela onda de violência nas casas, nas ruas, no mundo todo. Não sou burra, como eventualmente pareço. Contudo com apenas dois neurônios é possível perceber como afeta, sobretudo os que já têm tendência, os mais influenciáveis.
Transformar isto em show e nos vender com pacote bonito de esporte é zombar e subestimar a influência da violência, é voltar à antiguidade, aos gladiadores sanguinários e a insanidade coletiva ávida por sangue. É, de fato, comprovar a falta de civilidade.

Originalmente publicado em http://fabianabertotti.com/2012/pao-e-circo-o-retorno-a-barbarie/ 

Nota: Concordo integralmente com essa articulista e reitero que essa contradição é muito clara  e faz parte de paradoxo inaceitável. Há um considerável grupo que se beneficia economicamente   de eventos, programas e atividades de estímulo à violência e, em última instância, quem assiste a esse tipo de "entretenimento" está contribuindo, ainda que indiretamente, para fomentar esse mercado incompatível com ensinamentos cristãos calcados na Bíblia. Quando se lê textos como de Atos 17:1-3 onde o apóstolo Paulo e outros pagaram com torturas e prisões por terem ousado pregar sobre um Cristo redentor que morreu e reviveu pela humanidade, então se vê que o preço a pagar por apresentar uma verdade impopular é alto.
É isso mesmo. Pregar contra barbáries televisivas e outros tipos de violência gratuitos apresentados pela mídia e repercutidos por cristãos é algo que "não dá voto", nem fama, nem dinheiro, nem reconhecimento acadêmico e artigos como esse são cada vez mais raros. Felizmente há os que se posicionam e relação a esse assunto e confirmam o texto bíblico.

Frente evangélica quer discutir lutas pela TV

quarta-feira, 21 de março de 2012 1 comentários

GNotícias, 20.03.2012.
Originalmente publicada em http://noticias.gospelmais.com.br/frente-parlamentar-evangelica-debatera-projeto-proibe-transmissao-lutas-tv-32254.html


O Projeto de Lei 5534/2009, que veda a transmissão de lutas marciais pelas emissoras de televisão, será debatido em Audiência Pública. A discussão sobre o assunto contará com representantes das emissoras de TV, educadores, representantes da universidades e do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, além dos presidentes da Frente Parlamentar Evangélica e Frente Parlamentar Católica. Anderson Silva, lutador profissional de MMA também foi convidado a comparecer à audiência.
A audiência foi requerida pelo deputado Sibá Machado, visando ampliar a discussão sobre o projeto, que está em análise na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. O escopo do projeto seria a resguardar crianças, adolescentes e adultos do contato com cenas de violência explícita, também levando em consideração a ofensa aos direitos humanos.
De acordo com o requerimento, “as sociedades têm obrigação de educar seus cidadãos, as crianças e adolescentes de modo especial, para a solidariedade, para o espírito coletivo, para a paz. A educação não é atribuição exclusiva da escola estrito senso. Um conjunto de instituições é que acabam por configurar a educação – e, sem dúvida, a televisão, por seu enorme poder, é parte do esforço educacional, até por atribuição constitucional.”.
O texto argumenta sobre a influência nociva das lutas sobre telespectadores, à sociedade e aos próprios lutadores, e ainda faz duras cíticas ao estilo de luta MMA (artes marciais mistas), e ao Ultimate Fighting Championship – UFC, que é a organização responsável pelas lutas. Descreve casos onde um lutador morreu e outro ficou tetraplégico por causa das lutas, e afirma: “ Campeonatos de MMA e UFC, não são apropriados para seres humanos”.
Nota: Com toda a sinceridade, apesar de a intenção dessa frente parlamentar parecer ser a das melhores, esse é o tipo de discussão de caráter quase inócuo e que não terá grandes resultados práticos. Eliminar esse tipo de programa da TV aberta, levando em conta que já é transmitido em horário avançado, não resolve um problema que está dentro de muitas famílias evangélicas ou não. O problema a que me refiro é a falta de critérios que pessoas, que se dizem cristãs, possuem em relação ao que consomem. 
E faltam critérios não porque a Bíblia não contenha orientação suficiente a respeito. Deus, o inspirador, em Sua Palavra deixa recados diretos para os leitores a respeito do que é próprio e o que não é para aqueles que Nele confiam e O seguem. A ausência de parâmetros sobre o que ver na TV, sobre que música ouvir ou como se portar nas redes sociais da web se dá porque muitos simplesmente não consideram o que é revelado. E transmitem esse conceito aos filhos que, por sua vez, continuam a reproduzir esse comportamento. 
Falta crivo para cristãos que, daqui a pouco, vão necessitar de leis proibindo a existência de aparelhos de TV ou de equipamentos que permitem se ouvir música em formato digital. Essas leis podem ser moralmente interessantes, mas não resolvem o problema que está dentro de cada pessoa e que se chama pecado (transgressão da lei divina - cf I João 3:4). E pecado, biblicamente falando, é algo com o qual o ser humano convive e lida por meio da íntima relação constante com Deus. 
Algo para ser motivo de uma mais profunda reflexão...

Manifestantes pró-ateísmo se mobilizam até no Brasil

domingo, 12 de fevereiro de 2012 1 comentários

Revista IstoÉ, Semana de 12.02.2012.

Os ateus brasileiros têm no universo virtual uma espécie de igreja online. É ali onde o conglomerado de pessoas que negam a existência de Deus se sente à vontade para professar o desapego às religiões, manifestar os porquês de não seguir nenhuma delas e trocar ideias com outras pessoas na mesma condição. Minoria em uma sociedade crente como a nossa – os ateus fazem parte do grupo demográfico definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como sem religião, do qual fazem parte também agnósticos e crentes sem religião, e representam 6,7% da população brasileira –, eles preferem esse canal de comunicação uma vez que, em público, ainda estão sujeitos a críticas. Duas ações, uma no Brasil e outra em Londres – onde um templo ateu deverá ser erguido até o ano que vem – pretendem pôr fim à solidão físico-intelectual desse grupo.

No domingo 12, está marcado o 1º Encontro Nacional de Ateus. Cerca de três mil pessoas estarão reunidas simultaneamente em 21 Estados e no Distrito Federal. “Precisamos sair do armário, mostrar que somos bons filhos, pais, que a moralidade independe de uma crença”, diz a estudante gaúcha Stíphanie da Silva, citando uma expressão utilizada na luta pelos direitos civis dos homossexuais. Aos 22 anos, ela é membro da Sociedade Racionalista, que organiza a ação. “O intuito principal do evento é conhecer uns aos outros e organizar a nossa força.” Soa paradoxal, porém, ateus militantes se reunirem para defender um ceticismo contra fé, religião e deuses. Agindo dessa forma, argumenta o professor Edin Abumansur, do departamento de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), o ateísmo se torna uma opção de crença, a da negação, à disposição dos que procuram coisas para acreditar, no caso, que Deus não existe.

Apesar de contraditório, os brasileiros estarão seguindo à risca, com essa movimentação, a cartilha do britânico Richard Dawkins, espécie de guru dos ateus, autor de “Deus, um Delírio”. Zoólogo, ele exorta seus pares, historicamente estigmatizados, a se assumir e encampar publicamente um debate intelectual. No século XIX, porém, a fé na ciência e na razão já pautava as discussões nas igrejas positivistas, principalmente na França, terra natal de Auguste Comte (1798-1857). Um dos pais da sociologia, ele propunha uma nova religião baseada não em uma crença, mas na capacidade humana. “Crer no homem e na sua racionalidade justifica uma militância ateísta”, afirma o professor Pedro Paulo Funari, do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fora do Brasil, no entanto, ateus famosos parecem não falar a mesma língua. Dawkins criticou publicamente o filósofo suíço Alain de Botton, autor de “Religião para Ateus”, que anunciou a construção de um templo ateu no centro financeiro de Londres. “Ateus não precisam de templos, é um desperdício de dinheiro”, afirmou o zoólogo. O projeto do espaço, que terá 46 metros de altura, foi encomendado por Botton ao arquiteto Tom Greenall. Segundo o arquiteto, o templo representará a história da vida na Terra. “Cada centímetro equivale a um milhão de anos de vida”, diz Greenall. 
O filósofo – que pretende começar a levantar a construção no ano que vem, após a autorização da prefeitura – defende em seu livro que os ateus não devem fechar os olhos para as religiões, mas aprender com aquilo que elas têm de bom. “Isso (a construção) poderia significar um templo ao amor, amizade, tranquilidade e perspectiva”, diz Botton. “O ateísmo de Richard Dawkins ficou conhecido como uma força destrutiva, mas há pessoas que não acreditam (em Deus) e não são agressivas contra outras religiões.” Não é o que ocorre no Brasil. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), por meio de uma pesquisa com seus cerca de 3,5 mil membros, descobriu que 90% deles consideram a religião um mal. Um claro efeito rebote da hostilidade crescente patrocinada por alguns religiosos.

Presidente da Atea, o engenheiro civil Daniel Sottomaior, 40 anos, faz troça da proposta de Botton, a quem se refere como um agente duplo infiltrado no movimento. E apoia com ressalvas as reuniões de ateus no Brasil. Para ele, à medida que eles conseguirem se colocar na sociedade sem medo, a necessidade de se encontrarem cairá drasticamente. “Afinal, não temos nada em comum: há gays, heteros, gente de esquerda, de direita”, diz Sottomaior. O engenheiro explica que, nos países nórdicos, com altas taxas de ateus, eles não se organizam, porque não precisam. “Por que pessoas que não acreditam em saci-pererê, por exemplo, teriam de se organizar?” Lutando pela causa juntos ou cada um por si, os brasileiros descrentes têm muito trabalho pela frente.
G_Ateus.jpg
Nota: Não sei como foi o evento realizado nesse domingo, dia 12, quando escrevo esse comentário. A mobilização das pessoas que negam a existência de Deus e/ou se dizem sem religião deve ser respeitada dentro do mesmo conceito de liberdade religiosa e de expressão em relação a outras crenças. É perceptível, no entanto, que não há uma organização dos ateus/não religiosos e que os discursos são até contraditórios. 
Uma das principais preocupações é, na verdade, quando existem ataques gratuitos contra os religiosos como já o fez um dos mais proeminentes advogados da causa, Richard Dawkins. A intolerância, da parte de qualquer um dos lados, é sempre nociva e não ajuda em nada na boa convivência. Respeito a opinião dos que se manifestam assim, mas ressalto que o maior risco é que esse tipo de movimento se caracterize por tentar desqualificar os que não pensam da mesma maneira. 
Quanto a minha opinião sobre o ateísmo, acredito que muitos se posicionam dessa maneira muito mais por enxergarem a religião e Deus de uma maneira distorcida, preconceituosa e afetada por fatos até mesmo de sua infância e juventude. É possível entender isso, mas ainda creio que seja uma visão passível de mudança. Há muitas evidências no mundo natural de uma criação planejada por um ser superior que não apenas desenvolveu, mas mantém. Negar isso de forma contundente, praticamente sem argumentos consistentes e sólidos, pode ter mais a ver com uma visão pessoal e passional a respeito do assunto, do que por crença fundamentada. 
É por isso que Deus, na concepção que acredito segundo a Bíblia, não é apenas um ser que simplesmente pôs o universo e os planetas em ação e posteriormente virou as costas. Entendo que Ele continue envolvido com Sua criação e isso se traduz no amor, na misericórdia, na proteção e no desejo de salvação espiritual para as pessoas. Isso me fortalece na fé que possuo em relação a Sua obra permanente na vida humana. E me faz compreender que Ele tem interesse pela minha vida. É um relacionamento pessoal que pode ser alimentado diariamente, conservado, ampliado, enfim, foge muito da visão medieval de um ser cósmico distante de tudo e de todos. E talvez dessa visão arcaica e absolutamente incompatível com o relato bíblico que estejam fugindo vários dos manifestantes pró-ateísmo e/ou não religiosos de  hoje.

Editoras alteram palavras em nova versão da Bíblia

domingo, 5 de fevereiro de 2012 0 comentários

Site Gospel Mais, 02.02.2012.


Uma iniciativa de duas conceituadas editoras está causando enorme polêmica no meio cristão. As organizações “Wycliffe Bible Translators” e “Summer Institute of Linguistics” resolveram alterar alguns termos naBíblia para produzir Bíblias que não sejam ofensivas aos muçulmanos, e distribuir esses exemplares em países de maioria islâmica.
As Bíblias alteram os termos “Pai” para “Senhor” e “Filho” ou “Filho de Deus” para “Messias”.  Segundo as editoras, essa iniciativa faz parte da tentativa de produzir uma Bíblia que seja “amigável aos muçulmanos” pois os termos originais soam ofensivos ou informais.
A polêmica envolve também uma outra publicação chamada “Meaning of the Gospel of Christ” (Significado do Evangelho de Cristo) que traduz a palavra “Pai” para “Alá” e elimina ou muda a palavra “Filho”. Segundo o Portal Padom, um exemplo a ser citado é a passagem bíblica que Jesus ordena o “Ide”. Na versão “amigável aos muçulmanos”  o versículo 19 do capítulo 28 do evangelho de Mateus ficou assim: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, limpando-os com água em nome de Alá, o Messias e seu Espírito Santo”.
Missionários, organizações cristãs protestantes dos Estados Unidos, tradutores, cristãos nativos de países muçulmanos e inclusive ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo discordam da iniciativa e iniciaram um abaixo-assinado para que as editoras encerrem a produção desses livros. Uma grande quantidade já foi produzida e distribuída em diversos países de maioria islâmica, como Indonésia, Malásia e Bangladesh.
Nota: Existem vários aspectos que precisam ser levados em conta nessa discussão. Não sou um profundo estudioso de versões e traduções da Bíblia, portanto vou me ater a um comentário mais sobre a polêmica em si e não a respeito do mérito. A boa convivência entre as religiões é saudável, até porque todos, segundo a Bíblia, são criaturas de Deus e a ideia é que tenham tolerância mútua. Isso não significa, no entanto, o mesmo que diálogo ecumênico ou atividades similares. Nesses casos, o que se vê é uma tentativa de unificação de movimentos religiosos em torno de pontos comuns que, muitas vezes, geralmente eliminam aspectos vitais de crenças como o cristianismo bíblico. O fundo do diálogo ecumênico, como já mencionei em outros posts, parece ser muito mais de razão econômica e de afirmação de poder do que propriamente por questões doutrinárias ou ideológicas mesmo. Quanto a essa polêmica, é importante o alerta no sentido quanto a alterações nas traduções a partir dos termos originais da Bíblia. Digo isso pois, em minha opinião, tais modificações podem contradizer o que os próprios escritores bíblicos asseveram como o apóstolo João quando, no próprio livro de Apocalipse, adverte os leitores de que nada seja acrescentado ao conteúdo do livro sagrado. É importante compreender que respeito a outras religiões não pressupõe necessariamente alteração das próprias crenças. Isso já deriva para uma acomodação de interesses e aí a motivação já pode ser outra muito diferente. Chegaríamos ao ponto, também, de muçulmanos, por exemplo, considerarem modificações em seu livro sagrado, o Corão, por conta de uma aproximação mais amigável com os cristãos e outros religiosos? 
Essa "Bíblia amigável" não pode ser uma versão descaracterizada das escrituras, incapaz de ser reconhecida pelos próprios cristãos. Várias tentativas de adulterar a Bíblia já ocorreram e ainda ocorrem até de maneira velada no mundo e essa polêmica dessa nova versão parece estar no mesmo sentido. A tolerância e o respeito entre as religiões são totalmente aceitáveis e dignos de serem realizados, mas algumas concessões são inadmissíveis.

Por que os jovens deixam a fé?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 5 comentários

Site Cristianismo Hoje, 27.11.2011. 
Autoria de Drew Dick.


Mais do que em gerações anteriores, os jovens crentes entre 20 e 30 têm abandonado a fé.

Momentos importantes fazem parte da jornada de todo jovem quando ingressa na idade adulta: a chegada à universidade, o começo da carreira, a compra do primeiro apartamento, o casamento e – no caso de muitos cristãos hoje em dia – o distanciamento da fé. Para cada vez mais rapazes e moças na faixa entre os 20 e os 30 anos, tudo o que se aprendeu ao longo de anos e anos de escola dominical infantil, atividades de grupos de adolescentes ou reuniões de oração da mocidade simplesmente parece perder o sentido diante da realidade da vida autônoma e suas múltiplas possibilidades. Motivos para tal esfriamento não faltam: o sentimento de liberdade pessoal, o convite aos prazeres antes proibidos, a ênfase exagerada na vida profissional e no próprio sucesso... Longe da tutela dos pais crentes, jovens que um dia eram vistos na igreja como promissores nas mãos de Deus vão, pouco a pouco, assumindo um estilo de vida mundano. E logo já não são nem um pouco diferentes de seus amigos que jamais estiveram num culto.
Não há, dizem, uma razão específica. O que se alega é um certo cansaço da vida religiosa ou a impressão de que a história do Evangelho, afinal de contas, não é tão verdadeira assim. Todo crente conhece pessoas nesta situação. E a quantidade de gente que deixa a igreja para trás tem aumentado – só no Brasil, segundo o último Censo, já há cerca de 14% de evangélicos confessos sem ligação formal com uma igreja. A tendência é mais aguda entre os jovens adultos, e não apenas por aqui. Na última edição da Pesquisa Americana de Identificação Religiosa, um fato chamou a atenção. A porcentagem de americanos que responderam “sem religião” praticamente dobrou nas últimas duas décadas, crescendo de 8,1% nos anos 90 para 15% em 2008. O estudo também observou que assombrosos 73% deles vêm de famílias religiosas – e quase dois terços foram descritos no estudo como “ex-convertidos”.
O resultado de outra pesquisa também foi expressivo. Em maio de 2009, no Fórum de Religião e Vida Pública, os cientistas políticos Robert Putnam e David Campbell apresentaram uma pesquisa descrevendo o fato de que jovens estão abandonando a religião em “ritmo alarmante”, cinco a seis vezes mais rapidamente do que anteriormente registrado. Fato é que a sociologia já descobriu que a migração para longe da fé cristã, por parte de jovens antes engajados na vida eclesiástica, é um fenômeno crescente. E uma resposta para este fato requer primeiramente uma análise de tal êxodo e o questionamento honesto das razões pelas quais ocorre.

ABANDONO
O presidente do Barna Group, entidade cristã de pesquisas sediada na Califórnia (EUA), David Kinnaman, revela que cerca de 65% de todos os jovens de seu país afirmam ter feito um compromisso com Jesus Cristo em algum momento de suas vidas. Kinnaman entrevistou milhares de jovens para a elaboração de seu livroUnChristian. Segundo ele, a maior parte dos ‘não-cristãos’ da sociedade hoje é formada por gente que em algum momento freqüentou igreja e serviu a Jesus. “Em outras palavras, eles são nossos antigos amigos, adoradores de outrora”, acentua.
Grande parte dos pesquisadores avalia que este dramático número de abandonos espirituais por gente na faixa dos vinte e poucos anos constitui, na verdade, uma etapa no curso da vida de quem chegou à conclusão que vale mais a pena dormir até tarde ou fazer outros tipos de programa aos domingos. O sociólogo Bradley Wright salienta que a tendência da juventude ao abandono da fé é uma característica do cristianismo contemporâneo. A questão do comprometimento moral parece estar na base do processo. Donos do próprio nariz, não poucos jovens de origem evangélica começa a mudar de hábitos, sendo mais abertos a novas experiências e menos refratários àquilo que, durante anos e anos, ouviram ser pecado.
Quando o rapaz ou a moça recém-saída da casa dos pais vai morar com o companheiro, ou encontra na faculdade amigos que fazem convites para noitadas, os conflitos entre a crença e o comportamento pessoal parecem ficar inconciliáveis. Cansados de lidar com o que lhes resta de uma consciência de culpa e relutantes em abandonar aquilo que têm como conquistas pessoais, eles preferem abandonar o compromisso cristão. Para isso, podem usar como argumentos o ceticismo intelectual ou a decepção com a igreja, mas estes são apenas motivos superficiais para esconder a razão principal. A verdade é que a base de crenças acaba sendo adaptada para corresponder às ações.
“Em alguns casos, o processo é gerado por uma decepção com a igreja, levando ao esfriamento”, aponta o pastor Douglas Queiroz, da Igreja Plena de Icaraí, em Niterói (RJ). Há dez anos, ele dedica seu ministério à juventude, aconselhando não apenas novos convertidos como gente que nasceu na igreja mas em algum momento abandonou a fé. “Eles não se identificam mais com a igreja da qual faziam parte”. Para Douglas, esse fenômeno pode ser atribuído, em parte, ao momento em que o jovem vive. Isso se dá pelo distanciamento que existe entre a igreja e a sociedade. O jovem de hoje, detentor de muita  informação, não aceita esta  relação ambígua, não suporta mais viver numa subcultura ou dentro de um gueto com postura, linguajar e pensamentos distantes do cotidiano”, comenta. Mas existem também, diz o pastor, situações em que não se trata exatamente de um esfriamento espiritual. “A pessoa simplesmente descobre que sua fé não existe, ou seja, nunca houve uma experiência individual. O jovem é cristão simplesmente porque nasceu num lar de crentes e cresceu indo à igreja.”

O texto na íntegra está em http://cristianismohoje.com.br/interna.php?subcanal=23

Nota: Esse é um assunto que deveria preocupar o mundo cristão muito mais do que as guerras por audiência de programas televisivos ou pela web de evangelistas ou mesmo as discussões midiáticas que fazem alguns líderes evangélicos com o nítido intuito de se manter em evidência.  Muito se fala de uma maior busca das pessoas por religiosidade, mas dados e pesquisas que mostram o abandono da fé por parte dos jovens são passados por alto sem merecer talvez toda a atenção que deveria. 
Em primeiro lugar, é importante destacar que, apesar de grande parte dos números apresentados nesse artigo de Drew Dick ser referente a entrevistas realizadas nos Estados Unidos, o pequeno compromisso de jovens com a religião ou o progressivo descaso que se vê entre esse público não é problema apenas norte-americano. É problema mundial e que afeta, também, países como o Brasil. A diferença é que aqui as pesquisas são escassas e, quando realizadas, infelizmente não se cria uma estratégia para atuar em cima dos números que ali foram revelados.
Outro aspecto é que tudo que se elenca como razão para o abandono da fé ou desinteresse religioso de jovens praticamente converge em um mesmo ponto: esfriamento espiritual. Justificativas para o distanciamento dos jovens de sua fé são apresentadas em profusão e seguem até a linha de que os cultos religiosos precisam ser mais atrativos porque, no jargão evangélico, "o mundo" oferece coisas mais espetaculares e sensacionais. 
Só que algumas perguntas precisam ficar para nossa reflexão em relação a isso tudo e nortear uma busca sincera por saídas para essa situação: 
1) Os jovens têm encontrado espiritualidade nas igrejas?
2) Os jovens veem o exemplo de pais piedosos que mostram na prática cristianismo ou só se limitam a cobrar comportamento religioso exemplar?
3) O que o jovem mais precisa é de programas, cultos, ações e projetos incríveis ou de atenção e amizade cristã?


Deixo apenas essas três indagações, mas há várias outras que poderiam gerar trabalhos e pesquisas acadêmicas. Uma coisa me parece bem clara: os jovens possuem a mesma necessidade que qualquer outra faixa etária necessita, ou seja, a atuação de Deus em suas vidas. A diferença está em quanto se investe (e não se trata apenas de dinheiro, mas de tempo, influência, criatividade, etc) nas igrejas para que isso efetivamente aconteça e nos lares. 
Cobrar comportamento exemplar dos jovens é fácil e a maior parte da liderança cristã parece focada apena nisso. A parte mais difícil e menos atraente ainda é a de formar jovens cristãos. 

Cristãos pensantes - Artigo

terça-feira, 9 de agosto de 2011 0 comentários

Viver em uma sociedade livre é algo muito mais desafiador do que aparenta ser. As pessoas têm corrido de um lado para outro em busca de sentido para a vida. De formas variadas, tentam desvendar o mistério da existência. A razão questionadora, que coloca tudo em dúvida, não encontra terreno seguro onde possa se firmar. O grande número de questionamentos que assombram a intrigante atualidade também alcança o cristianismo. Muitos o veem apenas como manifestação cultural e histórica. Torná-lo regra de vida seria retrógrado, uma atitude alienada de alguns seguidores incautos. Porém, estaríamos destinados a uma vida de problemas insolúveis e perguntas sem respostas, feitas para o vazio?


Enquanto alguns duvidam de tudo, outros parecem sentir-se suficientes em suas crenças, mesmo sem saber por que acreditam naquilo em que se dispuseram a crer. Em ambos os casos, a vida carece de um fundamento sólido. A antiga cultura helenista, com a qual se confrontou o cristianismo primitivo, apresentava desafios semelhantes. É o que observamos em Atos 17, no impressionante relato da viagem do apóstolo Paulo para a cidade de Atenas, onde ele esteve em contato com algumas correntes filosóficas da época, como os epicureus e os estoicos. Os epicureus eram mais imediatistas e baseavam a vida no prazer. Os estoicos acreditavam que o mundo todo era regido pelas leis aleatórias da natureza, considerada um deus. Adeptos dessas ideias debatiam incansavelmente suas frágeis teorias.


Em Atenas, Paulo apresentou uma proposta diferente de tudo o que seus filósofos tinham visto e ouvido. Era inevitável que houvesse um choque de ideias. O cristianismo de Paulo, assim como o nosso, encontrava-se em conflito com a incerteza especulativa. Fala-se aqui de pessoas sem um claro conceito de Deus. Paulo viu ali a oportunidade de revelar uma crença contextualmente bem colocada e fundamentada em conceitos concretos. Ele pôde mostrar que o “deus desconhecido” na verdade é o verdadeiro Deus, que se revela e se faz conhecer por meio de Cristo Jesus.


Em seu sermão ao povo de Atenas, Paulo encontrou o ponto comum com seu público-alvo, dando aos ouvintes um possível fundamento que, por tanto tempo, foi procurado. Ele cita dois escritores gregos respeitados da época para apresentar seus conceitos com argumentos familiares à audiência. Aparentemente simples, mas carregado de muito conhecimento, Paulo, acima de tudo, confirma a contextualização do Cristianismo. Muito mais do que um fundo histórico ou uma listagem de normas teológicas: um cristianismo inteligente, racional.


Como cristãos, de que modo devemos agir diante de desafios semelhantes? Como Paulo, precisamos entender o que está acontecendo ao redor para saber onde estamos inseridos. O que os filósofos contemporâneos nos dizem hoje? A exemplo de Paulo, cabe a nós, baseados na verdade divina,  expor nossa filosofia, conforme a Palavra de Deus, estando preparados para responder a todo aquele que nos pedir razão de nossa esperança (1Pe 3:15). Estamos preparados a apresentar um cristianismo pensante e social, em meio à mistura descuidada de fundamentos flutuantes? Estamos dispostos a levar a verdade ao mundo, com relevância, deixando de lado todo espectro de visão unilateral? Pela revelação divina, conhecemos o que procede de Deus (1Jo 4:1). Com base em nossa sólida convicção em Cristo, podemos ter uma certeza relevante e atrativa.

Lucas Diemer de Lemos, revisor da Casa Publicadora Brasileira

Revista divulga pesquisa sobre sexualidade entre evangélicos

quinta-feira, 30 de junho de 2011 1 comentários

Revista Cristianismo Hoje, Junho de 2011.

Durante muito tempo, era praticamente proibido falar nele nas igrejas. Assunto restrito às quatro paredes dos gabinetes pastorais e considerado tabu pelos crentes, o sexo tem sido visto como uma espécie de fruto proibido ao longo de séculos. A imagem, aliás, é das mais apropriadas – acostumou-se a associar o pecado original de Adão e Eva à prática do sexo, e não à desobediência explícita ao Criador. Vítima de preconceito, legalismo e uma pseudomoralidade que visava muito mais ao controle social do que à santidade, a sexualidade atravessou as eras como algo sujo, um prazer proibido, algo que afastava as pessoas de Deus. Visão bem diferente do propósito do Senhor, que dotou o ser humano da capacidade de amar e ser amado, ao ponto de a própria Palavra de Deus aconselhar o homem a gozar a vida com sua mulher.

Novos tempos, novos valores. Ultimamente, os crentes em Jesus têm aprendido não só a valorizar o sexo – quando praticado dentro dos limites do casamento, bem entendido – como a, vejam só, falar sobre ele. O resultado disso é que trabalhos inimagináveis há algumas décadas têm sido realizados entre a comunidade evangélica, levando os crentes a mostrar a cara e a falar claramente sobre suas preferências, dificuldades e práticas de alcova. O mais recente deles é a pesquisa de opinião O crente e o sexo, cujos resultados CRISTIANISMO HOJE traz em primeira mão. O estudo constitui um amplo panorama sobre o assunto, em que quase 12 mil crentes – sendo 5,1 mil casados – responderam a perguntas enviadas pelo Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (Bepec), que está sendo lançado junto com a pesquisa.

Através de uma parceria com a empresa Akna Software, especializada em marketing digital, e o portal e revista cristã Genizah, o Bepec teve acesso a mais de 1,5 milhão de endereços eletrônicos de evangélicos, sendo que o instrumento de coleta foi mandado para cerca de 71,5 mil destinatários. Por questão de metodologia, apenas o grupo-alvo dos evangélicos casados foi totalizado neste primeiro momento. Um universo amplo, representando diferentes regiões do país e classes sociais, bem como oito grandes grupos de confissões, incluindo igrejas tradicionais, pentecostais e neopentecostais e denominações de grande porte, como Batista e Assembleia de Deus. “A pesquisa foi feita com rigor científico”, destaca o profissional de marketing digital e blogueiro Danilo Silvestre Fernandes, idealizador do Bepec. Evangélico, ele conta que suas principais motivações foram o interesse que o assunto desperta e a carência de material do gênero. “Não há quase nada disponível sobre a sexualidade dos evangélicos”, atesta. “Sexo é tabu entre os crentes e as matérias sobre isso são as mais lidas e comentadas. Quisemos produzir conteúdo inédito – incluindo dados primários, como é o caso da pesquisa O crente e o sexo.”

Não se pode negar mesmo que o assunto seja apimentado. E que, a partir da divulgação dos resultados da pesquisa, deve render mais pano para a manga nas igrejas. Como explicar, por exemplo, o espantoso percentual de 25% dos homens crentes casados que já traíram a mulher? Ou que 56% dos pesquisados do sexo masculino tenham praticado sexo com o futuro cônjuge antes do casamento? E isso, mesmo levando em conta que quase a metade dos respondentes têm mais de dez anos de conversão à fé evangélica e que o espectro etário é amplo, compreendendo dos 16 aos 55 anos. Ademais, a metade dos pesquisados informou ter mais de oito anos de casamento – ou seja, é gente que já passou pela famosa “crise dos sete anos”, o que é indicativo de estabilidade na relação. A conclusão, óbvia, é de que o abismo entre o discurso dos púlpitos e a prática dos crentes, que sempre se suspeitou existir, é um fato.

“Chamou-me a atenção o índice de casais crentes que tiveram relações sexuais antes do casamento”, aponta o pastor Gilson Bifano, diretor do Oikos, ministério cristão de apoio à família. Sediado no Rio de Janeiro, a entidade promove aconselhamento, estudos e eventos voltados para casais crentes. Ele diz que muito do que a pesquisa mostrou já é do conhecimento de quem trabalha nesta área. “Creio que os tempos modernos têm influenciado o comportamento dos casais crentes. Sexo é assunto que ficou, por muitos anos, sem ser tratado no âmbito evangélico. Há muito dogmatismo e falta diálogo.”


“SEM SURPRESA”

A pesquisa desce a minúcias como práticas sexuais dos casais crentes, envolvimento com homossexualismo e uso de pornografia – quesito no qual 44,5% dos consultados responderam “sim”. No entender de Danilo, o que chama a atenção é a proximidade relativa dos dados de Os crentes e o sexo e outra pesquisa, esta realizada pelo Ministério da Saúde em 2009 com a população em geral. Ali, o objetivo era bem diferente: balizar políticas públicas de combate à Aids. Mesmo assim, alguns dados são inquietantes – como o índice de traição ao parceiro fixo, que ficou na casa dos 16 por cento em um ano na mostra do governo. “Isso não quer dizer, evidentemente, que o evangélico traia mais”, ressalva. “Apenas que os crentes, em diversos aspectos, não diferem tanto assim das pessoas que a Igreja convencionou chamar como ‘do mundo’.”

“De modo geral, não me surpreendo”, comenta o pastor Geremias do Couto, da Assembleia de Deus. Fiéis de sua denominação, conhecida historicamente pelo rigor nos costumes, constituem um quinto do total de pessoas casadas que entraram na pesquisa. Mesmo assim, ele concorda que a influência de uma prática de vida liberal tem cobrado seu preço da Igreja, sobretudo nesta área: “O percentual naqueles pontos que, de fato, consideramos anomalias, ou mesmo pecado, estaria, a meu ver, dentro de um corte que corresponde ao modo como a prática da fé cristã é vivida, hoje, sem muito comprometimento”.

Geremias, que é vinculado ao projeto My hope (“Minha esperança”), da Associação Evangelística Billy Graham, e dedica parte de seu ministério à orientação cristã para casais, teve acesso aos dados da pesquisa antes de sua divulgação. O ponto que mais chamou sua atenção foi mesmo o da traição entre cônjuges crentes. Exatos 24,68% dos homens admitiram a pulada de cerca, enquanto que 12% das casadas evangélicas caíram em adultério. O detalhe é que, entre os neopentecostais, o índice supera em cerca de 5 pontos o de adeptos de outras denominações – como os anglicanos e presbiterianos, classificados na pesquisa como “reformados”. “Seriam, hipoteticamente, dois a três casos de infidelidade em cada dez casais crentes”, aponta o pastor.


ABERTURA

A pesquisa não deixou de abordar questões como frequência de atos sexuais no casamento e as diferentes modalidades de práticas sexuais. Engana-se quem pensa, por exemplo, que crentes se contentam com as mais convencionais. Quase 38% dos que responderam a pesquisa – lembrando que foram 56% de homens e 44% de mulheres – disseram que “vale tudo” no quarto conjugal, desde que ambos concordem. Aí entram a masturbação mútua, o sexo oral (com grande aceitação para mais de 80%) e até sexo anal, normalmente vetado por líderes e conselheiros por sua associação com práticas promíscuas homossexuais, a chamada sodomia. Mas 21,4% dos casais crentes confessaram praticá-lo.

Tratar de aspectos tão delicados da intimidade conjugal só foi possível, segundo Danilo, pela garantia do anonimato. “Pesquisas onde a coleta dos dados não é presencial, embora exijam mais cuidado na amostragem científica, ganham nos fatores envolvendo a privacidade do objeto do estudo. Isso incentiva a abertura para assuntos difíceis e a honestidade das respostas”, explica. “Tenho certeza de que muitos usaram a pesquisa como uma espécie de confessionário, prática abandonada pelo protestantismo”, opina o bispo Hermes Fernandes, um dos colaboradores de Genizah e líder da Rede Episcopal de Igrejas da Nação Apostólica (Reina). Ele acompanhou a elaboração da pesquisa e diz que o estudo confirma, com riqueza de detalhes e informações, o que todo mundo sabe: “O proibido é mais gostoso”. Para Hermes, a pressão exercida pela religiosidade acaba por acentuar as pulsões sexuais, tornando-as exacerbadas. “Muitos certamente ficaram aliviados por saber que não são os únicos a adotar certos comportamentos considerados tabus.”

Nota: Essa pesquisa evidencia alguns aspectos importantes que ajudam a entender a necessidade de o assunto da sexualidade à luz da Bíblia ser tratado com maior ou talvez com diferente ênfase inclusive dentro dos próprios meios religiosos. Eu não posso falar a respeito da metodologia utilizada pela pesquisa, mas os dados indicam que boa parte das práticas, que os líderes religiosos dizem ser contrárias à Bíblia e que fazem parte do discurso nas igrejas e nos cursos para casais, são praticadas pelos entrevistados. Alto índice de utilização de pornografia, adultério e práticas sexuais não convencionais fazem parte de grande parte das respostas dadas. 
Não se podem tirar conclusões rápidas desse material, mas é possível perceber que algumas práticas, sobre as quais a Bíblia dá orientação clara, simplesmente parecem ser passadas por alto pelos cristãos pesquisados. O adultério, por exemplo, é um deles. Embora legalmente no Brasil não haja qualquer restrição ao adultério ou bigamia, na Bíblia desde os tempos antigos judaicos até as palavras de Jesus o conceito é bem claro. No evangelho de Mateus, capítulo 5 e versículo 32, é dito que "Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério". 
O estupro, chamado de violação em alguns trechos da Bíblia, também não era aceito pelo povo hebreu que vivia sob as orientações divinas. Exemplos podem ser vistos na história de Diná, em Gênesis 34. Em Gênesis 19:5 há uma menção de abuso contra os homens que foram à casa de Ló, na região de Sodoma e Gomorra e ali não há qualquer apoio da parte de Deus para esse tipo de prática. Como se tratavam de homens, fica subentendido que não há recomendação bíblica para atos de relação sexual entre pessoas do mesmo gênero e quaisquer atos que fujam da sexualidade convencional entre homem e mulher. Logicamente é possível enquadrar dentro disso perversidades como pedofilia e sexo com animais ou mesmo utilizando os próprios órgãos do corpo humano de maneira diferente das quais foram criadas. 
O que há realmente é uma falta de sintonia entre o discurso e a prática. Claro que isso traduz o desafio humano constante de lutar contra o pecado, mas a pesquisa me ajuda a compreender que mero conhecimento da Bíblia ou simples anuência dos ensinamentos ali contidos faz cristãos praticantes. Algo mais é necessário. Tem a ver certamente com uma experiência mais profunda do que apenas se considerar crente, evangélico, religioso ou qualquer outro termo que tenha a mesma conotação. Um alerta estatístico importante que nos convida a fazer várias reflexões sobre o que significa carregar o nome de cristão ou evangélico (que difunde as "boas novas", ou seja, o evangelho).  

 
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