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A religião simples na contramão da visão humana

sábado, 6 de julho de 2013 0 comentários


Inventamos um mundo complexo para justificarmos, quem sabe, nossa sapiência, nossa capacidade de desenvolver algo diferente e complicado até para explicar as outras gerações. Mas a sabedoria divina diz que o simples sempre foi soberano e quem o adotou realmente foi sábio. Não acredita? Pois leia o que se fala no mundo corporativo ou ouça o que tem dado resultado na vida de milhares que seguem os conceitos de simplicidade em sua existência. Milhares pagam bom dinheiro para tentar entender
o glamour de uma vida longe do ritmo frenético das grandes e nervosas cidades. No Parque Nacional do Xingu, no estado do Mato Grosso, no Brasil, turistas chegam a pagar 800 Reais para ver de perto como vivem índios no estado mais natural possível. Fazem excursões em busca do segredo dos hábitos modestos dos indígenas. 
Será que almejar uma vida mais simples é uma moda passageira ou uma necessidade que vem desde os tempos mais remotos e que o ser humano insiste em não querer suprir? Na Bíblia, livro sagrado do cristianismo, os exemplos são antigos e numerosos, mas vou me deter em três aspectos da simplicidade da vida de Jesus Cristo. Engraçado é constatar tantas pessoas admirarem Seu caráter e o que Ele representou na revolução espiritual desse mundo, mas pouco se fala sobre um de seus maiores ensinamentos: a simplicidade. 
Vida simples com relacionamentos pessoais - A febre das redes sociais virtuais com seus milhões de usuários vidrados o tempo inteiro em algum tipo de tela para ver se alguém quer lhes dizer algo ou compartilhar algum momento particular ilustra muito bem o que já acontecia há pelo menos 2 mil anos. Jesus estabeleceu vínculos pessoais para mudar os conceitos de gente que possuía necessidades específicas. Atendia a cada um dos distintos públicos com abordagens diferentes e extremamente bem sucedidas. Sabia ser empático com o sofredor, firme com o hipócrita, prudente com os criadores de armadilhas e simpático com as crianças. Gastava tempo entendendo o que se passava na vida humana, observava e então agia com um profundo amor e desejo de oferecer algo melhor para quem mantinha contato com ele. Ele sabia que os relacionamentos sólidos se transformariam em gente multiplicadora de esperança para outros. Falava a multidões, mas mantinha relações pessoais. Não baseou Seu ministério em meros discursos, projetos com ideias que "desciam de cima para baixo" ou despotismo. Partia do pensamento humano para levá-lo ao ideal divino e o fazia por meio de relacionamentos. Ele tinha sua rede social pessoal com poucos seguidores e amigos, mas a força de Sua vida (mensagem encarnada) logo se traduziu em milhões de adeptos. Relacionamentos simples, mas eficazes. No livro Beyond Imagination, Baldwin, Gibson e Thomas analisam que, desde a criação do mundo, Deus estabeleceu o livre arbítrio ou livre possibilidade de decisão para justamente o homem ser livre e estabelecer relacionamentos. É o caso de alguém escolher ser amigo de outra pessoa e Deus mesmo quis esse tipo de contato com o ser humano desde o princípio. 
Simples métodos de trabalho -  Se analisarmos os métodos usados por Cristo veremos que eram fundamentalmente simples. Ele agiu em torno de um pequeno grupo de influência (começou com apenas doze e não comeuzentos), foi um líder-servo em todas as oportunidades (não apena falava, mas era em essência aquilo que dizia aos outros para serem) e trabalhou de maneira individualizada e não "por atacado". Era regrado e não se desviava do Seu foco principal por nenhuma razão. Jesus poderia ter exercido diversas e diferentes atividades inclusive de subversão aos governos vigentes, poderia ter empreendido uma obra puramente assistencial ou mesmo criado uma seita única e arregimentado um considerável séquito de seguidores fiéis, mas nada disso era Sua missão. Sua simples metodologia envolvia grupos menores de convivência e um ensino por parábolas que aludiam aos elementos familiares do povo. Seu ideal era alcançar o âmago da existência humana, muito mais do que apenas ser bem visto, bajulado ou aceito socialmente.
Simples hábitos sem exageros - Jesus nutria hábitos modestos e provavelmente comia alimentos mais simples e saudáveis, mas, ao mesmo tempo, via como estratégicos alguns almoços com cobradores de impostos, prostitutas e outros proscritos da sociedade. Acordava cedo e, portanto, dormia mais cedo, caminhava muitos quilômetros diários e mantinha conversação sadia com qualquer tipo de pessoa em vez do que hoje é a realidade da maioria das pessoas. Esse comportamento, que era seu estilo de vida e não uma moda passageira, fazia dele um homem singular. Para alguns, um louco revolucionário que não sabia aonde iria chegar. Para outros, um sujeito de ótimo coração e, na avaliação de poucos, alguém como Deus em pessoa. Mesmo sem participar da vida social daquela época e sem exercer qualquer cargo público importante, Sua trajetória alterou drasticamente os conceitos e preconceitos mantidos a ponto de finalmente resolverem aprovar Sua morte.
Não sou exemplo ou referência para ninguém, mas creio sinceramente na simplicidade bíblica, sobretudo a manifestada por Cristo, como algo muito forte para a humanidade imersa em tantas opções, tantas tecnologias, tantas estratégias, tantos alvos e tantas metas a perseguir. E para quem pensa que o simples significa alo raso ou superficial, basta comparar os profundos e radicais resultados obtidos por Jesus com Sua maneira de pensar e agir com aquilo que se conseguiu até hoje de mais real e concreto para qualidade de vida em todos os aspectos. 

Travestis lançam calendário com referências religiosas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários

Portal G1, 16.01.2013.

Um grupo de travestis de Fortaleza lança nesta quarta-feira (16) a 2ª edição do “translendário”, um calendário ilustrado com imagens de travestis em referência a símbolos religiosos. Neste ano, o grupo se inspirou em santos de diversas religiões para criar os próprios deuses e santos protetores dos travestis. Em 2012, o calendário do mesmo grupo gerou polêmica ao replicar imagens sacras, como a Última Ceia, de Leonardo da Vinci, e Pietà, de Michelangelo. “No ano passado nós retratamos imagens clássicas, não apenas religiosas. Se eles entenderam isso como ofensivo, esse vai ser mais ainda”, diz o idealizador do projeto, Silvero Pereira.
 Numa das páginas do translendário 2013, há uma crucificação inspirada em um quadro de Salvador Dalí. “O objetivo não é retratar Jesus Cristo. Nós nos inspiramos em religiões e criamos nossos santos e deuses”, explica o diretor de arte do translendário, Andrei Bessa. Também na edição 2013, há a “deusa dos incubados”, inspirada no deus da mitologia nórdica Thor. “A deusa faz referência ao universo machista e preconceituoso, que mantêm gays incubados, sem assumir a homossexualidade. Nós a representamos pela figura masculina do Thor”, explica Andrei. Inspirada em uma santa católica, o grupo também criou a “Nossa Senhora Protetora das Esquinas”. “A ideia dessa santa é proteger os travestis que se prostituem nas esquinas de Fortaleza e de todo o Brasil”, explica o diretor de arte.
 O calendário com travesti também gerou polêmica em 2012 por uma denúncia feita na Assembleia Legislativa do Ceará de suposto financiamento de órgão público. Segundo Silvero, não houve o apoio financeiro denunciado pelo deputado estadual do Ceará Fernando Hugo (PSDB). “O deputado deu um tiro no pé. Toda o pronunciamento só ajudou a popularizar o nosso projeto”, diz o idealizador. Na segunda edição, o ensaio fotográfico foi feito com contribuição de pessoas que simpatizam com travestis. Eles pediram doações e arrecadaram R$ 11.200, de acordo com o Silvero Pereira. O projeto custou R$ 10 mil e o valor arrecadado restante será destinado ao Coletivo Artístico das Travestidas, um grupo de teatro, dança e música composto por travestis do Ceará.

Meu comentário - O ponto que eu quero ressaltar nessa notícia tem a ver com esse interesse em tornar a religião e práticas tipicamente humanas bem próximas e combinadas. Explico melhor. Respeito a quem é travesti ou aprecia essa prática, mas não se trata obviamente de uma criação divina e nem de uma ideia defendida por personagens bíblicos cuja vida é aprovada por Deus conforme os textos das Escrituras. 
A tentativa de conectar tradições religiosas ao travestismo é um movimento que tem o objetivo primordial de chamar a atenção e ganhar notoriedade. E isso nem sempre é bom para ambos os lados.
Pode ser que o travestismo ganhe popularidade por causa do tal polêmico calendário, mas a religiosidade, principalmente aquela verdadeiramente fundamentada nos escritos bíblicos tal como revelados, talvez não tenha tanto a ganhar. 
Lamento muito o uso da religião para benefício próprio, seja qual a maneira utilizada. Publicidade barata em torno de crenças nunca é uma atitude honesta, não importa qual a origem. O exemplo bíblico de Jesus Cristo não foi o de alguém que desejou se projetar pessoalmente como opositor ao judaísmo predominante em sua época. Ele, por outro lado, mostrou desinteressado amor pelas pessoas de todas as classes. Sua vida, sim, é uma referência segura.

A 12 dias do "fim do mundo" especialista explica erro de interpretação no calendário maia

domingo, 9 de dezembro de 2012 0 comentários

Portal Terra, 09.12.2012. 



Para Orlando Casares, arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH), o "fim do mundo" é resultado de um erro histórico de interpretação. Casares que foi curador de uma mostra que tentava mostrar o erro, diz em entrevista de 2011 que os maias não tinham uma concepção de fim do mundo, mas sim de ciclos.
Casares explica o complicado funcionamento do calendário maia - que contava, inclusive, dois anos. Para o especialista, o problema não esta na arqueologia, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação de objetos achados.
O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela o conteúdo da exposição. O arqueólogo explicou que a base da medição do tempo desta antiga cultura era a observação dos astros.
Eles se baseavam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do sol, da lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um final. "Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica", explicou Casares, que esclareceu: "A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus, voltam a se repetir".
Para não deixar dúvidas, a exposição do Museu do Ouro explica o elaborado sistema de medição temporal desta civilização. "Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado ''Haab'' que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o ''Tzolkin'', de 260 dias, que regia a vida ritualística", acrescentou Casares.
A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Desta forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, "não podiam separar o religioso do cotidiano".
Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia.
Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o "baktun" (período de 144 mil dias); na maioria das cidades 13 "baktunes" constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.
Com esta explicação querem demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação dos objetos achados desta civilização.
De fato, uma das peças-chave da mostra é o hieróglifo 6 de Tortuguero, que faz referência ao fim da quinta era, a atual, neste dezembro, a qual se refere à vinda de Bolon Yocte (deidade maia), mas a imagem está deteriorada e não se sabe com que intenção.
A mostra exibida em Bogotá apresenta 96 peças vindas do Museu Regional Palácio Cantão de Mérida (México), onde se pode ver, além de calendários, vestimentas cerimoniais, animais do zodíaco e explicações sobre a escritura.
Para a diretora do Museu do Ouro de Bogotá, Maria Alicia Uribe, a exibição desta mostra sobre a civilização maia serve para comparar e aprender sobre a vida pré-colombiana no continente. "Interessa-nos de alguma maneira comparar nosso passado com o de outras regiões do mundo", ressaltou Maria sobre esta importante coleção de arte e documentário.

Meu comentário - Interessante que o especialista fala em erros propositais ou não para criar essa atmosfera de fim de mundo. Eu creio que intencionalmente há motivos para se propagar a ideia de o mundo acabar em 2012, por mais absurda que seja para muitos. Meu raciocínio é o seguinte:

- Interessa a grupos místicos, que não baseiam suas crenças nem na história e nem no relato bíblico, fortalecer a ideia de um fim do mundo próximo, especialmente nesse ano, para angariar seguidores de última hora e se firmar no cenário midiático ganhando notoriedade ainda que por algum tempo.

- Interessa a profissionais dedicados a utilizar conceitos fatalistas para vender cada vez mais. Não a venda de um produto específico, mas, ao estabelecer um ambiente de fim do mundo, conseguem chamar a atenção das pessoas para peças publicitárias sensacionalistas e que obviamente vão despertar a atenção de muita gente. E isso pode resultar em maiores vendas de determinadas ofertas oportunistas. 

A Bíblia, regra de fé para grande parte dos cristãos (os que não a relativizam, pelo menos), declara firmemente que o fim desse mundo que conhecemos está associado ao retorno de Jesus Cristo (textos claros são I Tessalonicenses 4:13-16, entre outros). A tônica dos textos bíblicos é a preparação em torno da esperança da volta de Jesus. E não de uma vida com temor ou curiosidade em torno de acontecimentos catastróficos que simplesmente colocarão fim ao estado de coisas que hoje vemos sem quaisquer perspectivas melhores no futuro.
O temor e a curiosidade, que também são criado por esse clima fatalista em torno de uma interpretação errônea do calendário maia, servem a outros interesses (mercantilistas, místicos ou eminentemente especulativos com fins de promoção do sensacionalismo barato menosprezando a religiosidade em geral), mas não aos que a Bíblia se propõe.




Leitura diária da Bíblia é destaque nas redes sociais

domingo, 22 de julho de 2012 0 comentários


Digno de nota é o alcance que o projeto Reavivados por Sua Palavra tem alcançado no Brasil nos últimos meses. Em abril desse ano, a Igreja Adventista do Sétimo Dia em âmbito mundial lançou a ideia de seus membros e outros simpatizantes a lerem, todos os dias, um capítulo da Bíblia começando por Gênesis capítulo 1. E a ideia está avançando bem. É comum, no início da manhã especialmente entre 6 e 8 da matina, no Twitter, a hastag #rpsp estar entre as principais no Trend Topics Brasil, medidor oficial dos assuntos mais relevantes no microblog.
E o mais interessante é que as manifestações com comentários e reflexões sobre o texto bíblico de cada dia são espontâneas, ou seja, não é necessariamente um projeto combinado previamente. Nas meditações matinais, pastores e leigos escrevem diversas mensagens curtas com até 140 caracteres e ajudam a propagar a Bíblia.
Muito interessante. Veja vídeo e confira mais em http://reavivamentoereforma.com/rpsp/


Líderes evangélicos mundiais temem secularismo, diz pesquisa

domingo, 10 de julho de 2011 0 comentários

Revista Época, Semana de 10 de julho de 2011.

Um instituto de pesquisas americano traçou um dos retratos mais completos de que se tem notícia das ideias dos líderes evangélicos. Os investigadores do centro de pesquisas Pew, uma instituição sem fins lucrativos que estuda costumes e tendências da sociedade, aproveitaram que líderes evangélicos do mundo todo se reuniram em um congresso na Cidade do Cabo, na África do Sul, em outubro de 2010, e fizeram aos religiosos uma série de perguntas. O relatório ficou pronto no mês passado. As respostas de 2.196 líderes, vindos de 166 países, revelaram as ideias e os sentimentos dos pastores, que inspiram um grupo de fiéis, cujo número varia de 246 milhões (de acordo com o Pew) a 600 milhões de pessoas (segundo a Aliança Evangélica Mundial). No Brasil, calcula-se que a população evangélica seja de 50 milhões de pessoas. A pesquisa descobriu que a ameaça mais temida pelos líderes entrevistados é a separação entre a fé e a vida moral e intelectual, conhecida como secularismo. Mais de 80% deles acreditam que devem manifestar suas opiniões políticas. Surpreendentemente, 58% dos líderes evangélicos das nações pobres e emergentes acreditam que a Bíblia deveria se tornar a lei de seus países.

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Nota: Interessantes as respostas dadas por esses líderes pesquisados, mas a questão mais importante é o que se faz de prático diante das situações identificadas. Vários dados me chamam a atenção, mas o temor do secularismo é sintomático. O secularismo, ou seja, a dissociação da fé e da vida prática do cristão ou crente, é algo que está impregnado em muitas denominações religiosas há muito tempo. O combate a isso não é nada fácil, até porque muitas igrejas cristãs preferem estar com suas reuniões lotadas por causa de cultos e/ou programas que se preocupam exclusivamente com a forma, ou seja, são verdadeiros shows que servem para "fisgar" gente e não necessariamente ensinar princípios ou doutrinas bíblicas. Não digo aqui que a forma não é importante, mas há religiões que primam somente pela forma (shows, efeitos, manifestações absurdas cujo intuito final é chamar mais a atenção para quem as pratica do que para a Bíblia) e o conteúdo é superficial. Falo do conteúdo essencialmente fundamentado na Bíblia que, segundo a própria pesquisa com os líderes, é a regra de fé para a maioria das crenças evangélicas. É uma dicotomia impressionante. Ao mesmo tempo em que a Bíblia é exaltada nos discursos inflamados dos pregadores, por outro lado os cultos seguem direção contrária e evidenciam muito mais shows televisivos destituídos dos conceitos simples e sólidos encontrados na própria revelação divina. Para mim, trata-se de evidência clara do secularismo nas entranhadas de muitas congregações cristãs.
Ao mesmo tempo, na última pergunta apresentada na reportagem, os líderes responderam acerca da sua expectativa quanto à volta de Jesus Cristo. Ao menos 44% dos ouvidos diz que provavelmente Jesus voltará durante sua vida. Ótima aspiração. Em torno disso, vem, também, a necessidade de preparação espiritual e pessoal sobre isso. Os próprios líderes que responderam a esses questionamentos devem se preocupar em apresentar aos seus liderados o que efetivamente é necessário para uma preparação para o encontro com Jesus. Mas será que isso ocorre nas igrejas hoje?

Garoto diz ter visto Jesus em viagem espiritual e seu relato se torna best-seller

domingo, 8 de maio de 2011 5 comentários

Revista IstoÉ, 06.05.2011.

Ele tem cabelo castanho e tem cabelo no rosto. E os olhos dele… Ah, papai, os olhos dele são tão bonitos!” Foi assim, de um jeito tipicamente infantil, que o garoto americano Colton Burpo descreveu Jesus Cristo após encontrá-lo durante uma suposta viagem espiritual. Colton tinha apenas 4 anos de idade e viveu essa experiência ao fazer uma cirurgia para a retirada de um apêndice rompido. Ele afirma ter visitado o Céu, conhecido o filho de Deus e também sua irmãzinha. Tudo isso em apenas três minutos. Aí é que está o detalhe que levou muita gente a acreditar no garoto, hoje com 12 anos: essa irmã não chegou a nascer porque sua mãe sofreu um aborto espontâneo e Colton era muito pequeno para ter consciência do fato. Impressionado com as descrições do menino, o seu pai, Todd Burpo, que é um pastor protestante, decidiu contar tudo o que ouviu dele no livro “O Céu é de Verdade – O Impressionante Relato do Menino que Foi ao Céu e Voltou para Contar” (Thomas Nelson Brasil), feito em coautoria com a escritora Lynn Vincent, hoje no topo da prestigiada lista de best-sellers de não ficção do jornal “The New York Times”. Nos EUA foram vendidos mais de três milhões de exemplares. No Brasil, a primeira tiragem foi de 20 mil livros e uma segunda já está sendo preparada.
Colton e seu pai: três minutos no paraíso
Supõe-se que um dos trunfos do livro seja a maneira ingênua como Colton descreve Jesus e suas experiências no Paraíso, típica de uma criança à qual falta o pleno domínio do vocabulário. “Ei, papai, você sabia que Jesus tem marcadores?”, pergunta o menino, sem saber explicar de outra maneira as marcas da crucificação nas mãos e nos pés de Cristo. E continua: “Ele tem um cavalo. Sim, um cavalo da cor do arco-íris. Eu fiz carinho nele. Tem muitas cores lá.” No passeio de alguns minutos no Céu, o menino também teria conhecido um bisavô já falecido. Por informações como essa, os pais acreditaram em cada palavra. E, pelo visto, muitos leitores também.
A surpresa com o sucesso desse relato só não é maior porque o filão de livros sobre a possibilidade de vida em outra dimensão já demonstra vigor há algum tempo. Outra criança que teria passado por uma experiência de quase morte e recordado de tudo o que viveu em outro plano foi o americano Alex Malarkey, de 6 anos. Ele se tornou tema de documentário feito para a tevê nos EUA, baseado no livro “The Boy Who Came Back From Heaven” (O Menino que Voltou do Céu, ainda sem tradução no Brasil), sobre o que aconteceu com ele. Em Hollywood, o interesse por essas narrativas gerou recentemente o ótimo drama “Além da Vida”, de Clint Eastwood, filão que já provou a sua força no Brasil com a recente safra de filmes centrados no líder espiritual Chico Xavier. Apenas o longa “Nosso Lar”, inspirado na obra homônima do médium, superou os três milhões de espectadores.

Nota: Realmente, como diz a reportagem, este assunto não é novidade e tem sido explorado comercialmente há muitos anos pela indústria da literatura esotérica. O anseio humano de saber como é o Céu onde Deus habita pode ser saciado com a leitura de trechos da Bíblia como os capítulos 21 e 22 do livro de Apocalipse, entre outros, que dão uma ideia do conceito de céu segundo a revelação principal do cristianismo. Como registrou o apóstolo Paulo, em I Coríntios 2:9: "mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam". O Céu prometido na Bíblia certamente será muito mais interessante e atraente do que se imagina.
As especulações alimentam uma indústria de livros de todo o tipo de autores e abordagens e possuem um nítido fundo espírita ou espiritualista. Essa linha de pensamento fundamentada na aparente inocente descrição do garoto não foge muito dos documentos de autores espíritas sempre presentes na lista dos best-sellers brasileiros. É basicamente a mesma: alguém fora do seu corpo, em outra dimensão, vai ao céu ou a algum pretenso lugar de paz, tranquilidade em busca de respostas ou de pessoas a quem ama. Volta para relatar o que viu, ouviu e sentiu e isso se torna fato inquestionável e evidência de vida além da morte ou fora do corpo. 
É um conceito que difere do que a Bíblia Sagrada ensina ao dizer que não sabemos exatamente como será o Céu e nem temos acesso ao que lá ocorre hoje. Claro que temos acesso a Jesus Cristo por meio da oração e eventualmente visões. Lógico que eu não posso afirmar que o menino não viu a Jesus, etc, como dizem, mas este relato me parece bastante sensacionalista. Qual é o objetivo deste tipo de publicação? Mostrar que precisamos viver realmente os ensinamentos de Jesus Cristo na prática, incluindo os mandamentos, ou reforçar a tese de que há vida fora do nosso corpo, de uma alma e um corpo distintos como pregou o dualismo grego há centenas de anos? São indagações que podem e merecem ser feitas ao lermos algo a respeito de um livro como esse. 
Essas experiências, como a do livro do garoto de 12 anos, mostram-se surpreendentes e até convincentes para muitos, mas qual o grau de confiabilidade que elas possuem se submetidas ao que a Bíblia Sagrada declara em seu contexto?

Livro retrata Jesus bissexual vivendo em Nova York

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 1 comentários

Agência Pavanews, com informações de The Guardian, Gawker e Interview

James Frey é um escritor controverso. Ele já foi chamado de mentiroso, de uma fraude e de vigarista. Outros o consideram um salvador, um revolucionário e um gênio. Desde sua estréia no mundo da literatura mundial com Um Milhão de Pedacinhos (Objetiva, 2003). A obra biográfica relatava a vida de um Frey que foi alcoólatra por dez anos e viciado em crack durante três. Ele afirmava ter  duas opções: aceitar a morte antes dos 24 anos ou encarar o inferno que sua vida se tornara e mudar radicalmente. A obra que foi escrita depois de seus três meses numa clínica de reabilitação fez sucesso, vendeu bem e agradou a crítica. Era uma marco de como uma vida podia se reconstruída. A apresentadora Oprah Winfrey recomendou entusiasticamente a biografia no clube do livro que mantinha em seu programa e que ajudou a alavancar dezenas de títulos.
Cerca de dois anos depois, a verdade apareceu. O livro não era biográfico, Frey o considerava uma obra de ficção, mas deixou ser vendido como real. A apresentadora o repreendeu publicamente, leitores chegaram a processá-lo. A editora precisou recolher as cópias restantes nas livrarias e anexar uma explicação do próprio Frey sobre o conteúdo da falsa biografia.
Acabou perdendo seu contrato com a editoras por causa de suas controvérsias. Acabou ficando com fama de maldito. Lançou outros livros. Já foi publicado em 38 idiomas e tornou-se conhecido por leitores de todo o mundo. O que passou a marcar a vida e a obra de Frey é que o jogo com a verdade, a tênue linha que separa a realidade da ficção. Aventurou-se a escrever roteiros para uma série de televisão sobre a indústria pornô. A rede HBO ainda não decidiu se o projeto será lançado.
Desde 2008 ele vem trabalhando em seu novo livro, chamado “Illumination” [Iluminação]. Mas que chegará às livrarias na Páscoa de 2001 com outro título “The Final Testament of the Holy Bible” [O Testamento Final da Bíblia Sagrada]. Como não poderia deixar de ser, Frey já está sendo alvo de críticas e polêmicas antes do
O título sugestivo relata uma vida fictícia de Jesus na Nova York de hoje. Mas o personagem central está longe do Jesus descrito na Bíblia. Neste “Testamento Final”, Cristo realiza casamentos de casais gays, engravida uma adolescente e depois a obriga a abortar, trata o Antigo e o Novo Testamento como bobagens que não merecem credibilidade. Mantém  relações sexuais com homens e mulheres, cura os doentes mas pratica a eutanásia, desafia o governo e condena o que os outros chamam de santo.
A história é escrita pela perspectiva de 13 pessoas, familiares, amigos e seguidores de Jesus – incluindo um velho rabino, um jovem sem-teto e um médico. “É uma tentativa séria de escrever uma história válida sobre um Messias. É um hipotético terceiro livro da Bíblia. Uma versão de como poderia ser se o Messias aguardado pelos judeus, ou o Jesus Cristo dos cristãos, aparecesse nas ruas da Nova York contemporânea”, diz Frey. “O livro aborda idéias sobre Deus e a religião, o que isso significa, se essas idéias são válidas. Pessoalmente, acredito que se o Messias viesse para a Terra, ele não seria uma pessoa intolerante, que condenaria pessoas ao inferno pelo modo como viveram ou a quem eles amaram”.
Frey consultou diferentes especialistas, religiosos e seculares: rabinos, padres católicos, pastores evangélicos, neurocirurgiões, advogados e psiquiatras. Mas acredita que falar de sexo  na vida de Cristo inevitavelmente criará polêmica. Por que ele acha que sexo é tão importante? “O sexo é parte do amor”, responde Frey. “Então, se alguém está pregando o evangelho do amor, o sexo precisa fazer parte disso. E eu não acredito que o sexo seria limitado a uma relação entre homens e mulheres. Jesus faz sexo com as pessoas que ele ama. Por isso, no meu livro, o Messias tem relações sexuais com homens e mulheres. Acho que a maioria dos cristãos fundamentalistas e evangélicos deste país se revoltaria com ele. Acredito que ele iria desmentir boa parte dos absurdos sobrenaturais na Bíblia, o universo sendo criado em uma semana, anjos com asas voando como super-heróis, um Deus barbudo com voz de trovão”.
Ele tem certeza que não será bem entendido: “Eu recebo críticas por tudo o que faço.” Mas insiste em afirmar que esta não foi a sua motivação. “Se você faz para enfurecer as pessoas, escreverá um livro ruim. Mas se fizer isso porque acredita no que está escrevendo, poderá criar algo interessante e significativa. É fácil escrever apenas para irritar as pessoas”.
Nas viagens da tour de lançamento do seu último Frey ele contratou os motoqueiros do Hell’s Angels como seus guarda-costas. Parece que irá precisar de seus serviços novamente no lançamento do novo também, pois certamente ele conseguirá irritar muita gente.O livro já pode ser encomendado na Amazon e será lançado propositalmente em 12/04, perto da semana da Páscoa.

Nota: Não é novidade este tipo de "literatura" especulativa e que pretende ser historicamente aceitável. O oportunismo e a busca por fama e dinheiro com a venda de livros têm contribuído para o aparecimento e crescimento de espertalhões que desejam apresentar visões pouco convencionais acerca de Jesus Cristo. Mas qual é a intenção por trás disso? Confirmar o relato bíblico de Jesus humano e divino ao mesmo tempo ou estabelecer facetas diferentes, não-bíblicas, fundamentadas em opiniões de gente que propaga algo que não tem base, nem  histórica, muito menos presente na principal relevação biográfica de Cristo: a Bíblia. Estrategicamente o livro deverá ser lançado perto da semana da Páscoa, com o objetivo claro de polemizar e, obviamente, ajudar a alavancar as vendas. É uma pretensão muito grande deste escritor dizer que poderia ser uma visão aceitável acerca de Cristo. Curioso ler que ele consultou outras pessoas para formar esta imagem de Jesus em NY. Bem, creio que estamos diante, mais uma vez, de um retrato fragmentado de Jesus, portanto não tem nada a ver com a Bíblia e nem com o que a história séria tem mostrado até hoje. Vale mais a pena ver o programa Evidências, apresentado por Rodrigo Silva, na TV Novo Tempo, que ajuda a entender melhor o assunto e, é claro, ler bons livros acerca disso.

 
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