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Artigo "Quando a escola é o espaço do inferno"

quinta-feira, 21 de julho de 2011 0 comentários

Artigo de Ruth de Aquino em Época Online, 15.07.2011.

Quase 1.000 alunos são punidos, suspensos ou expulsos por dia nas escolas. Quase 1.000 por dia, alguns com 5 anos de idade! Por abusos verbais e físicos. No ano passado, 44 professores foram internados em hospitais com graves ferimentos. Diante do quadro-negro, o governo decidiu que professores poderão “usar força” para se defender e apartar brigas. E poderão revistar estudantes em busca de pornografia, celulares, câmeras de vídeo, álcool, drogas, material furtado ou armas.

Achou que era no Brasil? É na Grã-Bretanha.

Os dados são de um relatório governamental. “O sistema escolar entrou em colapso”, diz Katharine Birbalsingh, demitida do Departamento de Educação depois de criticar a violência nas escolas públicas inglesas. “Os professores acabam sendo culpados pela indisciplina. A diretoria da escola estimula essa teoria, os alunos a usam como desculpa e até os professores começam a acreditar nisso. Eles não pedem ajuda com medo de parecer incompetentes.”

Os alunos jogam a cadeira no mestre, chutam a perna do mestre, empurram, xingam. Ou furam o mestre com o lápis, fazem comentários obscenos, estupram, ameaçam com facas. Alguns são casos extremos pinçados pela imprensa. Os números na Grã-Bretanha preocupam. Mostram que as escolas precisam restaurar a autoridade perdida. Muitos professores abandonaram a profissão por se sentir impotentes. Educadores mais rigorosos pregam tolerância zero com alunos bagunceiros e que não fazem seu dever de casa.

As reflexões de lá são iguais às de cá. A violência nas escolas seria uma continuação do lado de fora, na rua e nos lares. A hierarquia cai em desuso. Valores e limites, que quer dizer isso mesmo? Crianças e adolescentes não respeitam ninguém. Nem os pais, nem as autoridades, nem os vizinhos, os porteiros, os pedestres, os colegas, as namoradas. Há uma falta de cerimônia, pudor e educação no sentido mais amplo.

E aí a culpa é jogada nos pais. Por não mostrarem o certo e o errado. Não abrirem um tempo de qualidade com os filhos. Esquecê-los em frente a um computador ou televisão. O de sempre. O aluno que peita o professor também xinga os pais. Aric Sigman, da Royal Society of Medicine, em Londres, autor do livro The spoilt generation (A geração mimada) , afirma que, hoje, até criancinhas nas creches jogam objetos e cadeiras umas nas outras. “Há uma inversão da autoridade. Seus impulsos não são controlados em casa. É uma geração mimada que ataca especialmente as mães”, diz ele.

Muitos professores abandonam o ensino por se sentir impotentes diante da violência dos alunos

E o que o governo britânico faz? Manda o professor revidar. Até agora, ele era proibido de tocar no aluno, mesmo ao ensinar um instrumento numa aula de música. A nova cartilha promete superpoderes aos professores. Mestres, usem “força razoável”, vocês agora têm a última palavra para expulsar um aluno agressivo, revistem mochilas suspeitas. Dará certo? Não acredito. Sem diálogo e consenso entre famílias, escolas, educadores e psicólogos, esse pesadelo não tem fim.

No Brasil, a socióloga Miriam Abramovay, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), admite que os professores passaram a ter medo. Numa pesquisa para a Unesco em Brasília, em 2002, um depoimento a chocou: “Um professor me disse que ia armado para a escola. Como se fosse uma selva. Isso mostra total descrença no sistema”. Ela acha que o Brasil está investindo dinheiro demais em bullying, mas esquece todo o resto: “Nossa escola é de dois séculos atrás”. Os ataques aos professores não se limitam à sala de aula. Carros dos mestres são arranhados, pneus são furados. Eles não têm apoio nem ideia de como reagir. Muitos trocam de escola ou abandonam a profissão.

Quando Cristovam Buarque era ministro de Lula, tinha, com Miriam, um projeto nacional de “mediação escolar” para prevenir conflitos, melhorar o ambiente e estimular o aprendizado. “Paulo Freire dizia que a escola era o espaço da alegria, do prazer, mas assim ela se torna o espaço do inferno”, diz Miriam. O projeto não vingou. Cristovam abandonou o barco por sentir que Educação não era prioridade nos investimentos. E continua não sendo. Deveria ser nossa obsessão.

Nota: As estatísticas que abrem o artigo da jornalista dizem respeito a um país considerado mais educado ou com uma política de educação mais consistente. Imagine os números do Brasil em que a educação definitivamente não tem atenção de verdade e onde investimentos em educação significam apenas construção de mais prédios (com e sem superfaturamento) e compra de equipamentos. Como se apenas isso representasse qualidade educacional.
No final do artigo, Ruth comenta que a educação deveria ser a nossa obsessão como país. Acrescento: princípios bíblicos deveriam nortear essa "obsessão". O fato de alunos não respeitarem os próprios pais e consequentemente nem seus professores e, por isso, os educadores passarem a ser motivados a revidar, é sintoma. Sintoma de que normas, regras, princípios e fundamentos para a vida não importam mais e nem são ensinados.
A violência educacional evidencia a carência de temor aos pais como existia em algum tempo no passado distante. Porque o início ainda é na família, só que a própria família está sendo destruída com uma série de expedientes advindos de uma sociedade mais "pensante", "tecnologicamente avançada", "pós-moderna", etc.
A base espiritual está mais do que decadente. Princípios religiosos , que sempre ajudaram a conduzir sociedades no passado dentro de uma linha em que o respeito mútuo se fez presente, hoje estão em total desuso. Considerados anacrônicos, porém ainda são eficazes. A busca por isso se dá na intensa procura por escolas particulares, inclusive confessionais onde ainda se estabelecem regras. Agora, é necessário entender que essas regras não adiantarão muito se não forem vividas dentro dos lares.
Educação calcada em princípios bíblicos deveria ser nossa obsessão.

Pais preferem filhos longe da TV aberta

sexta-feira, 20 de maio de 2011 0 comentários

Meio & Mensagem, 20.05.2011.

Superprotegidas pelos pais que, diante dos altos índices de violência e da periculosidade das ruas, acreditam que o melhor lugar para manter seus pequenos é dentro de casa – as crianças desta década apresentam hábitos de vida e de consumo totalmente diferente dos seus pais e das pessoas de gerações anteriores. E um deles é a adoção dos canais da TV por assinatura como sua principal janela para o mundo e fonte de entretenimento.

Essas são algumas conclusões trazidas pela pesquisa “Crianças de Ontem, Pais de hoje”, realizada pela Discovery Networks para o canal infantil Discovery Kids. Realizada com 1450 pais de diversas cidades brasileiras (assinantes do canal), o estudo procurou fazer um comparativo entre a criação dos pais com a atual geração.

De maneira geral, os índices mostram que a preocupação dos pais com a segurança e educação dos filhos vem fazendo com que os pequenos concentrem grande parte de suas atividades entre as paredes de casa. Dessa maneira, o consumo de TV e internet banda larga é cada vez maior, enquanto os antigos hábitos comuns na infância – como brincar na rua, dormir na casa de amigos ou andar de transporte público – estão virando coisa do passado.

Enquanto 89% dos adultos entrevistados garante que brincar na rua era uma de seus principais atividades, somente 14% das crianças de hoje desfrutam desse tipo de diversão. “A liberdade das crianças está muito restrita. Os pais querem proteger os filhos dos perigos e, praticamente, os acompanham em tudo”, analisa Marcela Doria, gerente de pesquisa do Discovery Networks.

Na prática, essa geração superprotegida acaba desconhecendo atividades simples, como ir à escola a pé (somente 8% fazem isso, enquanto para 77% dos pais, caminhar ao colégio era um hábito comum), andar de ônibus sozinhas (apenas 1% dos pais pesquisados já permitiram que seu filho pegue um transporte público desacompanhado) e dormir na casa de amigos (enquanto 41% dos adultos costumava fazer isso, antigamente, somente 16% ainda conserva esse hábito).

Mídia

Segundo outros dados do estudo, 93% dos pais preferem que as crianças assistam TV por assinatura do que a programação da TV aberta e quatro entre dez pais controlam (ou, no mínimo, opinam) sobre o que os filhos irão sintonizar na telinha. De acordo com a Discovery, esse comportamento deve-se ao fato de os adultos acreditarem que os canais infantis da TV paga são mais educativos e condizentes com as crianças do que a programação aberta.

A pesquisa também mostrou que 57% das crianças têm TV em seus quartos e que 19% delas – mesmo antes de completar dez anos – já têm o seu próprio telefone celular. Além disso, 83% dos pais afirmam que os filhos são acompanhantes assíduos deles nas compras em supermercados e lojas e que, muitas vezes, são os pequenos que decidem o que será colocado no carrinho.

 Nota: O grande problema não é a existência de conteúdo de baixíssima qualidade nos meios de comunicação, mas o fato de muitos pais não exercerem seu papel de orientação quanto ao que os filhos devem saber a respeito dos programas de TV e mesmo Internet. Um dos grandes males do nosso século é a incapacidade das pessoas de exercerem consciência crítica diante do que veem, ouvem e eventualmente leem (digo eventualmente, porque a leitura cai a cada ano que passa especialmente em países como o Brasil e outros que não incentivam de fato a educação). Os tempos são muito difíceis para as crianças e adolescentes, pois as brincadeiras infanto-juvenis mudaram radicalmente e o problema não está apenas na TV aberta, mas na TV paga com programas que incentivam sexo livre, apresentam os mortos como participantes da vida aqui nesse mundo ainda, entre outros conceitos para os quais a Bíblia não dá amparo. Por esse motivo, o culto doméstico e os princípios bíblicos, no caso das famílias cristãs, deve ser prioridade. O controle remoto é apenas um instrumento nesta história toda, mas o mais importante é que jovens, crianças e adolescentes saibam escolher e por que escolher determinados filmes, sites, blogs, assuntos nas redes sociais. E isso passa pela conscientização junto com os pais e com consumo do que ainda tem de boa qualidade nos meios de comunicação (o que não é muito mesmo, a menor parte).

 
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