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Livro analisa em romance discussão do ateísmo X crença religiosa

sábado, 24 de agosto de 2013 0 comentários

Realmente há alguns livros que valem a pena ser lidos porque o conteúdo nos conduz a algo melhor e que nos faz verdadeiramente raciocinar e até nos emocionar. É o caso do recém-lançado A Descoberta, publicado pela Casa Publicadora Brasileira, de autoria do jornalista Michelson Borges e do profissional de direito Denis Cruz.
O livro é uma narrativa muito bem estruturada que aborda a discussão do ateísmo X crença religiosa e passa pelas questões que envolvem ciência e religião e seus pontos convergentes. A história é bem escrita, os argumentos científicos e teológicos estão inseridos de uma maneira inteligente a ponto de o leitor ser guiado a uma discussão bem profunda sem praticamente perceber.
Mas não espere um livro de muitas páginas com o uso típico de argumentação (que também teu seu lugar) e,sim, uma narrativa agradável para ser lida de uma família. Tem reflexões sobre espiritualidade bem claras que nos levam a pensar em nosso modelo de vida também.
Não costumo usar esse espaço para divulgar livros, mas esse realmente merece ser lido e compartilhado.
Essa discussão de ateísmo X crença religiosa é bem interessante atualmente porque o ateísmo se tornou uma bandeira para muitos e uma causa pela qual cientistas e mesmo não cientistas estão lutando de maneira aguerrida. Ao mesmo tempo, a noção de crença religiosa parece estar mudando no mundo e há um certo interesse em se relativizar tudo.
O grande mérito de um livro como A Descoberta é trazer à tona para um público não tão científico (inclusive jovens que quem sabe estão estudando e enfrentando esse dilema nas universidades que frequentam) o fato de que o mundo não pode ser observado apenas sob a perspectiva do ateísmo, do materialismo, das filosofias anticristãs ou antirreligiosas. Evidentemente há que se respeitar esse tipo de pensamento, mas não se pode aceitar que seja o único vigente e nem o mais racionalmente plausível ou digno de ampla divulgação.
Virou moda criticar a religiosidade ou a religião ou mesmo, no caso do cristianismo, a Bíblia Sagrada e seus conceitos. Ok. Respeitemos os modistas ou os que tornaram isso uma moda atualmente por meio de campanhas sistemáticas, mas os mesmos precisam compreender o valor que obviamente está contido na religião e na Bíblia. Não se pode fechar os olhos para essa realidade.
O convite do livro é claro para mim. Convida à pesquisa, ao estudo, à leitura, à descoberta, assim como um dos protagonistas da história fez. E lógico que essa viagem leva a muito mais do que o saber intelectual. Conduz a uma perspectiva mais ampla que mexe com o futuro, com o passado, com as emoções e com todos os aspectos da vida.
A discussão milenar ateísmo X crença religiosa, como todos sabem, permanece e vez por outra dá a impressão de crescer. Mas é saudável quando os dois lados são postos sobre a mesa. Ninguém, nesse ambiente, tem o direito de menosprezar o outro. Mas argumentar é  o que se deve fazer. Com sinceridade em busca de algumas respostas que certamente estão preparadas para os que anseiam encontrá-las.






Garoto diz ter visto Jesus em viagem espiritual e seu relato se torna best-seller

domingo, 8 de maio de 2011 5 comentários

Revista IstoÉ, 06.05.2011.

Ele tem cabelo castanho e tem cabelo no rosto. E os olhos dele… Ah, papai, os olhos dele são tão bonitos!” Foi assim, de um jeito tipicamente infantil, que o garoto americano Colton Burpo descreveu Jesus Cristo após encontrá-lo durante uma suposta viagem espiritual. Colton tinha apenas 4 anos de idade e viveu essa experiência ao fazer uma cirurgia para a retirada de um apêndice rompido. Ele afirma ter visitado o Céu, conhecido o filho de Deus e também sua irmãzinha. Tudo isso em apenas três minutos. Aí é que está o detalhe que levou muita gente a acreditar no garoto, hoje com 12 anos: essa irmã não chegou a nascer porque sua mãe sofreu um aborto espontâneo e Colton era muito pequeno para ter consciência do fato. Impressionado com as descrições do menino, o seu pai, Todd Burpo, que é um pastor protestante, decidiu contar tudo o que ouviu dele no livro “O Céu é de Verdade – O Impressionante Relato do Menino que Foi ao Céu e Voltou para Contar” (Thomas Nelson Brasil), feito em coautoria com a escritora Lynn Vincent, hoje no topo da prestigiada lista de best-sellers de não ficção do jornal “The New York Times”. Nos EUA foram vendidos mais de três milhões de exemplares. No Brasil, a primeira tiragem foi de 20 mil livros e uma segunda já está sendo preparada.
Colton e seu pai: três minutos no paraíso
Supõe-se que um dos trunfos do livro seja a maneira ingênua como Colton descreve Jesus e suas experiências no Paraíso, típica de uma criança à qual falta o pleno domínio do vocabulário. “Ei, papai, você sabia que Jesus tem marcadores?”, pergunta o menino, sem saber explicar de outra maneira as marcas da crucificação nas mãos e nos pés de Cristo. E continua: “Ele tem um cavalo. Sim, um cavalo da cor do arco-íris. Eu fiz carinho nele. Tem muitas cores lá.” No passeio de alguns minutos no Céu, o menino também teria conhecido um bisavô já falecido. Por informações como essa, os pais acreditaram em cada palavra. E, pelo visto, muitos leitores também.
A surpresa com o sucesso desse relato só não é maior porque o filão de livros sobre a possibilidade de vida em outra dimensão já demonstra vigor há algum tempo. Outra criança que teria passado por uma experiência de quase morte e recordado de tudo o que viveu em outro plano foi o americano Alex Malarkey, de 6 anos. Ele se tornou tema de documentário feito para a tevê nos EUA, baseado no livro “The Boy Who Came Back From Heaven” (O Menino que Voltou do Céu, ainda sem tradução no Brasil), sobre o que aconteceu com ele. Em Hollywood, o interesse por essas narrativas gerou recentemente o ótimo drama “Além da Vida”, de Clint Eastwood, filão que já provou a sua força no Brasil com a recente safra de filmes centrados no líder espiritual Chico Xavier. Apenas o longa “Nosso Lar”, inspirado na obra homônima do médium, superou os três milhões de espectadores.

Nota: Realmente, como diz a reportagem, este assunto não é novidade e tem sido explorado comercialmente há muitos anos pela indústria da literatura esotérica. O anseio humano de saber como é o Céu onde Deus habita pode ser saciado com a leitura de trechos da Bíblia como os capítulos 21 e 22 do livro de Apocalipse, entre outros, que dão uma ideia do conceito de céu segundo a revelação principal do cristianismo. Como registrou o apóstolo Paulo, em I Coríntios 2:9: "mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam". O Céu prometido na Bíblia certamente será muito mais interessante e atraente do que se imagina.
As especulações alimentam uma indústria de livros de todo o tipo de autores e abordagens e possuem um nítido fundo espírita ou espiritualista. Essa linha de pensamento fundamentada na aparente inocente descrição do garoto não foge muito dos documentos de autores espíritas sempre presentes na lista dos best-sellers brasileiros. É basicamente a mesma: alguém fora do seu corpo, em outra dimensão, vai ao céu ou a algum pretenso lugar de paz, tranquilidade em busca de respostas ou de pessoas a quem ama. Volta para relatar o que viu, ouviu e sentiu e isso se torna fato inquestionável e evidência de vida além da morte ou fora do corpo. 
É um conceito que difere do que a Bíblia Sagrada ensina ao dizer que não sabemos exatamente como será o Céu e nem temos acesso ao que lá ocorre hoje. Claro que temos acesso a Jesus Cristo por meio da oração e eventualmente visões. Lógico que eu não posso afirmar que o menino não viu a Jesus, etc, como dizem, mas este relato me parece bastante sensacionalista. Qual é o objetivo deste tipo de publicação? Mostrar que precisamos viver realmente os ensinamentos de Jesus Cristo na prática, incluindo os mandamentos, ou reforçar a tese de que há vida fora do nosso corpo, de uma alma e um corpo distintos como pregou o dualismo grego há centenas de anos? São indagações que podem e merecem ser feitas ao lermos algo a respeito de um livro como esse. 
Essas experiências, como a do livro do garoto de 12 anos, mostram-se surpreendentes e até convincentes para muitos, mas qual o grau de confiabilidade que elas possuem se submetidas ao que a Bíblia Sagrada declara em seu contexto?

Livro retrata Jesus bissexual vivendo em Nova York

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 1 comentários

Agência Pavanews, com informações de The Guardian, Gawker e Interview

James Frey é um escritor controverso. Ele já foi chamado de mentiroso, de uma fraude e de vigarista. Outros o consideram um salvador, um revolucionário e um gênio. Desde sua estréia no mundo da literatura mundial com Um Milhão de Pedacinhos (Objetiva, 2003). A obra biográfica relatava a vida de um Frey que foi alcoólatra por dez anos e viciado em crack durante três. Ele afirmava ter  duas opções: aceitar a morte antes dos 24 anos ou encarar o inferno que sua vida se tornara e mudar radicalmente. A obra que foi escrita depois de seus três meses numa clínica de reabilitação fez sucesso, vendeu bem e agradou a crítica. Era uma marco de como uma vida podia se reconstruída. A apresentadora Oprah Winfrey recomendou entusiasticamente a biografia no clube do livro que mantinha em seu programa e que ajudou a alavancar dezenas de títulos.
Cerca de dois anos depois, a verdade apareceu. O livro não era biográfico, Frey o considerava uma obra de ficção, mas deixou ser vendido como real. A apresentadora o repreendeu publicamente, leitores chegaram a processá-lo. A editora precisou recolher as cópias restantes nas livrarias e anexar uma explicação do próprio Frey sobre o conteúdo da falsa biografia.
Acabou perdendo seu contrato com a editoras por causa de suas controvérsias. Acabou ficando com fama de maldito. Lançou outros livros. Já foi publicado em 38 idiomas e tornou-se conhecido por leitores de todo o mundo. O que passou a marcar a vida e a obra de Frey é que o jogo com a verdade, a tênue linha que separa a realidade da ficção. Aventurou-se a escrever roteiros para uma série de televisão sobre a indústria pornô. A rede HBO ainda não decidiu se o projeto será lançado.
Desde 2008 ele vem trabalhando em seu novo livro, chamado “Illumination” [Iluminação]. Mas que chegará às livrarias na Páscoa de 2001 com outro título “The Final Testament of the Holy Bible” [O Testamento Final da Bíblia Sagrada]. Como não poderia deixar de ser, Frey já está sendo alvo de críticas e polêmicas antes do
O título sugestivo relata uma vida fictícia de Jesus na Nova York de hoje. Mas o personagem central está longe do Jesus descrito na Bíblia. Neste “Testamento Final”, Cristo realiza casamentos de casais gays, engravida uma adolescente e depois a obriga a abortar, trata o Antigo e o Novo Testamento como bobagens que não merecem credibilidade. Mantém  relações sexuais com homens e mulheres, cura os doentes mas pratica a eutanásia, desafia o governo e condena o que os outros chamam de santo.
A história é escrita pela perspectiva de 13 pessoas, familiares, amigos e seguidores de Jesus – incluindo um velho rabino, um jovem sem-teto e um médico. “É uma tentativa séria de escrever uma história válida sobre um Messias. É um hipotético terceiro livro da Bíblia. Uma versão de como poderia ser se o Messias aguardado pelos judeus, ou o Jesus Cristo dos cristãos, aparecesse nas ruas da Nova York contemporânea”, diz Frey. “O livro aborda idéias sobre Deus e a religião, o que isso significa, se essas idéias são válidas. Pessoalmente, acredito que se o Messias viesse para a Terra, ele não seria uma pessoa intolerante, que condenaria pessoas ao inferno pelo modo como viveram ou a quem eles amaram”.
Frey consultou diferentes especialistas, religiosos e seculares: rabinos, padres católicos, pastores evangélicos, neurocirurgiões, advogados e psiquiatras. Mas acredita que falar de sexo  na vida de Cristo inevitavelmente criará polêmica. Por que ele acha que sexo é tão importante? “O sexo é parte do amor”, responde Frey. “Então, se alguém está pregando o evangelho do amor, o sexo precisa fazer parte disso. E eu não acredito que o sexo seria limitado a uma relação entre homens e mulheres. Jesus faz sexo com as pessoas que ele ama. Por isso, no meu livro, o Messias tem relações sexuais com homens e mulheres. Acho que a maioria dos cristãos fundamentalistas e evangélicos deste país se revoltaria com ele. Acredito que ele iria desmentir boa parte dos absurdos sobrenaturais na Bíblia, o universo sendo criado em uma semana, anjos com asas voando como super-heróis, um Deus barbudo com voz de trovão”.
Ele tem certeza que não será bem entendido: “Eu recebo críticas por tudo o que faço.” Mas insiste em afirmar que esta não foi a sua motivação. “Se você faz para enfurecer as pessoas, escreverá um livro ruim. Mas se fizer isso porque acredita no que está escrevendo, poderá criar algo interessante e significativa. É fácil escrever apenas para irritar as pessoas”.
Nas viagens da tour de lançamento do seu último Frey ele contratou os motoqueiros do Hell’s Angels como seus guarda-costas. Parece que irá precisar de seus serviços novamente no lançamento do novo também, pois certamente ele conseguirá irritar muita gente.O livro já pode ser encomendado na Amazon e será lançado propositalmente em 12/04, perto da semana da Páscoa.

Nota: Não é novidade este tipo de "literatura" especulativa e que pretende ser historicamente aceitável. O oportunismo e a busca por fama e dinheiro com a venda de livros têm contribuído para o aparecimento e crescimento de espertalhões que desejam apresentar visões pouco convencionais acerca de Jesus Cristo. Mas qual é a intenção por trás disso? Confirmar o relato bíblico de Jesus humano e divino ao mesmo tempo ou estabelecer facetas diferentes, não-bíblicas, fundamentadas em opiniões de gente que propaga algo que não tem base, nem  histórica, muito menos presente na principal relevação biográfica de Cristo: a Bíblia. Estrategicamente o livro deverá ser lançado perto da semana da Páscoa, com o objetivo claro de polemizar e, obviamente, ajudar a alavancar as vendas. É uma pretensão muito grande deste escritor dizer que poderia ser uma visão aceitável acerca de Cristo. Curioso ler que ele consultou outras pessoas para formar esta imagem de Jesus em NY. Bem, creio que estamos diante, mais uma vez, de um retrato fragmentado de Jesus, portanto não tem nada a ver com a Bíblia e nem com o que a história séria tem mostrado até hoje. Vale mais a pena ver o programa Evidências, apresentado por Rodrigo Silva, na TV Novo Tempo, que ajuda a entender melhor o assunto e, é claro, ler bons livros acerca disso.

 
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