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Saída de Bento XVI: inesperada, estratégica ou profética?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 0 comentários

Cidade do Vaticano (RV) - Bento XVI anunciou esta segunda-feira que renunciará no dia 28 de fevereiro. Eis o texto integral do anúncio:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

Meu Comentário - Esse assunto da renúncia de Bento XVI interessa a todo o mundo, especialmente ao cristianismo. Independente de crenças ou descrenças, o Vaticano é um dos mais poderosos e influentes estados do mundo e o único com status religião, o que lhe empresta uma peculiaridade digna de análises. 
É muito provável que Ratzinger tenha renunciado por uma questão estratégica da Cúria Romana. As repetidas e crescentes denúncias de abusos sexuais por parte de padres e bispos têm maculado a imagem do Vaticano e isso desgastou a administração do papa alemão, cujo irmão também pode estar envolvido em denúncias. Talvez agora surja alguma estratégia diferenciada para lidar com essa permanente crise de imagem a partir de um novo líder menos comprometido com essa nefasta acusação.
O momento pode ser de ruptura com uma determinada maneira conservadora de administrar e o início de uma fase que consiga dialogar mais ainda com outras religiões e grupos antagônicos e que frequentemente causam constrangimento ao Vaticano como os pró-homossexualismo, pró-aborto, entre outro. Para isso, nova liderança pode ser necessária. 
Historicamente, conforme livros escritos, por exemplo, pelo jornalista inglês David Yallop, sabe-se que o Vaticano é um conjunto de interesses políticos e o papa tem de administrar esses interesses todos. É provável que Ratzinger já não seja o líder ideal para tudo isso. Ainda mais com um forte desgaste de imagem em tempos de globalização da informação e de secularização e crítica veemente aos modelos religiosos  por parte das correntes pós-modernas de cosmovisão.
É bom lembrar que a Bíblia não ensina nada acerca de escolhas de papas pelo simples motivo de que nunca, nas Sagradas Escrituras, foi dito que um homem governaria a igreja de Deus nesse mundo com características como infalibilidade. O tema de escolha papal, conclave ou administração político-religiosa são invenções humanas destituídas de qualquer base bíblica. 
A Bíblia assinala, no entanto, de acordo com Apocalipse 13, que um poder político e religioso se levantaria nos tempos finais desse mundo para fazer oposição final contra os fiéis a Deus enquanto guardadores dos mandamentos e do testemunho de Jesus. Ainda de acordo com a inspiração profética de Daniel, nesse perfil só se encaixa o Vaticano como herdeiro da tradição pagã-pseudocristã do Império Romano desmontado oficialmente em 476 d.C. 
Esse poder religioso teria força dos homens, mas não legitimidade divina para atuar. O Vaticano sofre abalos e agora perde repentinamente ou estrategicamente seu líder máximo. Mas outro será nomeado rapidamente antes mesmo que os boatos sobre sucessores consigam se avolumar. Não importa se será um italiano, um ganês, um canadense ou de qualquer outra nacionalidade, terá de se submeter a um sistema já existente e que é bastante forte. Forte o suficiente para, quem sabe, até trocar quem não estiver cumprindo com o papel exigido para a função. 
Vamos acompanhar essa sucessão.

Igreja Católica portuguesa cria secretariado para ecumenismo

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 1 comentários


Rádio Vaticano, 19.01.2012.


A unidade entre os cristãos, tema que começou esta quarta feira a ser refletido pelas comunidades de fiéis, vai merecer aposta renovada por parte da Igreja Católica portuguesa, através da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.
o presidente daquele organismo, D. António Couto, mostra-se convicto de que “os cristãos podem dar um testemunho muito mais forte”, se estiverem “juntos”, a trabalhar “em consonância”.
Só a construção de uma dinâmica religiosa “muito forte” é que poderá ajudar a levantar uma Europa que “se está a desmoronar, não só no campo económico mas também no campo pessoal”, onde “faltam valores, princípios, alegria e amor”, sublinha o bispo.
As bases para a nova estrutura foram lançadas em novembro de 2011, durante a assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.
A Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização vai criar um Secretariado dedicado ao Ecumenismo, que até então estava integrado num núcleo próprio juntamente com a Doutrina da Fé.
Além de acompanhar o diálogo entre as Igrejas, o trabalho missionário e o anúncio da Palavra de Deus em território nacional e estrangeiro, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, D. António Couto vai ter também sob a sua alçada o projeto “Repensar a Pastoral em Portugal”.
Uma ideia que os bispos portugueses lançaram em 2010 para promover a renovação da ação evangelizadora da Igreja, a partir de uma colaboração mais estreita entre dioceses, paróquias, congregações e movimentos de apostolado.
D. António Couto recorda ainda a importância de iniciativas como o Ano da Fé e o Sínodo da Nova Evangelização, que vão decorrer ao longo de 2012, para a consolidação do trabalho que tem vindo a ser feito, nas diversas áreas.
Entre 18 e 25 de janeiro, a Igreja Católica associa-se à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, este ano com o tema ‘Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo’, retirado da carta bíblica de São Paulo aos Coríntios.
Em Portugal a celebração nacional, que junta anualmente representantes de várias Igrejas cristãs, está marcada para Braga, no dia 20.


Nota: Sintomático que um dos países com maior adesão às causas do Vaticano, Portugal, crie mecanismos para claramente intensificar o diálogo ecumênico. Evidentemente, a Igreja Católica de Portugal, que deve somar seguramente em torno de 7 milhões de professos seguidores (maioria cristã no país europeu), segue tendência do próprio Vaticano de abrir cada vez mais canais de conversação com outras religiões. 
Sempre, porém, gosto de pensar nas repercussões desse tipo de movimento.
(1) O tema da unidade sempre vem à tona, mas se faz questão de não detalhar em que aspectos se busca essa unidade. Ou seja, será uma unidade doutrinária, de ação, de projetos? Não está claro, portanto, essa unidade é um termo propositadamente abstrato. Unidade cristã, segundo a Bíblia, especialmente as cartas do apóstolo Paulo, se dá em torno de Cristo, o cabeça da igreja visível nesse mundo. Todas as outras tentativas de unidade, que não estão alicerçadas nos ensinamentos de Cristo tais como descritos na Bíblia Sagrada, são colocadas por mim sob suspeita.
(2) Fica meio subentendido, nas entrelinhas, que o objetivo maior dessa conversação ecumênica é por motivação econômica e por causa do que na reportagem é chamado de desmoronamento da Europa. Falam da questão econômica e da questão "pessoal". Bem, todos sabem da crise econômica pela qual passa a União Europeia e da sua fragilidade devido aos calotes que vários de seus membros estão dando em relação às dívidas. A Igreja Católica Portuguesa, portanto, declara que pretende fortalecer a unidade, também, para enfrentar essa situação. O objeto principal, portanto, não é uma harmonização de ideias e nem de ensinamentos bíblicos, mas estabelecer uma força religiosa capaz de chegar a soluções para problemas de ordem eminentemente econômica. 
Continuo acompanhando essa movimentação que parece bastante distante da unidade cristã pela qual Cristo orou em João 17.

Documento do Vaticano sobre crise econômica comentado em detalhes

sexta-feira, 25 de novembro de 2011 0 comentários

Falei hoje na Rádio Novo Tempo (www.novotempo.com/radio) sobre as implicações do documento produzido recentemente pelo Vaticano sobre a crise econômica e global. O documento se chama Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz - Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional
na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal.
Documento original publicado em:


Esse Conselho é um órgão da Cúria Romana responsável por ações de promoção da justiça e da paz presidido atualmente por um bispo de Gana chamado Peter Turkson.

Quero destacar três pontos principais em relação a esse documento:

1. Para o Vaticano, a origem do problema é o liberalismo econômico sem regras e incontrolado que conduz à desigualdade social. Se relacionarmos com outros documentos anteriormente promulgados a respeito de questões morais, é possível entender que, na ótica da Santa Sé, o problema da "bolha econômica" que deu origem à crise que hoje assola os países europeus é fruto da exploração do capital especulativo e, em última instância, do liberalismo econômico desregrado.
Engraçado é que o Vaticano, através de seus bancos, também participa desse tipo de capital especulativo. Quem quiser entender melhor como o Vaticano age administrativa e sob a ótica geopolítica mundial, sugiro a leitura da obra O Poder e a glória, do jornalista inglês David Yallop.
Abaixo, a citação do documento que reforça o que estou dizendo:

"Antes de tudo, um liberalismo económico sem regras e incontrolado. Trata-se de uma ideologia, de uma forma de «apriorismo económico», que pretende tirar da teoria as leis de funcionamento do mercado e as chamadas leis do desenvolvimento capitalista, exasperando alguns dos seus aspectos. Uma ideologia económica que estabeleça a priori as leis de funcionamento do mercado e do desenvolvimento económico, sem se confrontar com a realidade, corre o risco de se tornar um instrumento subordinado aos interesses dos países que gozam efectivamente de uma posição de vantagem económica e financeira".

2.  O Vaticano entende que é preciso estabelecer uma Autoridade Política Mundial. O termo é significativo, porque faz alusão à necessidade de uma espécie de organismo/entidade/instituição que tome para si a responsabilidade de organizar-se acima dos poderes terrenos, governamentais. É fundamental compreender que a solução, conforme o documento, não está em Deus, como se poderia deduzir partindo de uma organização religiosa, mas nessa Autoridade Política Mundial. E não é difícil concluir que, pelas características apresentadas, somente o próprio Vaticano se encaixa nesse perfil. Ou seja, aí nesse ponto legislam em causa própria.

"A constituição de uma Autoridade política mundial deveria ser precedida de uma fase preliminar de concertação, da qual emergirá uma instituição legitimada, capaz de oferecer uma guia eficaz e, ao mesmo tempo, de permitir que cada país expresse e persiga o próprio bem particular. O exercício de uma Autoridade como esta, colocada ao serviço do bem de todos e de cada um, será necessariamente super partes, isto é, acima de qualquer visão parcial e de qualquer bem particular, em vista da realização do bem comum. As suas decisões não deverão ser o resultado do pré-poder dos países mais desenvolvidos sobre os países mais débeis. Ao contrário, deverão ser assumidas no interesse de todos, não só em benefício de alguns grupos, quer eles sejam formados por lobby privadas ou por Governos nacionais".

3. O documento declara, no final, que a autoridade mundial é o único horizonte que pode fazer frente a toda essa dificuldade relacionada à crise econômica global. Ou seja, apesar de a Bíblia declarar que a volta de Cristo Jesus (inclusive bem declarado isso em profecias históricas como as da estátua de Nabucodonosor, com registro em Daniel capítulo 2, o Vaticano assegura que a saída definitiva está nesse modelo de autoridade política mundial.

"Num mundo em vias de rápida globalização, a referência a uma Autoridade mundial torna-se o único horizonte compatível com as novas realidades do nosso tempo e com as necessidades da espécie humana. Mas não se deve esquecer, contudo, que esta passagem, considerando a natureza ferida dos homens, não se realiza sem angústias e sem sofrimentos".

Vaticano quer autoridade financeira 'com competência universal'

segunda-feira, 24 de outubro de 2011 0 comentários

Veja Online, 19.10.2011.

O Vaticano anunciou nesta quarta-feira ter preparado um documento para a reforma do sistema financeiro internacional no qual convoca a criação de uma "autoridade pública com competência universal".
O documento será apresentado na segunda-feira à imprensa e foi elaborado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, liderado pelo cardeal africano Peter Kodwo Appiah Turkson.
"A reforma do sistema financeiro internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal" é o título do documento, que ainda não teve seu conteúdo divulgado.
O Vaticano apresenta assim propostas concretas perante a crise econômica e social que afeta o mundo desde 2008.
Bento XVI se pronunciou em diversas ocasiões a favor de uma "intervenção pública" e denunciou o sistema econômico atual e suas consequências sobre os setores mais pobres da população, em particular os camponeses.
"A crise financeira mundial demonstrou a fragilidade do sistema econômico atual e das instituições a elas conectadas", declarou o Papa em abril.
Para o chefe da igreja, é "um erro considerar que o mercado é capaz de se autorregular, sem a necessidade de uma intervenção pública e sem referências morais internacionais", escreveu.
Na segunda-feira, em uma mensagem enviada à Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) pelo Dia Mundial da Alimentação, Bento XVI fez um pedido a favor dos agricultores de todo o mundo.
"É preciso investir no setor agrícola", disse.
Em julho, o Papa condenou firmemente a "especulação financeira" com alimentos.
"O quadro internacional e as frequentes preocupações causadas pela instabilidade, junto com o aumento dos preços dos alimentos, requerem propostas concretas e necessariamente unitárias para obter os resultados que os Estados não podem garantir individualmente", ressaltou então.

Nota: Essa intervenção pública, como fez questão de chamar o Vaticano, tem relação direta com as profecias bíblicas, sobretudo em Apocalipse 13, onde está declarado que as bestas juntas (a que emerge do mar e a da terra) iriam se unir para coibir a compra e venda de todos aqueles que não se submetessem à sua adoração. Ou seja, a Bíblia é enfática, nas revelações dadas ao profeta João, de que a questão econômica está no cerne da questão da perseguição religiosa empreendida nos últimos dias nesse mundo a um grupo que é denominado de verdadeiros adoradores de Deus.
Um estudo do livro de Apocalipse juntamente com Daniel 7,8 e 9 deixa claro que esse poder de influência político-econômica e religiosa vai agir de maneira veemente e contundente. O fator econômico está totalmente presente e essa declaração da Santa Sé vai nesse sentido. E o Vaticano, segundo estudiosos da Bíblia há muitos anos, possui características que se encaixam perfeitamente na descrição de uma das bestas apocalípticas.
Para quem não crê muito no poderio econômico e na ação permanente do Vaticano ao longo dos anos no que diz respeito ao seu próprio avanço econômico, sugiro ler bons livros de história geral. Esse interesse se estende até o presente papado. Detalhes a respeito do pontificado de João Paulo II, nesse e em outros aspectos, podem ser lidos na excelente pesquisa jornalística de David Yallop na obra O Poder e a Glória.
Já sobre a questão das bestas e a relação com o papado, uma leitura necessária e imediata é o livro Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse, de Maxwell.

O que há por trás da conferência sobre lei dominical

quarta-feira, 6 de julho de 2011 3 comentários

Na segunda-feira, dia 20 de junho, a European Sunday Alliance (Aliança Europeia para o domingo - ESA) promoveu em Bruxelas, Bélgica, uma conferência sobre a proteção do domingo como jornada não laborável, sob o título “O valor agregado da sincronização do tempo livre”. A ESA é uma rede de alianças nacionais formadas por sindicatos, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas, entre as quais também se encontram a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) e a Conferência das Igrejas Europeias (KEK).
Entre os temas tratados estão a segurança dos trabalhadores, o equilíbrio entre trabalho e vida profissional com a vida familiar, e a importância do fim de semana para a vida comunitária. Os organizadores assinalam que “o encontro procura informar os responsáveis políticos europeus sobre a importância de um tempo de qualidade sincronizado não só no aspecto cultural dentro do patrimônio europeu, mas também como um importante fator de construção da Europa social: uma UE consciente das exigências de seus cidadãos”.

Notícia original em http://www.europeansundayalliance.eu/site/home

Nota: Essa conferência, noticiada em alguns sites religiosos, faz parte de um conjunto de ações que já têm sido desenvolvidas no sentido de fortalecer o domingo como um dia especial em que o trabalho regular deve ser cessado. Não é a primeira e nem será a última movimentação nessa direção. Não apenas o Vaticano, mas entidades, inclusive sindicatos, possuem interesse em que o domingo seja visto como uma dia para o trabalhador estar com sua família. Mas, como se lê na reportagem traduzida e publicada no próprio site da Aliança Europeia do Domingo, o encontro teve, também, o objetivo de consolidar a construção de uma Europa social. É nítido que a União Europeia tem sofrido golpes fortes contra sua unidade nos últimos anos: economia, religião e organização política.
O próprio Vaticano, desde a época do papa João Paulo II, já demonstrava preocupação com o crescente secularismo e desinteresse religioso europeu. Essa ação vai justamente em oposição a essa tendência e tenta convocar várias representações da sociedade civil organizada para fortalecer o domingo em relação a questões comunitárias e familiares.
Por trás disso, falando biblicamente, vejo claramente um esforço conjunto, organizado e sistemático para substituir o domingo pelo sábado como dia de especial dedicação e adoração a Deus. Afinal de contas, valores familiares e comunitários são importantes para qualquer sociedade e são aprovados por Deus. E ao relacionar esses assuntos com o domingo, sutilmente esse grupo trata de pisar o sábado e elevar o papel do domingo.
No livro de Apocalipse, capítulo 13, o profeta João viu que um poder político e religioso, descrito como uma besta, seria responsável por impedir que os verdadeiros seguidores dos princípios divinos comprassem e vendessem em um boicote comercial. E essa proibição tem a ver com a questão do dia de guarda bíblica se associarmos ao capítulo 12 de Apocalipse onde está claro que o dragão, símbolo de Satanás, empreende uma luta contra aqueles que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus. E os mandamentos divinos, conforme Êxodo 20:8-11, envolvem a guarda do sábado e não do domingo. O dragão (Satanás) e as bestas de Apocalipse 13 (segundo o contexto histórico-profético, a primeira besta é o poder papal e a segunda os Estados Unidos) atuarão em conjunto de maneira harmoniosa para promover o domingo como um dia especial em substituição ao sábado bíblico.

Vaticano cobra de Dilma manutenção de acordo bilateral

terça-feira, 23 de novembro de 2010 0 comentários

Da Agência Estado, 23.11.2010.

O Vaticano cobra do novo governo de Dilma Rousseff um compromisso para que não reabra o acordo que rege as relações bilaterais com o Brasil e que foi alvo de muita polêmica. O assunto foi debatido ontem em reunião do secretário da Santa Sé para Relações com os Estados, Dominique Mamberti, com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Definiu-se, no encontro, que Dilma fará uma viagem a Roma em 2012 para se reunir com o papa Bento XVI. A visita já está sendo organizada pelo Palácio do Planalto e pela Santa Sé e faz parte do projeto de uma "trégua" entre o Vaticano e Dilma depois da polêmica sobre o aborto, durante a campanha eleitoral.

O Vaticano solicitou a Carvalho que o Acordo Brasil-Santa Sé sobre o Estatuto Jurídico da Igreja Católica entre em vigor a partir do próximo mandato. O documento inicial, proposto pela Igreja em 2007, falava na obrigatoriedade do ensino de religião em escolas públicas, acesso às reservas naturais para missionários e isenção de impostos. O Itamaraty alterou o texto para uma mera declaração de boas relações com a Santa Sé.

Sancionado pelo presidente Lula no início deste ano, o texto esbarrou em um processo e está no Supremo Tribunal Federal (STF). 'Não acreditamos que isso ofereça um risco para sua entrada em vigor', disse Carvalho.


Dilma decidiu na última quinta-feira aproveitar a viagem de Carvalho para mandar recado: seu governo não abrirá guerra contra a Santa Sé. Em sua carta ao papa, ela pede que a Igreja "não recue" em relação ao Brasil e diz que o futuro governo conta com a Santa Sé para o seu projeto de erradicação da pobreza.

A carta, a ser entregue amanhã, pede a bênção do papa ao governo e assegura que a eleita quer diálogo. 'O que nós queríamos e acho que conseguimos era limpar de uma vez por todas o mal-estar da campanha eleitoral', admitiu Gilberto Carvalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Nota: A preocupação do Vaticano com o acordo bilateral indica que a Santa Sé não quer correr o risco de perder qualquer um de seus privilégios. O governo brasileiro, tentando não ter problemas com a numerosa e influente bancada evangélica e com as igrejas protestantes, não tem colocado em prática tudo o que o acordo prevê, especialmente aspectos que beneficiam única e exclusivamente a Igreja Católica. Agora o Vaticano pressiona o Brasil para que tome posição firme a favor do acordo. A presidente eleita Dilma Rousseff certamente será aconselhada a agradar, tanto aos católicos, quanto aos evangélicos. Vamos ver como vai se sair neste jogo de diplomacia religiosa. A expectativa, dos defensores da liberdade religiosa, é que nenhuma denominação seja prejudicada por causa deste acordo. O Brasil nunca teve episódios, da parte do governo central, de desrespeito aos direitos de crennça. Espera-se que não seja agora que isso vá mudar.


Vaticano alerta sobre grupo que promove devoção a anjos

sexta-feira, 5 de novembro de 2010 3 comentários

BBC Brasil, 05.11.2010, às 13h53min

O Vaticano lançou um alerta em relação à "Obra dos Santos Anjos", um grupo católico ativo principalmente no Brasil, na Índia e na Europa, que promove devoção aos anjos.
O grupo - também conhecido como Opus Angelorum, ou "obra dos anjos" em latim – teria identificado os nomes de centenas de anjos e demônios que, segundo o grupo, lutam uns contra os outros pelo controle dos homens.
Em uma carta dirigida aos prelados de todo o mundo, o Vaticano pede que os membros do grupo observem “rigorosamente todas as normas litúrgicas, especialmente as relativas à Santíssima Eucaristia."
"A Congregação (da Doutrina da Fé, um órgão do Vaticano) entende que tem sido feita uma propaganda discreta desse movimento rebelde, fora do controle eclesiástico, com o objetivo de apresentá-lo como se estivesse em plena comunhão com a Igreja Católica", diz a mensagem do Vaticano.
De acordo com o repórter da BBC em Roma David Willey, a Igreja iniciou uma investigação sobre as atividades do grupo, que tem a participação de dezenas de padres e freiras.
Segundo o site da Opus Angelorum, no Brasil o grupo tem representações em Guaratinguetá (SP) e em Anápolis (GO).

O movimento foi fundado pela dona-de-casa austríaca Gabriele Bitterlich, que morreu em 1978.
Segundo Willey, ela alegava ter feito contato com um arcanjo e, com isso, ter obtido os nomes de centenas de anjos e demônios.
A mensagem do Vaticano pede integrantes da Obra dos Santos Anjos que "não usem os 'nomes' recebidos das presumíveis revelações privadas, atribuídas à senhora Gabriela Bitterlich, nem ensinem, difundam ou utilizem, de forma alguma, as teorias provenientes dessas presumíveis revelações."
Além disso, a mensagem diz que os integrantes da Obra dos Santos Anjos concordaram em seguir rigorosamente os preceitos católicos em troca de um reconhecimento oficial por parte da Igreja.
No entanto, vários membros do grupo, incluindo padres, não teriam aceitado as normas e lutariam para restaurar o que seria um "autêntico Opus Angelorum".
O repórter da BBC afirma que a “Obra dos Santos Anjos” não tem ligação aparente com o best-seller Anjos e Demônios, do escritor Dan Brown (de O Código Da Vinci), que já sofreu críticas da Igreja por suas obras de ficção relacionadas ao catolicismo.

Nota: Se alguém quiser realmente saber um pouco mais sobre o papel dos anjos, a recomendação é ler a Bíblia e livros como A verdade sobre os anjos, da autoria norte-americana Ellen White. Os anjos, ao longo da cronologia bíblica, são citados como mensageiros divinos que apoiam as pessoas, protegem e colaboram diretamente com os planos de Deus para a vida humana. Em vários trechos bíblicos, é dito que os anjos ministram, ou seja, participam da adoração a Deus, portanto não são objeto de adoração realmente. Mas os anjos não podem ser desprezados, porque fazem parte da realidade humana, inclusive paraticiparam dos momentos em que Jesus Cristo padecia no Jardim do Getsêmani. Vale a pena saber que os anjos estão ao redor daqueles que temem e amam a Deus. Não somos ensinados a adorá-los, mas a respeitá-los e seguirmos o exemplo deles de fidelidade a Deus.

 
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