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Bispos gays: quando a cultura é mais importante que a religião

domingo, 16 de junho de 2013 0 comentários

Na semana passada, a Igreja Evangélica Luterana da América (ELCA) votou pela primeira vez em um homem abertamente homossexual para que se tornasse bispo. Durante vinte anos, R. Guy Erwin foi banido do ministério ordenado na ELCA; em 2009, a Igreja Luterana levantou a proibição e ele foi ordenado. Agora, apenas quatro anos depois, o Sr. Erwin está prestes a se tornar o primeiro bispo luterano gay.

Por padre Dwight Longenecker, em http://www.aleteia.org/pt/religiao/documentos/bispos-gays-quando-a-cultura-e-mais-importante-que-a-religiao-1875001


Com mais de quatro milhões de membros em 10.000 congregações, a ELCA é a sétima maior igreja protestante do país, e a segunda depois da Igreja Episcopal a ordenar e promover "parcerias homossexuais". O fato de que as igrejas episcopais e luteranas tenham reconhecido os ministérios umas das outras, e que os ministros luteranos trabalhem regularmente em igrejas episcopais e vice-versa, significa que, em muitos aspectos, existe agora uma denominação protestante liberal que poderia ser chamada de a Igreja Luterana Episcopal dos EUA.

Não é minha intenção brigar com os luteranos episcopais sobre a sua decisão. Também não pretendo argumentar sobre a moralidade do ato de sodomia. Qualquer ser humano com bom senso conhece os fatos sobre a sexualidade humana e entende que a relação sexual entre dois homens não é o que Deus planejou.

Deixando de lado tais debates, existe uma dificuldade mais profunda e preocupante na decisão de tolerar a homossexualidade. Isso não tem nada a ver com a sexualidade humana, mas com os próprios princípios fundamentais da fé cristã e, de fato, da própria religião.

O luteranos episcopais não votaram simplesmente para "ser legais com as pessoas homossexuais". A razão pela qual os luteranos episcopais votaram a favor da homossexualidade é porque eles acreditam que a sua compreensão e seu ambiente cultural são mais importantes do que a revelação divina.

Eles não são ignorantes, pois sabem que a Bíblia condena o comportamento homossexual. Eles entendem que praticamente todas as religiões, em todos os momentos e em todos os lugares, condenaram a prática da homossexualidade. E, no entanto, nada disso importou; em vez disso, eles demonstraram acreditar que o cristianismo pode e deve ser adaptado ao contexto cultural às necessidades pastorais do momento. Eles realmente acreditam que a sua cultura e sua compreensão são superiores a tudo o que já aconteceu antes.

Existem duas categorias básicas na igreja cristã hoje: aqueles que acreditam que a fé cristã é uma construção cultural que deve se adaptar e se transformar de acordo com as necessidades culturais e pastorais de cada sociedade, e aqueles que acreditam que a fé cristã é revelada por Deus e que, em vez do cristianismo se conformar com o mundo, o mundo deve estar de acordo com o cristianismo. O luteranos episcopais seguem a primeira concepção.

Portanto, o que estamos testemunhando na decisão luterana episcopal não é simplesmente uma apologia da homossexualidade. Isto é apenas um sintoma da doença. A decisão de ordenar o Sr. Erwin como um bispo luterano é simplesmente a consequência de uma posição filosófica mais fundamental – de que a religião deve estar em conformidade com o mundo.

Por que isso é importante? Porque uma escolha muito fundamental tem de ser feita. Alguém acredita que a fé cristã é uma construção humana, que pode ser adaptada de acordo com qualquer vento de mudança na sociedade? Alguém acredita que a religião é um acidente histórico – uma instituição feita pelo homem, que simplesmente tem uma função prática necessária no mundo? Se for sim, então acredita-se que toda a religião cristã foi criada apenas por pessoas. Se ela foi feita por pessoas, para começar, então ela pode ser alterada pelas pessoas sempre que tais pessoas desejarem.

Será que ninguém vê que isso significa a morte da própria religião? Porque, se a religião não é mais do que uma construção humana, então a religião realmente não é mais que uma ilusão humana. Se a religião é uma construção humana, então ela não é mais importante do que qualquer outra instituição nobre. Se a religião não é mais do que uma construção humana, ela não é mais importante do que os escoteiros, o Rotary Club ou a Cruz Vermelha.

A alternativa é acreditar que a fé cristã é revelada pelo próprio Deus, através de seu filho Jesus Cristo encarnado, e que Jesus Cristo, o Filho de Deus, fundou a sua Igreja sobre o apóstolo Pedro e seus sucessores; e que, até hoje, a Igreja, através o poder do Espírito Santo, fala a verdade ao mundo e administra os sacramentos da salvação para alcançar e redimir toda a raça humana.

A primeira opção não pode realmente ser chamada de religião. É um artifício humano. É uma máscara religiosa que os seres humanos usam.

A segunda opção continuará sendo a igreja de Jesus Cristo. Como tal, continuará sendo sacramento de salvação – ou pedra de tropeço, para aqueles que simplesmente desejam se conformar com o mundo.

Meu comentário: considerei bem interessante esse artigo do referido padre por se tratar de uma análise mais profunda da questão das religiões e das questões culturais. 
Deixo claro, no entanto, que discordo dele quanto à parte que fala da fundação da Igreja Católica. Não tenho esse ponto de vista.
Voltando ao assunto principal, talvez esse seja um dilema pela qual passe o cristianismo de maneira geral no mundo. O aspecto da aceitação de bispos homossexuais é apenas um dos fatores em jogo nesse duelo entre cristianismo bíblico e cultura predominante. E os dois lados se tornam cada vez mais excludentes. O caminho natural de muitas denominações religiosas cristãs é simplesmente aceitar que não conseguem lutar contra aspectos culturais que sempre se chocaram com suas crenças e incorporá-los. Algumas poucas representações religiosas cristãs insistem em se manter fiéis ao que efetivamente foi revelado na Bíblia Sagrada (máxima referência do cristianismo) e evitam o que alguns chamam de contextualização cultural dos princípios. Se os princípios bíblicos fundamentam justamente o cristianismo, qual a vantagem de abrir mão deles? Não seria um golpe contra as próprias denominações a longo prazo, tornando-as completamente inócuas e irrelevantes?
Não me atrevo aqui a discutir esse dilema entre cultura e religião, pois existem sérias pesquisas e pesquisadores que debruçaram tempo para analisar isso e possuem propriedade para falar a respeito. Uma coisa, no entanto, é praticamente inegável. O cristianismo parece perder muito mais a relevância para a sociedade onde as doutrinas bíblicas que sempre foram sua base também deixaram de ser pregadas e ensinadas. A conformidade com o mundo não tem feito o cristianismo crescer onde isso ocorre. Pelo contrário. É algo a ser pensado com verdadeira seriedade.

Vídeocomentário - Etiqueta das igrejas

quarta-feira, 27 de julho de 2011 1 comentários

Estamos investindo agora em vídeocomentários. Mais uma possibilidade de conversar com você. Aceito sugestões de temas da semana que possam ser comentados aqui. Pelo menos dois videocomentários deveremos produzir por semana. Orem por isso.

Líderes evangélicos mundiais temem secularismo, diz pesquisa

domingo, 10 de julho de 2011 0 comentários

Revista Época, Semana de 10 de julho de 2011.

Um instituto de pesquisas americano traçou um dos retratos mais completos de que se tem notícia das ideias dos líderes evangélicos. Os investigadores do centro de pesquisas Pew, uma instituição sem fins lucrativos que estuda costumes e tendências da sociedade, aproveitaram que líderes evangélicos do mundo todo se reuniram em um congresso na Cidade do Cabo, na África do Sul, em outubro de 2010, e fizeram aos religiosos uma série de perguntas. O relatório ficou pronto no mês passado. As respostas de 2.196 líderes, vindos de 166 países, revelaram as ideias e os sentimentos dos pastores, que inspiram um grupo de fiéis, cujo número varia de 246 milhões (de acordo com o Pew) a 600 milhões de pessoas (segundo a Aliança Evangélica Mundial). No Brasil, calcula-se que a população evangélica seja de 50 milhões de pessoas. A pesquisa descobriu que a ameaça mais temida pelos líderes entrevistados é a separação entre a fé e a vida moral e intelectual, conhecida como secularismo. Mais de 80% deles acreditam que devem manifestar suas opiniões políticas. Surpreendentemente, 58% dos líderes evangélicos das nações pobres e emergentes acreditam que a Bíblia deveria se tornar a lei de seus países.

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Nota: Interessantes as respostas dadas por esses líderes pesquisados, mas a questão mais importante é o que se faz de prático diante das situações identificadas. Vários dados me chamam a atenção, mas o temor do secularismo é sintomático. O secularismo, ou seja, a dissociação da fé e da vida prática do cristão ou crente, é algo que está impregnado em muitas denominações religiosas há muito tempo. O combate a isso não é nada fácil, até porque muitas igrejas cristãs preferem estar com suas reuniões lotadas por causa de cultos e/ou programas que se preocupam exclusivamente com a forma, ou seja, são verdadeiros shows que servem para "fisgar" gente e não necessariamente ensinar princípios ou doutrinas bíblicas. Não digo aqui que a forma não é importante, mas há religiões que primam somente pela forma (shows, efeitos, manifestações absurdas cujo intuito final é chamar mais a atenção para quem as pratica do que para a Bíblia) e o conteúdo é superficial. Falo do conteúdo essencialmente fundamentado na Bíblia que, segundo a própria pesquisa com os líderes, é a regra de fé para a maioria das crenças evangélicas. É uma dicotomia impressionante. Ao mesmo tempo em que a Bíblia é exaltada nos discursos inflamados dos pregadores, por outro lado os cultos seguem direção contrária e evidenciam muito mais shows televisivos destituídos dos conceitos simples e sólidos encontrados na própria revelação divina. Para mim, trata-se de evidência clara do secularismo nas entranhadas de muitas congregações cristãs.
Ao mesmo tempo, na última pergunta apresentada na reportagem, os líderes responderam acerca da sua expectativa quanto à volta de Jesus Cristo. Ao menos 44% dos ouvidos diz que provavelmente Jesus voltará durante sua vida. Ótima aspiração. Em torno disso, vem, também, a necessidade de preparação espiritual e pessoal sobre isso. Os próprios líderes que responderam a esses questionamentos devem se preocupar em apresentar aos seus liderados o que efetivamente é necessário para uma preparação para o encontro com Jesus. Mas será que isso ocorre nas igrejas hoje?

Igrejas fecham as portas na Holanda

domingo, 22 de maio de 2011 1 comentários

Site Rede Histórica, 21.05.2011.

De longe é possível ver a torre da Vredekerk, em Bussum. Construída em 1914, esta igreja protestante fica no centro da cidade, não muito longe da principal estação de trem. No entanto, é somente na entrada que se percebe que apesar da torre, das grandes portas de madeira e da localização central, o prédio não funciona mais como uma igreja. No lugar do quadro de avisos e da água benta, um painel com interfone e as caixas de correio dos 18 apartamentos que agora ocupam o edifício.
Ouça o restante da reportagem -http://download.radionetherlands.nl/rnw/smac/cms/por_igrejas_20110421_44_1kHz.mp3

Nota: Essa reportagem é sintomática. Demonstra uma realidade que se expande a mais países e que evidencia o desinteresse de parte da população, nesse caso em relação a igrejas católicas ou protestantes. Há igrejas que se transformaram, veja a incoerência, em boates, como diz a própria reportagem em áudio. A grande pergunta que líderes cristãos devem se fazer não é o que será feito com os prédios ou o custo para se manter uma sede. Mais do que um patrimônio histórico e cultural dos países, as igrejas deveriam ser comunidades de refúgio espiritual e adoração verdadeira a Deus em respeito a Ele e Seus princípios. A grande indagação deveria ser direcionada ao porquê de algumas igrejas estarem completamente esvaziadas e por que os fiéis não mais congregam ali. A questão é espiritual e não comercial. Falta oração, estudo sério e consistente da Bíblia Sagrada e principalmente amor às pessoas em muitas denominações. É a respeito disso que muitos líderes deveriam estar dialogando.

 
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