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Os Sem Igreja somam mais de 4 milhões no Brasil

domingo, 10 de novembro de 2013 0 comentários

Reportagem de capa da revista Cristianismo Hoje, do último bimestre (outubro/novembro), trouxe uma realidade desafiadora. Segundos dados do IBGE, o número de evangélicos que se dizem cristãos, mas que não frequentam uma igreja, ultrapassa 4 milhões. Isso representa mais ou menos 10% do total de "crentes" brasileiros. Outros dados chamam ainda mais a atenção. 62% desses "desigrejados" são egressos de denominações neopentecostais e 29% dizem que não pretendem manter vínculo com outra igreja novamente. Vale frisar que aí há dados, também, do Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (Bepec).
A longa reportagem conversou com especialistas e tentou avaliar as causas disso. Há todo o tipo de explicações. Mas o principal extraído da reportagem (cujo conteúdo integral somente assinantes podem acessar) é que muita gente alega não ter interesse em se vincular mais a uma igreja específica por conta de descontentamento com a forma como as igrejas são administradas ou lideradas, insatisfação com a falta de envolvimento próprio em alguma coisa concreta na igreja (ou seja, se sentem membros inúteis) e alguns se dizem desinteressados pela liturgia tradicional.
A reportagem merece uma análise sob dois ângulos. O primeiro é a constatação de que as igrejas evangélicas, tais como as conhecemos hoje, não estão sendo mais relevantes para muita gente. Algumas igrejas praticamente tiraram o foco da Bíblia e dos ensinamentos de Cristo (essência do cristianismo) e apontam para outros aspectos periféricos. E quem vai em busca de Cristo acaba frustrado. Consequentemente deixa de se congregar. Além disso, pude perceber no relato dos entrevistados que a grande maioria deles, mesmo deixando de assistir regularmente a cultos em igrejas tradicionais, continua orando e estudando a Bíblia porém em grupos menores (poderíamos chamar de pequenos grupos) em casas. É um registro que não pode ser desprezado. Será que mega igrejas lotadas são sinônimo necessariamente de espiritualidade em alta? Nas estatísticas da Igreja Adventista, para dar um outro exemplo, ficou claro que a maioria dos membros ativos e envolvidos em evangelização fazem parte de congregações com até 200 membros.
A função da igreja - Mas o outro aspecto, que considero importantíssimo, é que a Bíblia esclarece que a igreja é o corpo de Cristo formado por membros com distintas funções. Não é uma invenção humana, mas divina. Ir à igreja, estar adorando com outros membros, assistir a uma escola bíblica (no caso, a sabática seria a mais coerente com os ensinamentos das Sagradas Escrituras) e fazer parte desse corpo é se desenvolver espiritualmente de forma harmônica. Estar em casa orando e estudando a Bíblia com sua família (ainda que seja algo essencial) não substitui o papel que há em se congregar em uma igreja. Não foi sem propósito que o autor de Hebreus declarou, no capítulo 10 e versículo 25, que "não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima".
Respeito a opinião dos "sem-igreja", mas essa é uma compreensão incompleta se contrastada com a Palavra de Deus. Estar em pequenos grupos ou células de oração e estudo bíblico e manter um regular culto da família são estratégicos para o crescimento em Cristo. Mas jamais poderão ser práticas que anulam a relevância de se estar em uma igreja e fazer parte ativa do corpo de Cristo e exercer ali dons específicos dados por Deus.
A principal liderança para a qual um cristão deve olhar é a de Cristo. Ele é a razão de existir da igreja. E, se alguém tem dúvida quanto à congregação onde está, que a submeta ao crivo bíblico. Mas deixar de se congregar não é a melhor opção.


Manifestações sociais no Brasil e o contexto bíblico

sábado, 22 de junho de 2013 0 comentários

As manifestações organizadas e sistemáticas em vários pontos do Brasil não podem ser desconsideradas e nem lidas apenas sob um ponto de vista. Vários são os fatores que proporcionam essa nova realidade em um país que sempre foi caracterizado por um povo passivo diante de injustiças sociais. E isso tudo é sintomático. Não se trata de algo casual ou descontextualizado. A mídia convencional não tem condições de minimizar os efeitos disso, pois a tecnologia fez com que qualquer pessoa, via seus perfis pessoais na Internet e equipamentos móveis, reportasse o que tem ocorrido há alguns dias em todo o País.
                Vamos, porém, a alguns aspectos que podem falar sobre a origem disso. Há uma forte e crescente insatisfação de uma parte dos brasileiros com a corrupção generalizada nas instituições políticas e partidárias formais. A popularização do uso de redes sociais virtuais também colabora para que seja mais fácil chamar a mobilização de um grande número de pessoas (mais de 60 mil se somarem todos os pontos de manifestações). As más notícias sobre inflação dos preços dos produtos e serviços e risco de perda de poder de consumo também ajudam a compor um cenário geral de descontentamento popular.
                Mas quero olhar sob outro prisma essas manifestações. A Bíblia deixa claro que todos são livres para se expressarem da maneira que desejarem. Deus concedeu o livre arbítrio, ou seja, a possibilidade real de decisão autônoma sobre a vida. E quem participa de manifestações assim tem todo o direito de caminhar pacificamente em prol de uma causa na qual acredita. Há liberdade, também, para os que preferem realizar caminhadas de oração e compreendem que também estão agindo em prol do seu semelhante.
Violência - A Bíblia, no entanto, condena a violência contra pessoas ou mesmo patrimônio público e privado. Em Provérbios 10:6 é dito que “sobre a cabeça do justo há bênçãos, mas na boca dos perversos mora a violência” (versão Almeida Revista e Atualizada). Nada justifica destruir algo que é de todos ou mesmo colocar em risco a vida do semelhante. E, por mais que os líderes das manifestações aleguem, a existência desse tipo de ação sempre abrirá espaço para algum tipo de violência. Tanto da parte dos manifestantes, quanto da parte da polícia que inevitavelmente vai agir para reprimir o que considerar ameaça à segurança pública.
O palco - Li alguns textos interessantes da escritora norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen White, a respeito desse assunto. E percebo como realmente profeticamente já se falava sobre o fato de as grandes cidades se tornarem palco de ações como essas manifestações. Textos do século retrasado ou passado são bastante atuais. No livro Testimonies for the church é dito que “não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas em que se fundamenta o presente estado da sociedade. Os que detêm as rédeas de governo não são capazes de solver o problema da corrupção moral, da pobreza, do pauperismo (miséria e extrema pobreza) e da criminalidade crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em bases mais seguras. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, encontrariam solução para os problemas que os assoberbam”.
                As grandes cidades do mundo são e ainda serão palco de muitas tragédias sociais como as que assistimos preocupados no Brasil. Mas em vários outros países isso tem ocorrido regularmente. E infelizmente pouco se vê em termos de avanços sociais a partir desses embates com repercussões quase sempre violentas. Em outros livros, Ellen White aconselha as pessoas a viverem fora dos grandes centros, mas a se envolverem com a missão evangelizadora nas grandes cidades. Parece um paradoxo, mas não é. Os cristãos, que se pautam pela Bíblia Sagrada, devem trabalhar para levar a mensagem divina a todos, inclusive nas grandes cidades. Por outro lado, a vida em lugares mais afastados oferecerá melhores condições de saúde mental e física.
                O que as grandes cidades talvez precisem tanto não são passeatas, originalmente pacíficas, mas que dão margem em seu entorno a vandalismo e violência generalizada. As grandes cidades precisam de uma intervenção de Deus. E isso se dará por meio de pessoas realmente motivadas pelo Espírito Santo que deverão fazer a diferença na sociedade. Mas e as injustiças sociais desse mundo? Ao que tudo indica e podemos ver, são consequência do pecado e não irão cessar, nem pela realização de passeatas ordeiras, muito menos porque alguns estão quebrando tudo o que vem à frente ou colocando fogo em veículos. Serve para nossa reflexão. O conflito é outro...

Felipe Lemos, mantenedor desse blog. 



Padre mexicano diz não acreditar nem em Deus, nem no diabo

domingo, 21 de abril de 2013 0 comentários

Gospel Prime.


Adolfo Huerta Alemán, da diocese de Saltillo, no México, é um fenômeno de popularidade em seu país. Ele é mais conhecido pelo apelido de “El Gofo” e seu visual pode fazê-lo ser confundido com um músico de uma banda de heavy metal.  O sacerdote disse recentemente que faz sexo com frequência e que a existência de Deus para ele não importa.
Por causa de suas declarações e do sucesso que faz especialmente entre os jovens mexicanos, o bispo local decidiu que Gofo deverá responder diante do tribunal eclesiástico diocesano.
Tudo começou com uma entrevista publicada em 22 de março pela revista mexicana Proceso, onde Adolfo, vigário recentemente nomeado da Paróquia Senhor da Misericórdia, disse “se Deus não existe, pouco me importa”. Para ele, disse, a fé é simplesmente “uma motivação para dar sentido à vida”, que o motiva “a encontrar um significado e conseguir melhorar nossos relacionamentos, algo que vai ajudar a me tornar um ser humano melhor.”
Quando perguntado pelo repórter se faz sexo, Gofo admitiu que “frequentemente”, mas observou que não tem compromisso com ninguém porque seu rebanho exige muito de seu tempo.
De acordo com a mesma publicação, o padre usa bótons com as imagens de Che Guevara e personagens da série South Park, desenho animado que constantemente ofende a Cristo, a Igreja e o Papa. Gofo pinta seu longo cabelo de azul e vermelho e comumente pinta o rosto com tinta branca para enviar alguma mensagem.
Alemán também expressou repetidas vezes seu apoio a ideologia dos  ”transgênero” e republicou mensagens na rede social Twitter da organização católica Free Choice, que nos últimos 10 anos tem gastou mais de US $ 13 milhões para promover o aborto na América Latina, especialmente no México.
Em 18 de Fevereiro, publicou na internet uma “carta aberta ao novo Papa” onde pedia que Francisco aceitasse “padres casados”, “sacerdotisas” e “abortistas incompreendidas”. Ordenado há seis anos, padre Gofo tem um forte trabalho social na área de El Toreo, onde predomina a população pobre e é forte a presença do crime organizado.
Embora já que tenha dito não crer que a Bíblia é a palavra de Deus, usa trechos dela nas missas, juntamente com citação de filmes de Hollywood ou canções de rock. Muitas vezes usa seu senso de humor ácido e se defende: “Temos de atualizar o Evangelho à cultura contemporânea.”
Para ele, “A renúncia de Bento reflete o cansaço de uma igreja que está se enfraquecendo. Não irá acabar, mas não causa nenhum impacto nem mudança de mentalidade. Você precisa entender que a fé nada mais é que um compromisso com a minha realidade histórica, de mudar as circunstâncias da Igreja, ter compromisso com as vítimas de tráfico, com os familiares dos desaparecidos, com os transexuais. A Igreja Católica não deveria ser um fardo para a sociedade, mas um alívio”.
Andando pelas ruas, pergunta às pessoas se querem que ele celebre uma missa em suas casas. A resposta geralmente é sim. Centenas de pessoas, sobretudo jovens, vão ouvi-lo falar nessas cerimonias a céu aberto. Aos 35 anos de idade, ele anda em uma moto de 125 cilindradas, bebe cerveja e ouve a banda de heavy metal Iron Maiden em seu celular.
Publicou um texto que lhe rendeu a acusação de ser pornográfico. Recebeu como punição três meses em um retiro com outros padres.
Gofo se sente discriminado por ser diferente. Por sua aparência, já foi acusado de ser satânico. Mas ele não se importa, afinal não acredita no diabo. “Eu acho que o diabo é um personagem, um conceito não me ajuda a crescer como pessoa nem fazer meu trabalho corretamente… Eu acredito que a linguagem da Igreja tem de ser atualizada, precisa evoluir, (…) esse tipo de linguagem não é mais útil, não atende mais às necessidades do nosso povo”, finaliza.

Entrevista originalmente publicada em http://www.proceso.com.mx/?p=336919

Meu comentário - A entrevista com o polêmico e extravagante líder religioso chama a atenção por suas afirmações notoriamente destinadas a causar espanto e, consequentemente, atrair os holofotes para si mesmo e seus conceitos bem próprios de liderança. Independente disso, há uma afirmação que é mais significativa, na minha avaliação, e que tem a ver com outras entrevistas que já li de outros líderes religiosos.
O padre Adolfo Alemán diz, em determinado momento, que "temos de atualizar o Evangelho à cultura contemporânea". Essa, para mim, é uma das maiores ameaças hoje à literalidade da Bíblia Sagrada, pois implica relativizar o que contém a Palavra de Deus e, em última instância, relativiza o próprio conceito sobre Deus. Essa contextualização é perigosa, pois fica a cargo da livre vontade e interesse pessoal de cada liderança ou segmento religioso. No meio cristão, isso já ocorre há alguns anos, mas a impressão é que vai se aprofundar e que religiosos com o mesmo pensamento de Adolfo serão cada vez mais comuns e populares, principalmente entre o grupo de pessoas que já não se identifica com igrejas ou denominações, mas prefere se autodenominar apenas adepto de algo mais sobrenatural ou místico. 
Caminhamos para um gradual fim do pensamento voltado para a religião tal como descrita na Bíblia e início de uma identificação com manifestações aqui e acolá sobrenaturais sem que necessariamente haja um comprometimento do adorador com o Criador. Ou seja, as pessoas estão deixando as religiões tradicionais e também abandonando os ensinamentos originais da Bíblia e se entusiasmando muito mais com "sinais e maravilhas" a exemplo do que previa Cristo nos evangelhos. 
Essa realidade é muito mais ameaçadora, para mim, do que as declarações aparentemente contraditórias do padre mexicano. Ele é muito mais um símbolo de um modo de pensar típico de alguns líderes evangélicos ou mesmo religiosos que desejam questionar o papel essencial da Bíblia Sagrada e de um Deus pessoal na vida humana. 

Justiça bloqueia bens de líder da "igreja da maconha"

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 0 comentários

Portal UOL, 09.01.2012

A Justiça de Americana (127 km de São Paulo) decretou o sequestro dos bens de Geraldo Antonio Baptista, o Geraldinho Rastafári, 53, líder da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, a conhecida como "igreja da maconha". Ele foi preso em agosto sob a acusação de tráfico de drogas. Com a medida, os bens do líder religioso não podem ser vendidos até que o julgamento dele ocorra pela Justiça.

"Perdemos nossa liderança, então o movimento cai um pouco. Muitos universitários, principalmente, ficaram com receito após a prisão. Mas continuamos funcionando normalmente", disse. Procurado, o Ministério Público não se pronunciou sobre o caso.

A próxima audiência do caso está marcada para o dia 17 de janeiro, segundo informações do Fórum de Americana. Geraldinho foi preso em flagrante, em 15 de agosto do ano passado, quando foram encontrados 37 pés de maconha em sua casa.

Na ocasião, dois jovens de 18 anos foram presos e um adolescente foi apreendido. Ele afirmou que a planta é cultivada para uso religioso, o que é permitido pela legislação brasileira, e consumida apenas em ocasiões de culto, mas acabou sendo enquadrado por tráfico.

Manifesto
À espera de julgamento, Marlene e os adeptos da "igreja da maconha", bem como defensores da causa, têm usado a internet para realizar uma campanha a favor da libertação de Geraldinho.

Até a tarde de hoje, mais de 3.200 pessoas já assinaram uma petição virtual pedindo a libertação de Geraldinho. Segundo Marlene, o grupo também pede o auxílio de entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Segundo os advogados de Geraldinho, ele irá dizer, durante o julgamento, que a maconha pode ser usada de forma ritual nos cultos da igreja e que, ao não permitir que isso ocorra, a Justiça desrespeitaria o item constitucional que garante liberdade religiosa aos brasileiros.

"Nosso objetivo é defender não só a liberdade do Geraldinho, mas também a liberdade religiosa, garantida a todos os brasileiros pela Constituição", afirmou Marlene. "O uso cerimonial da cannabis [nome científico da maconha], que para os adeptos da cultura Rastafári Niubingui é sagrado."

Meta
A meta do grupo é fazer com que o caso chegue o mais rapidamente possível só STF (Supremo Tribunal Federal), corte que julga casos que envolvem preceitos constitucionais.

A defesa usará a mesma argumentação já elaborada para a religião do Santo Daime, que usa em seus cultos um chá elaborado com a alucinógena ayahuasca.

"Nossos advogados são os mesmos, e nosso objetivo é provar que podemos usar a canabis ritualmente", disse Marlene.
Nota: É quase surreal a reportagem feita com o líder desse grupo que se diz religioso. É preciso respeitar todas as manifestações de crença ou descrença que existem, mas alguns aspectos precisam ser pontuados. Um deles é que não há qualquer registro na literatura judaica ou cristã que relacione o uso da maconha com qualquer um dos emblemas da ceia de Cristo ou algo do gênero. Desconheço esse tipo de associação e creio que seja mera invencione para justificativa do grupo em questão.
Outro aspecto é que o Tetraidrocanabinol ou THC, uma das principais substâncias psicoativa presente na maconha, tem comprovados efeitos nocivos para o cérebro humano e clinicamente já se sabe que altera a capacidade de entendimento. Esse fator é totalmente incongruente com o ensino bíblico de que adoramos a Deus com a mente limpa, clara e livre de alterações químicas com efeitos alucinógenos. Não há, portanto, compatibilidade alguma entre o uso de um entorpecente e a religião que liga o homem a Deus. A não ser que o conceito de Deus seja distorcido completamente  e usado de forma indevida ou, no mínimo, contrário ao que a Bíblia preconiza.
Parece muito mais um grupo de apologia ao uso da maconha do que uma religião que se propõe a realmente melhorar a vida das pessoas. Liberdade de culto todos devem ter, mas isso implica oferecer algo que, pelo menos, não tenha repercussão negativa para adultos e até crianças que porventura vão se espelhar nos pais que fazem parte de grupos como esse. 

Como a Internet muda relação dos fiéis com igrejas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 0 comentários


Revista IstoÉ, Primeira semana de janeiro de 2013


Em visita à Itália, há dez anos, o padre carmelita brasileiro Reginaldo Manzotti perambulava pela cidade do Vaticano, a sede mundial do catolicismo, quando resolveu entrar em uma igreja para fazer uma oração. Para sua surpresa, o religioso descobriu que era proibido acender velas de cera dentro daquele templo. Os fiéis só podiam se valer das artificiais, que funcionam com lâmpadas, acionadas por moedas. Imediatamente, Manzotti pensou: “Se em Roma é válido eu acender uma vela que não queima ou faz fumaça, por que não criar uma vela pela internet?” Uma década depois, o pároco do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba, no Paraná, é um dos sacerdotes brasileiros mais atentos às possibilidades da evangelização digital. Aos 42 anos, é dono de um blog, possui perfil no Facebook, conta no Twitter e atua em rádio e tevê. Seu site recebe cerca de 1,1 milhão de visitas por mês, de gente que se vale dos rituais online disponíveis em um santuário virtual. Nesse espaço, a procura por serviços religiosos digitais só cresce (leia quadro). No mês passado, por exemplo, 148 mil pessoas acenderam uma vela via computador, 12 mil a mais do que no mês anterior. “É um novo modo de ser religioso”, afirma o padre Evaldo César de Souza, 35 anos, que dirige o portal A12 do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, outro que possibilita que sejam feitas novenas, vias-sacras e pedidos de orações virtuais.

Ainda não foram produzidas estatísticas capazes de medir o universo do fiel-internauta que procura Deus com o auxílio de um intermediário tecnológico. A rápida disseminação dessa prática entre católicos e evangélicos, porém, é visível e tem pautado estudiosos em comunicação religiosa. Somente nos dois últimos meses, quatro obras que investigam o tema passaram a ocupar as prateleiras do País. Autor de “E o Verbo Se Fez Bit”– a Comunicação e a Experiência Religiosas na Internet” (Editora Santuário), Moisés Sbardelotto verificou uma revolução ao pesquisar como se dava a manifestação religiosa em quatro sites católicos brasileiros. De acordo com ele, o fiel se transformou em coprodutor da própria fé, enquanto a Igreja, em vez de exigir obediência estrita, passou a conceder uma autonomia regulada e permitir, de certa forma, que um membro construa sua própria religiosidade.
Foi o que fez a católica Dulce Ponciano, 59 anos, da cidade de Governador Valadares (MG). Vivendo a cerca de três mil quilômetros de distância do santuário do padre Manzotti, ela criou um perfil no Facebook no ano passado, para interagir com esse sacerdote. Mas se viu, também, solta para dialogar sobre a sua religiosidade, inclusive com pessoas de outras denominações religiosas. Pela internet, então, Dulce ouve o programa de rádio do padre Manzotti ao mesmo tempo que posta as orações. Quase simultaneamente, seus textos são comentados pelo grupo de oração virtual criado por ela, composto por cinco mil membros. “Agora, posso expressar a minha fé de uma maneira mais livre”, diz. “Na igreja, a gente participa, mas não interage. Já a internet é uma grande catequese, uma sala de aula onde a gente debate e aprende.”
Essa desregulação social que marca os espaços disponíveis na rede coloca o fiel-internauta em contato com pessoas de diversas crenças, o que ocorreria em menor grau se ele estivesse dentro de uma igreja física. Está aí o ambiente perfeito para a pluralização religiosa. Sem a vigilância eclesiástica presente, aqueles que preferem não assumir compromissos institucionais com alguma denominação e querem crer sem pertencer se sentem em casa. Outro dado marcante desse novo modelo de vivenciar a fé: a possibilidade de o fiel se expressar de forma anônima via internet permite ao usuário confrontar posições de um líder religioso – ali, em forma de avatar – sem cerimônia, com audácia e coragem. A internet dá poder ao fiel perante as religiões. “No geral, uma denominação não fideliza o devoto por meio de rituais religiosos virtuais”, afirma José Rogério Lopes, da pós-graduação em ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). “Mas essas ferramentas são essenciais para a manutenção diária dos rebanhos.”
Padre Souza, do portal A12 de Nossa Senhora Aparecida, não acha que uma pessoa possa se satisfazer apenas com o consumo da religião pela internet. Mas há os que estreitam a relação com uma denominação religiosa depois de exercitar a fé no mundo virtual. Terapeuta pedagógica, a católica paulista Lourdes Santana, 47 anos, voltou a frequentar uma paróquia nas proximidades de sua casa após passar a acender velas, participar de novenas e escutar programas no ciberespaço. “Pela internet fortaleci a minha religiosidade”, diz ela, que agora vai à missa todos os domingos.
A evangélica paulista Amanda Santos frequenta a igreja Renascer em Cristo há oito meses. Fisicamente, faz isso toda quarta-feira e domingo. “Ir à igreja é necessário porque é lá que você ouve a voz de Deus”, diz ela, que é designer digital. Virtualmente, Amanda assiste às celebrações diariamente. “Enquanto trabalho, faço download de cultos no site e ainda envio as pregações para outras pessoas.” Aos 22 anos, Amanda também consegue se comunicar com líderes da Renascer via Facebook e SMS, quando precisa de alguma orientação espiritual para um assunto que a angustia. Ela não é a única que se utiliza de instrumentos desse tipo. Uma pesquisa recente mediu o alcance dos ambientes digitais a serviço da fé dos brasileiros. Depois de ouvir duas mil pessoas em oito países, o estudo, que investigou os hábitos dos usuários de dispositivos móveis e foi encomendado pela empresa de tecnologia Intel, apontou o Brasil como o lugar onde mais se discute religião por celular e tablet.
Os brasileiros lideram o ranking com 39% dos entrevistados, seguidos de australianos (8%), franceses (3%) e japoneses (1%). Ciente, portanto, de que precisa divulgar o evangelho também no mundo digital, até o papa Bento XVI, que tem o hábito de escrever à mão seus discursos e outros documentos, inaugurou este mês a sua conta no Twitter. No ano passado, ao passar a emprestar iPods aos peregrinos que visitassem a Basílica de São João de Latrão, o Vaticano já havia dado outro passo para se aproximar daqueles que se valem de recursos tecnológicos. Por meio de um aplicativo disponível no aparelho, o fiel passou a ser guiado de forma digital pela catedral da Diocese de Roma, considerada a mãe de todas as igrejas do mundo. Atrair a comunidade jovem seria uma das intenções desse novo recurso. Assim como fez o papa, que agora é seguido por mais de 1,2 milhão de pessoas no Twitter. Essa atitude do pontífice, porém, soa mais como uma mensagem de sintonia da Santa Sé com as novas tecnologias do que como uma estratégia de mercado, segundo o professor Airton Jungblut, da pós-graduação em ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Para ele, mais do que procurar Jesus na internet, o fiel-internauta busca se sociabilizar para discutir os pontos de sua fé com outras pessoas, informar-se e dar sentido ao que crê.
Meu comentário - Tenho acompanhado de perto o crescente uso da web pelos membros de igrejas e considero importante entendermos que há um lado muito favorável do uso das ferramentas tecnológicas para o culto e adoração e outro negativo.
O ponto positivo é que as ferramentas como a web em toda a sua abrangência (sites, portais, redes sociais, aplicativos para conversação instantânea,etc) atraem pessoas a Deus e à Bíblia que, da maneira convencional, não seriam alcançadas com tanta rapidez e eficácia. Os jovens de determinada faixa etária estão nesse contexto. Na web, com materiais e acessos adaptados a sua linguagem, a religião de modo geral pode se tornar mais palatável para esse grupo. O fato de fugir do convencional que atende a um outro determinado tipo de público é uma das principais características da web no atendimento a membros ou pessoas que buscam conhecer mais sobre religião, Deus ou a Bíblia Sagrada.
Experimentei já a participação em campanhas pela web com jovens e vi que o retorno é muito bom, pois, inclusive, nesse ambiente virtual há possibilidade de eles exporem mais suas dúvidas e participarem efetivamente das discussões, o que é saudável para uma fé racional e sólida.
Por outro lado, no entanto, o alerta é quanto ao perigo de se transformar a religião ou mesmo Deus em algo apenas virtual, distante, banal e que pode ser "coisificado", para usar uma expressão de gente como Bauman que estudam a questão do consumo. O desequilíbrio, para qualquer um dos lados, é sempre nocivo. Ignorar a web e sua importância na fé das pessoas como instrumento de apoio é errado. Mas transformá-la em um fim em si mesmo é outro erro. 
Aqui falo de um instrumento estratégico e com bons resultados. Mas é um instrumento. Tentar torná-lo mais importante do que o contato convencional com Deus por meio da oração ou da Bíblia por meio da leitura, que para mim são basilares na comunhão eficaz, não faz qualquer sentido também.

Igreja libera uso de redes sociais durante pregação

quarta-feira, 14 de novembro de 2012 4 comentários

Christian Post, 14.11.2012, às 8h52.


No sudoeste da Inglaterra, paroquianos decidiram permitir o acesso a rede sociais durante cerimônia religiosa como forma de atrair féis.

De acordo com pároco Andrew Aldem, “os jovens são cada vez mais raros nas igreja do nosso país, por isso usar redes sociais como Twitter, Facebook e You Tube é uma forma de nos envolvermos com esta nova geração”.

As redes sociais são usadas para que os fiéis interajam com a igreja, postando mensagens de perguntas, comentando sobre o teor da pregação ou sobre a cerimonia do dia anterior. Segundo Andrew, a congregação às vezes também aproveita para escrever algo engraçado como o que os párocos estão vestindo como forma de manter o bom humor entre a congregados.

"Não é um monólogo em que falamos por meia hora e damos informações para as pessoas. É uma conversa, uma da maneiras que Jesus ensinava, Ele fazia perguntas", disse o padre Brian Champness.

A nova abordagem foi adotada pela igreja como forma de modernizar a igreja. As cerimônias com uso de rede social são realizadas na igreja uma vez por mês e parece que a estratégia deu certo. Segundo publicação AFPTV, o número de fiéis dobrou nos últimos cinco anos.

Notícia original em http://portugues.christianpost.com/news/igreja-libera-uso-de-redes-sociais-durante-pregacao-para-atrair-fieis-13434/ 

Nota: A ideia parece ser boa, conceitualmente falando. É verdade que os jovens, crianças e adolescentes, público que domina o uso das redes sociais, precisa ser alcançado com uma linguagem e uma forma apropriados para sua realidade. A mensagem bíblica não deve ser mudada, mas adaptada para ser entendida por esses públicos e isso também passa pela maneira de se difundir. Prova é a popularidade que alcançam projetos como Escolhi Esperar (de fortalecimento da pureza em todos os aspectos, inclusive sexual) no Facebook, ou mesmo no Twitter a iniciativa adventista para tuitar cada dia um comentário relacionado a um capítulo da Bíblia como é o caso do Reavivados por Sua Palavra. A proposta de transformar jovens internautas em evangelistas voluntários no ambiente da web é louvável e está em consonância com a Bíblia.
O que precisa ser melhor pensado, no entanto, é o incentivo ao uso de telefones e aparelhos eletrônicos para troca de mensagens durante o culto. Pode ser interessante em um programa com debate de ideias, mas em cultos regulares pode ser um problema. Em um culto comum, onde adultos e jovens estão presentes, talvez nem todos tenham esse interesse em estar conectados e, assim, pode surgir algum tipo de dissensão entre os fiéis. Além disso, nos cultos o conteúdo precisa ser entendido não apenas como uma informação repassada por um dirigente, mas como parte de um momento especial de adoração coletiva que envolve o louvor através da música, o momento das ofertas e dízimos e as oportunidades de oração. Não se trata de criar um ambiente para discutir cada palavra do orador ou brincar uns com os outros a respeito da roupa usada. Creio que esse precedente aberto é bem ruim, pois dá margem para termos uma igreja preocupada apenas com a interação social e não com a adoração.

Culto para quem não quer nem sair do carro

quinta-feira, 9 de agosto de 2012 0 comentários



Gospel Prime, 09.08.2012
No último domingo pela manhã, a Primeira Igreja Luterana, em South Sioux City, no Estado de Nebraska, realizou mais um “culto de adoração no drive-in”. Cerca de 90 pessoas saíram de casa para participarem, sem sair do carro, da programação religiosa que durou cerca de uma hora e meia.
“Isso faz as pessoas se envolverem. A comunhão é de valor inestimável”, disse Rose Dudley, uma das voluntárias que ajudava na organização. “Além disso, ajuda a espalhar a Palavra de Deus, e é isso que nós desejamos”.
Quando as pessoas chegam ao estacionamento, recebem um boletim que as instrui a sintonizar seus rádios na freqüência 88,9 FM, por onde poderão ouvir o louvor e a pregação.
Depois que os ouvintes estiverem sintonizados, poderão deitar os bancos e ouvir a mensagem do pastor Jerry Gilbreath, ou até mesmo aproveitar o cafezinho e os pãezinhos de canela servidos pelos voluntários.
A ideia de um culto que lembra as antigas sessões de cinema “drive in”, surgiu no ano passado. Tudo começou por que a igreja desejava oferecer mais uma coisa divertida e animada para as pessoas aproveitarem durante o verão na cidade.
“Queríamos fazer um culto ao ar livre. Claro, meu marido e eu decidimos levar a sugestão ao nosso pastor, que ficou muito animado em começar”, disse Dudley.
Aqueles que não desejam ficar dentro dos carros podem sentar no gramado e desfrutar do culto com tranquilidade. O local escolhido permite que após o culto, os participantes levem suas cestas e façam um piquenique se desejarem.
Meu comentário - Aproveito essa notícia para levantar uma questão muito interessante que diz respeito ao conceito que se tem de culto a Deus. Evidentemente, segundo a própria Bíblia, Deus está presente em todos os lugares e pode ser invocado a qualquer momento e sempre que se quiser. Entendo que algumas igrejas querem se tornar mais populares na sociedade e se valem de práticas que são adotadas em outros tipos de programas. Não condeno as pessoas que fazem um culto dentro de um veículo, tampouco coloco em xeque a comunhão que os que ali participam possuem. pois Deus é quem julga todas as ações e pensamentos humanos; mas a ideia de copiar um entretenimento e aplicá-lo ao conceito de culto a Deus não me causa tão boa impressão. 
Penso que esse tipo de ação abre um precedente (aliás, esse é apenas um dos precedentes que já se abriu em diferentes religiões, especialmente falando das cristãs) para que outras práticas totalmente voltadas ao entretenimento e ao puro divertimento se transformem em ações religiosas. Outro dia, li sobre programas com conotação sexual para atrair fieis, entre outras tentativas desesperadas de "popularizar" a fé cristã.
A Bíblia diz, em Efésios 4:5, que há apenas uma fé. E essa fé tem a ver com uma relação íntima com Deus baseada no que Ele é e no que deseja que nós sejamos. Implica, também, expressões de alegria, amor, confiança, humildade, simplicidade, honestidade, mas não é uma cópia do que em geral se entende por sentimentos. Não sei se igreja tem de parecer divertida para as pessoas, mas a alegria que os cristãos ali demonstram deve ser algo maior do que simplesmente entretenimento, mas prazer em servir a Deus em todos os aspectos que isso signifique.

Cientologia e a religião bíblica se chocam

domingo, 15 de julho de 2012 0 comentários

Veja online, 14.07.2012 (resumo)


Nos sete anos de relacionamento com Tom Cruise, a atriz Katie Holmes conviveu de perto com o ídolo de infância, dono do rosto que estampava os pôsteres espalhados pelas paredes de seu quarto, em Ohio. Mas não apenas com ele: durante o casamento, selado com pompa em um castelo da Itália, Katie passou a ter contato estreito com a cientologia, religião seguida por Cruise desde 1990. A seita, que reúne famosos como John Travolta e Will Smith, é apontada como o pivô da separação do casal. Katie pediu o divórcio para afastar a filha Suri, 6, do pai e dos dogmas que ele apregoa. A estratégia deu certo e, realizada de forma amigável, a separação vem fazendo bem para a imagem da atriz. A maneira rápida e tranquila com que Katie se desligou da cientologia, porém, parece ser uma exceção. Ex-seguidores ouvidos pelo site de VEJA dizem ter sido perseguidos e ameaçados ao deixar a Igreja.

“Nos últimos dois anos, fui proibida de me comunicar com meu filho. A cientologia acabou com a minha família”, conta a ativista americana pelos direitos dos animais Karen de la Carriere, frequentadora da Igreja de 1970 a 2010. Há duas semanas, ela soube que o filho Alexander, de 27 anos, havia morrido. A notícia foi dada cinco dias depois da morte por uma antiga amiga da Igreja, em uma mensagem publicada no site de relacionamentos Facebook. Mãe e filho já não tinham contato. Alexander nasceu na cientologia e seguiu à risca a recomendação de se desconectar de Karen após sua partida. Como ela, outros ex-membros afirmam ter perdido relações ao sair.

Karen diz que foi ao necrotério, mas foi impedida por membros da igreja de ver o corpo do filho. Desesperada por informações sobre a morte de Alexander, ela descobriu, com colegas de trabalho do filho, que ele sofreu um acidente de carro e não procurou ajuda médica.

Procurada, a igreja brasileira da cientologia nega que ameaças e perseguições façam parte da rotina da seita. O fim trágico de Alexander estaria ligado a outro dogma da cientologia, também negado pela igreja brasileira. Por esse princípio, presente nos livros oficiais da religião, os seguidores deveriam recorrer apenas a exercícios e vitaminas no combate a doenças. “A cientologia é a única cura para queimaduras provocadas por bombas atômicas”, escreveu L. Ron Hubbard, o escritor de ficção científica que criou a cientologia em 1952, no livro All about Radiation (Tudo sobre Radiação, em tradução literal). Ao todo, Hubbard escreveu 14 volumes sobre o conjunto de princípios que batizou de Dianética. Além de cartilhas, que, juntamente com os livros, são a única fonte de conhecimento religioso permitida aos fieis – há quem diga que a cientologia é, na verdade, uma grande e bem sucedida empreitada editorial.

A posição da cientologia frente à medicina foi o que levou a aposentada Tory Christman, de 65 anos, a abandonar a igreja após 31 anos. Epiléptica, ela foi atraída para a seita por suas promessas de cura, aos 22 anos. “Garantiram que eu me curaria com as vitaminas e os exercícios propostos por Hubbard”, lembra Tory, que mora em Los Angeles e atualmente é uma das mais ferrenhas críticas da igreja seguida por Tom Cruise, publicando vídeos e mensagens na internet.

Entenda a cientologia 


A cientologia se define como uma religião que prega o uso do poder da mente para driblar sofrimentos da vida moderna, como o estresse, a ansiedade, a agressividade e o pessimismo. A prática é baseada na teoria Dianética, criada pelo pelo fundador da cientologia, o escritor de ficção científica L. Ron Hubbard, em 1954. A seita acredita que o homem é um ser imortal que passa por diversas experiências até atingir a iluminação. Críticos da cientologia a definem como uma organização que vende serviços de autoajuda e livros sob a fachada de religião. 

Tory seguiu à risca o tratamento indicado pela seita, até o dia em que a mãe disse que ela estava agindo de maneira estranha. “Eu perdi a memória recente. Só percebi quando minha mãe me perguntou de um encontro que eu havia tido na noite anterior e respondi: ‘Que encontro?’” Obrigada pela mãe, ela retomou o tratamento médico, mas continuou na igreja. Ao longo de 30 anos, diz ter visto sete pessoas morrerem por suicídio ou falta de tratamento médico. “Muitos morreram tomando vitamina C contra um câncer.” 

Tory decidiu sair em 2000. A partir daí, ela nunca mais viu o marido, que continua na Igreja, e diz viver aterrorizada por perseguições e ameaças. “Eu fui caçada ao redor do país. Toda vez que descobriam onde eu estava, recebia uma visita desagradável de um membro da cientologia que me pedia para voltar.”

Disciplina militar

Com declarados 15 milhões de seguidores no mundo – o número oficial é rebatido pela imprensa americana, que calcula não passar de 100 000 –, a cientologia é amparada por uma estrutura de estilo militar. Seu comando se localiza na Sea Organization, ordem que administra a seita, centraliza as decisões, promove eventos como o cruzeiro de doutrinação de que Suri Cruise iria participar e controla a vida dos fieis através de um serviço de inteligência próprio – a rotina da casa de Tom Cruise seria tema de relatórios diários. Para realizar todas essas atividades, a Sea Organization emprega fiéis que se destacam nos estudos da Dianética. O regime de trabalho nas igrejas e centros de convivência é descrito como exaustivo por ex-voluntários, que contam terem sido obrigados a trabalhar por horas e horas seguidas, sem folga, por um salário de 50 dólares semanais.

Outro ex-membro, Chuck Beatty, de 65 anos, conta que, ao longo de 20 anos na Sea Organization, chegou a trabalhar na empresa Author Services Inc. como assistente direto de L. Ron Hubbard, o fundador da cientologia. “Foi quando eu percebi a insanidade e a violência dos líderes e comecei a desconfiar de que a religião era uma farsa.” Sua primeira tentativa de deixar a seita foi em 1997. Na época, porém, Beatty hesitou e acabou passando mais sete anos no Projeto de Reabilitação Forçada, programa destinado a recuperar dissidentes, quando finalmente saiu, em 2004. A partir disso, ele diz ter sido seguido por detetives particulares. “Recebia ligações quase diárias de homens que diziam estar me investigando.”

Seu trabalho, hoje em dia, é apoiar pessoas que querem deixar a cientologia. Beatty até criou uma linha direta gratuita, 1800-X-Sea-Org, para receber ligações de membros em busca de conselhos. “Fazer parte da Sea Organization é um compromisso para o resto da vida, por isso, sair é algo praticamente impensável para quem está lá dentro.”

Paranoia e descontrole 

Para muitos ex-seguidores, as esquisitas regras da cientologia, assim com a atmosfera sombria da seita, são reflexo da personalidade de Hubbard, homem que é descrito como paranoico e descontrolado. “Qualquer pergunta feita sobre a cientologia é vista por seus membros como um ataque, em vez de um simples questionamento”, diz William Burke.

Procurada para comentar os relatos colhidos com ex-membros americanos, a líder da cientologia no Brasil, Lúcia Winther, 49, se recusou a fornecer argumentos para os questionamentos da reportagem e ameaçou processar o site de VEJA. "O fato é que com o conhecimento de cientologia as pessoas ficam mais inteligentes, capazes e livres, não podendo assim ser tão manipuladas pela imprensa e sociedade”, escreveu.

Tamanha devoção à cientologia teve início há 22 anos, quando Lúcia morava nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela e o marido, o venezuelano Randolph Sambo, 51, se esforçam desde 1991 para firmar a cientologia no país. Atualmente, há dois escritórios da igreja no país, ambos em São Paulo. De acordo com Lúcia, a organização recebe cerca de 100 interessados na seita por semana, o que, nos seus 21 anos de presença no país, daria um total de 104.000 curiosos ou convertidos nos princípios de Hubbard. Tal curiosidade não encontra par nas redes sociais, no entanto: a página brasileira da Igreja no Facebook contabiliza 300 seguidores e apenas 63 pessoas fazem parte da página sobre Dianética no site.

No Brasil, a seita está registrada sob o nome empresarial Primeira Igreja de Cientologia do Brasil Associação Religiosa, o que lhe dá o privilégio de isenção fiscal previsto pelo Código Civil para organizações religiosas. Segundo a advogada Damaris Dias Moura Kuo, presidente da comissão de direito e liberdade religiosa da OAB-SP, não há queixa contra a igreja no país. “Há dez anos, eu milito na causa da liberdade religiosa e não tinha conhecimento da presença da cientologia no Brasil”, diz.

No Brasil, paz 

Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde a maior parte dos fieis trabalha e mora nas dependências da Igreja, no Brasil a maioria segue a cientologia de forma independente, lendo os livros de Hubbard como volumes de autoajuda. “Depois de aprender a tecnologia (termo usado para designar as regras de conduta dentro da cientologia), comecei a me encontrar mais, descobrir quem eu sou”, diz a personal trainer Andrea Silveira, de 38 anos.

Ela diz ter lido mais de 20 títulos de Hubbard desde que entrou em contato com a Igreja em 2006, através de uma amiga. Sua filha de 9 anos também é adepta da cientologia, já fez seu primeiro curso sobre como ler dicionários e viajou a bordo do Freewings, cruzeiro organizado pela seita anualmente para reunir membros iniciantes. “É como um retiro espiritual.”

A primeira impressão de quem visita a sede da cientologia no Brasil é a de estar diante de uma pequena e simples loja de livros. Ao atravessar o portão do pequeno sobrado, é possível ver uma prateleira com livros e DVDs de L. Ron Hubbard à venda com preço médio de 50 reais cada. A atenção extrema que as atendentes uniformizadas devotam à venda de livros e serviços, como as sessões de audição, aproxima a cientologia - ao menos num primeiro contato - mais de um negócio pautado pela autoajuda do que de uma religião. A aquisição de sabedoria pode ser parcelada em suaves prestações. 


Notícia original publicada em http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/ex-seguidores-se-dizem-ameacados-pela-cientologia


Nota: Evidentemente não sou um estudioso da cientologia, portanto minha análise é fundamentada em torno do que tenho lido e visto em reportagens há alguns anos a respeito dessa igreja ou seita como estão chamando. Minha preocupação, sempre que me deparo com a publicidade excessiva de um determinado movimento religioso ou espiritual, é entender qual a sua relação com a Bíblia Sagrada (para mim, livro que baseia minha orientação religiosa).
Pelo que li acerca da cientologia, a mesma possui crenças sobre imortalidade da alma, poder da mente para cura de boa parte dos males humanos, mantém segredos e tem sua base doutrinária praticamente centralizada nos escritos de uma pessoa.
Somente por esses aspectos, fica claro que há pontos de divergência diretos com a Bíblia Sagrada. A Palavra de Deus ensina que as pessoas não são imortais, e sim, mortais, e que essa imortalidade (ou seja, a possibilidade de viver eternamente) está condicionada ao regresso de Jesus Cristo a esse mundo quando então Ele concederá esse privilégio. Quanto ao poder de cura da mente, é lógico que Deus nos deu uma mente prodigiosa, mas quem precisa controlar a mente humana é Deus. Isto é, a Bíblia declara, em textos como Romanos 12:1,2 e outros, que devemos submeter nossos pensamentos e prestar um culto com enfoque em Deus e não em nossas ideias e conceitos próprios. 
Os segredos em torno dos verdadeiros propósitos de um movimento religioso causam presumível desconfiança. A religião cristã bíblica, tal como ensinada por Jesus e os primeiros discípulos, nunca escondeu nada das pessoas. Paulo e outros pregadores falaram abertamente em sinagogas, praças e locais públicos acerca de sua fé, tanto que foram perseguidos, presos e mortos por conta disso. 
E quanto ao fato de termos grande parte da fundamentação da cientologia em livros escritos pelo fundador, aí está uma notável incompatibilidade com a Bíblia. É certo que alguns poderão comparar livros humanos com a Bíblia, mas eu creio que a Bíblia é a Palavra de Deus e não apenas um compêndio de escritos proféticos, históricos, poéticos, cartas e biografias. É uma revelação divina que foi mantida ao longo de dezenas de anos de uma maneira impressionante. 
Respeito os que seguem a cientologia, bem como qualquer outra crença, mas alerto quanto aos pontos que não se harmonizam com a Bíblia Sagrada. 

Por que os jovens deixam a fé?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 5 comentários

Site Cristianismo Hoje, 27.11.2011. 
Autoria de Drew Dick.


Mais do que em gerações anteriores, os jovens crentes entre 20 e 30 têm abandonado a fé.

Momentos importantes fazem parte da jornada de todo jovem quando ingressa na idade adulta: a chegada à universidade, o começo da carreira, a compra do primeiro apartamento, o casamento e – no caso de muitos cristãos hoje em dia – o distanciamento da fé. Para cada vez mais rapazes e moças na faixa entre os 20 e os 30 anos, tudo o que se aprendeu ao longo de anos e anos de escola dominical infantil, atividades de grupos de adolescentes ou reuniões de oração da mocidade simplesmente parece perder o sentido diante da realidade da vida autônoma e suas múltiplas possibilidades. Motivos para tal esfriamento não faltam: o sentimento de liberdade pessoal, o convite aos prazeres antes proibidos, a ênfase exagerada na vida profissional e no próprio sucesso... Longe da tutela dos pais crentes, jovens que um dia eram vistos na igreja como promissores nas mãos de Deus vão, pouco a pouco, assumindo um estilo de vida mundano. E logo já não são nem um pouco diferentes de seus amigos que jamais estiveram num culto.
Não há, dizem, uma razão específica. O que se alega é um certo cansaço da vida religiosa ou a impressão de que a história do Evangelho, afinal de contas, não é tão verdadeira assim. Todo crente conhece pessoas nesta situação. E a quantidade de gente que deixa a igreja para trás tem aumentado – só no Brasil, segundo o último Censo, já há cerca de 14% de evangélicos confessos sem ligação formal com uma igreja. A tendência é mais aguda entre os jovens adultos, e não apenas por aqui. Na última edição da Pesquisa Americana de Identificação Religiosa, um fato chamou a atenção. A porcentagem de americanos que responderam “sem religião” praticamente dobrou nas últimas duas décadas, crescendo de 8,1% nos anos 90 para 15% em 2008. O estudo também observou que assombrosos 73% deles vêm de famílias religiosas – e quase dois terços foram descritos no estudo como “ex-convertidos”.
O resultado de outra pesquisa também foi expressivo. Em maio de 2009, no Fórum de Religião e Vida Pública, os cientistas políticos Robert Putnam e David Campbell apresentaram uma pesquisa descrevendo o fato de que jovens estão abandonando a religião em “ritmo alarmante”, cinco a seis vezes mais rapidamente do que anteriormente registrado. Fato é que a sociologia já descobriu que a migração para longe da fé cristã, por parte de jovens antes engajados na vida eclesiástica, é um fenômeno crescente. E uma resposta para este fato requer primeiramente uma análise de tal êxodo e o questionamento honesto das razões pelas quais ocorre.

ABANDONO
O presidente do Barna Group, entidade cristã de pesquisas sediada na Califórnia (EUA), David Kinnaman, revela que cerca de 65% de todos os jovens de seu país afirmam ter feito um compromisso com Jesus Cristo em algum momento de suas vidas. Kinnaman entrevistou milhares de jovens para a elaboração de seu livroUnChristian. Segundo ele, a maior parte dos ‘não-cristãos’ da sociedade hoje é formada por gente que em algum momento freqüentou igreja e serviu a Jesus. “Em outras palavras, eles são nossos antigos amigos, adoradores de outrora”, acentua.
Grande parte dos pesquisadores avalia que este dramático número de abandonos espirituais por gente na faixa dos vinte e poucos anos constitui, na verdade, uma etapa no curso da vida de quem chegou à conclusão que vale mais a pena dormir até tarde ou fazer outros tipos de programa aos domingos. O sociólogo Bradley Wright salienta que a tendência da juventude ao abandono da fé é uma característica do cristianismo contemporâneo. A questão do comprometimento moral parece estar na base do processo. Donos do próprio nariz, não poucos jovens de origem evangélica começa a mudar de hábitos, sendo mais abertos a novas experiências e menos refratários àquilo que, durante anos e anos, ouviram ser pecado.
Quando o rapaz ou a moça recém-saída da casa dos pais vai morar com o companheiro, ou encontra na faculdade amigos que fazem convites para noitadas, os conflitos entre a crença e o comportamento pessoal parecem ficar inconciliáveis. Cansados de lidar com o que lhes resta de uma consciência de culpa e relutantes em abandonar aquilo que têm como conquistas pessoais, eles preferem abandonar o compromisso cristão. Para isso, podem usar como argumentos o ceticismo intelectual ou a decepção com a igreja, mas estes são apenas motivos superficiais para esconder a razão principal. A verdade é que a base de crenças acaba sendo adaptada para corresponder às ações.
“Em alguns casos, o processo é gerado por uma decepção com a igreja, levando ao esfriamento”, aponta o pastor Douglas Queiroz, da Igreja Plena de Icaraí, em Niterói (RJ). Há dez anos, ele dedica seu ministério à juventude, aconselhando não apenas novos convertidos como gente que nasceu na igreja mas em algum momento abandonou a fé. “Eles não se identificam mais com a igreja da qual faziam parte”. Para Douglas, esse fenômeno pode ser atribuído, em parte, ao momento em que o jovem vive. Isso se dá pelo distanciamento que existe entre a igreja e a sociedade. O jovem de hoje, detentor de muita  informação, não aceita esta  relação ambígua, não suporta mais viver numa subcultura ou dentro de um gueto com postura, linguajar e pensamentos distantes do cotidiano”, comenta. Mas existem também, diz o pastor, situações em que não se trata exatamente de um esfriamento espiritual. “A pessoa simplesmente descobre que sua fé não existe, ou seja, nunca houve uma experiência individual. O jovem é cristão simplesmente porque nasceu num lar de crentes e cresceu indo à igreja.”

O texto na íntegra está em http://cristianismohoje.com.br/interna.php?subcanal=23

Nota: Esse é um assunto que deveria preocupar o mundo cristão muito mais do que as guerras por audiência de programas televisivos ou pela web de evangelistas ou mesmo as discussões midiáticas que fazem alguns líderes evangélicos com o nítido intuito de se manter em evidência.  Muito se fala de uma maior busca das pessoas por religiosidade, mas dados e pesquisas que mostram o abandono da fé por parte dos jovens são passados por alto sem merecer talvez toda a atenção que deveria. 
Em primeiro lugar, é importante destacar que, apesar de grande parte dos números apresentados nesse artigo de Drew Dick ser referente a entrevistas realizadas nos Estados Unidos, o pequeno compromisso de jovens com a religião ou o progressivo descaso que se vê entre esse público não é problema apenas norte-americano. É problema mundial e que afeta, também, países como o Brasil. A diferença é que aqui as pesquisas são escassas e, quando realizadas, infelizmente não se cria uma estratégia para atuar em cima dos números que ali foram revelados.
Outro aspecto é que tudo que se elenca como razão para o abandono da fé ou desinteresse religioso de jovens praticamente converge em um mesmo ponto: esfriamento espiritual. Justificativas para o distanciamento dos jovens de sua fé são apresentadas em profusão e seguem até a linha de que os cultos religiosos precisam ser mais atrativos porque, no jargão evangélico, "o mundo" oferece coisas mais espetaculares e sensacionais. 
Só que algumas perguntas precisam ficar para nossa reflexão em relação a isso tudo e nortear uma busca sincera por saídas para essa situação: 
1) Os jovens têm encontrado espiritualidade nas igrejas?
2) Os jovens veem o exemplo de pais piedosos que mostram na prática cristianismo ou só se limitam a cobrar comportamento religioso exemplar?
3) O que o jovem mais precisa é de programas, cultos, ações e projetos incríveis ou de atenção e amizade cristã?


Deixo apenas essas três indagações, mas há várias outras que poderiam gerar trabalhos e pesquisas acadêmicas. Uma coisa me parece bem clara: os jovens possuem a mesma necessidade que qualquer outra faixa etária necessita, ou seja, a atuação de Deus em suas vidas. A diferença está em quanto se investe (e não se trata apenas de dinheiro, mas de tempo, influência, criatividade, etc) nas igrejas para que isso efetivamente aconteça e nos lares. 
Cobrar comportamento exemplar dos jovens é fácil e a maior parte da liderança cristã parece focada apena nisso. A parte mais difícil e menos atraente ainda é a de formar jovens cristãos. 

Revista semanal destaca movimento da Igreja Mundial

domingo, 30 de janeiro de 2011 3 comentários

 Revista IstoÉ, Semana de 30.01.2011.

Com microfone em punho, Valdemiro Santiago de Oliveira, todo-poderoso líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), caminha bambeando de um lado para outro do altar fincado bem no centro de um galpão de 18 mil metros quadrados, localizado no Brás, bairro da região central de São Paulo. Dez mil pessoas se aglomeram ao redor do autointitulado apóstolo, em estado de atenção e êxtase, à espera de uma palavra, um toque, um abraço. Com o rebanho em suas mãos, e um timing digno de showman, ele chora, gargalha, transpira. Está entregue à multidão. A voz rouca sai carregada de ironia e ornamentada por um sorriso de canto de boca. “Está um congestionamento aqui fora. Ouvi dizer que acontece uma feira na redondeza!”, diz. Mas não há feira nenhuma. O movimento na região é provocado pelos concorridos cultos desse mineiro de 47 anos, natural de Cisneiros, distrito de Palma, a 400 quilômetros de Belo Horizonte. E Santiago sabe muito bem disso. Há 30 anos no movimento neopentecostal brasileiro, segmento que mais cresce no Brasil (deve chegar a 40 milhões de adeptos no novo Censo), o homem forte da Mundial é o mais fulgurante fenômeno religioso do Brasil atualmente. Sua identificação direta com a massa – é negro, tem sotaque caipira e português falho, trabalhou na roça e passou fome – o coloca nos braços humildes e carentes daqueles que procuram uma solução espiritual para as mazelas da vida.

“Quem me viu na tevê? Quem foi a Interlagos?”, questiona Santiago, enquanto os fiéis, contidos por obreiros, se debatem e gritam em sua direção. No primeiro dia de 2011, o religioso ganhou minutos preciosos em rede nacional por causa da massa impressionante de discípulos que conseguiu arregimentar em pleno 1º de janeiro, vinda de todos os cantos do Brasil para celebrar com ele no autódromo de Interlagos. Segundo os organizadores do evento, havia lá 2,3 milhões de pessoas. Nos dias 9 e 11 de janeiro, quando a reportagem de ISTOÉ acompanhou os cultos na sede mundial da IMPD, no Brás, uma antiga fábrica comprada por R$ 60 milhões em 60 parcelas de R$ 1 milhão, o apóstolo faturou sobre essa exposição em horário nobre. “Ninguém pode dizer que sou um sujeito dotado de uma inteligência, uma sabedoria”, disse Santiago à ISTOÉ, currículo escolar findo no quinto ano do ensino fundamental, mas alinhado em um terno bem cortado, gravata, camisa com abotoaduras douradas e sapatos tamanho 44 impecáveis. “Quem olha a minha vida e faz uma análise não tem como não glorificar Deus.”
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GLÓRIA
O ex-roceiro, que cuidava de marrecos e foi viciado em
drogas, é ovacionado por 2,3 milhões de pessoas,
em Interlagos, no primeiro dia de 2011
 
De fato, o garoto que perdeu a mãe aos 12 anos e caminhava oito quilômetros por dia para levar marmita para os familiares na roça lidera, hoje, um império religioso que conta com três mil igrejas espalhadas pela América do Sul e do Norte, Europa, Ásia e África e 4,5 milhões de fiéis, de acordo com dados da própria IMPD (leia ao lado quadro comparativo com outras denominações evangélicas). Treze anos depois de fundar a Mundial, o homem que gosta de cultivar a fama de matuto mora em um condomínio de luxo em Barueri, na Grande São Paulo, e tem na garagem três carros importados blindados – uma Land Rover, um Toyota e um Peugeot. Motoristas e seguranças particulares estão sempre à sua disposição. Helicópteros e um jato particular também. A Igreja Mundial, por sua vez, tem inaugurado um novo templo por semana e honra, mensalmente, uma despesa em torno de R$ 40 milhões. O dinheiro da igreja vem, principalmente, do dízimo arrecadado. Membros da IMPD estimam receber de doação em seus cultos uma média de R$ 10 por fiel. Há, ainda, envelopes nas cores ouro, prata e bronze. Pastores afirmam que a diferenciação não está diretamente ligada ao valor a ser dado à igreja. Segundo eles, cada tipo de envelope contém uma mensagem diferente. Nesse primeiro mês de 2011, o apóstolo reforçou o pedido por doações argumentando despesas com emissoras de tevê e rádio. “Ano novo, contratos novos e reajustados... Essa semana preciso muito de sua ajuda. Quem pode trazer até terça-feira R$ 100?”, perguntou Santiago. A quantia foi diminuindo à medida que o tempo ia passando. “E uma oferta mínima de R$ 30? Quem puder, fique de pé que o obreiro irá dar o envelope.”

É a mística de milagreiro de Santiago a chave de seu sucesso e a responsável pelo fenômeno da multiplicação de fiéis à sua volta. E a televisão amplifica em doses continentais esse poder de comunicação inato do líder evangélico. Atualmente ele ocupa 22 horas diárias na programação da Rede 21, que pertence ao grupo Bandeirantes, ao custo de R$ 6 milhões mensais. Com mais R$ 101 mil por mês, pagos à Multichoice, empresa sul-africana distribuidora de sinal, também está no ar em Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Líbia, Zimbábue e Botswana. Na telinha, o que se vê são os cultos de Santiago em seus templos. Para isso, a performance do pastor é acompanhada, minuto a minuto, por fotógrafo e uma equipe de cinegrafistas, que registram tudo para ser divulgado, além da tevê, no jornal, na revista e na rádio da igreja. Na África do Sul, a Mundial possui uma hora de programação na TV Soweto, ao custo de R$ 59 mil mensais. Em Maputo, a capital de Moçambique, uma tevê e uma rádio já estão sob o domínio da corrente evangélica do ex-roceiro, fissurado, segundo palavras dos próprios membros da igreja, por se comunicar com os súditos via tevê. Afinal, se em um templo como o do Brás o apóstolo consegue falar para 30 mil pessoas, no ar, citando apenas os que possuem antena parabólica no Brasil, ele chega a 25 milhões de lares via Rede 21.
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Não e à toa que, anunciados pela telinha, seus eventos estão sempre lotados. “Aquela máxima da publicidade de que uma imagem vale mais do que mil palavras se aplica muito bem a Valdemiro”, afirma Ronaldo Didini, ex-membro da cúpula da Universal e braço-direito de Santiago, que responde pela estratégia de mídia da igreja. Além dele, são dirigentes da Mundial um consultor financeiro, também ex-Universal, e três deputados eleitos no último pleito – dois federais (José Olímpio, PP/SP e Francisco Floriano, PR/RJ) e um estadual (Rodrigo Moraes, PSC/SP). “As coisas são cada vez mais rápidas e profissionalizadas na Mundial”, diz o pesquisador Ricardo Bitun, autor da tese “Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e Continuidades no Campo Religioso Neopentecostal”, defendida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Isso ocorre, em grande parte, por conta de um fenômeno conhecido como nomadismo religioso. Se durante muito tempo a Igreja Católica era a maior fornecedora de ovelhas ao rebanho pentecostal, agora esses últimos trocam de fiéis entre si. “Meu trabalho é o altar; meu negócio é multiplicar as almas”, diz Santiago, que também fatura com a crise de igrejas como a Renascer em Cristo, por exemplo, que perdeu em 2010 seus discípulos mais ilustres, o jogador de futebol Kaká e sua mulher, Caroline Celico.

A ascensão de Santiago ao olimpo dos líderes religiosos do Brasil começou a ser moldada em 1976, quando, aos 16 anos, ele se converteu ao protestantismo. Naquela época, o garoto revoltado e de difícil trato, que em Cisneiros cuidava de marrecos, arava a terra e colhia ovos de anu para fazer omelete, morava com um dos 12 irmãos na mineira Juiz de Fora. Nessa cidade, trabalhava como pedreiro e levava uma vida desregrada. Dormia muitas noites na calçada e era viciado em drogas – ele se limita a dizer que consumia “álcool e substâncias sintéticas em forma de comprimidos”. Até que um pastor lhe estendeu a mão e Santiago passou a pregar. Foi obreiro, pastor, bispo e membro da cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Nos templos de Edir Macedo, atuou por 18 anos e se desligou em 1997, depois de um suposto desentendimento com o líder evangélico. Já havia, porém, decorado a cartilha de seu mentor. Pesquisador da área da sociologia da religião, Ricardo Mariano afirma que as crenças e práticas mágico-religiosas da Mundial são uma cópia da Universal. Tanto que até o nome da igreja de Santiago, Igreja Mundial do Poder de Deus, é uma evidente inspiração na primeira casa: Igreja Universal de Reino de Deus. Perspicaz, o religioso caipira foi beber da fonte que já havia sido aprovada pelo público. Tanto que, além de convidar parte da cúpula da IURD, atraiu também dezenas de pastores, prática que adotou até um ano atrás, quando membros da Mundial começaram a temer que houvesse “universais” infiltrados em suas fileiras.

No altar da igreja que fundou em 1998 Valdemiro passou a receber portadores do vírus da Aids, doentes de câncer e até cadeirantes desenganados pela medicina. As pessoas em cadeira de roda são, até hoje, um dos campeões de audiência. É comum encontrar no templo fiéis carregando para o alto cadeiras de roda, num gesto explícito de libertação. Em um programa no início de janeiro, o apóstolo protagonizou, via tevê, uma situação do tipo. Ao seu lado, caminhando, um ex-paralítico afirmava ter permanecido imóvel por 15 anos. A reportagem de ISTOÉ tentou contato com esse homem, mas membros da cúpula da Mundial disseram ser impossível localizá-lo, pois as fichas de identificação ainda não estão informatizadas e há muitos casos como o dele.

O pastor mineiro usa como nenhuma outra liderança pentecostal os depoimentos de enfermos e a evocação da cura divina. Juntos, eles provocam uma catarse espiritual. Os fiéis da IMPD fazem fila para testemunhar, no altar ao lado do apóstolo e com exames médicos em punho, que a medicina já os havia desenganado, mas que a intervenção milagrosa os salvou. “Na Igreja Mundial, o toque no corpo de Santiago é muito valorizado”, diz o sociólogo da religião Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo (USP). Aos 61 anos, a católica catarinense Aledir Lachewtz, 61 anos, levou fotos e roupas de sua tia octogenária que sofria com um edema pulmonar para serem abençoadas em um culto na IMPD. “Os médicos diziam que não tinha mais jeito”, conta Aledir. “Mas, depois das bênçãos, novos exames não apontaram mais nada. O apóstolo tem muito poder de cura.” Essa espécie de pronto-socorro espiritual, como define o teólogo Edin Abumansur, da PUC-SP, floresce de modo particular na Mundial. Enquanto Santiago prega, dezenas de placas com os dizeres “Aqui tem milagre” são levantadas por obreiros para auxiliá-lo. Selecionado previamente e de posse de exames médicos que revelariam primeiro a enfermidade e, em seguida, o desaparecimento dela – chamado na IMPD de “o antes e o depois” –, o fiel é alçado ao microfone ao lado do pastor. E é nessa hora que o líder da Igreja Mundial vira astro.

Do alto de seu 1,90 e 103 quilos (chegou a ter 153, mas emagreceu após uma cirurgia bariátrica, há oito anos), o apóstolo grampeia o rosto da pessoa contra o seu peito. Abraça, chora e grita, como fez com a mãe que atribuiu a cura de sua filha de 6 anos, que voltou a andar e a falar contrariando prognósticos médicos, segundo ela, à fé e às orações feitas na IMPD. “Esse Deus é poderoooso! Isso é para sacudir o barraco do cramunhão e botar pra baixo!”, berra o religioso. Ricardo Mariano, professor do programa de pós-graduação em ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e um dos maiores especialistas do Brasil em movimento neopentecostal, contextualiza: “A ênfase pentecostal na cura divina já tem mais de 60 anos e foi uma das principais responsáveis pelo crescimento desse movimento religioso na América Latina e na África. Desde então, constitui uma das iscas mais atraentes de potenciais adeptos aos templos.”
Além da eloquência com que evangeliza, Santiago ficou conhecido por usar chapéus típicos de quem se criou no meio do mato. Assim também é visto em seus finais de semana, que acontecem, como ele diz, às quartas-feiras. Nesses dias, ele se tranca em um sítio, em Santa Isabel, a 50 quilômetros de São Paulo. Lá, desfruta de um pesqueiro, da piscina e do campo de futebol, onde organiza e disputa campeonatos entre times formados por membros de seu ministério. “Mas o que gosto mesmo é de sentar na beira do rio, com minha varinha de pescar”, diz. “Sou um sujeito de pouca educação. É uma coisa de chucro, de caipira”, completa ele, uma espécie de Tim Maia do altar, que passa boa parte do culto distribuindo broncas em obreiros, cinegrafistas e músicos que o acompanham. “Ô, oreiúdo (orelhudo), abre passagem para a mulher chegar até aqui”, disse o chefe da IMPD a um pastor, no culto do domingo 9, provocando gargalhadas nos súditos.

Nem mesmo a esposa, a bispa Franciléia, com quem vive há 26 anos, e as duas filhas do casal, Rachel, 25, e Juliana, 23, que também trabalham em prol do ministério, escapam de seus pitos. O apóstolo também é conhecido por ser incansável na rotina de sua Mundial. Há dias em que nem volta para casa. “Tenho um quarto na igreja”, conta Santiago, referindo-se ao templo do Brás. “Em casa, tenho dormido três, quatro vezes no mês”, completa ele, que diz desfrutar, por noite, de apenas quatro horas de sono. Membro da IMPD, Fernando Trizi reforça o fato. “Antigamente, muitos fiéis dormiam aqui na igreja. E, algumas vezes, o apóstolo acordava de madrugada, descia do quarto e, de pijama, orava com eles.” Ao valorizar a ingenuidade e a simplicidade, o religioso prosperou. “O que chama mais a atenção é a emergência de uma autoridade religiosa pentecostal de expressão nacional negra, tal como o restante da cúpula da igreja”, diz Mariano, autor de “Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil” (Edições Loyola, 1999). Ao contrário de outras neopentecostais de peso, como a Renascer e a Universal, que ficaram mais requintadas em relação ao público que as frequenta, prometendo prosperidade àqueles que também desejam ascensão material, a Mundial tem acolhido a classe menos favorecida, um aglomerado de gente humilde que não se identifica mais com as outras denominações.

Na IMPD, porém, essas pessoas enxergam em seu líder uma figura que, mesmo de terno e gravata e sob os holofotes, fala a língua delas. Foi por meio dessa habilidade inata que muitas personalidades deixaram para trás o passado sofrido e se tornaram notórias. “O Valdemiro é como o Silvio Santos ou o Lula. O camelô que deu certo, mas nunca deixou de ser camelô. O metalúrgico que virou presidente da República, mas não deixou de ser metalúrgico”, compara Bitun. Os astro evangélico promete milagres como se contasse um causo. Apelo irresistível aos corações aflitos.

Nota: Há vários aspectos que poderiam ser comentados diante de uma reportagem ampla como esta dedicada ao movimento da Igreja Mundial, capitaneado por Valdemiro Santiago. O primeiro deles é que está mais do que provado que as pessoas possuem necessidades não supridas apenas pela vida material comum. Sofrem de males emocionais, físicos e espirituais e estão sedentas à procura de respostas imediatas para seus problemas e desafios. Neste ponto, a Mundial e outras denominações têm dado atenção a elas, porém com enfoque em seus objetivos, é claro, que consistem, também, em vender sua ideologia e crescer espantosamente com este atendimento às necessidades imediatas da população em geral. Porém, nem sempre isso significa necessariamente crescer espiritualmente a partir do conhecimento de Deus tal como revelado na Bíblia Sagrada. A Bíblia pode ser utilizada de várias formas, inclusive para se chegar a propósitos bem pessoais e diferentes daqueles para os quais foi inspirada. Este é o primeiro ponto: movimentos como este parecem atender a necessidades físicas e emocionais imediatas, mas talvez não vão ao cerne das questões.
Digo isso porque decisões carregadas unicamente de emoção e mesmo curas físicas atribuídas a Deus não significam uma vida plena, em abundância como o próprio Jesus mencionou no evangelho de João, capítulo 10. Há uma trabalho baseado essencialmente na Bíblia feito para que as pessoas entendam Deus não como simplesmente um doador de bênçãos emocionais e físicas por um determinado período ou sempre que se quer, mas como Aquele que perdoa, livra da culpa do pecado, dá paz em meio às tragédias da vida e consola o ferido. Além disso, o próprio Deus, na Bíblia a partir de uma leitura séria, mostra que o corpo de cada pessoa é um templo a ser cultivado sempre e não destruído ou tratado de qualquer maneira. O conceito de se fazer o que se bem entende com o corpo e com a mente para, então, recorrer a Deus como um mero curador de males é estranha. Jesus mesmo, ao curar doentes de todos os níveis, fazia questão de relacionar a cura a uma mudança de vida espiritualmente. Isso, porém, recebe pouco ou nenhum destaque em recentes movimentos religiosos populares. 
Por outro lado, a aproximação do povo que tão bem fazem os movimentos pentecostais modernos nos faz pensar na importância de se chegar ao coração das pessoas. A estratégia é precisamente a mesma utilizada por Jesus Cristo. Questiono, no entanto, o conteúdo oferecido. Vejo algo perecível que se esvai em pouco tempo e causa neste tipo de crente uma dependência da estrutura montada. Consequentemente há um forte apego à denominação e aos líderes ou ao líder humano. Jesus demonstrou que era mais saudável se apegar a Deus e não a milagres, curas e às operações em si. Com muita propriedade, falando aos discípulos por ocasião do envio dos setenta em missão, Cristo afirmou, conforme Lucas 10:20 que "mas não vos alegreis porque os espíritos se vos submetem, alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus". 

 
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