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Panis et circensis, o retorno à barbárie

domingo, 8 de julho de 2012 2 comentários

Por Fabiana Bertotti, jornalista. 



Eu devia ter uns 10 anos quando ouvi pela primeira vez a expressão “panis et circenses”. Era uma aula de história em que fiquei sabendo dos horrores da carnificina promovida por imperadores romanos para distrair o povo, o famoso pão e circo. Na minha cabecinha ficou a associação entre violência gratuita e pessoas degeneradas moralmente, coisa de muito antigamente.
Sou pacifista por opção religiosa e índole. Lamento até em matar um pernilongo e fico pensando em como sofrerá a esposa e os filhinhos do bichinho que não voltará para casa. Até por isto rodeios, touradas e a infame farra do boi que acontece no litoral catarinense me exasperam. Tive que fazer reportagens lá, quando trabalhava numa TV local, e não conseguia ver lucidez na face daqueles homens (bêbados ou não) maltratando os animais só para rir.
Mas daí que esta insanidade me aparece novamente como moda do momento e com uma aura “cult”. São todos falando do tal UFC e da MMA que pelo que entendi é uma espécie de quase vale-tudo onde a graça é deixar o oponente no chão, de preferência inconsciente. Atores, artistas, intelectuais e – pasme! – cristãos comentando, torcendo, perdendo o sono para ver as tais lutas, como se fosse de fato um esporte. Tá que não sou das mais esportistas e admito que a preparação com corridas, musculação e ginástica seja de fato esporte, mas entrar no ringue como galos numa rinha e esmurrar o “parceiro”, fala sério!
Você pode ter uma opinião diferente, sinta-se livre, mas não consigo imaginar uma pessoa que torce, grita esbaforida vibrando com cada golpe violento achar coerente falar contra a violência. Você deixa seu filho assistir isto e quer ensinar pra ele que é errado brigar na escola? Você acompanha seu marido nestes serões de murros e golpes e depois advoga contra a violência doméstica? Como assim? Não vou culpar as tais lutas pela onda de violência nas casas, nas ruas, no mundo todo. Não sou burra, como eventualmente pareço. Contudo com apenas dois neurônios é possível perceber como afeta, sobretudo os que já têm tendência, os mais influenciáveis.
Transformar isto em show e nos vender com pacote bonito de esporte é zombar e subestimar a influência da violência, é voltar à antiguidade, aos gladiadores sanguinários e a insanidade coletiva ávida por sangue. É, de fato, comprovar a falta de civilidade.

Originalmente publicado em http://fabianabertotti.com/2012/pao-e-circo-o-retorno-a-barbarie/ 

Nota: Concordo integralmente com essa articulista e reitero que essa contradição é muito clara  e faz parte de paradoxo inaceitável. Há um considerável grupo que se beneficia economicamente   de eventos, programas e atividades de estímulo à violência e, em última instância, quem assiste a esse tipo de "entretenimento" está contribuindo, ainda que indiretamente, para fomentar esse mercado incompatível com ensinamentos cristãos calcados na Bíblia. Quando se lê textos como de Atos 17:1-3 onde o apóstolo Paulo e outros pagaram com torturas e prisões por terem ousado pregar sobre um Cristo redentor que morreu e reviveu pela humanidade, então se vê que o preço a pagar por apresentar uma verdade impopular é alto.
É isso mesmo. Pregar contra barbáries televisivas e outros tipos de violência gratuitos apresentados pela mídia e repercutidos por cristãos é algo que "não dá voto", nem fama, nem dinheiro, nem reconhecimento acadêmico e artigos como esse são cada vez mais raros. Felizmente há os que se posicionam e relação a esse assunto e confirmam o texto bíblico.

 
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