SOLTANDO O VERBO

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007 2 comentários


Felipe Lemos, mantenedor desse blog.


Sempre às vésperas do Carnaval, o Ministério da Saúde dá sua, vamos dizer assim, “contribuição” para tentar reduzir possíveis casos de contaminação por AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis através da distribuição de camisinhas. Esse ano, não foi diferente. Mais de 10 milhões devem ser entregues às pessoas que vão passar pelo menos quatro dias como se não houvesse limites.
Pois bem. A novidade, que já foi amplamente noticiada, é a tal da máquina de distribuição de camisinhas que deverá ser colocada em alguns colégios públicos. Máquina para orientar? Não, nada disso! Máquina para tapear o problema da falta de educação sexual eficaz nos lares e nas escolas. Perguntaram aos estudantes o que eles pensavam a respeito da idéia. É claro que aprovaram, pois é mais fácil pegar uma camisinha como se pega uma lata de refrigerante a escutar orientações seguras dos pais em casa ou do professor em sala de aula.
Definitivamente pais e educadores agora têm ajuda de uma máquina para se eximir das responsabilidades de orientar crianças, adolescentes e jovens. Para que explicar aos alunos as conseqüências da sexualidade sem compromisso se tem um equipamento que oferece o produto que permite teoricamente sexo sem riscos? Com os adultos, já sabemos que uma conscientização não existe mais. Ao menos, no entanto, pensava que o governo se preocupava um pouco mais com os seus adolescentes e jovens. Não há legítima preocupação alguma. O negócio é fazer funcionar um equipamento que dê a falsa sensação de que está tudo resolvido. Camisinha na mão de jovens sem parâmetros, sem exemplos em casa, sem noção do que é a sexualidade e sem limites. É como um carro para um motorista que não sabe dirigir....

CATARINENSE DIFUNDE A BÍBLIA PARA MAIS DE 3 MIL PESSOAS PELA INTERNET

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007 4 comentários

Bom Retiro, 11.02.2007.

Um sargento da Polícia Militar, da cidade de Bom Retiro (Serra Catarinense), resolveu utilizar a Internet para difundir a Bíblia Sagrada. Amilton Alves Pereira troca a farda e o policiamento da cidade, nas horas de folga, pela roupa comum e por um computador de onde dispara entre 50 a 100 estudos bíblicos semanais. Com a ajuda de quatro pessoas, ele difunde os ensinamentos bíblicos e afirma possuir mais de 3 mil estudantes cadastrados atualmente. Para Amilton, suas maiores ferramentas são a oração, a vontade de ajudar o semelhante e a disponibilidade para responder aos questionamentos e dúvidas dos alunos-internautas.

O trabalho é desenvolvido desde 2000 pelo catarinense que espera contar com o apoio de outras pessoas que realizam o mesmo tipo de trabalho no Brasil. "Minha idéia é formar uma rede para apoiar pessoas interessadas em conhecer mais sobre a Bíblia em todo o território nacional", afirma. A notícia completa você poderá ler, em breve, aqui neste blog.

Quem quiser cooperar, pode entrar em contato com Amilton pelo e-mail amiltonbr@gmail.com. O MSN dele é rock.of.ages@hotmail.com.

PORTUGAL APROVA DESCRIMINAÇÃO DO ABORTO

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Folha de São Paulo, 12.02.2007.

Em um referendo marcado pela abstenção de mais da metade dos eleitores, os portugueses que foram às urnas ontem decidiram a favor da descriminação do aborto no país. A opção obteve mais de 59% dos votos, o equivalente a 2,2 milhões. Como a abstenção foi de 56% -o voto era facultativo-, o resultado não tem valor jurídico. Era preciso que mais da metade dos 8,9 milhões de eleitores tivessem votado para que a implementação do resultado do referendo fosse obrigatória.Seu impacto político, no entanto, deve levar à aprovação da nova lei, que libera o aborto até a décima semana de gravidez, em estabelecimentos de saúde.A grande diferença de votos a favor da descriminação (59,25% contra 40,75%, considerando o total de votos) levou o governo português a reafirmar que seguirá a vontade da maioria dos votantes, independentemente do índice de abstenção.
"O povo falou, e de forma clara", disse o premiê José Sócrates. "Batemo-nos pela mudança da lei, mas sempre com o compromisso de o fazer através de uma consulta popular."Sócrates assegurou que "a vontade do povo português" será respeitada e que o aborto "deixará de ser um crime".Pela legislação portuguesa em vigor atualmente, uma das mais rígidas da Europa, o aborto -salvo em casos especiais, como estupro ou risco à vida da mãe- é crime punível com até três anos de detenção para a mãe e até oito anos para quem realiza o aborto.A mudança da legislação precisa agora ser aprovada pela Assembléia da República e, depois, promulgada pelo presidente Cavaco Silva."Os portugueses afirmaram de forma livre e democrática suas convicções", afirmou Marques Mendes, presidente do Partido Social-Democrata (PSD), o mesmo do presidente Cavaco Silva."A maioria votou sim, e, apesar do referendo não ser juridicamente vinculativo [de adoção obrigatória], a vontade da maioria deve ser respeitada."
Um total de 3.851.613 votantes foi às urnas para responder, segundo a cédula, se concordavam "com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado".Deste total, 2.238.053 escolheram o "sim" (58,11%) e 1.539.078 (39,96%) optaram pelo "não". Os votos em branco foram 48.185 (1,25%) e os nulos, 26.297 (0,68%).Foi a segunda vez que Portugal teve um referendo sobre a despenalização do aborto -na primeira, em 1998, o "não" venceu por pequena margem, com 50,9%. Na ocasião, as abstenções somaram 68,1%.Os derrotados partidários do "não" ficaram divididos sobre uma contestação imediata à eventual aprovação da lei que descrimina o aborto.A ex-deputada do PSD Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, afirmou que os eleitores que se abstiveram "também manifestaram a sua opinião" e que, por isso, a lei não deveria ser modificada para permitir o aborto.Já o presidente do conservador Partido Popular, José Ribeiro e Castro, afirmou que seu grupo estava triste, mas sereno."Nosso sentimento é de mágoa, por vermos vencer uma linha de indiferença perante à vida humana", afirmou. "Mas também estamos serenos, por termos deixado clara nossa posição e termos agido com equilíbrio."

BLOCO CARNAVALESCO IRONIZA NOME DE CRISTO

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Folha de São Paulo, 12.02.2007.

Como se milhares de pessoas pudessem manter um segredo, um dos mais tradicionais blocos de Carnaval da zona sul do Rio, o Suvaco do Cristo, desfilou ontem pela manhã, pela primeira vez em 21 anos de existência, em horário que manteve em sigilo para evitar o excesso de participantes.Cerca de 10 mil pessoas, segundo a PM, foram às ruas do bairro do Jardim Botânico para o desfile do enredo "O Brasil foi pro Espaço".Mas poucos sabiam cantar o samba. "Todo mundo esqueceu, já estão todos velhos", ironizou o compositor Jards Macalé, 63, fantasiado de "Mamãe, eu quero".A porta-bandeira do Suvaco de Cristo, Cynthia Hawlett, advogada e apresentadora de TV, grávida de oito meses do ator Eduardo Moscovis, foi acompanhada pelo médico Sergio D'Agostini, que monitorava a saturação do oxigênio e a freqüência cardíaca por meio de aparelhos."Se passar de 150 batimentos por minuto, a porta-bandeira pára", explicava o médico."Esta era a idéia original do bloco: a família suvaquense se divertindo. Mas o sucesso é mais difícil de administrar do que o fracasso", afirmou João Aveleira, 53, médico-pediatra e presidente do bloco, lembrando o caos ocorrido no ano passado, quando a Polícia Militar estimou em 50 mil o número de foliões. O Suvaco de Cristo -assim mesmo, com u- em sua origem chegou a provocar queixas da Igreja Católica no Rio, por causa de seu nome, referência à localização geográfica da rua onde nasceu, bem embaixo de um dos braços da estátua do Cristo Redentor.
Muitas crianças estavam presentes, e até bebês, como Irene Buarque de Holanda Diaz, de apenas um ano, filha dos atores Silvia Buarque e Chico Diaz. Chico, que levou a neta de Chico Buarque, achou melhor deixá-la na pracinha com a babá "devido ao nível etílico"."Parecia antigamente. Há muitos anos que o Suvaco não estava tão lindo, bem família", afirmou Paula Nazareth, 40, integrante da Velha Guarda.Depois de três horas e meia, o bloco encerrou o desfile às 13h30 na praça Santos Dumont, na Gávea, debaixo de chuva.

Veja tenta explicar cientificamente a fé

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007 0 comentários


Revista Veja, edição de 07.02.2007.

Em maior ou menor escala, em todas as sociedades modernas atuais as crenças estão mais vivas do que nunca. Mas isso não é um paradoxo, um contrafluxo na corrente racional vitoriosa do conhecimento humano? Não se convencionou que crença e ciência não combinam, são como óleo e água? Os dogmas milenares que orientam a fé de cristãos, judeus, muçulmanos ou budistas são todos muito respeitáveis, mas em pleno século XXI não são apenas anacronismos deslocados do mundo da razão e da tecnologia? Não. A novidade é que não existe paradoxo. Existe, sim, o reconhecimento dos limites dos dois campos da percepção humana dos fenômenos naturais.
Não passa um mês sem que saiam dos laboratórios explicações cabais sobre o que se pensava ser algo sobrenatural. O túnel de luz que as pessoas que estiveram em coma contam ter visto parecia misterioso e insondável. Esse túnel seria uma entrada entreaberta para a eternidade, que se deixava examinar de esguelha por alguém que estava prestes a abandonar o mundo material. Como se verá na pág. 82, essa e outras experiências sensoriais que se têm à beira da morte são todas reações mensuráveis e previsíveis do cérebro humano. Essa revelação torna os mistérios da vida e da morte menos espantosos? Não. Nada. Hoje soa arrogante e tola a reação dos orgulhosos astrofísicos nos anos 80, quando os satélites mandavam para a Terra sinais que confirmavam a teoria do Big Bang, a súbita explosão original que deu origem à matéria, à energia e às leis que regem a interação entre ambas: "Agora que a física já explicou como surgiu o universo, não há mais lugar para Deus". Tem chumbo trocado: quem pode imaginar uma reação mais tosca e pedestre do que dizer que a Lua perdeu o romantismo para os namorados depois que os astronautas americanos colocaram suas botas por lá?
Claro que o núcleo duro da melhor ciência despreza a noção de Deus. Da mesma maneira, os metafísicos de todos os sabores e cores não enxergam utilidade alguma no método científico. O cenário atual que emana do córtex cerebral da humanidade – pelo menos da sua porção que se manifesta conectada na internet – é o de que, apesar dos avanços cada vez mais espetaculares da ciência, permanecem intactas as emoções humanas, as sensações de tremor diante do infinitamente pequeno ou do infinitamente grande. Por mais que se explique com crescente precisão como funciona o mundo natural, persiste para a maioria das pessoas a crença de que existe algo mais poderoso ainda.
Há nessa persistência, por ironia, uma explicação científica, estudada a fundo pelos cientistas. A fé, assim como as religiões criadas sobre ela, persiste por ser um componente primordial da evolução humana. Em algum momento durante a última era do gelo, que terminou 12 000 anos atrás, o homem desenvolveu o pensamento simbólico. Interessou-se em saber que tipo de força existia por trás dos fenômenos naturais. Começou a enterrar os mortos e a enfeitar seus túmulos com flores. No papel de única espécie capaz de antecipar a própria morte, o ser humano precisou vislumbrar entidades maiores e mais poderosas do que ele para conseguir suportar essa certeza. Muitos biólogos evolucionistas acreditam que as religiões – e tudo o que elas envolvem como instituições organizadas – surgiram como uma superadaptação do homem ao meio ambiente e prosperaram por conferir vantagens a seus praticantes. A crença no sobrenatural ajudou a convivência do grupo e, portanto, seria a gênese da civilização. O biólogo americano David Sloan Wilson, da Universidade Binghamton, autor do livro A Catedral de Darwin: Evolução, Religião e a Natureza da Sociedade, avalia que o impulso religioso se desenvolveu cedo na história dos hominídeos porque ele ajudava a criar grupos mais coesos, em que florescia o sentimento de fraternidade e solidariedade. "A crença foi uma arma poderosa na luta contra adversários menos unidos e menos organizados", disse Wilson a VEJA (a entrevista completa está na pág. 85).
A mais impressionante indicação de que a necessidade de cultuar um Deus está estampada na evolução humana encontra-se numa pesquisa realizada pelo biólogo molecular americano Dean Hamer, chefe do setor de estrutura genética do National Cancer Institute, e publicada em seu livro The God Gene: How Faith is Hardwired into Our Genes (O Gene de Deus: Como a Fé Está Embutida em Nossos Genes). Hamer afirma ter localizado no ser humano o gene responsável pela espiritualidade. Esse gene também teria a função de produzir os neurotransmissores que regulam o temperamento e o ânimo das pessoas. Segundo o livro do biólogo, os sentimentos profundos de espiritualidade seriam resultado de uma descarga de elementos químicos cerebrais controlados por nosso DNA.
A concepção de que a espiritualidade está gravada no genoma humano encontra eco numa das mais antigas religiões, o budismo. Seus adeptos acreditam que todo ser humano herda uma semente espiritual da pessoa que ela foi na encarnação anterior. Essa semente se combinaria a outras duas, herdadas dos pais, para formar suas características físicas e espirituais. Estudos anteriores ao de Hamer também conduzem à noção de que a espiritualidade está entranhada nos genes. No fim dos anos 70, numa pesquisa que se tornou célebre, cientistas da Universidade de Minnesota estudaram 53 pares de gêmeos univitelinos, ou seja, gerados no mesmo óvulo e com DNA idêntico, e 31 pares de gêmeos bivitelinos, gerados em óvulos diferentes. Todos os gêmeos haviam sido separados após o nascimento e criados a distância. Como se esperava, os gêmeos com DNA idêntico, mesmo privados da convivência mútua, apresentavam traços de personalidade, comportamento e hábitos muito semelhantes. Os gêmeos idênticos eram duas vezes mais propensos a cultivar a espiritualidade no mesmo grau de seu irmão do que os gêmeos bivitelinos. Já quando se analisava a tendência a praticar uma religião, os gêmeos idênticos apresentavam significativas diferenças entre si – sinal de que o hábito de rezar e freqüentar igrejas ou templos é adquirido culturalmente.
O fato de a espiritualidade acompanhar o homem em sua evolução é, provavelmente, o motivo pelo qual o conceito de Deus surge em todas as sociedades humanas desde tempos imemoriais, mesmo entre as mais isoladas. Já o divórcio entre a fé religiosa e a ciência, que hoje se encontra na ordem do dia, é um fenômeno recente. Até o fim do século XVIII, a Igreja Católica, assim como se confundia com o Estado, legitimando o poder monárquico com a bênção do poder divino, andava de braços dados com a ciência. O cisma ideológico entre fé e ciência começou no iluminismo, movimento surgido na França que pregava o uso da razão para explicar o mundo e o universo, desafiava o papel da religião na sociedade e propunha uma nova ordem social, na qual os interesses humanos estivessem no centro das decisões. Só no século XIX, quando o inglês Charles Darwin deixou o mundo atônito com sua teoria da evolução das espécies, que negava a criação bíblica, as divergências entre o mundo da ciência e o da religião assumiram contornos de guerra cultural.
Hoje se vive um equilíbrio precário entre ciência e fé. Nos Estados Unidos, apenas 3% dos cientistas mais respeitados, aqueles que pertencem aos quadros da National Academy of Sciences, acreditam em Deus. Biólogos, como o inglês Richard Dawkins, e filósofos, como o americano Daniel Dennett, escrevem livros e artigos tentando desqualificar a religião como um mal que anestesia as sociedades e as priva das virtudes da razão. Os religiosos contra-atacam ao insistir, por exemplo, que as escolas públicas americanas deixem de ensinar as teorias de Darwin e as substituam pelos ensinamentos da Bíblia. Há também personagens ilustres que tentam contemporizar, como o biólogo americano Francis Collins, que se declara cristão, diz que ciência e religião não se misturam e que se podem cultivar ambas.
É possível que a ciência e a religião nunca se reconciliem totalmente. Afinal, o mote da primeira é a dúvida, e a razão de ser da segunda, a fé. Esta resiste na natureza humana mesmo quando a ciência prova que os fenômenos sobrenaturais na verdade são uma combinação entre reações químicas e elétricas. O melhor exemplo, no Brasil, da resistência da fé é o crescimento exponencial dos rebanhos de evangélicos pentecostais e de católicos carismáticos. Ambos acreditam nas manifestações diretas de Deus, em forma de milagres, por exemplo. Recentemente, o Vaticano reconheceu o segundo dos dois milagres necessários para que frei Galvão (1739-1822), frade franciscano que nasceu em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, seja aceito como santo, o que deve acontecer em maio, na visita do papa Bento XVI ao Brasil. A professora de química paulista Sandra Grossi de Almeida, católica e devota de Nossa Senhora, já havia perdido três bebês por causa de uma má-formação no útero, um problema congênito. Quando ficou grávida pela quarta vez uma amiga a aconselhou a fazer os rituais de frei Galvão, que consistem em tomar cápsulas de papel com uma reza escrita e fazer novenas. "Também tomava remédios receitados pelo médico. Uma coisa é você ter fé, e outra é ser ignorante e não seguir o que o médico fala", diz Sandra. "A fé e a ciência têm de caminhar juntas. Sem fé, eu não teria conseguido ter o Enzo, meu filho", ela completa.
O Brasil é terreno fértil também para as manifestações acessórias da espiritualidade, como superstições, manias, crença em amuletos, na astrologia e no feng shui. Esse é o território do artista que adiciona uma letra ao nome, do torcedor de futebol que veste uma camisa especial para assistir ao jogo de seu time e dos jovens que usam no pescoço pingentes em forma de pimenta – última moda entre os adolescentes. Como as crenças religiosas, essas manifestações não têm comprovação empírica de que funcionem. Dependem puramente da fé que se deposita nelas. O sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo, autor do livro A Magia, tem uma explicação para a devoção às superstições e às manias no dias de hoje. Diz ele: "A mente humana se sente desconfortável com o acaso, ela busca explicações para todas as coisas. Daí nasceram os conceitos de sorte e de azar. Se o acaso ocorre a nosso favor, temos sorte; se ele acontece contra nós, o classificamos de azar".
A ciência já identificou um gene da espiritualidade e conseguiu mapear os circuitos neurais responsáveis pelas emoções ligadas à fé. A evolução gravou em nosso genoma a necessidade da devoção e isso ajudou a espécie a sobreviver à Idade do Gelo. Como se sabe isso? As pesquisas arqueológicas e antropológicas mostram que diversos tipos de ancestrais humanos conviviam antes da Idade do Gelo, há cerca de 30.000 anos. Quando as geleiras cederam, apenas um tipo predominava, os Cro-Magnon. Eles organizavam-se em famílias, puniam o incesto, enterravam seus mortos, enfeitavam os túmulos, pintavam as paredes das cavernas por deleite estético e espiritual...! Os religiosos enxergam nesse salto evolutivo a interferência direta de Deus nos destinos da humanidade. Os cientistas dizem que a brutal aceleração da competição por recursos escassos e a luta pela sobrevivência em condições climáticas adversas selecionaram os hominídeos de tal forma que restaram apenas aqueles que desenvolveram a capacidade de acreditar. Em quê? Acreditar que aqueles tempos duros iriam passar. Acreditar que uma força superior iria trazer de volta as temperaturas amenas.
A descoberta de um gene da espiritualidade ou os exames de imagem capazes de mostrar os circuitos neurais envolvidos nas emoções suscitadas pelas orações não encerram a busca pelas raízes da fé, uma saga que mobiliza os teólogos desde o início da civilização. Por mais atuante que seja esse gene, ele é certamente apenas um tijolo de uma catedral maior: a vida espiritual humana.
Embora o título dessa reportagem, manchete da última edição de Veja, seja "A força da fé", tudo o que a reportagem faz é diminuir a importância da fé. O jornalista que assina a reportagem tenta provar que a fé, cada vez mais, pode ser explicada cientificamente e que os fenômenos sobrenaturais são provados quimicamente e fisicamente por experimentos de laboratório e teorias de estudiosos. Na opinião do autor da reporagem, as crenças humanas são derivadas de um processo evolutivo em que o homem se vale da fé para interagir com o seu ambiente e não ser derrotado pelos desafios ao longo dos anos.Biblicamente, fé, conforme o livro de Efésios 2:8-10, é algo que Deus colocou no ser humano ao criá-lo e que se desenvolve através do permanente relacionamento entre filho e Pai divino. Fé, de acordo com os livros bíblicos de Hebreus e Tiago, é a convicção do que não se vê, mas está asociado a fazer a vontade de Deus. Não é meramente uma declaração de crença em um ser superior. E sim uma atitude constante de adoração a esse Deus em que se crê como salvador e senhor.Infelizmente reportagens como essa transformam a fé em algo banal que serve para amenizar, apenas, as desgraças vividas pelas pessoas. É muito mais do que um lenitivo e sim a razão da existência humana. Conforme a Bíblia, "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hebreus 11:6), o que significa um relacionamento maior com o Senhor e não apenas um pensamento positivo ou uma religiosidade momentânea e aparente.
A reportagem, na íntegra, está no link abaixo:
http://veja.abril.com.br/070207/p_078.shtml

ESTEVAM E SÔNIA HERNANDES ALEGAM INOCÊNCIA

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Veja On Line, 06.02.2007.

Os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes, declararam inocência na primeira audiência no Tribunal Federal de Miami, realizada nesta terça-feira. Estevam e Sonia foram presos no dia 8 de janeiro no aeroporto de Miami, quando tentavam entrar no país com 56.500 dólares, tendo declarado apenas 10.000 dólares. O dinheiro estava escondido em fundos falsos de malas, numa Bíblia e num porta-CDs. O casal é réu em processo criminal por conspiração, contrabando de dinheiro e depoimento falso à polícia americana. A pena prevista para cada um dos crimes é de cinco anos.
O casal chegou ao tribunal acompanhado pela filha, Fernanda, e por um segurança. Nesta primeira audiência, a Justiça apresentou aos dois os crimes pelos quais são acusados e perguntou a eles se entendiam as acusações. Os dois afirmaram que entendiam, e disseram não ser culpados. A audiência terminou por volta das 13h30 (no horário de Brasília, 10h30 no horário de Miami).
Nesta segunda-feira, o júri popular (em inglês, "grand jury") decidiu acatar as denúncias contra os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Acordos da procuradoria e da defesa adiaram por duas vezes a sessão preliminar, prevista inicialmente para 24 de janeiro. A presença de Estevam e Sônia perante o juiz é obrigatória. Os dois tiveram de entregar os passaportes ao governo norte-americano e estão atualmente em liberdade supervisionada na região de Miami.
Previsto na Constituição dos EUA, o júri popular ("grand jury", em inglês) é um mecanismo para tentar evitar abusos de poder da polícia e não processar suspeitos sem provas materiais. Vinte e cinco jurados se reúnem para decidir se há elementos que evidenciem o crime. O processo segue paralelamente ao pedido de extradição feito pelo Brasil.
Caso consigam comprovar que o dinheiro que levaram aos Estados Unidos têm origem lícita, o casal ficará em liberdade. Mesmo neste caso, seriam deportados para o Brasil e perderiam seus green cards. Os Hernandes correm o risco de não poderem mais entrar nos EUA nem como turistas, caso sejam considerados culpados. O julgamento dos fundadores da Renascer será marcado para um prazo de até 70 dias após a data da audiência.
No Brasil, a prisão do casal Hernandes foi decretada pela 1ª Vara Criminal de São Paulo a pedido do Ministério Público estadual. O casal responde processo por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. O caso corre em segredo de Justiça e um pedido de extradição foi entregue pelo Itamaraty à Justiça dos EUA.

ÉPOCA CHAMA ATENÇÃO PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS E FIM DO MUNDO

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Resumo de reportagem da semana de 05.02.2007 da revista Época.

Não foram exatamente as trombetas do apocalipse previstas por alguns fanáticos religiosos. Mas o mundo recebeu, na semana passada, uma mensagem de teor bem semelhante. Só que, desta vez, amparada por evidências científicas. Um painel formado pelos mais respeitados especialistas em clima, conclamados pelas Nações Unidas, declarou que não há mais dúvidas: nosso planeta está esquentando. E por nossa culpa. Os cientistas adiantaram algumas conseqüências desse aquecimento. Trata-se de uma lista de catástrofes com proporções bíblicas. Haverá fome, seca, miséria, furacões e enchentes. Até os mares já estão subindo - 3,3 milímetros por ano, duas vezes mais rápido que no século passado. O relatório final dos cientistas deverá agora guiar uma ação global para salvar o mundo como o conhecemos.
Um homem caminha pela avenida à beira-mar inundada pela passagem do furacão Wilma, em Key West, na Flórida, em 2005. Naquele ano, foram 28 furacões, um recorde histórico. Os cientistas ainda não concluíram se o aquecimento global elevará a freqüência dos furacões, mas já se sabe que sua intensidade - e poder destrutivo - vai aumentar
O futuro do planeta foi traçado pelo IPCC, um painel que reúne uma elite de 2.500 dos principais pesquisadores de mudanças climáticas. Esse comitê, formado em 1988, se reúne regularmente para atualizar as informações sobre o clima. Nos últimos quatro anos, os cientistas avaliaram os resultados dos milhares de pesquisas realizadas pelos principais centros e universidades do mundo. O objetivo do painel é extrair as maiores certezas desses estudos. É por isso que o relatório final, anunciado em Paris, na sexta-feira 2, é tão relevante. E, ao contrário dos relatórios anteriores, este é recebido por um mundo em estado de alerta. Fenômenos naturais atípicos recentes, como a onda de calor na Europa e o fim da neve em estações de esqui, mudaram a percepção mundial sobre ecologia. O alarme tem um aspecto positivo. Governos, empresas e boa parte da população passaram a tomar medidas para combater o efeito estufa (leia a reportagem "Como vamos viver"). A preocupação dos ambientalistas, antes vista como alarmista, tornou-se questão prioritária.

Embora os cientistas estejam alertando quanto às catástrofes climáticas e sua ligação com uma possível extinção do planeta, Jesus já falava, há milhares de anos, dos sinais dos últimos tempos em seus discursos aos discípulos. Aqueles que buscam na Bíblia respostas para suas dúvidas e inquietudes certamente entenderão que esses desastres serão motivo de maior preocupação mundial e intensidade à medida que o tempo passar. E compreenderão, também, conforme relatos de Gênesis, dos evangelhos, da carta do apóstolo Pedro e da revelação dada a João no Apocalipse que este mundo não será destruído por bombas atômicas, superaquecimento ou algum novo dilúvio.

 
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