Ministério Público acusa Edir Macedo de uso indevido dos dízimos e ofertas

domingo, 16 de agosto de 2009 0 comentários

Revista Veja, semana de 16 de agosto de 2009.
Há 32 anos, os templos da Igreja Universal do Reino de Deus recebem ricos e pobres, crédulos e descrentes, doentes, despossuídos e desesperados. A todos a igreja oferece consolo e, muitas vezes, também uma porta de saída para escapar do vício, do crime e da solidão. Mas cobra caro por isso. Baseada numa particular Teologia da Prosperidade, a Universal, fundada e chefiada pelo bispo Edir Macedo, prega que a maior expressão da fé são as oferendas de dinheiro à igreja (e também de carros, casas e cheques pré-datados). A ideia de que, "quanto mais se doa, mais Deus dá de volta", levada ao paroxismo pela eloquência dos bem treinados pastores da Universal, já fez com que almas crédulas arruinassem suas finanças, seu casamento, sua vida. O Código Penal, contudo, não alcança práticas religiosas. Em linhas gerais, se um brasileiro quiser doar tudo o que tem a qualquer igreja, estará livre para isso. E quem receber a doação também não encontrará empecilhos na legislação. O que não se pode é tapear a lei – e é precisamente isso o que vêm fazendo Macedo e outros nove integrantes da cúpula da Universal, segundo uma peça de acusação elaborada por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A partir da denúncia oferecida pelo Gaeco, e aceita pela Justiça na última segunda-feira, Macedo e seu grupo tornaram-se réus em um processo criminal sob as pesadas suspeitas de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Com base numa investigação de dois anos, o MP afirma que Macedo e seu grupo se converteram em uma organização criminosa ao usar as doações de fiéis para engordar seu próprio patrimônio – no caso do bispo, nada desprezível. Além de dono de 90% da Rede Record, Macedo e a mulher, Ester Eunice Rangel Bezerra (ela, dona dos outros 10% da emissora, segundo aparece no contrato de concessão), têm uma coleção de imóveis que incluem, apurou VEJA, dois apartamentos em condomínios de luxo em Miami, nos Estados Unidos: o primeiro, em nome de Ester, foi comprado em 2006 e está avaliado em 2,1 milhões de dólares. O segundo, registrado em nome do casal, foi adquirido no ano passado e custou mais do que o dobro do primeiro: 4,7 milhões de dólares. Ambos ficam na Collins Avenue, um dos endereços mais sofisticados da cidade. A matéria continua na edição impressa da revista desta semana.

Centenas dizem não ao abuso e violência no Vale do Paraíba

quarta-feira, 12 de agosto de 2009 0 comentários

Portal Adventista, 12.08.2009.

O centro de São José dos Campos, SP, ficou ainda mais movimentado na manhã do sábado, 8 de agosto. Centenas de pessoas caminharam juntas em prol do amor e contra o abuso e a violência cometidos com crianças, mulheres e idosos. A ação faz parte do projeto “Quebrando o Silêncio”, promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia para o Vale do Paraíba. O objetivo do evento foi oferecer informações a fim de reduzir os abusos contra essas classes mais sensíveis da sociedade.

“Amor, solução para a violência doméstica. Diga não a violência. Denuncie”. Uma grande faixa levava as palavras de advertência à sociedade local. A fanfarra do Clube dos Desbravadores Luzeiros do Vale, com seus bumbos, surdos e cornetas, deu o tom das passadas, chamando a atenção das pessoas que passavam pelo local. No alto dos prédios, acenos positivos aprovavam a manifestação dos adventistas. Cartazes com os dizeres “Amai uns aos outros” sintetizavam o objetivo.

No final do pequeno percurso, um palco aguardava os participantes. A praça Afonso Pena serviu de platéia para a movimentação que agitou o centro da cidade. Autoridades do município compareceram para confirmar publicamente a preocupação com o tema. Estiveram presentes os vereadores Macedo Bastos e Cristóvão Gonçalves; a presidente do Conselho Tutelar Circunscrição Sul, Irandi de Oliveira Santos; a conselheira fiscal da mesma entidade, Edna Gomes; o advogado Brígido Cruz; a socióloga do SOS Mulher, Ana Maria Braga, entre outros.

A liderança administrativa da Igreja Adventista para o Vale do Paraíba esteve presente, além de líderes de departamentos e de pastores distritais da região. Todas as congregações adventistas da cidade terminaram as suas programações locais mais cedo para acompanhar de perto o evento na praça.

Apresentações musicais também fizeram parte da programação. O grupo “Nosso Amiginho” e os cantores Rogério Reis e Maricéu chamaram a atenção dos adultos e principalmente das crianças com canções que falavam de paz, amor e de esperança.

Milhares de folhetos e revistas sobre a campanha foram distribuídos. O impresso voltado às crianças dá dicas práticas, por exemplo, para que os pequenos se afastem de possíveis agressores e pedófilos. Indica, entre diversas recomendações, que ninguém tem o direito de tocar as partes íntimas do seu corpo.

De acordo com a diretora do Ministério da Mulher para o Estado de São Paulo, Sônia Rigoli, que foi uma das convidadas especiais, todo o material desenvolvido e distribuído sobre a campanha “Quebrando o Silêncio” tem uma grande importância preventiva. “Ela é educativa, pois alerta os pais e instrui as crianças a respeito do problema e detecta possíveis casos. Além disto, a população e órgãos públicos podem conhecer um pouco mais a igreja adventista e, até mesmo, quebrar preconceitos em relação à mesma”.

A movimentação prendeu a atenção da dona-de-casa Cícera Aparecida dos Santos, que foi atraída pela música e pelas mensagens. “Sou evangélica e gosto muito das coisas de Deus. Esse assunto da violência e pedofilia é muito importante e grave. Tenho uma netinha e fico preocupada com essa questão. É preciso falar mais sobre isso. Parabéns pela iniciativa”.

Um concurso de redação sobre o tema da campanha foi promovido nos nove colégios da rede educacional adventista para o Vale do Paraíba. A divulgação dos vencedores foi feita no palco do evento. Os três primeiros colocados receberam prêmios especiais.
Uma das organizadoras do projeto, a diretora associada dos Ministérios da Criança, Adolescente e da Mulher para o Vale, Ellen Rossi, acredita que a Igreja Adventista, através da passeata, levou a mensagem de que através da solidariedade, do amor ao próximo, e da atitude de dizer não a violência, é possível se preparar para um Futuro com Esperança.

Para a diretora do Ministério, Elane Ferreira, o principal objetivo da campanha foi alcançado, que é divulgar o trabalho que a igreja realiza há mais oito anos. “Quebramos literalmente o silêncio com esse evento. A maioria das programações era feita para dentro das igrejas. Dessa vez, mostramos para a sociedade e órgãos competentes. Foi um sucesso. Nosso próximo passo é encaminhar para a Câmara Municipal um pedido para que seja criado o dia municipal do ‘Quebrando o Silêncio’”.

Nota: Em tempos de abuso infantil, maus tratos contra idosos e violência contra a mulher, a conscientização é fundamental. Claro que a Igreja Adventista do Sétimo Dia faz uma parte do processo que é mobilizar entidades e as próprias autoridades para a necessidade de uma ação eficaz contra o problema. Tem a parte da população que é denunciar esse crime que ocorre silenciosamente.

"Sexo" é quarto termo mais buscado por crianças na Internet

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Site UOL (área de entretenimento) - 12.08.2009 - 9h36min

Crianças estão usando a Internet para ver vídeos no YouTube, se conectarem com amigos em redes sociais e fazer buscas com as palavras sexo e pornografia, afirmou uma pesquisa divulgada esta semana.

A companhia de segurança de computadores Symantec Corp identificou os 100 principais termos de buscas realizadas entre fevereiro e julho por meio do serviço de segurança familiar OnlineFamily.Norton, que monitora o uso da Internet por crianças e adolescentes.

A companhia descobriu que o termo mais popular de busca nessa faixa de público foi YouTube, site de vídeos do Google. A estrela da Internet Fred Figglehorn, personagem de ficção cujos vídeos no YouTube são populares entre crianças, aparece na nona posição entre as principais pesquisas online.

O Google é o segundo termo mais popular e o Yahoo aparece na sétima posição. Enquanto isso, o site de redes sociais Facebook ficou em terceiro e o MySpace em quinto.

Mas as palavras "sex" e "porn" também entraram na lista dos 10 termos mais pesquisados, aparecendo nas quarta e sexta posições, respectivamente.

Outros termos populares incluem Michael Jackson, eBay, Wikipedia, a atriz Miley Cyrus, que interpreta a personagem Hannah Montana em um seriado da Disney, Taylor Swift, Webkinz, Club Penguin, e a música "Boom Boom Pow", da banda Black Eyed Peas.

A representante da Symantec para segurança na Internet, Marian Merritt, afirmou que a lista mostra que os pais precisam ter consciência sobre o que seus filhos estão fazendo online.

"Também ajuda a identificar momentos em que os pais devem falar com seus filhos sobre comportamento apropriado na Internet e outras questões relacionadas à vida online de suas crianças", afirma ela em comunicado da empresa.

A lista foi produzida depois que a Symantec avaliou 3,5 milhões de pesquisas feitas pela ferramenta OnlineFamily.Norton, que permite que os pais vejam o que crianças estão pesquisando e com quem estão falando em mensagens instantâneas e que redes sociais estão usando.

Comentário interessante do jornalista Ronaldo Nezo - http://blogdoronaldo.wordpress.com/

Nota: A Internet é uma faca de dois gumes. Pode ser um ótimo instrumento para pesquisa acadêmica/escolar e até troca de boas ideias entre jovens, crianças e adultos. Mas, no caso dos menores, sem o devido controle e acompanhamento, pode se tornar um buraco aberto para o que degrada moralmente e espiritualmente. Mais uma vez, a questão não é a ferramenta. E, sim, a proximidade entre pais e filhos e o diálogo franco e aberto sobre as questões do cotidiano. É sobre isso que devemos pensar.

Fumar em empresa pode gerar demissão por justa causa

domingo, 9 de agosto de 2009 0 comentários

Folha de S.Paulo, 09.08.2009.

Com a nova lei antifumo, que entrou em vigor em todo o Estado de São Paulo anteontem, o empregado que for pego com cigarro no ambiente de trabalho pode ser demitido por justa causa e a empresa tem o direito de descontar o valor da multa, que varia de R$ 792,50 a R$ 1.585, do contracheque do fumante, dizem juízes e advogados trabalhistas.
Além de bares, boates e restaurantes, o cigarro também foi banido de empresas e repartições públicas paulistas.
Juiz da 20ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, Rogerio Neiva Pinheiro diz que a lei antifumo tem implicações tanto para o empregado, quanto para o empregador.

Indenização
De um lado, explica, o funcionário pode ser demitido por justa causa se fumar. Do outro, a empresa pode ser processada, com pedido de indenização à Justiça, se não proibir o cigarro e não gerar um ambiente de trabalho salubre.
"Se o empregador se compromete a cumprir a lei, o que é o caminho natural, e o empregado vai contra a lei, essa conduta configura insubordinação e indisciplina", diz o juiz Pinheiro.
Ele diz ainda que a legislação trabalhista permite que, depois de pagar a multa por violação à proibição ao cigarro, a empresa tenha o direito de pedir o ressarcimento ao empregado, descontando o valor do salário.
Segundo a juíza Josélia Morais da Costa, ex-presidente do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Pernambuco, como as leis antifumo são muito posteriores, não há menção à proibição ao cigarro na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que é da década de 1940. Com isso, o juiz tem de estudar o caso concreto.
"Uma justa causa, que é uma coisa muito grave, não se forma assim genericamente, cada caso é um caso", diz Josélia.

Intervalo
Para a advogada trabalhista Maria Lúcia Benhame, fumar na empresa pode dar demissão por justa causa em caso de reincidência. "Não dá para demitir na primeira vez que pegar o empregado fumando, a falta não é tão grave assim, mas que dá justa causa, isso dá", diz.
Ela afirma ainda que a empresa não é obrigada a ceder intervalos para fumar, além do horário para refeição. "Sem os fumódromos, gasta-se muito mais tempo que antes. O empregado tem de descer, ir à rua, subir de volta", completa.
Na sexta, quando os fumódromos nas empresas foram extintos, era comum ver funcionários de escritórios na avenida Paulista concentrados na calçada para fumar.
"Na minha empresa tem sacada em todos os andares e não posso mais fumar ali. Agora vou ter de fumar menos porque pega mal com o chefe descer várias vezes", diz o economista Paulo Bittencourt, que trabalha num centro empresarial.
O governo ainda não informou se alguma empresa foi multada nos primeiros dias de proibição ao fumo.

Nota: Todas essas medidas, por melhores que pareçam ser, são, na minha opinião, paliativas e não resolutivas. Não sou contra leis duras contra o hábito de fumar em público porque realmente quem não fuma tem o direito de não respirar a fumaça repleta de substâncias químicas prejudiciais à saúde. Por outro lado, esse tipo de legislação só ataca o problema depois de ocorrido. Faltam políticas públicas e iniciativas da sociedade civil organizada (empresas, igrejas, ONGs, etc) para que o fumante seja tratado como uma pessoa dependente que precisa de ajuda para abandonar o vício. Cito, como exemplo, a boa iniciativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia que realiza, em muitos lugares do Brasil, um curso para quem quer abandonar o vício em cinco dias. Não é um curso que oferece medicação e, sim, um processo terapêutico em grupo muito animador com bons resultados. Talvez não seja perfeito e nem 100% eficaz, mas é uma maneira de ajudar as pessoas e não apenas condená-las através de lei.
Algumas legislações, inclusive, podem cheirar a oportunismo para se ganhar espaço na mídia, etc. Isso é não querer resolver o problema, porém investir somente contra os efeitos.

Entrevista com psicóloga: "homossexuais podem mudar"

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Revista Veja, Semana de 08 de agosto.

A psicóloga repreendida pelo conselho federal por anunciar que muda
a orientação sexual de gays diz que ela é quem está sendo discriminada

Aceitar as diferenças e entender as variações da sexualidade são traços comuns das sociedades contemporâneas civilizadas. A psicóloga Rozângela Alves Justino, 50, faz exatamente o contrário. Formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, com especialização em psicologia clínica e escolar, ela considera a homossexualidade um transtorno para o qual oferece terapia de cura. Na semana passada, foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia (formado, segundo ela, por muitos homossexuais "deliberando em causa própria") e impedida de aceitar pacientes em busca do "tratamento". Solteira, dedicada à profissão e fiel da Igreja Batista, Rozângela diz que ouviu um chamado divino num disco de Chico Buarque e compara a militância homossexual ao nazismo. Só se deixa fotografar disfarçada, por se sentir ameaçada, e faz uma defesa veemente de suas opiniões.

A senhora acha que os homossexuais sofrem de algum distúrbio psicológico? O Conselho Federal de Psicologia não quer que eu fale sobre isso. Estou amordaçada, não posso me pronunciar. O que posso dizer é que eu acho o mesmo que a Organização Mundial de Saúde. Ela fala que existe a orientação sexual egodistônica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso.


O que é não estar em sintonia com o seu eu, no caso dos homossexuais? É não estar satisfeito, sentir-se sofrido com o estado homossexual. Normalmente, as pessoas que me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas. Muitas, depois de uma relação homossexual, sentem-se mal consigo mesmas. Elas podem até sentir alguma forma de prazer no ato sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento. Além disso, transtornos sexuais nunca vêm de forma isolada. Muitas pessoas que têm sofrimento sexual também têm um transtorno obsessivo-compulsivo ou um transtorno de preferência sexual, como o sadomasoquismo, em que sentem prazer com uma dor que o outro provoca nelas e que elas provocam no outro. A própria pedofilia, o exibicionismo, o voyeurismo podem vir atrelados ao homossexualismo. E têm tratamento. Quando utilizamos as técnicas para minimizar esses problemas, a questão homossexual fica mínima, acaba regredindo.

Há estudos que mostram que ser gay não é escolha, é uma questão constitutiva da sexualidade. A senhora acha mesmo possível mudar essa condição? Cada um faz a mudança que deseja na sua vida. Não sou eu a responsável pela mudança. Conheço pessoas que deixaram as práticas homossexuais. E isso lhes trouxe conforto. Conheço gente que também perdeu a atração homossexual. Essa atração foi se minimizando ao longo dos anos. Essas pessoas deixaram de sentir o desejo por intermédio da psicoterapia e por outros meios também. A motivação é o principal fator para mudar o que quiser na vida.

A senhora é heterossexual? Sou.

Pela sua lógica, seria razoável dizer que, se a senhora quisesse virar homossexual, poderia fazê-lo. Eu não tenho essa vivência. O que eu observei ao longo destes vinte anos de trabalho foram pessoas que estavam motivadas a deixar a homossexualidade e deixaram. Eu conheço gente que mudou a orientação sem nem precisar de psicólogo. Elas procuraram grupos de ajuda e amigos e conseguiram deixar o comportamento indesejado. Mas, sem dúvida, quem conta com um profissional da área de psicologia tem um conforto maior. Eu sempre digo que é um mimo você ter um psicólogo para ajudá-lo a fazer essa revisão de vida. As pessoas se sentem muito aliviadas.

Esse alívio não seria maior se a senhora as ajudasse a aceitar sua condição sexual? Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida.

Se um homem entrar no seu consultório e disser que sabe que é gay, sente desejo por outros homens, só precisa de ajuda para assumir perante a família e os amigos, a senhora vai ajudá-lo? Ele não vai me procurar. Eu escolho os pacientes que vou atender de acordo com minhas possibilidades. Então, um caso como esse, eu encaminharia a outros colegas.

Não é cruel achar que os gays têm alguma coisa errada? O que eu acho cruel é ser uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada, não poder acolher as pessoas que vêm com uma queixa e com um desejo de mudança. Isso é crueldade. Eu estou me sentindo discriminada. Há diversos abaixo-assinados de muitas pessoas que acham que eu preciso continuar a atender quem voluntariamente deseja deixar a atração pelo mesmo sexo.

Por que a senhora acha que o Conselho Federal de Psicologia está errado e a senhora está certa? Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria. O conselho não é do agrado de todos os profissionais. Amanhã ele muda. Eu mesma posso me candidatar e ser presidente do Conselho de Psicologia. Além disso, esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e os valores sociais.

Gays existem desde que o mundo é mundo. Aparecem em todas as civilizações. Isso não indica que é um comportamento inerente a uma parcela da humanidade e não deve ser objeto de preconceito? Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa? Há discriminação contra todos. Em 2002, fiz uma pesquisa para verificar as violências que as pessoas costumam sofrer, e o segundo maior número de respostas foi para discriminação e preconceito. As pessoas são discriminadas porque têm cabelo pixaim, porque são negras, porque são gordas. Você nunca foi discriminada?

Não como os gays são. Não? Nunca ninguém a chamou de nariguda? De dentuça? De magrela? O que quero dizer é que as pessoas que estão homossexuais sofrem discriminação como todas as outras. Eu tenho trabalhado pelos que estão homossexuais. Estar homossexual é um estado. As pessoas são mulheres, são homens, e algumas estão homossexuais.

Isso não é discriminação contra os que são homossexuais e gostam de ser assim? Isso é o que você está dizendo, não é o que a ciência diz. Não há tratados científicos que digam que eles existem. Eu não rotulo as pessoas, não chamo ninguém de neurótico, de esquizofrênico. Digo que estão esquizofrênicos, que estão depressivos. A homossexualidade é algo que pode passar. Há um livro do autor Claudemiro Soares que mostra que muitas pessoas famosas acreditam que é possível mudar a sexualidade. Entre eles Marta Suplicy, Luiz Mott e até Michel Foucault, todos historicamente ligados à militância gay.

Quantas pessoas a senhora já ajudou a mudar de orientação sexual? Nunca me preocupei com isso. Psicólogo não está preocupado com números. Eu vou fazer isso a partir de agora. Vou procurar a academia novamente. Vou fazer mestrado e doutorado. Até hoje, eu só me preocupei em acolher pessoas.

O que a senhora faria se tivesse um filho gay? Eu não teria um filho homossexual. Eu teria um filho. Eu iria escutá-lo e tentaria entender o que aconteceu com ele. Os pais devem orientar os filhos segundo seus conceitos. É um direito dos pais. Olha, eu quero dizer que geralmente as pessoas que vivenciam a homossexualidade gostam muito de mim. E também quero dizer que não sou só eu que defendo essa tese. Apenas estou sendo protagonista neste momento da história.

A senhora se considera uma visionária? Não. Eu sou uma pessoa comum, talvez a mais simplesinha. Não tenho nenhum desejo de ficar famosa. Nunca almejei ir para a mídia, ser artista, ser fotografada.

A senhora já declarou que a maior parte dos homossexuais é assim porque foi abusada na infância. Em que a senhora se baseou? É fato que a maioria dos meus pacientes que vivenciam a homossexualidade foi abusada, sim. Enquanto nós conversamos aqui, milhares de crianças são abusadas sexualmente. Os estudos mostram que os abusos, especialmente entre os meninos, são muito comuns. Aquelas brincadeiras entre meninos também podem ser consideradas abusos. O que vemos é que o sadomasoquismo começa aí, porque o menino acaba se acostumando àquelas dores. O homossexualismo também.

A senhora é evangélica. Sua religião não entra em atrito com sua profissão? Não. Sou evangélica desde 1983. Nos anos 70, aconteceu algo muito estranho na minha vida. Eu comprei um disco do Chico Buarque. De um lado estavam as músicas normais dele. Do outro, em vez de tocar Carolina, vinha um chamamento. Eram todas canções evangélicas. Falavam da criação de Deus e do chamamento da ovelha perdida. Fui tentar trocar o LP e, na loja, vi que todos os discos estavam certinhos, menos o meu. Fiquei pensando se Deus estava falando comigo.

O espírito cristão não requer que os discriminados sejam tratados com maior compreensão ainda? Se eu não amasse as pessoas que estão homossexuais, jamais trabalharia com elas. Até mesmo os ativistas do movimento pró-homossexualismo reconhecem o meu amor por eles. Sempre os tratei muito bem. Sempre os cumprimentei. Na verdade, eles me admiram.

Nota: Liberdade de expressão, nos dias atuais, é coisa meio rara. Fala-se muito em democracia, em livre pensamento, etc, mas na prática é outra história. A opinião dessa profissional pode muito bem ter eco no discurso de outros, mas a represália é grande.

Lei antifumo de São Paulo é paliativa

domingo, 2 de agosto de 2009 2 comentários

Portal G1, 02.08.2009.

Revolta e indignação foram as palavras mais proferidas por fumantes ouvidos pelo G1 em bares e baladas neste fim de semana, o último antes de a lei antifumo entrar em vigor em São Paulo.

Nos quatro locais visitados na noite de sexta-feira (31) os clientes criticaram de diversas formas a nova lei – que, segundo eles, é muito rígida. A partir do dia 7 de agosto, estabelecimentos que permitirem que seus clientes fumem receberão multa que pode variar entre R$ 792,50 até R$ 1.585. Na segunda irregularidade, a cobrança será dobrada e, na terceira autuação, o estabelecimento comercial poderá ser totalmente interditado por 48 horas. Caso volte a desrespeitar a lei, as outras interdições serão por 30 dias.


“É uma lei totalitária”, afirmou o advogado Mauro Kertzer, de 48 anos. Sentado em seu bar favorito, o São Pedro São Paulo, no Itaim Bibi, Kertzer reclamava do governador do estado – e idealizador da lei –, José Serra. Entre uma pitada e outra em seu cachimbo, revelou: “Sempre votei no PSDB [partido do governador]. Agora não mais votarei”.

O medo de assaltos também foi lembrado pelos fumantes. Conforme a lei, quem quiser fumar e estiver em estabelecimentos como bares e restaurantes deverá sair do local para acender seu cigarro. “A polícia estará lá fora para me proteger?”, questionou a psicóloga Maria Theresa de Souza, de 42 anos.

Quem também temia a vulnerabilidade em ficar nas calçadas de bares e baladas durante a noite era a arquiteta Ana Paula de Luca, de 33 anos. “Serei ressarcida se for assaltada?”, perguntou. Para ela, a lei seria mais aceita se fosse abrandada. Uma solução seria a possibilidade de os estabelecimentos criarem áreas para não fumantes que impedissem efetivamente a passagem da fumaça do cigarro.

Também aproveitando o último happy hour de sexta-feira antes da proibição, o bem humorado Osvaldo Silveira, 64 anos, após acender um cigarro no Píer Paulista, próximo à Avenida Paulista, afirmou que, para ele, o argumento de que essa nova lei será benéfica à saúde pública não se sustenta. “Picanha também faz mal. Vão proibir?” Questionado sobre sua profissão, afirmou: “Sou fumante inveterado e revoltado”.

Fim da balada

Baladeiros menos pacientes afirmavam que tomarão medidas extremas. “Se não puder fumar, não vou mais”, afirmou a publicitária Gláucia Kanashiro, 28 anos. Se a vontade de sair for maior que a revolta contra a lei, ela disse que poderá tentar medidas alternativas para aplacar o vício, como o uso de adesivos de nicotina. “Já usei e sei que funciona. Só não sei se irá adiantar junto à bebida.”

Quem também pretende deixar de ir a baladas é o diretor de galeria Raphael Octávio, 24 anos. “Semana que vem, só vou a lugares onde se possa fumar”, disse, enquanto soprava fumaça no Geni Club, na região central de São Paulo.

A administradora Andreza Fontana, 32 anos, discorda da lei e afirmou que não deixará de fumar em casas noturnas e em festas como a Trash 80’s, no Centro da capital. “Vou ao banheiro escondida fumar”, contou.

Nota: Volto a dizer, o que falei na Rádio Novo Tempo, na quarta-feira, dia 26 de julho, no programa Conexão Novo Tempo, que esse tipo de medida adotada não resolve o problema do cigarro. É algo isolado, próprio de ação populista com o intuito de promover o autor ou autores da legislação e não uma saída para o problema.
Se realmente há a intenção de combater o tabagismo, que governos e sociedade (empresas, igrejas, ONGs, etc) se mobilizem para acabar com o plantio, a fabricação e tomem providências para que cursos e orientações psicológicas e médicas sejam dadas gratuitamente para quem é dependente do tabaco. Vale lembrar que a Igreja Adventista desenvolve os cursos para deixar de fumar em cinco dias com sucesso em muitos lugares. Tal iniciativa poderia ser ampliada em parceria com órgãos governamentais.
Não estou aqui pregando que a lei de São Paulo é ruim. De forma alguma. Chama a atenção para um problema que é, na verdade, maior e mais complexo. A realidade é que poucos estão enfrentando esse problema de frente com seriedade.

Celebrantes alternativos "abençoam" enlaces matrimoniais

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Revista Veja, Semana de 2 de agosto de 2009.

Igual, mas diferente. No sempre movimentado e competitivo mundo dos casamentos, esse é hoje em dia o lema de muitos casais. Eles querem uma cerimônia, claro, que tenha votos, troca de aliança e beijo, evidentemente, mas que não seja igualzinha à que todo mundo já conhece. Está criado o ambiente perfeito para a atuação do celebrante, uma figura que, sem ser juiz, padre, pastor ou rabino, formata e comanda cerimônias "personalizadas". O bom celebrante paira acima de crenças e age como se conhecesse o casal de longa data, pontuando suas falas com histórias dos dois. Pode ser médico, professor de ioga, mestre esotérico, radialista, amigão do noivo ou nenhuma das alternativas anteriores, desde que ofereça postura, boa fala e um ritual convincente. Inicialmente requisitado nas festas de quem já caminhava para a segunda união (ou terceira, ou quarta) e por casais homossexuais, os celebrantes passaram a ocupar mais espaço na cena casamenteira tradicional do ano passado para cá. Segundo os mais requisitados organizadores de festas do Rio de Janeiro e de São Paulo, a cada dez casamentos que montam, hoje pelo menos dois são nesse formato.

No leque de opções disponíveis, há celebrantes que se especializaram em nichos, como a carioca Pérola Kaminietz, que conduz cerimônias em que um é judeu e o outro não. De currículo eclético – fonoaudióloga, terapeuta familiar, professora de hebraico e mãe de um ex-participante do Big Brother –, Pérola faz em média dois casamentos por mês. Cobra cerca de 4 000 reais por cerimônia, que prepara como se fosse "criar um enredo de filme". O advogado carioca Marcel Britz, 31 anos, judeu, convocou seus serviços em novembro para se casar com a funcionária pública Nathália Diniz, espírita. "Queria que meu casamento tivesse alguma referência à cultura judaica. Pérola contou muitas coisas da nossa intimidade e tocou até o hino do Flamengo, meu time", diz Britz, que se casou sob a chupá, a tradicional cabana de tecido usada em cerimônias judaicas, e quebrou o copo no final. Na comunidade zen, bacana é contratar os serviços de Marcia de Luca, professora de ioga em São Paulo e madrasta da primeira-dama da França, Carla Bruni. Requisitadíssima, Marcia escolhe a dedo os clientes, dos quais cobra 6 000 reais, o cachê mais alto do meio. Em julho, no Guarujá, litoral de São Paulo, casou Vivian e o atacante Robinho, que não joga exatamente na tribo esotérica, mas atendeu a uma recomendação da organizadora da festa. Já Marcia desempenha bem em todas as posições: usa roupas indianas estilizadas, tira sons de uma cuba tibetana de cristal, borrifa no ar essência de flor de lótus, salpica pitadas de hinduísmo e ao final saca um apanhador de sonhos, talismã dos índios americanos. "Peço que noivos e convidados coloquem ali sua intenção de felicidade e dou o objeto ao casal. Eu mesma criei essa simbologia", explica.

A necessidade de rituais, tão antiga quanto a humanidade, e o espírito da nova era, em que a religiosidade é uma espécie de bufê, com um pouquinho de cada coisa, impulsionam as novas cerimônias. O casamento do chef francês Claude Troisgros com a produtora Clarisse Sette, no Rio de Janeiro, em março, foi celebrado por Philippe Bandeira de Mello, que reúne os coloridos títulos de psicoterapeuta junguiano e mestre da Arca da Montanha Azul, um grupo multirreligioso criado por ele. Entre os adeptos, os casamentos incluem fogueiras e chás, daquele tipo plenamente legalizado. Na festa de Troisgros, Mello apenas leu um texto falando sobre a plenitude da união entre masculino e feminino. "O que praticamos não é reles mistura, e sim a integração de cultura afro, hinduísmo, xamanismo e cabala, entre outras coisas. Todos nós estamos navegando na mesma arca e sou uma espécie de Noé moderno", filosofa mestre Mello, que não cobra cachê, mas aceita doações. Uma vantagem adicional dos celebrantes alternativos é que os noivos podem estabelecer a duração da cerimônia. "Eu não queria lenga-lenga, queria uma coisa bem objetiva", diz a estilista Roberta Tordin, 30 anos, que em abril se casou com o empresário Aleandro Fortunato, 32, numa fazenda em Itatiba, interior de São Paulo, tendo por celebrante Fredh Hoss. Radialista de profissão, com nome de fábrica de Fred Rodrigues, ele tem oitenta festas agendadas até fevereiro de 2010, cobra 1 500 reais e cobre um amplo espectro confessional. Já fez, por exemplo, uma cerimônia fundindo oferenda de frutas (noiva cigana) com bênção e crucifixo (noivo católico). No de Roberta limitou-se a, como ela pediu, ser breve: preparou uma fala curta baseada na história de vida dos noivos, que aprendeu submetendo-os antes a um questionário escrito. Foi show.

Nota: A frase em que o repórter fala que a religiosidade da nova era é um bufê ilustra exatamente o pensamento pós-moderno sobre crenças. Isso significa dizer que você pode construir sua própria religião ao unir os pedaços do que considera relevante emm cada uma das inúmeras seitas e religiões cristãs ou não cristãs que existem.
É a religião da conveniência, do mosaico criado segundo o gosto de cada um. Ou seja, não há verdades a serem entendidas e vividas. Como li em um livro de um filósofo chamado Richard Rorty, são diversas verdades que as pessoas têm e podem viver conforme bem entendem. Para mim, no entanto, existe uma verdade bíblica a qual me guia e me norteia.
Em relação ao casamento, entendo que é mais uma forma de tornar a celebração religiosa algo banal e comum e fazer com que literalmente qualquer um possa "abençoar" a união matrimonial. Os valores morais e espirituais, nesse caso, são colocados em xeque e o que resta é são " profissionais" que mais se preocupam em agradar os noivos em suas diferenças culturais ou religiosas e não ministros focados em realmente obter o favor de Deus para aquela união.

 
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