Material didático contra homofobia mostra adolescente que virou travesti

domingo, 19 de dezembro de 2010 0 comentários

Originalmente publicado em 24.11.2010 no Correio Braziliense
 
Ele ainda nem foi lançado oficialmente. Mas um conjunto de material didático destinado a combater a homofobia nas escolas públicas promete longa polêmica. Um convênio firmado entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos) produziu kit de material educativo composto de vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais que será distribuída para 6 mil escolas da rede pública em todo o país do programa Mais Educação.

Parte do que se pretende apresentar nas escolas foi exibida ontem em audiência na Comissão de Legislação Participativa, na Câmara. No vídeo intitulado Encontrando Bianca, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como um exemplo de um travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada.

O jovem travesti do filme aponta um dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino e simula flerte com um colega do sexo masculino ao dizer que superou o bullying causado pelo comportamento homofóbico na escola. Na versão feminina da peça audiovisual, o material educativo anti-homofobia mostra duas meninas namorando. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme. “Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário durante a audiência.

O material produzido ainda não foi replicado pelo MEC. A licitação para produzir kit para as 6 mil escolas pode ocorrer ainda este ano, mas a previsão de as peças serem distribuídas em 2010 foi interrompida pelo calor do debate presidencial. A proposta, considerada inovadora, de levar às escolas públicas um recorte do universo homossexual jovem para iniciar dentro da rede de ensino debate sobre a homofobia esbarrou no discurso conservador dos dois principais candidatos à Presidência.

O secretário do MEC reconheceu a dificuldade de convencer as escolas a discutirem o tema e afirmou que o material é apenas complementar. “A gente já conseguiu impedir a discriminação em material didático, não conseguimos ainda que o material tivesse informações sobre o assunto. Tem um grau de tensão. Seria ilusório dizer que o MEC vai aceitar tudo. Não adianta produzir um material que é avançado para nós e a escola guardar.”

Apesar de a abordagem sobre o adolescente homossexual estar longe de ser consenso, o combate à homofobia é uma bandeira que o ministério e as secretarias estaduais de educação tentam encampar. Pesquisa realizada pelas ONGs Reprolatina e Pathfinder percorreram escolas de 11 capitais brasileiras para identificar o comportamento de alunos, professores e gestores em relação a jovens homossexuais. Escolas de Manaus, de Porto Velho, de Goiânia, de Cuiabá, do Rio, de São Paulo, de Natal, de Curitiba, de Porto Alegre, de Belo Horizonte e de Recife receberam os pesquisadores que fizeram 1.406 entrevistas.

O estudo mostrou quadro de tristeza, depressão, baixo rendimento escolar, evasão e suicídio entre os alunos gays, da 6ª à 9ª séries, vítimas de preconceito. “A pesquisa indica que, em diferente níveis, a homofobia é uma realidade entendida como normal. A menina negra é apontada como a representação mais vulnerável, mas nenhuma menina negra apanha do pai porque é pobre e negra”, compara Carlos Laudari, diretor da Pathfinder do Brasil.
 
Nota: Realmente é lamentável qualquer tipo de preconceito e perseguição a alguém, especialmente jovens ou adolescentes categorizados como gays. É inadmissível este tipo de intolerância, assim como qualquer outro tipo de intolerância, incluindo a religiosa ou social. O problema em um material deste tipo é, na minha opinião, o uso que será feito. Há algum tipo de capacitação efetiva e permanente realizada com professores de escolas públicas no sentido de lhes explicar como utilizar este tipo de material com a finalidade não de estimular homossexualidade ou promiscuidade, mas de impedir a intolerância? Se não há, um material deste tipo não tem validadealguma. A probabilidade de ser mal utilizado é grande. Outro ponto é o conteúdo. Se realmente o material contém cenas de homossexualidade escancarada, como a reportagem afirma, eu me pergunto qual o objetivo disso. Se o material deve servir para combater preconceito, por que tem de chegar a um nível de detalhamento tão grande assim? É promoção de um conceito ou realmente apoio contra a intolerância sexual e prevenção ao bullying escolar? Cabe às autoridades competentes responder a isso e refletir sobre o assunto antes de distribuir o material.

ADRA Nordeste vai celebrar solidariedade com atingidos por chuvas

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 0 comentários

Neste sábado, quero destacar uma programação muito interessante que diz respeito à solidariedade. Trata-se de uma festa com entrega de mais de 2 toneladas de alimentos para famílias carentes que perderam tudo ou quase tudo nas enchentes recentemente ocorridas no Nordeste do Brasil. Cidades de Pernambuco e Alagoas foram grandemente afetadas e a ADRA - Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais está fazendo a diferença por lá.
Fique ligado neste link, pois a transmissão deste evento ocorrerá a partir das 15 horas (horário de Brasília) no endereço abaixo.


Watch live video from ANe-Agência Adventista de Notícias on Justin.tv

''McLanche Feliz'' é proibido em cidade dos Estados Unidos

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 0 comentários

Do Portal do Aprendiz, 15.12.2010. 


A prefeitura da cidade norte-americana de San Francisco proibiu que a rede de fast-food Mc Donald’s comercialize lanches com brinquedos. A lei, aprovada no último mês, permite que os brinquedos acompanhem refeições que preenchem uma série de pré-requisitos nutricionais.

A refeição não pode ter mais de 600 calorias e a porcentagem de gordura deve ser menor que 35%. Lanches servidos no café da manhã devem ter meia xícara de frutas, além de uma quantidade determinada de sódio e grãos.

Em abril, a também californiana Santa Clara tomou decisão semelhante, a expectativa é que outras cidades sigam o mesmo caminho, no intuito de conter o avanço da obesidade nos EUA, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

O Brasil, no entanto, parece seguir na contramão da tendência: em julho de 2009, a Justiça Federal negou uma liminar do Ministério Público Federal que queria proibir promoções do Bob's, do McDonald's e do Burger King, que dão brinquedos a quem compra lanche.

Nota: Nos Estados Unidos, perfeita a estratégia de evitar que se "empurre" lanches cujo valor nutricional é questionável através da promoção de brinquedos para as crianças. Agora, a responsabilidade dos pais é grande em não permitir que os filhos comam qualquer coisa e deem orientações seguras aos pequenos sobre quais os riscos de se comer de determinada maneira. Mas quando o bom senso comercial falha, é preciso que a justiça entre em ação e corrija.

Campanha dos ateus é suspensa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010 2 comentários

Meio & Mensagem On Line, 13.12.2010, às 12h30min
A campanha publicitária promovida pela Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos (Atea) – que pretendia espalhar cartazes em ônibus das cidades de Salvador e Porto Alegre está suspensa. Segundo a própria organização, na tarde de sexta-feira 10, quando tudo estava preparado para a colocação das peças, as duas empresas de mídia responsáveis pela ação desistiram do projeto.

Segundo nota publicada no site oficial da Atea, as duas empresas desistiram da veiculação por receio da repercussão da campanha publicitária. O presidente da organização, Daniel Sottomaior, revelou a reportagem de M&M Online que as empresas de mídia responsáveis pela ação eram a Fastmidia, em Salvador e a Objectif, em Porto Alegre.

Segundo a nota do site, a empresa da capital baiana declarou que desistiria do projeto por conta de possíveis reclamações do Estado e também dos proprietários das empresas de ônibus da cidade. Já a notícia referente a empresa de Porto Alegre aponta que a ação foi barrada na cidade.

A campanha
A ideia da associação era, a partir desta segunda-feira 13, veicular peças em cinco ônibus de Salvador e dez ônibus de Porto Alegre sugerindo às pessoas que questionassem suas crenças e respeitando a liberdade religiosa. Segundo a Atea, a campanha não tem o objetivo de provocar uma descrença em massa, mas sim de lutar pela igualdade de opinião e pela aceitação na sociedade daqueles que não creem em uma entidade superior.

O conceito dos anúncios e a criação da identidade visual da campanha foram assinados pela agência Elefantte, localizada na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais. Segundo o redator da agência, Neto Macedo, contribuir para uma causa desse tipo foi muito gratificante. Segundo ele, os conceitos criados para as peças tinham dois objetivos: mostrar que os ateus são pessoas comuns, assim como qualquer outra e também desconstruir a ideia de que as pessoas que creem em Deus tem um caráter melhor do que aquelas que não creem. “Tivemos muito cuidado para não ofender nenhuma crença religiosa, pois o objetivo das peças era unicamente o de promover a consciência de que o preconceito com os ateus é errado”, frisou Macedo.

A Atea não informou se existe a possibilidade de contratar uma nova empresa para a realização da campanha e quando as peças serão veiculadas.

Nota: Provavelmente o que levou à decisão é o fato de que a religiosidade brasileira constrangeu os anunciantes e a própria associação em última instância. As empresas não quiseram pagar o alto custo de uma publicidade, como esta, que geraria mais polêmica e muita represália. A manifestação oficial dos ateus é legítima, assim como a manifestação de criacionistas, evangélicos, católicos, espíritas e pessoas de outras crenças. O limite, no entanto, é a liberdade de expressão do outro. Conforme os princípios elementares da liberdade religiosa, nenhuma igreja, seita ou ramo filosófico pode denegrir ou ofender outro com suas ações. Isto é muito claro, mas por que, então, ainda existe a intolerância? Porque algumas pessoas ou grupos, cujas crenças não têm a consistência desejada, preferem tentar destruir o que os outros pensam em vez de exaltar aquilo no qual acreditam. A imposição de pontos de vista, de qualquer natureza, é nociva à boa convivência entre as pessoas. Isso vale para os ateus e para os que não são ateus. Cristãos e outros grupos, somente para exemplificar, que pretendem realizar ações expressivas de fé devem, também, ponderar sobre a maneira como vão difundir suas crenças. O respeito, amplamente ensinado por Jesus Cristo - referência maior do cristianismo, precisa prevalecer. Se isso não ocorre, alguma coisa errada está nos militantes.

Aumentou percepção de corrupção em instituições religiosas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 0 comentários

UOL, 09.12.2010, às 4 horas.
Um dado que chama atenção na pesquisa divulgada pela Transparência Internacional nesta quinta-feira (9), apontando o nível de percepção da corrupção em todo o mundo, diz respeito às instituições religiosas. Em 2004, 28% dos entrevistados disse achar que a corrupção afetava as instituições religiosas. Em 2010, o número subiu para 58%.
Para Alejandro Salas, diretor da Transparência Brasil nas Américas, o resultado “está aberto a interpretações”. "Eu penso que os escândalos que atingiram a religião, especialmente a Igreja Católica nos últimos anos, por exemplo, os abusos de menores por parte de membros da Igreja, o que não é a corrupção como conhecemos, digo em relação a subornos, mas diz respeito a uma má conduta”, disse Salas.
Segundo o diretor, a pesquisa não aborda os motivos que levam as pessoas a ter uma determinada opinião, mas ele acredita que outro fator importante para esse aumento é a associação, considerada por ele equivocada, de religião e terrorismo. “Provavelmente também, apesar de não ter elementos científicos, acredito que os acontecimentos envolvendo o Islã também estão relacionados a esse aumento", afirmou Salas.
Na pesquisa geral divulgada hoje, 50% dos entrevistados afirmaram que associam a corrupção à religião. No Brasil, a religião é a penúltima instituição à qual os brasileiros associam a corrupção. De 1 a 5, considerando 5 o nível máximo de corrupção, a nota dada às instituições religiosas foi 2,5, atrás apenas do Exército, com 2,4.
O Relatório Global de Corrupção 2010 entrevistou mais de 91.000 pessoas em 86 países e territórios, entre 1º de junho e 30 de setembro de 2010.

Nota: Infelizmente a religião, de uma maneira geral hoje, começa a ser vista, cada vez mais, com maus olhos por parte de boa parcela da população. Há vários fatores, mas se pensarmos e raciocinarmos com cuidado podemos ter algumas ideias. A primeira delas é que muitas religiões estão efetivamente se distanciando das necessidades das pessoas ou, então, criando projetos, programas e ações que simplesmente não falam a língua do povo. Isso ajuda as pessoas a terem uma percepção distorcida da religião. Por outro lado, há movimentos religiosos ou, então, igrejas, seitas ou agremiações de orientação filosófica ou religiosa que não apresentam bons conceitos para a sociedade, mas geralmente têm suas práticas associadas a maus exemplos e corrupções mesmo. Pesa, também, na minha avaliação, a favor de uma percepção negativa das religiões, o fato de parte da mídia trabalhar sistematicamente para denegrir a imagem, de um modo geral, da religiosidade. São todos fatores que certamente influenciam. Vale, portanto, mais uma vez, a preocupação de as igrejas e religiões sérias e comprometidas com o bem-estar integral das pessoas em mostrarem ações consistentes em favor da sociedade e principalmente agir com honestidade em seus negócios, suas transações e que seus líderes (que sempre serão referência para determinado grupo de pessoas) ajam com coerência e bom senso cristão. Quanto a agir assim, creio que somente dependendo totalmente de Deus.

Souza Cruz não pode mais contratar "provadores de cigarro"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 0 comentários

Site UOL, 29.11.2010

A Souza Cruz, fabricante nacional de tabaco, não poderá mais contratar empregados para realizar testes de cigarros. Assim decidiu a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao negar provimento ao recurso de revista da empresa. A ação foi proposta pelo Ministério Público do Trabalho da 1ª Região (RJ) a partir de uma entrevista concedida por um ex-empregado empresa que cobrou na justiça comum indenização pelos sérios problemas de saúde adquiridos em vários anos como "provador de cigarros".
Segundo o depoimento do ex-provador, a Souza Cruz, com o objetivo de fazer o controle de qualidade de seus produtos, mantinha um projeto chamado "Painel de Fumo", no qual pessoas, em uma sala, testavam os cigarros produzidos pela empresa e pela concorrência, sem nenhuma proteção.
Diante disso, o MPT requereu à Justiça do Trabalho que a empresa fosse condenada a não mais contratar pessoas para a função de provadores de cigarros, sob pena de multa no valor de R$ 10 mil, por trabalhador. Requereu, ainda, a manutenção e a garantia, a cada um dos trabalhadores que realizaram os testes, tratamento hospitalar e antitabagista e, por trinta anos, a realização de exames médicos. Por fim, pediu o pagamento de indenização de um milhão de reais por danos aos interesses difusos e coletivos dos trabalhadores, a ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Ao analisar a ação civil pública, a Vara do trabalho condenou a Souza Cruz a todas as obrigações de fazer e não fazer requeridas pelo Ministério Público: deixar de contratar provadores, prestar assistência médica a esses trabalhadores e pagar indenização de um milhão por danos difusos e coletivos.
Inconformada com a sentença, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ). Alegou que os empregados que se submeteram ao serviço, todos fumantes, o fizeram por espontânea vontade, bem como alegou não haver prova de nenhum dano à saúde dos trabalhadores relacionada à função de provadores. A Souza Cruz ainda ressaltou que essa atividade não seria ilegal.
O TRT, entretanto, manteve a decisão. Para o Regional, essa atividade da empresa afronta o direito à saúde e à vida dos trabalhadores. O acórdão do TRT considerou que, nesse caso, os princípios basilares da saúde e da vida digna se sobrepõem aos argumentos trazidos pela empresa quanto ao respeito à livre iniciativa e da livre atividade econômica. Ressaltou, ainda, que os danos não dizem respeito somente aos empregados provadores, mas sim a toda coletividade que se vê prejudicada pela produção e comercialização de uma droga. A Souza Cruz, então, interpôs recurso de revista ao TST, reforçando suas teses e se insurgindo contra o deferimento da indenização e ao valor por dano moral coletivo.
O relator do recurso na Sétima Turma do TST, ministro Pedro Paulo Manus, entendeu que a empresa, ao se utilizar de pessoas com o objetivo de aferir a qualidade do produto por ela produzido, o fez em afronta à proteção do trabalhador. Segundo o ministro, a empresa deverá valer-se de novo método para a mensuração do produto, pois a vida e a saúde do trabalhador devem sempre prevalecer. "No confronto com o princípio da livre iniciativa privada, prepondera o direito fundamental à saúde", destacou.
Quanto à indenização por danos morais coletivos, o relator conclui que a reparação de R$ 1 milhão, além de excessiva, não traria resultado útil, uma vez que não beneficiaria diretamente os empregados que efetivamente trabalharam como provadores de cigarro. Pedro Paulo Manus destacou ainda que, numa eventual manifestação de doença decorrente da prova do fumo, o trabalhador já estará resguardado, uma vez que o MPT conseguiu que a empresa mantenha acompanhamento médico aos trabalhadores, por 30 anos.
Assim, a Sétima Turma, ao seguir o voto do relator, decidiu, por maioria, manter a obrigação da Souza Cruz de não mais contratar provadores de cigarro e, por unanimidade, excluir da condenação a indenização por danos aos interesses difusos e coletivos aos trabalhadores. Vencido o Juiz convocado Flávio Portinho Sirângelo (RR-120300-89.2003.5.01.0015).

Nota: Feliz decisão, ainda que tardia. Finalmente a perniciosa indústria do tabaco começa a sentir que sua atividade fim definitivamente preocupa até mesmo as autoridades, como a Justiça do Trabalho. Apesar de sua forte propaganda a favor do meio ambiente, a Souza Cruz, a exemplo de empresas que trabalham com atividades que afetam, tanto o meio ambiente, quanto a saúde pública, contribui para mais gente doente. Sem falar no custo para a já precária estrutura de saúde gratuita oferecida no Brasil. É mais gente para se tratar e engrossar as filas dos postos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

iPad na manjedoura

domingo, 5 de dezembro de 2010 0 comentários

Por Felipe Lemos, mantenedor deste blog.


O personagem central do Natal no Brasil não é Jesus Cristo há muito tempo. Mas agora nem o mítico Papai Noel. É o IPAD, um equipamento que chegou ao comércio de um dos países que mais cresce economicamente e se torna uma potência no que diz respeito ao volume de negócios e relevância estratégica sob o ponto de vista mercadológico. Estou falando obviamente do Brasil.
Nada especificamente contra o iPad ou sua importância tecnológica ou mesmo as facilidades engenhosamente em geral preparadas para consumo rápido de uma população com renda aumentada. Algumas reflexões, no entanto, quanto ao lugar que alguns personagens passam a ter em detrimento de outros. A tecnologia, e com ela embutido o conceito de consumismo e voracidade pelo material novo (in) capaz de saciar os desejos desenfreados do ser humano, tomou o lugar de Cristo e do Papai Noel nas capas das revistas, nos programas de TV e no coração de muitos também.
Preocupante é pensar o que isso implica nas entrelinhas. Para aqueles que ainda apreciam o hábito de tentar enxergar um pouco além do que se mostra, o iPad agora ocupa o lugar de honra na manjedoura. Não é mais o Papai Noel, que ainda simbolizava uma pessoa, alguém, um ser humano que ludicamente fazia a alegria dos pequenos distribuindo presentes no Natal quente do hemisfério sul e frio do hemisfério norte. Tampouco é Jesus Cristo, o que verdadeiramente nasceu, viveu, morreu, reviveu e que revolucionou o modo de ser humano fazendo a vontade de Deus perante os homens e os ensinando-os simplesmente a fazer o mesmo.
Enquanto o iPad dorme tranquilo na manjedoura de ouro preparada com boas campanhas publicitárias, forte apelo da mídia espontânea e rodeado de adoradores da tecnologia de ponta, o Brasil e o mundo assistem aos jovens, crianças e adolescentes não terem mais interesse por religião e nem educação. Religiosidade é coisa distante de boa parte dos jovens que querem uma experiência sobrenatural, mas talvez prefiram ficar longe de um Deus pessoal, de um Jesus vivo hoje pronto para ouvi-los e agir em seu favor. É possível que a preferência seja por um Jesus unicamente histórico e, se possível, envolto em mistérios e histórias mal contadas do passado. Pena. Jesus pode renascer na vida de cada um hoje ainda. Há tempo para isso. Não como uma fantasia natalina, nem uma lenda, mas de forma real.
Educação também é algo que já deixou de ser tão importante no país que elege o iPad como personagem principal do final de ano. Holofotes em cima do aparelho que acessa e permite muita coisa, enquanto na escuridão os números mostram jovens pouco preparados após deixar o Ensino Médio, muitos pequenos ainda fora da escola e instituições sucateadas, além de mestres desanimados, despreparados e sem vontade alguma de fazer seu melhor pela educação das futuras gerações. Religião consistente com base no relacionamento pessoal com Deus e educação de verdade para todos, duas necessidades para se pensar no próximo ano. Bem diferente do consumismo anual de fim de ano.

 
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