Manifestações contra crise econômica alcançam 82 países

domingo, 16 de outubro de 2011 0 comentários

Folha de São Paulo, 16.10.2011.

De Wall Street para as ruas de 950 cidades de 82 países em todos os continentes.
Dezenas de milhares de manifestantes, inspirados pelo movimento que há quase um mês protesta contra a crise econômica mundial em Nova York, espalharam-se ontem pelo mundo ao pedir "união por uma mudança global".
A maioria das manifestações foi pacífica, com exceção da Itália, onde 200 mil pessoas foram às ruas de Roma estimuladas também pela decisão do Parlamento, anteontem, de manter o premiê Silvio Berlusconi no poder.
Em Roma, vários carros foram incendiados e manifestantes encapuzados destruíram agências de bancos. A polícia tentou conter os protestos com gás lacrimogêneo. Cerca de 70 pessoas ficaram feridas, três com seriedade. Todos os museus da capital foram fechados.
Berlusconi disse que os autores da violência serão "identificados e punidos". Em Nova York, onde tudo começou, 5.000 pessoas marcharam pelo distrito financeiro de Manhattan e ocuparam a Times Square. Ao menos 20 delas foram presas em um banco quando fechavam suas contas para protestar.
Sem agenda específica, a não ser uma crítica difusa ao grande capital, os manifestantes pelo mundo se organizam em grande medida por redes sociais como Facebook.
Além dos jovens dos EUA, tomam como modelo a Primavera Árabe e os "indignados" europeus. Ontem, Barcelona, na Espanha, um dos berços dos "indignados", foi a segunda cidade que registrou mais manifestantes, 60 mil. Em Madri, a Porta do Sol recebeu mais de 40 mil pessoas.
Em Portugal, os manifestantes de Lisboa e Porto também somaram 40 mil. As alemãs Berlim e Frankfurt registraram passeatas com 5.000 participantes.

ASSANGE
Em Londres, os protestos reuniram 2.000 pessoas em frente à Catedral de St. Paul. Nas escadarias da igreja, um manifestante chamou especial atenção: Julian Assange, do site WikiLeaks.
Ovacionado pelo público, ele foi depois abordado por policiais que o obrigaram a tirar uma máscara que usava. Os protestos se espalharam ainda por Ásia, Austrália e África, mas em menor escala.
Em Tóquio, 200 manifestantes se reuniram em frente à Tokyo Electric Power, operadora da central atômica de Fukushima, epicentro da catástrofe nuclear de março.
No Brasil, São Paulo, Rio, Porto Alegre e Curitiba tiveram manifestações. Na capital paulista, 200 jovens armaram barracas no Vale do Anhangabaú para passar uma semana, mas o acampamento foi desmontado a pedido de guardas civis.
No Rio, 150 pessoas se reuniram na Cinelândia, exibindo faixas contra a corrupção.

Nota: Realmente algo singular está ocorrendo no mundo. Pela primeira vez, vê-se um clamor popular pedindo urgentes reformas políticas e econômicas sob o lema de uma união por uma mudança global. Até o Brasil, costumeiro avesso a iniciativas mundiais de grande porte e conhecido até hoje pela indiferença aos problemas de âmbito planetário, ensaia os primeiros passos dentro desse movimento maior.
Alguns analistas mais apressados dirão que se trata de uma nova moda passageira que logo irá se dissipar. Pode até ser, mas não crei por algumas razões. Éinegável que os problemas econômicos que estão afetando desde os EUA até boa parte da "rica" Europa afetou a mente de muita gente. Até agora, problemas sociais, morais, catástrofes naturais, escândalos e corrupções no sistema político e até notórios problemas advindos dos maus tratos ao meio ambiente pouco abalaram a sociedade e os governos de muitas nações. Mas agora a crise chegou ao "bolso" das pessoas. Menos empregos, menos perspectiva de rentabilidade financeira de negócios a curto prazo, alguma alteração no poder de compra, etc, são fatores até o presente momento que não faziam parte da rotina de europeus e norte-americanos. Isso está mexendo com o inconsciente coletivo. E a reação começou.
Já disse isso aqui, mas vou repetir a ideia. A necessidade de uma grande mudança na ordem das coisas,  ou seja, o estabelecimento de uma nova ordem mundial em torno de uma união por mudança global - como afirma a reportagem acima bem no seu início - houve no passado e tinha como pano de fundo um panorama econômico fragilizado. O ditador alemão Hitler se ergueu, cresceu e se consolidou em meio a uma Alemanha imersa em crises social, mas sobretudo financeira. Mas se quiser ir mais ao passado, vamos ao Império Romano do Ocidente, oficialmente destituído em 476 d.C.
Muitos historiadores conceituados concordam que, quando imperadores começaram a esbanjar dinheiro com orgias, festas e prazeres específicos apenas para a corte, deixando de investir em proteção e estratégia militar eficaz, as fronteiras do gigantesco Império Romano começaram a ruir. É evidente que as investidas dos chamados bárbaros não começaram de uma hora para a outra, mas se fortaleceram com a crise financeira pela qual passou o antigo império dos césares.
Eu entendo que novamente vamos assistir a um movimento mundial para tentar conter os efeitos desastrosos de uma crise financeira de proporções globais como parece se avizinhar. Preocupo-me com a maneira como isso será feito. O que será essa união por uma mudança global? União em torno de quais princípios ou bases?
No passado, também é bom lembrar, o profeta hebreu Daniel acudiu o monarca do antigo Império Babilônico, Nabucodonosor II, quando esse teve um sonho estranho, mas significativo. No livro bíblico com o nome do profeta, capítulo 2, é possível ler o relato da interpretação do sonho acerca de uma estátua que mostra a sequência dos reinos dali em diante com predominância no mundo então conhecido até que todos foram destruídos por uma pedra não cortada por mãos. A solução para um mundo mergulhado em crises, inclusive a financeira que está tirando o sono de muitos, não é uma união humana de esforços, mas um apego a Deus.
Não creio que os líderes mundiais olharão para o Céu em busca de respostas. Mas se o fizessem, encontrariam sabedoria verdadeira para saber como agir.

Para pré-candidato às eleições norte-americanas Deus quer que EUA comandem o mundo

sexta-feira, 7 de outubro de 2011 0 comentários

Folha On Line, 07.10.2011.

O pré-candidato republicano à eleição presidencial de 2012 nos Estados Unidos Mitt Romney declarou nesta sexta-feira que Deus criou os Estados Unidos para que o país liderasse o mundo e acusou o presidente democrata Barack Obama de enfraquecer voluntariamente o país.
Romney buscou fortalecer suas credenciais como potencial comandante-em-chefe das Forças Armadas, no momento em que as pesquisas o colocam em primeiro lugar nas intenções de voto entre os pré-candidatos republicanos e em forte disputa com Obama para a eleição de novembro de 2012.
"Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser um dos vários poderes globais em equilíbrio", disse Romney em seu discurso de campanha mais importante sobre política externa.
"Os Estados Unidos devem conduzir o mundo ou outros o farão", acrescentou, afirmando que o planeta seria mais perigoso se Washington não tivesse um papel de liderança. O pré-candidato republicano pronunciou este discurso no aniversário de dez anos do início da intervenção americana no Afeganistão.
"Deixem-me ser claro: como presidente dos Estados Unidos, eu me dedicarei a um século americano", afirmou.
"Nunca, jamais, pedirei perdão em nome dos Estados Unidos", afirmou Romney rodeado por cadetes do Citadel, um colégio militar da Carolina do Sul.
Os republicanos classificam os esforços de Obama para melhorar a imagem dos Estados Unidos fora do país como um "tour de desculpas" e acusam seu governo de enfraquecer o papel do país.

Nota: O discurso de qualquer político em época pré-eleitoral sempre merece consideração reduzida, já que inúmeras afirmações são proferidas tão somente para que se torne notícia. Mas as palavras de Mitt Romney, pré-candidato republicano, soam fortes. Pode ser apenas força de uma retórica contundente para tentar reforçar um conceito de que com ele os EUA não vai enterrar a cabeça, mas atuar de cabeça erguida por causa de sua força.
Mas também pode ser a retomada de um conceito muito forte na América do Norte e que consiste em se intensificar algo que o atual presidente Barack Obama parece ter deixado em segundo plano: a prepotência norte-americana a qualquer preço em relação à geopolítica mundial. Profeticamente, segundo os livros bíblicos de Daniel e principalmente Apocalipse, além de obras baseadas nesses escritos bíblicos como O Grande Conflito, de Ellen White, os EUA exercerão um papel importante nos tempos finais desse mundo ao lado do sistema religioso predominante sob o comando do Vaticano e seus aliados no cerceamento de liberdades individuais, inclusive a respeito de religião (Apocalipse 13 é a leitura recomendada para esse assunto em comparação com Daniel capítulos 7,8 e 9).
Para quem imagina que isso seja loucura ou teoria conspiratória, basta observar o discurso de gente como Mitt Romney e de outros tantos adeptos da ideia de que os Estados Unidos, como nação, possuem uma missão quase messiânica no planeta e que as demais nações devem seguir sua liderança. Nada mais coerente com a inspiração bíblica e com livros que ajudem nisso. Sugiro, também, a excelente obra em inglês de Marvin Moore intitulado Could It Really Happen?.

'Só dieta à base de vegetais reverte doenças cardíacas', afirma médico

quarta-feira, 5 de outubro de 2011 0 comentários

Folha OnLine, 26.09.2011.

Diga adeus a bifes, peixes, arroz branco e açúcar. Farinha e grãos, só integrais. Azeite de oliva, nem pensar. Para o cirurgião americano Caldwell Esselstyn, 77, uma alimentação baseada em folhas, frutas, legumes e grãos integrais é o único jeito de evitar, deter e reverter doenças cardiovasculares. Especial da Semana do Coração Seu método, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos 30 anos, é o tema do documentário "Forks over Knives" (trocadilho que quer dizer tanto "garfos sobre facas" quanto "garfos no lugar de bisturis"), lançado nos EUA e ainda inédito no Brasil.
O filme conta a história de pacientes de Esselstyn, médico da Cleveland Clinic (Ohio). Eles venceram problemas cardíacos e evitaram cirurgias ao adotar a dieta. Para o cirurgião, que falou à Folha por telefone, a dieta extrema não é a que ele propõe, e sim a adotada pela maioria dos ocidentais. "Ela garante que milhões de pessoas serão submetidas a cirurgias de peito aberto. Vamos comer vegetais. É para isso que fomos criados."

* Folha - O sr. diz que os problemas cardíacos se devem à alimentação. Não há outros fatores de risco envolvidos, como genética?
Caldwell Esselstyn - Se você come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40, outras aos 50, outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem o infarto só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se todo mundo comer uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados.

Controlar os níveis de colesterol não é suficiente? Ao pensar só em números, prestamos atenção à coisa errada. As pessoas tomam remédios para o colesterol mas ainda querem comer frango frito. O que funciona é o que entra pela sua boca. Toda vez que você come azeite, óleo, leite, manteiga, queijo, sorvete, iogurte e carne, você machuca o delicado revestimento das artérias, o endotélio. Ele é um tapete mágico que produz uma molécula incrível chamada óxido nítrico, que é vasodilatadora e protege a parede dos vasos sanguíneos. Autópsias de soldados que morreram na Guerra da Coreia e no Vietnã, dos anos 50 a 70, revelaram que 80% dos jovens de 20 anos já tinham problemas coronários visíveis. As obstruções não eram suficientes para causar um infarto, mas estavam lá. Hoje, todos os jovens têm isso.

Sua dieta exclui o azeite de oliva, base da dieta mediterrânea. Ela está toda errada?
Está errada em recomendar azeite. Em Creta, há 60 anos, as pessoas eram magras, comiam muitos legumes e frutas e um pouco de azeite. As desvantagens do azeite eram compensadas pela quantidade de vegetais. Quando você estuda o efeito do azeite com um teste de ultrassom da artéria braquial (no braço), que mede os danos ao endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos.

Você chama as cirurgias e angioplastias de soluções mecânicas para um problema biológico. Esses procedimentos não adiantam nada?
Eles não chegam a ser soluções. A medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de procedimentos perigosos, como a colocação de stents ["molas" inseridas em vasos obstruídos] e pontes de safena. Com o tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios, e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo. Os médicos, não sei o porquê, passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de vida. Mas o problema é que eles não sabem como transmitir essa mensagem. Quando trato alguém com doença cardíaca, fazemos um curso de cinco horas. O paciente vai entender o que causou a doença e o que ele deve fazer para revertê-la. No fim, oferecemos uma refeição à base de vegetais e uma apresentação de 1h15 sobre como comprar e preparar alimentos, ler rótulos e lidar com restaurantes e viagens. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um remédio. Nunca vai ser por causa de um novo procedimento cirúrgico. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por uma doença.

Qual percentual dos seus pacientes tem melhora?
Quase todos. Quando começamos o programa, e as pessoas ainda não sabiam se ia funcionar, 70% se recuperavam. Agora estamos em 90%. O que torna esse tratamento tão poderoso é que posso mostrar raios-X de artérias do nosso primeiro grupo. Os pacientes percebem que, se os outros conseguiram, eles também vão.

O sr. diz que moderação mata. Por que não dá para comer carne com moderação?
Moderação é dizer: qual a quantidade de um alimento que sei que vai me prejudicar eu posso comer e conseguir escapar das doenças? Isso é loucura. Quantos bifes posso comer? Quantas batatas fritas engorduradas? Como assim? É a mensagem errada.

O sr. acredita que sua dieta pode ser adotada globalmente?
O Brasil está destruindo a atmosfera e o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê? Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos criados.

Nota: não sou a favor de dietas radicais e nem a Bíblia Sagrada aconselha um estilo de vida desequilibrado em qualquer sentido. Mas a palavra de um profissional médico a respeito da importância de uma dieta à base de vegetais me parece bastante coerente. A frase que ele colocou a respeito de que fomos criado para consumir vegetais é bastante lógica, especialmente se lermos o relato de Gênesis antes do dilúvio. É óbvio que depois do dilúvio, como também está registrado, Deus permitiu que o homem se alimentasse de animais. Mas se falarmos em um plano ideal, sem dúvidas a ingestão de alimentos mais naturais possíveis está dentro de uma proposta mais alinhada com estilo de vida saudável.
Algumas colocações do médico valem a pena ser levadas em conta. Escritos de gente como Ellen White, Elisa Biazzi, Silmar Cristo, Sang Lee e outros ajudam a pensar de uma maneira diferente a questão da saúde como um bem integral a ser preservado. Recomendo, ainda, um ótimo filme sobre a questão da saúde e os adventistas. Veja trecho abaixo.

Filme aborda oração de mãe por filho roqueiro

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 0 comentários


Gospel Prime, 08.09.2011.

A Canzion Films Brasil, parte do Grupo Canzion, lançará nos cinemas brasileiros o filme “Poema de Salvação”, primeiro filme cristão a ser lançado no Cinemark. Estrelado por Gozalo Senestrari que interpretará Pablo, com elenco formado por Irina Alonso, Fernando Rosarolli e Soledad Beilis, entre outros. Inspirado na vida do cantor argentino Pablo Olivares, o filme será exibido pela rede Cinemark e narra uma trajetória de drogas, ocultismo e o poder da oração de uma mãe.
Pablo Olivares é um menino talentoso e inquieto, nascido em uma família cristã. Sua mãe, Carmem, dedica todo seu tempo a educá-lo de acordo com os princípios bíblicos, cultivando nele desde pequeno o amor pela música. Roberto, seu pai, dedica-se principalmente aos negócios, mantendo-se distante da vida de Pablo. Diante da ausência emocional de seu pai, Pablo se junta com amigos que o apresentam ao mundo do rock’n’roll e ele começa a se sentir atraído pelo ocultismo.
Sua habilidade para a música se torna evidente e embora Carmem acredite em seu talento, o rock é uma questão que ela não apoiará. Carmem tenta de tudo para restabelecer o relacionamento com seu filho e, fiel a seus princípios, ora incessantemente por ele durante quatorze anos. O constante confronto entre Pablo e sua mãe logo deixa de ser uma questão meramente familiar e se transforma em um campo de batalha pela salvação do jovem. Um drama inspirado em uma história real, filmado na Argentina, do diretor Arturo Allen (dos curta-metragens “Bandeira Branca” e “Não se Renda”).
O lançamento do filme será no dia 30 de setembro, com pré estreia anunciada para o dia 23, apenas para convidados. O filme já foi exibido em diversos países da América Latina e EUA, atingindo público superior a 500 mil pessoas. No Brasil, a Canzion Films Brasil pretende mostrar que o cinema cristão possui força e que sua exibição na rede mundial de cinemas Cinemark produzirá transformações em diversas famílias que passam, passaram ou passarão pelo mesmo problema. Pela primeira vez na história, um filme, exclusivamente cristão, com uma mensagem de adoração e louvor, será exibido nas salas da cidade de São Paulo, e em breve nas principais capitais do Brasil.

Veja trailler



Nota: Não vi esse filme (baseado em uma história real), mas a sinopse dá a entender que se trata de uma produção com abordagem cristã, especificamente de oração intercessora. Considero importante que sejam divulgados materiais que possam levar as pessoas a refletirem sobre as lutas espirituais que se travam nas famílias, especialmente quando um dos ingredientes é o rock. Já fui roqueiro e sei o grau de influência perniciosa e os péssimos conceitos que são transmitidos através de grande parte das músicas desse gênero musical, assim com em outros também.
Parece, em uma primeira avaliação, que não seja apenas o rock o problema ali, mas o envolvimento do protagonista com atividades que não são compatíveis com os ensinamentos bíblicos. Respeito a crença de quem pratica ocultismo, mas é importante que haja oportunidade de se apresentar outros pontos de vista em relação a esse assunto e não apenas o tradicional enfoque do cinema norte-americano.

Revista apresenta denúncia sobre falsos artigos de benefícios de medicamentos

domingo, 18 de setembro de 2011 0 comentários

Coluna de Bernardo Esteves, Revista Piauí.

Um espectro assombra a literatura médica. Continuam vindo à tona episódios em que a indústria farmacêutica patrocina artigos que promovem seus produtos, assinados por pesquisadores aparentemente independentes. Para discutir a questão, a revista PLoS Medicine publicou em agosto uma série de artigos sobre o tema, incluindo um relato em primeira pessoa de uma ghostwriter arrependida que por 11 anos trabalhou para a indústria farmacêutica. A revista criou ainda um portal que reúne todo o material já publicado sobre o assunto em suas páginas.
Não vem de hoje o envolvimento dessa revista com o combate à autoria fantasma, como se convencionou chamar o fenômeno (do inglês ghostwriting). Em 2009, a publicação ajudou a trazer à tona cerca de 1.500 documentos que comprometiam a gigante da indústria farmacêutica Wyeth. Os documentos mostravam que a companhia promovera a publicação de artigos que destacavam as qualidades de seus medicamentos para a reposição hormonal para mulheres, fazendo vista grossa para seus efeitos colaterais – que incluíam o risco de doenças cardiovasculares e câncer de mama. Os documentos, trazidos a público em parceria com o New York Times, revelam que a empresa pagou autores fantasmas envolvidos na publicação de 26 artigos publicados entre 1998 e 2005.

Naquela ocasião, a PLoS Medicine qualificou num editorial o episódio como “uma das mais convincentes exposições já vistas de manipulação e abuso sistemáticos da publicação acadêmica pela indústria farmacêutica e por seus parceiros comerciais”.

Dois anos depois, a revista revisitou o caso em três artigos e um editorial. Um texto assinado por Simon Stern e Trudo Lemmens defende que os autores que emprestam seu nome e credibilidade a artigos escritos na verdade por representantes da indústria farmacêutica sejam legalmente punidos, com sanções que não se restrinjam ao universo acadêmico. Um outro artigo, escrito por Alastair Matheson, destrincha as diretrizes do Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos para a definição do que constitui a autoria de um trabalho científico e mostra como elas legitimam a prática da autoria fantasma em proveito dos interesses comerciais das grandes companhias.

A peça mais interessante do pacote, no entanto, é um relato pessoal de uma bióloga que, por 11 anos, trabalhou como ghostwriter da indústria farmacêutica. Em texto escrito na primeira pessoa, Linda Logdberg, vinculada ao Centro de Ciências Fernbank, em Atlanta (EUA), conta que escreveu, para uma companhia cujo nome ela mantém em sigilo, artigos acadêmicos, mas também uma série de outros documentos – apresentações de slides, monografias, planos de publicação etc.

No início, Logdberg não fazia questionamentos éticos sobre seu trabalho – “por muitos anos considerei meu papel similar àquele de um técnico bem pago”, escreveu. Ao discutir suas motivações, a bióloga contou que começou a fazer esse trabalho por ter perdido o gosto pela carreira acadêmica. A flexibilidade de trabalhar em casa e a possibilidade de interagir com pesquisadores de alto nível também foram fatores importantes, mas talvez não o mais fundamental deles. “O pagamento era bom”, escreveu a bióloga. “Realmente bom, especialmente se comparado com o salário típico de uma professora assistente.”

Com o tempo, o trabalho começou a perder o charme e a bióloga passou a se ver às voltas com conflitos éticos consigo mesma – como no caso de um anticoncepcional que causava sangramento vaginal grave e imprevisível em algumas mulheres. “Meu trabalho era redigir o rascunho de uma monografia que delinearia os benefícios do produto, um dos quais, segundo o cliente, seria o fato de a mulher poder ao menos antecipar o sangramento, embora ele pudesse ser grave.”

A gota d’água veio na revisão de um artigo sobre uma droga contra o déficit de atenção com hiperatividade – um distúrbio que acomete dois dos filhos da bióloga. Na impossibilidade de discutir um ponto questionável do artigo que estava revisando, ela decidiu abandonar a carreira de ghostwriter e decidiu entrar em contato com o New York Times para denunciar o caso. Ela conta ter sido ameaçada de retaliação legal por violação de uma cláusula de confidencialidade.

A iniciativa de Logdberg é louvável, mas localizada. Em editorial sobre o tema publicado em agosto, a PLoS Medicine admite que há novas perspectivas sobre o problema, mas poucas soluções em vista. Um primeiro passo, como sugere o texto, talvez seja encarar o problema de frente: “Todos envolvidos na indústria da publicação médica, incluindo periódicos, instituições e as agências reguladoras de pesquisa precisam tomar ações específicas para erradicar as práticas corruptas de autoria aparentemente endêmicas que ainda existem na literatura médica – eles podem começar admitindo a extensão do problema.”

Original em http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-da-ciencia/geral/fantasma-arrependido

Nota: Não é de hoje que as indústrias farmacêuticas estão envoltas em suspeitas de colocar a questão comercial totalmente acima da médica no que diz respeito à divulgação dos benefícios e e efeitos colaterais dos medicamentos. É evidente que a tecnologia médica está avançando e que isso tem contribuído para prolongar a vida e ajudar no combate a males que antes não ocorria. Mas essa reportagem serve como um importante alerta quanto à necessidade de encarar o uso de medicamentos como uma necessidade em casos clinicamente definidos. E não fazer dos remédios "amigos" constantes para toda e qualquer hora, principalmente sem prescrição de um profissional médico e como hábito de vida.
Bons hábitos mesmo devem vir da prática de exercícios, alimentação saudável, repouso, exercícios físicos, entre outras rotinas que ajudam a prevenir certos males e conferem disposição a mais para o cotidiano de trabalho e afazeres em geral. Não estou advogando aqui a eliminação de medicamentos até porque isso não é razoável, mas o olho precisa estar bem aberto para essa indústria que, cada vez, mostra-se mais indigna de confiança.

Combate legítimo à corrupção também é cidadania

quinta-feira, 8 de setembro de 2011 2 comentários

Meu comentário hoje no programa Conexão NT da Rádio Novo Tempo - www.novotempo.com/radio. Quadro Conexão Cidadania.

Ontem, em pleno feriado de 7 de setembro, aniversário de 189 anos da dita independência política do Brasil em relação ao antigo Império português, hoje em franca decadência, uma macha contra a corrupção chamou a atenção de muita gente. Segundo noticiou a imprensa brasileira em geral, a Marcha contra a Corrupção reuniu milhares de pessoas em Brasília, segundo a Polícia Militar.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal calcula em cerca de 60 mil o público na Esplanada dos Ministérios durante a manhã da quarta-feira. Destes, entre 45 mil e 50 mil assistiram ao desfile militar. O público da marcha foi estimado pela secretaria em 12 mil --sendo que parte dele assistiu ao desfile e se integrou ao protesto depois.

Independente do número, ao que parece a marcha foi organizada principalmente através das redes sociais na web e procurou banir interesses de partidos políticos. Se essa marcha efetivamente foi uma manifestação popular, originária de gente que está incomodada com a sequência infindável de escândalos públicos de maracutaias, tudo bem. Aí se enquadra em um ato de legítima e necessária cidadania. Afinal de contas, exigir decência no serviço público em todas as suas instâncias, diga-se de passagem, é um direito do cidadão.

Se houver dedos de partidos políticos, então esse tipo de manifestação perde sua credibilidade.

E vou além. Nós, cidadãos, precisamos entender que combate à corrupção acontece desde os pequenos atos corriqueiros até as grandes decisões que envolvem bilhões de dólares nas esferas governamentais. Devemos cobrar idoneidade dos vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores, ministros, presidente da República, mas precisamos agir de igual maneira em nossas transações, em nossos dever diário. Caso contrário, é pensar que corrupção é algo externo a nós, quando na verdade estamos totalmente envolvidos nisso também.

11 de Setembro dez anos depois: mais vulneráveis e dependentes

quarta-feira, 7 de setembro de 2011 0 comentários

Felipe Lemos é jornalista e mantenedor desse blog - @felipelemos29 

Eu me lembro do lugar onde estava naquele estranho dia 11 de setembro de 2001. Trabalhava em um jornal, quando, a exemplo de milhões de pessoas, praticamente assisti atônito, inerte e sem qualquer reação imediata às imagens transmitidas em tempo real pela CNN da destruição das torres gêmeas do imponente World Trade Center, em Nova York, capital do mundo ocidental. Depois que me dei conta de parte da gravidade do assunto, do viés terrorista, pus-me a realizar o típico trabalho jornalístico de contactar fontes, ler material a respeito do tema e continuar acompanhando os primeiros comentários.

Durante os dez anos que se seguiram e até hoje, milhares de análises e inferências estão registradas por especialistas, analistas, sobreviventes, jornalistas e toda a sorte de gente que se dispôs a pensar no que aquele fato representou para a humanidade. Houve tanta repercussão sobre o episódio que o assunto permaneceu nas discussões em âmbito mundial e no décimo fatídico aniversário está mais vivo do que nunca.

O jornalista Geneton Moraes Neto, repórter especial da TV Globo, por exemplo, entrevistou um soldado norte-americano chamado Bradley Manning que se disse sensibilizado ao ver crianças prestes a serem bombardeadas em uma das tantas batalhas dentro da famigerada ofensiva bélica contra o Iraque, protagonizada pelos Estados Unidos, depois dos ataques de 11 de setembro. É um lado da moeda que pouco se vê. Mas encontraram, também, gente que chegou atrasada ao trabalho naquele dia e escapou da morte, outros que ajudaram a resgatar vítimas e um grupo que, em meio aos escombros e ao pânico generalizado, gravou imagens e sons. Teorias conspiratórias, de que os Estados Unidos mesmo é quem de alguma forma produziu aquele espetáculo de horror, também surgiram.

Apenas uma tragédia? – Gostei do que escreveu recentemente o colunista do The Wall Street Journal, Bret Stephens. Referindo-se à incapacidade de uma análise mais profunda do ocorrido e da tendência de se dissociar o ato pontual naquele dia de algumas das mais importantes repercussões que teve, ele diz que “um ato do mal foi reduzido em nossa linguagem rebaixada a uma tragédia”. Concordo com ele. Não foi apenas uma tragédia, foi um marco que deixou profundas e necessárias reflexões em relação à geopolítica, à economia, ao comportamento humano diante de catástrofes, à noção de segurança mundial, entre outras áreas de conhecimento.

Uma palavra inevitavelmente adquiriu, a partir daquela data, conotação especial: terror. Rubens Antônio Barbosa, que à época era embaixador do Brasil nos Estados Unidos, em um longo artigo diz que “os atentados de 11 de setembro trouxeram o item terrorismo para o centro da agenda internacional, onde ela deverá permanecer no futuro previsível”. A era do terror foi oficialmente instalada pelos Estados Unidos com inimagináveis efeitos para a sociedade mundial. Não estou falando apenas de maior controle e rigor nos aeroportos internacionais e nem nas mudanças nos alertas de segurança que normalmente fazem parte da relação entre os países, mas da sensação psicológica provocada.

A percepção de uma iminente e constante ameaça terrorista, combinada às guerras promovidas pelos EUA e aliados ao Iraque e Afeganistão, deixou muitas pessoas com a impressão de que estamos todos vulneráveis e inseguros. Ou seja, não há mais segurança no mundo depois de 11 de setembro de 2001. O governo norte-americano demonstrou que a solução era prender e/ou matar terroristas nem que para isso fosse necessário destruir tudo o que estivesse à frente. Mas desde então, apesar de todo esse esforço político, o mundo não está mais seguro e a paz não está mais próxima do que estava nas eras de conflitos anteriores.

Dependência – A vulnerabilidade quase sempre pressupõe dependência. Se o planeta pós-11 de setembro está mais desprotegido do que antes, torna-se dependente de algum ato que possa tirá-lo dessa condição. Os organismos internacionais políticos e religiosos se apresentam com suas soluções caseiras; seus atos, suas reuniões, suas propostas de paz, seus acordos, seus movimentos ecumênicos, seus discursos conciliatórios. A turbulência mundial continua soando nos ouvidos de muitos. O ambiente dez anos depois de 11 de setembro não é dos melhores. Crises econômicas, falência moral de governos e de instituições públicas e o conceito do terror pairando sobre a mente da população exigem uma ação efetiva, pois estamos dependentes de uma saída.

Não é fatalismo, mas realismo. Isso me faz pensar em um discurso muito estranho de Jesus Cristo a Seus discípulos pouco tempo antes de Sua morte. Cristo predisse muitas dificuldades para aqueles que O seguiam, tanto em relação à destruição do templo em Jerusalém (70 d.C.) quanto aos tempos finais em um futuro distante para eles. Mas no evangelho de Lucas, capítulo 21 e versículo 28, Ele dá um alento curioso: “quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima”.

Desde o 11 de setembro, olha-se muito para os lados, para as providências humanas que praticamente resultado algum têm trazido aos dilemas que se vive. O convite de Jesus Cristo parece mais sábio. Olhar para cima, encontrar em Deus respostas que se buscam diante desse senso (fabricado ou não, mas que existe hoje) de insegurança pessoal, de medo do desconhecido, de um terror que não se sabe direito o que é e nem quem é. Talvez essa seja a dependência de que precisamos.

 
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