Leitura diária da Bíblia é destaque nas redes sociais

domingo, 22 de julho de 2012 0 comentários


Digno de nota é o alcance que o projeto Reavivados por Sua Palavra tem alcançado no Brasil nos últimos meses. Em abril desse ano, a Igreja Adventista do Sétimo Dia em âmbito mundial lançou a ideia de seus membros e outros simpatizantes a lerem, todos os dias, um capítulo da Bíblia começando por Gênesis capítulo 1. E a ideia está avançando bem. É comum, no início da manhã especialmente entre 6 e 8 da matina, no Twitter, a hastag #rpsp estar entre as principais no Trend Topics Brasil, medidor oficial dos assuntos mais relevantes no microblog.
E o mais interessante é que as manifestações com comentários e reflexões sobre o texto bíblico de cada dia são espontâneas, ou seja, não é necessariamente um projeto combinado previamente. Nas meditações matinais, pastores e leigos escrevem diversas mensagens curtas com até 140 caracteres e ajudam a propagar a Bíblia.
Muito interessante. Veja vídeo e confira mais em http://reavivamentoereforma.com/rpsp/


Cientologia e a religião bíblica se chocam

domingo, 15 de julho de 2012 0 comentários

Veja online, 14.07.2012 (resumo)


Nos sete anos de relacionamento com Tom Cruise, a atriz Katie Holmes conviveu de perto com o ídolo de infância, dono do rosto que estampava os pôsteres espalhados pelas paredes de seu quarto, em Ohio. Mas não apenas com ele: durante o casamento, selado com pompa em um castelo da Itália, Katie passou a ter contato estreito com a cientologia, religião seguida por Cruise desde 1990. A seita, que reúne famosos como John Travolta e Will Smith, é apontada como o pivô da separação do casal. Katie pediu o divórcio para afastar a filha Suri, 6, do pai e dos dogmas que ele apregoa. A estratégia deu certo e, realizada de forma amigável, a separação vem fazendo bem para a imagem da atriz. A maneira rápida e tranquila com que Katie se desligou da cientologia, porém, parece ser uma exceção. Ex-seguidores ouvidos pelo site de VEJA dizem ter sido perseguidos e ameaçados ao deixar a Igreja.

“Nos últimos dois anos, fui proibida de me comunicar com meu filho. A cientologia acabou com a minha família”, conta a ativista americana pelos direitos dos animais Karen de la Carriere, frequentadora da Igreja de 1970 a 2010. Há duas semanas, ela soube que o filho Alexander, de 27 anos, havia morrido. A notícia foi dada cinco dias depois da morte por uma antiga amiga da Igreja, em uma mensagem publicada no site de relacionamentos Facebook. Mãe e filho já não tinham contato. Alexander nasceu na cientologia e seguiu à risca a recomendação de se desconectar de Karen após sua partida. Como ela, outros ex-membros afirmam ter perdido relações ao sair.

Karen diz que foi ao necrotério, mas foi impedida por membros da igreja de ver o corpo do filho. Desesperada por informações sobre a morte de Alexander, ela descobriu, com colegas de trabalho do filho, que ele sofreu um acidente de carro e não procurou ajuda médica.

Procurada, a igreja brasileira da cientologia nega que ameaças e perseguições façam parte da rotina da seita. O fim trágico de Alexander estaria ligado a outro dogma da cientologia, também negado pela igreja brasileira. Por esse princípio, presente nos livros oficiais da religião, os seguidores deveriam recorrer apenas a exercícios e vitaminas no combate a doenças. “A cientologia é a única cura para queimaduras provocadas por bombas atômicas”, escreveu L. Ron Hubbard, o escritor de ficção científica que criou a cientologia em 1952, no livro All about Radiation (Tudo sobre Radiação, em tradução literal). Ao todo, Hubbard escreveu 14 volumes sobre o conjunto de princípios que batizou de Dianética. Além de cartilhas, que, juntamente com os livros, são a única fonte de conhecimento religioso permitida aos fieis – há quem diga que a cientologia é, na verdade, uma grande e bem sucedida empreitada editorial.

A posição da cientologia frente à medicina foi o que levou a aposentada Tory Christman, de 65 anos, a abandonar a igreja após 31 anos. Epiléptica, ela foi atraída para a seita por suas promessas de cura, aos 22 anos. “Garantiram que eu me curaria com as vitaminas e os exercícios propostos por Hubbard”, lembra Tory, que mora em Los Angeles e atualmente é uma das mais ferrenhas críticas da igreja seguida por Tom Cruise, publicando vídeos e mensagens na internet.

Entenda a cientologia 


A cientologia se define como uma religião que prega o uso do poder da mente para driblar sofrimentos da vida moderna, como o estresse, a ansiedade, a agressividade e o pessimismo. A prática é baseada na teoria Dianética, criada pelo pelo fundador da cientologia, o escritor de ficção científica L. Ron Hubbard, em 1954. A seita acredita que o homem é um ser imortal que passa por diversas experiências até atingir a iluminação. Críticos da cientologia a definem como uma organização que vende serviços de autoajuda e livros sob a fachada de religião. 

Tory seguiu à risca o tratamento indicado pela seita, até o dia em que a mãe disse que ela estava agindo de maneira estranha. “Eu perdi a memória recente. Só percebi quando minha mãe me perguntou de um encontro que eu havia tido na noite anterior e respondi: ‘Que encontro?’” Obrigada pela mãe, ela retomou o tratamento médico, mas continuou na igreja. Ao longo de 30 anos, diz ter visto sete pessoas morrerem por suicídio ou falta de tratamento médico. “Muitos morreram tomando vitamina C contra um câncer.” 

Tory decidiu sair em 2000. A partir daí, ela nunca mais viu o marido, que continua na Igreja, e diz viver aterrorizada por perseguições e ameaças. “Eu fui caçada ao redor do país. Toda vez que descobriam onde eu estava, recebia uma visita desagradável de um membro da cientologia que me pedia para voltar.”

Disciplina militar

Com declarados 15 milhões de seguidores no mundo – o número oficial é rebatido pela imprensa americana, que calcula não passar de 100 000 –, a cientologia é amparada por uma estrutura de estilo militar. Seu comando se localiza na Sea Organization, ordem que administra a seita, centraliza as decisões, promove eventos como o cruzeiro de doutrinação de que Suri Cruise iria participar e controla a vida dos fieis através de um serviço de inteligência próprio – a rotina da casa de Tom Cruise seria tema de relatórios diários. Para realizar todas essas atividades, a Sea Organization emprega fiéis que se destacam nos estudos da Dianética. O regime de trabalho nas igrejas e centros de convivência é descrito como exaustivo por ex-voluntários, que contam terem sido obrigados a trabalhar por horas e horas seguidas, sem folga, por um salário de 50 dólares semanais.

Outro ex-membro, Chuck Beatty, de 65 anos, conta que, ao longo de 20 anos na Sea Organization, chegou a trabalhar na empresa Author Services Inc. como assistente direto de L. Ron Hubbard, o fundador da cientologia. “Foi quando eu percebi a insanidade e a violência dos líderes e comecei a desconfiar de que a religião era uma farsa.” Sua primeira tentativa de deixar a seita foi em 1997. Na época, porém, Beatty hesitou e acabou passando mais sete anos no Projeto de Reabilitação Forçada, programa destinado a recuperar dissidentes, quando finalmente saiu, em 2004. A partir disso, ele diz ter sido seguido por detetives particulares. “Recebia ligações quase diárias de homens que diziam estar me investigando.”

Seu trabalho, hoje em dia, é apoiar pessoas que querem deixar a cientologia. Beatty até criou uma linha direta gratuita, 1800-X-Sea-Org, para receber ligações de membros em busca de conselhos. “Fazer parte da Sea Organization é um compromisso para o resto da vida, por isso, sair é algo praticamente impensável para quem está lá dentro.”

Paranoia e descontrole 

Para muitos ex-seguidores, as esquisitas regras da cientologia, assim com a atmosfera sombria da seita, são reflexo da personalidade de Hubbard, homem que é descrito como paranoico e descontrolado. “Qualquer pergunta feita sobre a cientologia é vista por seus membros como um ataque, em vez de um simples questionamento”, diz William Burke.

Procurada para comentar os relatos colhidos com ex-membros americanos, a líder da cientologia no Brasil, Lúcia Winther, 49, se recusou a fornecer argumentos para os questionamentos da reportagem e ameaçou processar o site de VEJA. "O fato é que com o conhecimento de cientologia as pessoas ficam mais inteligentes, capazes e livres, não podendo assim ser tão manipuladas pela imprensa e sociedade”, escreveu.

Tamanha devoção à cientologia teve início há 22 anos, quando Lúcia morava nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela e o marido, o venezuelano Randolph Sambo, 51, se esforçam desde 1991 para firmar a cientologia no país. Atualmente, há dois escritórios da igreja no país, ambos em São Paulo. De acordo com Lúcia, a organização recebe cerca de 100 interessados na seita por semana, o que, nos seus 21 anos de presença no país, daria um total de 104.000 curiosos ou convertidos nos princípios de Hubbard. Tal curiosidade não encontra par nas redes sociais, no entanto: a página brasileira da Igreja no Facebook contabiliza 300 seguidores e apenas 63 pessoas fazem parte da página sobre Dianética no site.

No Brasil, a seita está registrada sob o nome empresarial Primeira Igreja de Cientologia do Brasil Associação Religiosa, o que lhe dá o privilégio de isenção fiscal previsto pelo Código Civil para organizações religiosas. Segundo a advogada Damaris Dias Moura Kuo, presidente da comissão de direito e liberdade religiosa da OAB-SP, não há queixa contra a igreja no país. “Há dez anos, eu milito na causa da liberdade religiosa e não tinha conhecimento da presença da cientologia no Brasil”, diz.

No Brasil, paz 

Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde a maior parte dos fieis trabalha e mora nas dependências da Igreja, no Brasil a maioria segue a cientologia de forma independente, lendo os livros de Hubbard como volumes de autoajuda. “Depois de aprender a tecnologia (termo usado para designar as regras de conduta dentro da cientologia), comecei a me encontrar mais, descobrir quem eu sou”, diz a personal trainer Andrea Silveira, de 38 anos.

Ela diz ter lido mais de 20 títulos de Hubbard desde que entrou em contato com a Igreja em 2006, através de uma amiga. Sua filha de 9 anos também é adepta da cientologia, já fez seu primeiro curso sobre como ler dicionários e viajou a bordo do Freewings, cruzeiro organizado pela seita anualmente para reunir membros iniciantes. “É como um retiro espiritual.”

A primeira impressão de quem visita a sede da cientologia no Brasil é a de estar diante de uma pequena e simples loja de livros. Ao atravessar o portão do pequeno sobrado, é possível ver uma prateleira com livros e DVDs de L. Ron Hubbard à venda com preço médio de 50 reais cada. A atenção extrema que as atendentes uniformizadas devotam à venda de livros e serviços, como as sessões de audição, aproxima a cientologia - ao menos num primeiro contato - mais de um negócio pautado pela autoajuda do que de uma religião. A aquisição de sabedoria pode ser parcelada em suaves prestações. 


Notícia original publicada em http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/ex-seguidores-se-dizem-ameacados-pela-cientologia


Nota: Evidentemente não sou um estudioso da cientologia, portanto minha análise é fundamentada em torno do que tenho lido e visto em reportagens há alguns anos a respeito dessa igreja ou seita como estão chamando. Minha preocupação, sempre que me deparo com a publicidade excessiva de um determinado movimento religioso ou espiritual, é entender qual a sua relação com a Bíblia Sagrada (para mim, livro que baseia minha orientação religiosa).
Pelo que li acerca da cientologia, a mesma possui crenças sobre imortalidade da alma, poder da mente para cura de boa parte dos males humanos, mantém segredos e tem sua base doutrinária praticamente centralizada nos escritos de uma pessoa.
Somente por esses aspectos, fica claro que há pontos de divergência diretos com a Bíblia Sagrada. A Palavra de Deus ensina que as pessoas não são imortais, e sim, mortais, e que essa imortalidade (ou seja, a possibilidade de viver eternamente) está condicionada ao regresso de Jesus Cristo a esse mundo quando então Ele concederá esse privilégio. Quanto ao poder de cura da mente, é lógico que Deus nos deu uma mente prodigiosa, mas quem precisa controlar a mente humana é Deus. Isto é, a Bíblia declara, em textos como Romanos 12:1,2 e outros, que devemos submeter nossos pensamentos e prestar um culto com enfoque em Deus e não em nossas ideias e conceitos próprios. 
Os segredos em torno dos verdadeiros propósitos de um movimento religioso causam presumível desconfiança. A religião cristã bíblica, tal como ensinada por Jesus e os primeiros discípulos, nunca escondeu nada das pessoas. Paulo e outros pregadores falaram abertamente em sinagogas, praças e locais públicos acerca de sua fé, tanto que foram perseguidos, presos e mortos por conta disso. 
E quanto ao fato de termos grande parte da fundamentação da cientologia em livros escritos pelo fundador, aí está uma notável incompatibilidade com a Bíblia. É certo que alguns poderão comparar livros humanos com a Bíblia, mas eu creio que a Bíblia é a Palavra de Deus e não apenas um compêndio de escritos proféticos, históricos, poéticos, cartas e biografias. É uma revelação divina que foi mantida ao longo de dezenas de anos de uma maneira impressionante. 
Respeito os que seguem a cientologia, bem como qualquer outra crença, mas alerto quanto aos pontos que não se harmonizam com a Bíblia Sagrada. 

Panis et circensis, o retorno à barbárie

domingo, 8 de julho de 2012 2 comentários

Por Fabiana Bertotti, jornalista. 



Eu devia ter uns 10 anos quando ouvi pela primeira vez a expressão “panis et circenses”. Era uma aula de história em que fiquei sabendo dos horrores da carnificina promovida por imperadores romanos para distrair o povo, o famoso pão e circo. Na minha cabecinha ficou a associação entre violência gratuita e pessoas degeneradas moralmente, coisa de muito antigamente.
Sou pacifista por opção religiosa e índole. Lamento até em matar um pernilongo e fico pensando em como sofrerá a esposa e os filhinhos do bichinho que não voltará para casa. Até por isto rodeios, touradas e a infame farra do boi que acontece no litoral catarinense me exasperam. Tive que fazer reportagens lá, quando trabalhava numa TV local, e não conseguia ver lucidez na face daqueles homens (bêbados ou não) maltratando os animais só para rir.
Mas daí que esta insanidade me aparece novamente como moda do momento e com uma aura “cult”. São todos falando do tal UFC e da MMA que pelo que entendi é uma espécie de quase vale-tudo onde a graça é deixar o oponente no chão, de preferência inconsciente. Atores, artistas, intelectuais e – pasme! – cristãos comentando, torcendo, perdendo o sono para ver as tais lutas, como se fosse de fato um esporte. Tá que não sou das mais esportistas e admito que a preparação com corridas, musculação e ginástica seja de fato esporte, mas entrar no ringue como galos numa rinha e esmurrar o “parceiro”, fala sério!
Você pode ter uma opinião diferente, sinta-se livre, mas não consigo imaginar uma pessoa que torce, grita esbaforida vibrando com cada golpe violento achar coerente falar contra a violência. Você deixa seu filho assistir isto e quer ensinar pra ele que é errado brigar na escola? Você acompanha seu marido nestes serões de murros e golpes e depois advoga contra a violência doméstica? Como assim? Não vou culpar as tais lutas pela onda de violência nas casas, nas ruas, no mundo todo. Não sou burra, como eventualmente pareço. Contudo com apenas dois neurônios é possível perceber como afeta, sobretudo os que já têm tendência, os mais influenciáveis.
Transformar isto em show e nos vender com pacote bonito de esporte é zombar e subestimar a influência da violência, é voltar à antiguidade, aos gladiadores sanguinários e a insanidade coletiva ávida por sangue. É, de fato, comprovar a falta de civilidade.

Originalmente publicado em http://fabianabertotti.com/2012/pao-e-circo-o-retorno-a-barbarie/ 

Nota: Concordo integralmente com essa articulista e reitero que essa contradição é muito clara  e faz parte de paradoxo inaceitável. Há um considerável grupo que se beneficia economicamente   de eventos, programas e atividades de estímulo à violência e, em última instância, quem assiste a esse tipo de "entretenimento" está contribuindo, ainda que indiretamente, para fomentar esse mercado incompatível com ensinamentos cristãos calcados na Bíblia. Quando se lê textos como de Atos 17:1-3 onde o apóstolo Paulo e outros pagaram com torturas e prisões por terem ousado pregar sobre um Cristo redentor que morreu e reviveu pela humanidade, então se vê que o preço a pagar por apresentar uma verdade impopular é alto.
É isso mesmo. Pregar contra barbáries televisivas e outros tipos de violência gratuitos apresentados pela mídia e repercutidos por cristãos é algo que "não dá voto", nem fama, nem dinheiro, nem reconhecimento acadêmico e artigos como esse são cada vez mais raros. Felizmente há os que se posicionam e relação a esse assunto e confirmam o texto bíblico.

Censo do IBGE mostra diversidade religiosa. E o que significa isso?

sexta-feira, 29 de junho de 2012 0 comentários

Hoje, sexta, no site do IBGE.



Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram o crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil. A proporção de católicos seguiu a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora tenha permanecido majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados. A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas, dos que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior ao da década anterior, e do conjunto pertencente às outras religiosidades.Os dados de cor, sexo, faixa etária e grau de instruçãorevelam que os católicos romanos e o grupo dos sem religião são os que apresentaram percentagens mais elevadas de pessoas do sexo masculino. Os espíritas apresentaram os mais elevados indicadores de educação e de rendimentos.
As mudanças, no entanto, não se restringem à composição religiosa da população brasileira. O Censo 2010 também registrou modificações nas características gerais da população, como, por exemplo, a aceleração do processo de envelhecimento populacional, a redução na taxa de fecundidade e a reestruturação da pirâmide etária. A investigação sobre cor ou raça revelou que mais da metade da população declarou-se parda ou preta, sendo que em 21 estados este percentual ficou acima da média nacional (50,7%). As maiores proporções estavam no Pará (76,8%), Bahia (76,3%) e Maranhão (76,2%). Apenas em Santa Catarina (84,0%), Rio Grande do Sul (83,2%), Paraná (70,3%) e São Paulo (63,9%) mais da metade da população havia se declarado branca em 2010.
Além disso, quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva), a maioria, mulheres. Entre os idosos, aproximadamente 68% declararam possuir alguma das deficiências. Pretos e amarelos foram os grupos em que se verificaram maiores proporções de deficientes (27,1% para ambos). Em todos os grupos de cor ou raça, havia mais mulheres com deficiência, especialmente entre os pretos (23,5% dos homens e 30,9% das mulheres, uma diferença de 7,4 pontos percentuais). Em 2010, o Censo registrou, ainda, que as desigualdades permanecem em relação aos deficientes, que têm taxas de escolarização menores que a população sem nenhuma das deficiências investigadas. O mesmo ocorreu em relação à ocupação e ao rendimento. Todos esses números referem-se à soma dos três graus de severidade das deficiências investigados (alguma dificuldade, grande dificuldade, não consegue de modo algum).


Nota: Em uma lida mais cuidadosa dos dados, fica claro que a hegemonia religiosa tradicional católica cada vez é menor no Brasil. Ao mesmo tempo, abre espaço para uma maior pulverização religiosa com crescimento evangélico especialmente o pentecostal. É um ponto positivo, como mencionou o professor de comunicação Nilson Lage em seu twitter hoje, para os que defendem o estado laico. Isso significa dizer que estatisticamente cada vez se justifica menos o controle das decisões que envolvem a questão da religiosidade por parte de uma determinada religião em detrimento de outras. Os números demonstram que o equilíbrio entre católicos, evangélicos e praticantes de outras religiões é mais evidente. 
Não tenho dados aqui para dizer agora, mas minha leitura dessa divulgação do censo do IBGE é a de que o número dos que se pronunciam ou se apresentam sem religião é bem mais expressiva do que se pensa. Somavam, em 2010, em torno de 15 milhões, evidentemente um número bem menor do que todos os evangélicos e católicos juntos. Mas é um dado que deveria fazer pensar até mesmo como os religiosos lidam com os não religiosos ou que se dizem sem religião e vice-versa. Criticar religiões, adotar uma postura preconceituosa e desrespeitosa é uma prática destituída de qualquer sentido prático, já que as estatísticas apontam para um país de muitas crenças distintas e com grupos bem identificados. Vale a máxima bíblica, nas palavras de Jesus Cristo, de "nos amarmos uns aos outros" e "não julgarmos para não sermos julgados". 

Lançada revista brasileira sobre uso da maconha

domingo, 17 de junho de 2012 0 comentários


Folha de São Paulo, 17.06.2012.


Recém-lançada, 'semSemente', primeira publicação do gênero no país, defende a regulamentação da erva


Cultivo caseiro inibiria o tráfico, afirmam criadores da revista; conduta é crime, sujeito a penas alternativas

A "cultura canábica" -o universo em torno do consumo e do cultivo caseiro da maconha-acaba de ganhar um veículo para se expressar no Brasil. Com 10 mil exemplares, periodicidade bimestral e 64 páginas, chegou às bancas neste mês a "semSemente", primeira revista especializada em maconha no país.

Os editores, Matias Maxx, 31, e Wiliam Lantelme, 36, são os primeiros organizadores da Marcha da Maconha, realizada desde 2007.

A previsão era que o título chegasse às bancas há um mês, na marcha do Rio, mas a gráfica que iria imprimir os exemplares desistiu, temendo problemas com a Justiça.

Além do debate político, a revista traz reportagens sobre o cultivo caseiro da droga, HQs, receitas com a erva e eventos como a Copa Canábica, em que cultivadores apresentaram suas extrações, em local secreto em SP, em maio.

"O projeto é antigo. A certeza de que a publicação vingaria sempre conflitou com a paranoia da repressão imediata", diz Maxx. A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2011, excluindo a interpretação que via apologia em atos como a Marcha da Maconha, abriu o caminho.

A mais tradicional publicação do gênero é a "High Times", dos EUA, criada em 1974. Há também revistas na Argentina e no Chile.

As duas grandes bandeiras da "semSemente" são a regulamentação da maconha e o incentivo ao cultivo caseiro, de preferência com hidroponia (com água e sem terra).

Pela argumentação, o cultivo caseiro inibiria o tráfico e ainda proporcionaria uma melhor qualidade da erva.

"O fumo que se compra nas ruas hoje (...) é mal cultivado e cheio de impurezas. Tem amônia e outras substâncias", diz Lantelme, que fuma 30 gramas por semana (ou cerca de 50 cigarros).

DEBATE

Hoje, o porte e plantio para uso pessoal é passível de penas alternativas. Prisão, não mais. Porém a conduta ainda é considerada crime.

A comissão de juristas do Senado que debate a reforma do direito penal apresentou em maio uma proposta de descriminalizar o usuário.

A autora da proposta, a defensora pública Juliana Belloque, afirma que se baseou em uma tendência mundial e na necessidade de reduzir o número de prisões de usuários por tráfico. "Mas descriminalizar o uso não significa regulamentar. Estamos propondo um passo mais tímido."

Para o jurista Ives Gandra Martins, permitir a descriminalização ou iniciativas como a revista e a Marcha da Maconha é um equívoco. "Não é incentivando o uso indiscriminado que vamos combater o tráfico. E quanto ao argumento da liberdade de expressão, penso diferente. A democracia consiste em gerar responsabilidade social antes de mais nada."

Em 2008, pesquisa do Datafolha mostrou que 76% são contra legalizar a maconha.

Nota: Para mim, a última frase da reportagem é bastante significativa. Apesar de toda mobilização de líderes e influentes pensadores e defensores da legalização da maconha, boa parte das pessoas ainda é contrária. E cientificamente há muitas pesquisas que comprovam os danos que o uso dessa droga causa. Concordo totalmente com Ives Granda, pois essa questão de livre expressão para defesa de uma droga perniciosa e prejudicial à saúde mental e física é desculpa para o uso indiscriminado. Não creio que a legalização da maconha vá diminuir ou utopicamente eliminar o tráfico de drogas no Brasil ou em qualquer parte do mundo. O que poderia sensivelmente produzir alguma mudança é educação e religiosidade consistentes. Mas, no caso do Brasil, educação infelizmente é motivo de muito discurso e tímidas ações governamentais e poucos brasileiros se sentem motivados a realmente estudar e se desenvolverem culturalmente. No caso da religiosidade, a necessidade é de apego ao que a Bíblia efetivamente ensina e não redes de mercantilização de produtos associados à fé. Mais um desserviço ao país para lucro de certamente algum grupo que está por trás desses movimentos e vai ganhar muito com essa revista e com toda essa conceituação pró-maconha.


Homem condenado por dizer que Deus não existe

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O Globo Online, 17.06.2012.


Por escrever as palavras “Deus não existe” em uma página da rede social Facebook, Alexander Aan, de 30 anos, foi processado e condenado a dois anos e meio de prisão na Indonésia. Segundo a decisão divulgada pela Justiça do país nesta quinta-feira, o funcionário público da província de Sumatran Oeste foi considerado culpado pelos crimes de blasfêmia e violação das leis da internet. Ele participou de um debate na rede social e teria pedido a usuários muçulmanos provas de que Alá existe.
Além da pena no cárcere, Aan terá que pagar 10.598 rúpias de multa (cerca de US$ 1.126) por “divulgar o ateísmo”, segundo a emissora “Aljazeera”. Os promotores do caso pediram uma pena de três anos e meio de reclusão, mas a corte reduziu a punição em um ano. Os advogados de Aan disseram que vão recorrer. Ativistas de direitos humanos da ONG Human Rights Fights militavam pela absolvição do acusado.
Segundo entrevista de Endy Bayuni, editor-chefe do “Jakarta Post”, à Aljazeera, a Constituição da Indonésia garante liberdade religiosa aos cidadãos, mas também exige que o indivíduo tenha uma religião. A discussão online de Aan teria ofendido a religião dos outros internautas e por isso o crime seria considerado blasfêmia, explicou o jornalista.

Nota: Cada país estabelece suas leis, inclusive em relação a crenças e questões religiosas. Mas o que me preocupa é o contexto que está por trás desse tipo de condenação. É de conhecimento público que a Indonésia é um dos país com maior número de muçulmanos declarados em todo o mundo, superando inclusive países do Oriente Médio. Até aí, tudo bem, é uma realidade histórico-cultural. É direito do país ter ou não ter uma religião oficial. O que causa apreensão é a intolerância que se revela em atos dessa natureza. O mesmo tipo de condenação que esse indivíduo sofreu poderá ser experimentado por aqueles que, publicamente, opuserem-se a qualquer dos ditames religiosos considerados preconizados pelo governo. 
Achei curioso que a reportagem diz que a constituição da Indonésia garante liberdade religiosa aos cidadãos. Não percebi exatamente onde essa liberdade existe. A intolerância é uma das maiores ameaças à livre expressão religiosa no planeta. Tanto da parte de cristãos, quanto muçulmanos, ateus, budistas, hinduístas, entre outros grupos que defendem suas crenças ou o fato de não crerem como a maioria. 
Foi a intolerância religiosa ou a incapacidade de respeitar o direito de o outro pensar diferente que causaram as perseguições aos primeiros cristãos, nos primeiros anos por parte da liderança judaica, depois por parte dos dominantes povos pagãos à época e posteriormente dentro da própria igreja cristã. Penso que, conforme a Bíblia diz, o fato se repetirá em nossos tempos logo mais quando o pensar diferente em termos religiosos será motivo de amplas restrições por parte, inclusive, dos que hoje advogam grande concessão de direitos à expressão. 


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/na-indonesia-homem-condenado-por-dizer-que-deus-nao-existe-5201849#ixzz1y3nPfaAr
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Novas máximas, velhos conceitos

quinta-feira, 7 de junho de 2012 0 comentários

O mundo corporativo e o mundo espiritual, sobretudo bíblico, podem realmente estar em campos distintos e até opostos, mas alguns conceitos se tornam comuns hoje em dia. Desde que comecei a contrastar os ensinamentos expostos em um dos livros mais antigos do mundo – a Bíblia Sagrada – com as teorias, estudos e afirmações de pensadores da estratégia corporativa especialmente no marketing e de comunicação fiquei surpreso. Constato, cada vez mais, que há pontos de convergência claros entre os dois universos.

Kotler, referência há décadas em marketing no planeta, registrou em um dos seus mais recentes livros chamado Marketing 3.0 – as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano, que “a necessidade espiritual é o maior motivador da humanidade, que libera a mais profunda criatividade humana”. Ele e os outros dois autores que assinam a obra inferem que o atendimento ao consumidor hoje passa não apenas pela satisfação das necessidades básicas, de segurança ou sociais apenas, mas a autorrealização que passa necessariamente por questões mais profundas como as espirituais. São deduções de homens de negócio muito semelhantes às palavras de Jesus Cristo séculos antes em discursos proferidos em montes do Oriente Médio. Os evangelistas registraram máximas de Jesus que soam extremamente familiares com a retórica de Kotler a respeito das necessidades humanas como em trechos onde está dito que “busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
Em recente congresso latinoamericano de comunicação corporativa, que pude assistir, vi cerca de dez palestras sobre as mais diferentes abordagens e estratégias para tornar a comunicação mais eficaz. Em síntese, entendi que três palavras são essenciais: planejamento, relacionamento e autenticidade.
O planejamento é considerado elemento indispensável para sucesso em qualquer ação empresarial. Milhares de livros existem a respeito unicamente deste tema. Autores exageram e chegam a deificar o planejamento como soberano de tudo e todos. Mas o ministério de Jesus Cristo nos fala muito de planejamento e preocupação em se alcançar metas bem perceptíveis. Cristo não passou três anos e meio entre a humanidade sem um objetivo traçado. Foi assertivo, pois, conforme assinalou Lucas no capítulo 19 e versículo 10, “o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido”. E dessa maneira Ele trabalhou ao formar líderes com perfil de discípulos, ao atender a multidão em suas necessidades básicas e ensiná-las ao mesmo tempo e a, finalmente, morrer na cruz consumando o plano (planejamento) original alinhado com a vontade de Seu Pai.
Relacionamento é palavra da moda no mundo corporativo, especialmente por causa da febre do uso de redes sociais virtuais. De cada cinco palestrantes do congresso do qual participei, quatro falaram acerca da necessidade de executivos saberem se comunicar com as pessoas através de Twitter, Facebook, Pinterest, Linkedin, etc. Em algumas corporações multinacionais, foram estruturadas equipes com mais de 30 ou 40 pessoas exclusivamente para dialogar com os clientes na web. Há centenas de anos, Jesus Cristo e Seus discípulos (os 12 e posteriormente os demais) destacaram, com notável antecipação, que relacionamento com as pessoas é o que garante adesão e compartilhamento de ideias e conceitos e convence as pessoas de algo. No encontro a mulher siro-fenícia, Jesus proporcionou um momento para que uma piedosa cidadã da região de Decápolis mostrasse sua grande confiança em Deus e servisse pedagogicamente e exemplo aos Seus seguidores mais próximos que ainda vacilavam na fé e pensavam que só havia gente religiosa nos arredores de Jerusalém. Trabalho puro de relacionamento com o público-alvo.
E finalmente ressalto a palavra autenticidade, objeto de muitos comentários dos palestrantes. É até engraçado ver como ser autêntico começa a ganhar importância no mundo corporativo. Esse elemento deveria permear sempre as ações e projetos das empresas, mas somente agora adquire um status de maior respeito e consideração. O motivo é que o consumidor de hoje recebe uma quantidade maior de dados a respeito do que se passa no planeta e com uma rapidez muito maior do que no passado. Não significa que as pessoas estão mais cultas, mas são submetidas a uma maior quantidade do que se chama de informação. Com isso, reagem mais e questionam o que as corporações falam sobre si mesmas. Por isso, o quesito autenticidade merece mais preocupação no segmento empresarial. Ser autêntico, no mundo corporativo, é não mentir ao consumidor para que ele continue adquirindo produtos ou serviços. Mas na dimensão espiritual, autenticidade é sinônimo de lealdade a Deus que é autêntico em essência. É mais do que um comportamento, contudo se traduz em um estilo de vida ou uma maneira de ser.
Jesus declarou que os homens deveriam ser a luz do mundo. Esse conceito é extremamente abrangente e tem íntima relação com a ideia de autenticidade, pois ser luz implica necessariamente não estar na escuridão ou na obscuridade. É conseguir iluminar a partir do ato de refletir a luz maior (Cristo) na vida. Talvez as coporações não se permitam ir tão fundo nesse conteúdo, mas a Bíblia vai. E é por isso que os dois universos ainda são bastante distantes, apesar de o mundo corporativo começar a seguir a mesma lógica milenar dos  ensinos cristãos.

Felipe Lemos é jornalista, pós-graduado em marketing estratégico e atua hoje como assessor de comunicação

 
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