Como a Internet muda relação dos fiéis com igrejas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 0 comentários


Revista IstoÉ, Primeira semana de janeiro de 2013


Em visita à Itália, há dez anos, o padre carmelita brasileiro Reginaldo Manzotti perambulava pela cidade do Vaticano, a sede mundial do catolicismo, quando resolveu entrar em uma igreja para fazer uma oração. Para sua surpresa, o religioso descobriu que era proibido acender velas de cera dentro daquele templo. Os fiéis só podiam se valer das artificiais, que funcionam com lâmpadas, acionadas por moedas. Imediatamente, Manzotti pensou: “Se em Roma é válido eu acender uma vela que não queima ou faz fumaça, por que não criar uma vela pela internet?” Uma década depois, o pároco do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba, no Paraná, é um dos sacerdotes brasileiros mais atentos às possibilidades da evangelização digital. Aos 42 anos, é dono de um blog, possui perfil no Facebook, conta no Twitter e atua em rádio e tevê. Seu site recebe cerca de 1,1 milhão de visitas por mês, de gente que se vale dos rituais online disponíveis em um santuário virtual. Nesse espaço, a procura por serviços religiosos digitais só cresce (leia quadro). No mês passado, por exemplo, 148 mil pessoas acenderam uma vela via computador, 12 mil a mais do que no mês anterior. “É um novo modo de ser religioso”, afirma o padre Evaldo César de Souza, 35 anos, que dirige o portal A12 do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, outro que possibilita que sejam feitas novenas, vias-sacras e pedidos de orações virtuais.

Ainda não foram produzidas estatísticas capazes de medir o universo do fiel-internauta que procura Deus com o auxílio de um intermediário tecnológico. A rápida disseminação dessa prática entre católicos e evangélicos, porém, é visível e tem pautado estudiosos em comunicação religiosa. Somente nos dois últimos meses, quatro obras que investigam o tema passaram a ocupar as prateleiras do País. Autor de “E o Verbo Se Fez Bit”– a Comunicação e a Experiência Religiosas na Internet” (Editora Santuário), Moisés Sbardelotto verificou uma revolução ao pesquisar como se dava a manifestação religiosa em quatro sites católicos brasileiros. De acordo com ele, o fiel se transformou em coprodutor da própria fé, enquanto a Igreja, em vez de exigir obediência estrita, passou a conceder uma autonomia regulada e permitir, de certa forma, que um membro construa sua própria religiosidade.
Foi o que fez a católica Dulce Ponciano, 59 anos, da cidade de Governador Valadares (MG). Vivendo a cerca de três mil quilômetros de distância do santuário do padre Manzotti, ela criou um perfil no Facebook no ano passado, para interagir com esse sacerdote. Mas se viu, também, solta para dialogar sobre a sua religiosidade, inclusive com pessoas de outras denominações religiosas. Pela internet, então, Dulce ouve o programa de rádio do padre Manzotti ao mesmo tempo que posta as orações. Quase simultaneamente, seus textos são comentados pelo grupo de oração virtual criado por ela, composto por cinco mil membros. “Agora, posso expressar a minha fé de uma maneira mais livre”, diz. “Na igreja, a gente participa, mas não interage. Já a internet é uma grande catequese, uma sala de aula onde a gente debate e aprende.”
Essa desregulação social que marca os espaços disponíveis na rede coloca o fiel-internauta em contato com pessoas de diversas crenças, o que ocorreria em menor grau se ele estivesse dentro de uma igreja física. Está aí o ambiente perfeito para a pluralização religiosa. Sem a vigilância eclesiástica presente, aqueles que preferem não assumir compromissos institucionais com alguma denominação e querem crer sem pertencer se sentem em casa. Outro dado marcante desse novo modelo de vivenciar a fé: a possibilidade de o fiel se expressar de forma anônima via internet permite ao usuário confrontar posições de um líder religioso – ali, em forma de avatar – sem cerimônia, com audácia e coragem. A internet dá poder ao fiel perante as religiões. “No geral, uma denominação não fideliza o devoto por meio de rituais religiosos virtuais”, afirma José Rogério Lopes, da pós-graduação em ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). “Mas essas ferramentas são essenciais para a manutenção diária dos rebanhos.”
Padre Souza, do portal A12 de Nossa Senhora Aparecida, não acha que uma pessoa possa se satisfazer apenas com o consumo da religião pela internet. Mas há os que estreitam a relação com uma denominação religiosa depois de exercitar a fé no mundo virtual. Terapeuta pedagógica, a católica paulista Lourdes Santana, 47 anos, voltou a frequentar uma paróquia nas proximidades de sua casa após passar a acender velas, participar de novenas e escutar programas no ciberespaço. “Pela internet fortaleci a minha religiosidade”, diz ela, que agora vai à missa todos os domingos.
A evangélica paulista Amanda Santos frequenta a igreja Renascer em Cristo há oito meses. Fisicamente, faz isso toda quarta-feira e domingo. “Ir à igreja é necessário porque é lá que você ouve a voz de Deus”, diz ela, que é designer digital. Virtualmente, Amanda assiste às celebrações diariamente. “Enquanto trabalho, faço download de cultos no site e ainda envio as pregações para outras pessoas.” Aos 22 anos, Amanda também consegue se comunicar com líderes da Renascer via Facebook e SMS, quando precisa de alguma orientação espiritual para um assunto que a angustia. Ela não é a única que se utiliza de instrumentos desse tipo. Uma pesquisa recente mediu o alcance dos ambientes digitais a serviço da fé dos brasileiros. Depois de ouvir duas mil pessoas em oito países, o estudo, que investigou os hábitos dos usuários de dispositivos móveis e foi encomendado pela empresa de tecnologia Intel, apontou o Brasil como o lugar onde mais se discute religião por celular e tablet.
Os brasileiros lideram o ranking com 39% dos entrevistados, seguidos de australianos (8%), franceses (3%) e japoneses (1%). Ciente, portanto, de que precisa divulgar o evangelho também no mundo digital, até o papa Bento XVI, que tem o hábito de escrever à mão seus discursos e outros documentos, inaugurou este mês a sua conta no Twitter. No ano passado, ao passar a emprestar iPods aos peregrinos que visitassem a Basílica de São João de Latrão, o Vaticano já havia dado outro passo para se aproximar daqueles que se valem de recursos tecnológicos. Por meio de um aplicativo disponível no aparelho, o fiel passou a ser guiado de forma digital pela catedral da Diocese de Roma, considerada a mãe de todas as igrejas do mundo. Atrair a comunidade jovem seria uma das intenções desse novo recurso. Assim como fez o papa, que agora é seguido por mais de 1,2 milhão de pessoas no Twitter. Essa atitude do pontífice, porém, soa mais como uma mensagem de sintonia da Santa Sé com as novas tecnologias do que como uma estratégia de mercado, segundo o professor Airton Jungblut, da pós-graduação em ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Para ele, mais do que procurar Jesus na internet, o fiel-internauta busca se sociabilizar para discutir os pontos de sua fé com outras pessoas, informar-se e dar sentido ao que crê.
Meu comentário - Tenho acompanhado de perto o crescente uso da web pelos membros de igrejas e considero importante entendermos que há um lado muito favorável do uso das ferramentas tecnológicas para o culto e adoração e outro negativo.
O ponto positivo é que as ferramentas como a web em toda a sua abrangência (sites, portais, redes sociais, aplicativos para conversação instantânea,etc) atraem pessoas a Deus e à Bíblia que, da maneira convencional, não seriam alcançadas com tanta rapidez e eficácia. Os jovens de determinada faixa etária estão nesse contexto. Na web, com materiais e acessos adaptados a sua linguagem, a religião de modo geral pode se tornar mais palatável para esse grupo. O fato de fugir do convencional que atende a um outro determinado tipo de público é uma das principais características da web no atendimento a membros ou pessoas que buscam conhecer mais sobre religião, Deus ou a Bíblia Sagrada.
Experimentei já a participação em campanhas pela web com jovens e vi que o retorno é muito bom, pois, inclusive, nesse ambiente virtual há possibilidade de eles exporem mais suas dúvidas e participarem efetivamente das discussões, o que é saudável para uma fé racional e sólida.
Por outro lado, no entanto, o alerta é quanto ao perigo de se transformar a religião ou mesmo Deus em algo apenas virtual, distante, banal e que pode ser "coisificado", para usar uma expressão de gente como Bauman que estudam a questão do consumo. O desequilíbrio, para qualquer um dos lados, é sempre nocivo. Ignorar a web e sua importância na fé das pessoas como instrumento de apoio é errado. Mas transformá-la em um fim em si mesmo é outro erro. 
Aqui falo de um instrumento estratégico e com bons resultados. Mas é um instrumento. Tentar torná-lo mais importante do que o contato convencional com Deus por meio da oração ou da Bíblia por meio da leitura, que para mim são basilares na comunhão eficaz, não faz qualquer sentido também.

Bíblia desmistifica fim do mundo para essa sexta

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 0 comentários


O frenesi do supostos fim do mundo para essa sexta-feira está levando milhares a se "prepararem" para a data das mais diferentes formas. Já abordei aqui alguns aspectos do que pode estar por trás dessa verdadeira indústria do fatalismo. Felizmente há esperança plausível e razoável na Bíblia Sagrada em torno dessa questão do fim do mundo como conhecemos e do que vem depois.
Convido a que assistam a esse vídeo com o pastor Luís Gonçalves.


O jeito como vemos Deus nos massacres

domingo, 16 de dezembro de 2012 1 comentários

Por Felipe Lemos.


Todas as possíveis discussões serão feitas nos próximos meses em torno da brutal tragédia ocorrida em Connecticut, nos Estados Unidos. Um jovem atirou e matou quase 30 pessoas em um colégio, sendo a maioria crianças com seis ou sete anos de idade apenas. Matou, ainda, a própria mãe, que era professora no estabelecimento de ensino. Comentários e comentaristas repercutirão o tema por muito tempo ainda com diferentes desdobramentos e pontos de vista.
Vai se falar de tudo: do perfil psicológico do atirador, da insegurança em escolas norte-americanas, da facilidade para se adquirir armas nos EUA, da proximidade do fim do mundo e de acontecimentos horríveis como esse, dos motivos que puderam levar a essa tragédia, etc. Tudo será objeto de análise de especialistas e gente de todo o mundo tentando encontrar alguma explicação para o que ocorreu e infelizmente de vez em quando ocorre em outros lugares, inclusive no Brasil.
Quero refletir sobre como percebemos o papel de Deus nesse tipo de massacre. Não estou falando da atuação em si de Deus, mas da maneira como nós vemos o Seu papel. Há pelo menos três conceitos. O primeiro é o defendido pelo descrente em Deus. Daquele que não enxerga uma ação divina sobrenatural no mundo e que, portanto, considera que nesse episódio simplesmente há uma boa argumentação racional que não inclui Deus ou um poder maior do que o dos homens. Deus, para esses pensadores, é um constante ausente na trajetória dos seres vivos e na história do mundo.
O segundo conceito provém dos que creem em Deus e atribuem a Ele os massacres protagonizados pelos seres humanos, as catástrofes climáticas, enfim, tudo o que de ruim acontece. Para esses, a culpa inevitavelmente é de Deus. Ele tem o controle de todas as coisas e, por isso, é responsável, também, por aquilo que não dá certo e causa sofrimento. Na conta de Deus, como entendem os que advogam essa ideia, são creditados todos os infortúnios do planeta. Veem a Deus como causador de problemas e benesses.
E finalmente tem o grupo que defende a terceira via possível para digerir mentalmente os massacres como o de Connecticut. Creem que Deus observa tudo e que, apesar de saber do impacto que uma tragédia dessas acarreta sobre familiares e toda a sociedade, permitiu por alguma razão que isso ocorresse no momento e da maneira como agora sabemos que foi.
Mas eu pergunto: quem está certo? Quem defende a ideia mais apropriada, mais plausível, mais coerente?
Não me atrevo a responder porque respeito o direito de cada um pensar como bem entende. Ainda mais diante de uma situação como essa que é extrema e profundamente dolorosa de perda. Mas eu acredito na terceira tese.
Entendo que Deus existe e vê esse massacre como tantos outros na história de um mundo de incrível. Com um olhar de amor e misericórdia, mas com a capacidade de ver muito mais além do que as lágrimas de familiares agora conseguem expressar. Creio que Deus não ignora a dor e nem o pesar sentidos e é de Sua índole consolar os que choram. A revelação bíblica assegura esse perfil. Ao mesmo tempo, Ele sabe o futuro por ser onisciente. Os tiros disparados, a tentantiva de alguns sobreviverem, as professoras que fizeram o que foi possível para salvar alunos, enfim, a atmosfera que envolveu o episódio, tudo isso Ele acompanhou. Nada escapou de Sua atenção que, imagino, é infalível e total.
Só que creio em um aspecto que talvez seja difícil para quem sofre agora entender. Não estou vivendo isso, portanto, falo com o conforto de quem está de fora como mero analista. Mais um, aliás, para a tarefa. Creio que Deus tem planos mais longínquos do que os nossos mesmo. Enxergamos o pequeno mundo ao nosso redor, que nossos olhos permitem visualizar.
Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos”, declara o Senhor em Isaías capítulo 55 e versículo 8. É duro absorver profundamente o sentido dessas palavras e pensar que nossos pensamentos ou planos ou ideias não são exatamente aquilo que Deus tem em mente. E que os pensamentos Dele são diferentes e, acrescento, melhores do que os nossos pelo simples motivo de que Ele conhece muito mais. Sabe de nossa estrutura física, psicológica e espiritual e dos tempos hoje e no futuro.
Provavelmente isso não consiga atenuar as perdas que todos temos. É, contudo, mais alentador pensar não em um Deus ausente ou tirano, mas em um Deus que – sim, é verdade, deixou que algo de ruim ocorresse – mas que tem consciência plena de que aquilo, por incrível que pareça, não aconteceu sem que Ele soubesse. E o fato de Ele saber e ter um caráter essencialmente de amor pode conforta mais do que a indiferença ou a tirania pura e simples.

A 12 dias do "fim do mundo" especialista explica erro de interpretação no calendário maia

domingo, 9 de dezembro de 2012 0 comentários

Portal Terra, 09.12.2012. 



Para Orlando Casares, arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH), o "fim do mundo" é resultado de um erro histórico de interpretação. Casares que foi curador de uma mostra que tentava mostrar o erro, diz em entrevista de 2011 que os maias não tinham uma concepção de fim do mundo, mas sim de ciclos.
Casares explica o complicado funcionamento do calendário maia - que contava, inclusive, dois anos. Para o especialista, o problema não esta na arqueologia, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação de objetos achados.
O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela o conteúdo da exposição. O arqueólogo explicou que a base da medição do tempo desta antiga cultura era a observação dos astros.
Eles se baseavam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do sol, da lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um final. "Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica", explicou Casares, que esclareceu: "A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus, voltam a se repetir".
Para não deixar dúvidas, a exposição do Museu do Ouro explica o elaborado sistema de medição temporal desta civilização. "Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado ''Haab'' que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o ''Tzolkin'', de 260 dias, que regia a vida ritualística", acrescentou Casares.
A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Desta forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, "não podiam separar o religioso do cotidiano".
Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia.
Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o "baktun" (período de 144 mil dias); na maioria das cidades 13 "baktunes" constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.
Com esta explicação querem demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação dos objetos achados desta civilização.
De fato, uma das peças-chave da mostra é o hieróglifo 6 de Tortuguero, que faz referência ao fim da quinta era, a atual, neste dezembro, a qual se refere à vinda de Bolon Yocte (deidade maia), mas a imagem está deteriorada e não se sabe com que intenção.
A mostra exibida em Bogotá apresenta 96 peças vindas do Museu Regional Palácio Cantão de Mérida (México), onde se pode ver, além de calendários, vestimentas cerimoniais, animais do zodíaco e explicações sobre a escritura.
Para a diretora do Museu do Ouro de Bogotá, Maria Alicia Uribe, a exibição desta mostra sobre a civilização maia serve para comparar e aprender sobre a vida pré-colombiana no continente. "Interessa-nos de alguma maneira comparar nosso passado com o de outras regiões do mundo", ressaltou Maria sobre esta importante coleção de arte e documentário.

Meu comentário - Interessante que o especialista fala em erros propositais ou não para criar essa atmosfera de fim de mundo. Eu creio que intencionalmente há motivos para se propagar a ideia de o mundo acabar em 2012, por mais absurda que seja para muitos. Meu raciocínio é o seguinte:

- Interessa a grupos místicos, que não baseiam suas crenças nem na história e nem no relato bíblico, fortalecer a ideia de um fim do mundo próximo, especialmente nesse ano, para angariar seguidores de última hora e se firmar no cenário midiático ganhando notoriedade ainda que por algum tempo.

- Interessa a profissionais dedicados a utilizar conceitos fatalistas para vender cada vez mais. Não a venda de um produto específico, mas, ao estabelecer um ambiente de fim do mundo, conseguem chamar a atenção das pessoas para peças publicitárias sensacionalistas e que obviamente vão despertar a atenção de muita gente. E isso pode resultar em maiores vendas de determinadas ofertas oportunistas. 

A Bíblia, regra de fé para grande parte dos cristãos (os que não a relativizam, pelo menos), declara firmemente que o fim desse mundo que conhecemos está associado ao retorno de Jesus Cristo (textos claros são I Tessalonicenses 4:13-16, entre outros). A tônica dos textos bíblicos é a preparação em torno da esperança da volta de Jesus. E não de uma vida com temor ou curiosidade em torno de acontecimentos catastróficos que simplesmente colocarão fim ao estado de coisas que hoje vemos sem quaisquer perspectivas melhores no futuro.
O temor e a curiosidade, que também são criado por esse clima fatalista em torno de uma interpretação errônea do calendário maia, servem a outros interesses (mercantilistas, místicos ou eminentemente especulativos com fins de promoção do sensacionalismo barato menosprezando a religiosidade em geral), mas não aos que a Bíblia se propõe.




Mobilização de oração por cristãos presos no Togo será dia 1º

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 0 comentários


No próximo dia 1º de dezembro uma mobilização mundial acontecerá em favor da libertação de dois cristãos presos em Togo, país localizado na costa oeste do continente africano. Os instrumentos usados para esse movimento serão a oração e o jejum.
O apelo do líder mundial adventista, pastor Ted Wilson, feito nesta semana, é no sentido de que os mais de 17 milhões de membros da Igreja da qual os dois fazem parte se unam em oração mesmo distantes da situação. Paralelo a isso, advogados e ativistas de direitos humanos tentam, pelos meios legais, obter a libertação do pastor adventista Antonio dos Anjos Monteiro, natural de Cabo-Verde, e do empresário Bruno Amah, que vivem e trabalham na capital Lomé. “Eles são pessoas inocentes e nós estamos intercedendo ao Senhor por uma intervenção para que voltem a estar reunidos com suas famílias e continuem seu trabalho”, comentou Wilson.
Situação – Monteiro e Amah foram detidos em março de 2012 sob acusação de conspiração para cometer assassinato depois que ambos foram acusados de fazer parte de uma suposta rede de tráfico de sangue naquele país. Conforme apurou a agência adventista internacional de notícias, a ANN, o acusador já havia confessado o assassinato de cerca de 20 jovens, alegando que trabalhava para um esquema criminoso de tráfico de sangue humano.
Monteiro, natural de Cabo Verde, serve como diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal para a sede administrativa conhecida como União Missão do Sahel, com sede em Lomé, Togo, desde 2009. Foi realizada uma busca policial na casa de Monteiro e na sede local da igreja e nenhum tipo de prova foi encontrado.
Oração – Para fortalecer o movimento de oração, foi criada uma hastag para uso no Twitter chamada #pray4togo que ajudará no envolvimento de internautas, bem como ações no Facebook. “Entendemos que podemos contribuir, aqui na América do Sul, pedindo a todos os adventistas e amigos que orem em favor desses dois homens e suas famílias que passam por momentos muito difíceis”, afirma o pastor Almir Marroni, vice-presidente para oito países sul-americanos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Outras informações a respeito dessa mobilização podem ser vistas em www.pray4togo.com.

Meu comentário: Importantíssima essa mobilização para libertação de dois cristãos que, segundo apurei com pessoas da região, realmente não têm qualquer ligação com esse tipo de crime. Jejuar e orar são atitudes nobres diante de uma visível injustiça. O que parece estar um pouco mais claro aí é o desrespeito à liberdade religiosa de certa forma ou até intolerância. Prisão sem justificativa plausível é algo que precisa ser objeto de atenção de organismos que lutam para assegurar os direitos mínimos das pessoas. 
Mas a questão realmente é espiritual. A Bíblia deixa claro que, muitas vezes, cristãos serão perseguidos por causa da sua fidelidade à vontade de Deus. Nesses casos e de alguns outros personagens da história cristã em geral, a perseverança e o apego a Deus são fundamentais. Não existe antídoto específico contra essa intolerância ou perseguição infundada, mas a necessidade de apego a Deus. 

Marca de produtos de beleza convida para festa do "fim do mundo"

domingo, 18 de novembro de 2012 0 comentários

Portal Exame, 13.11.2012
Com o fim do mundo acontecendo ou não no mês que vem, a Axe/Lynx promete aproveitar o tempo que nos resta como se fossem os últimos dias.
No Reino Unido, a marca está organizando uma festa para celebrar e aguardar o apocalipse no dia 21 de dezembro. Uma ação que certamente deve se repetir em outros países.
O comercial promove o sorteio de convites para a festa na página do Facebook. 
Nota: Devido ao mau gosto da publicidade paga, resolvi nem colocar o vídeo para poupar os leitores de meu blog desse material. Embora os especialistas digam que é apenas uma jogada de marketing e o aproveitamento de um temor coletivo para venda de produtos, o que eu destaco nessa notícia é como há tantas interpretações diferentes para esse conceito de fim do mundo.
Para muitos, o ceticismo predomina e a sátira parece ser a melhor maneira de encarar a possibilidade de esse mundo, tal como conhecemos, deixar de existir. O tal convite é uma forma "divertida" de consolidar a marca na mente dos incrédulos quanto ao fim do mundo no dia 21 de dezembro de 2012.
Eu também não acredito que o mundo vai acabar no próximo mês. Mas não tenho esse pensamento porque sou cético ou descrente quanto a uma mudança de coisas nesse mundo. Entendo que o fim do mundo não será dará no final de dezembro, porque sou estudioso da Bíblia e das profecias apocalípticas à luz da Bíblia (que é uma maneira equilibrada de entender esse assunto e até mais lógica). E as profecias indicam que o mundo realmente vai acabar do jeito que conhecemos, mas que isso ocorrerá vinculado à volta de Jesus Cristo e não como um ato isolado fruto do mero acaso ou da ira insana da tal "natureza" como se fosse uma entidade com vida própria.
A piada comercial da marca Axe/Lynx pode ser engraçada hoje. Mas eu prefiro levar a sério o conselho bíblico de me preparar para a volta de Cristo não por temor do evento específico fim do mundo. Mas por amor a Deus, que, convenhamos, tem o controle de tudo, inclusive da época em que Cristo voltará a esse mundo e quando então o mundo aqui deixará de ser da maneira que o vemos. 
Respeito o direito das empresas criarem peças publicitárias com quaisquer conceitos que desejarem. Mas o evento fim do mundo implica uma análise bem mais profunda do que esses vídeos de menos de 1 minuto podem querer sugerir.

Igreja libera uso de redes sociais durante pregação

quarta-feira, 14 de novembro de 2012 4 comentários

Christian Post, 14.11.2012, às 8h52.


No sudoeste da Inglaterra, paroquianos decidiram permitir o acesso a rede sociais durante cerimônia religiosa como forma de atrair féis.

De acordo com pároco Andrew Aldem, “os jovens são cada vez mais raros nas igreja do nosso país, por isso usar redes sociais como Twitter, Facebook e You Tube é uma forma de nos envolvermos com esta nova geração”.

As redes sociais são usadas para que os fiéis interajam com a igreja, postando mensagens de perguntas, comentando sobre o teor da pregação ou sobre a cerimonia do dia anterior. Segundo Andrew, a congregação às vezes também aproveita para escrever algo engraçado como o que os párocos estão vestindo como forma de manter o bom humor entre a congregados.

"Não é um monólogo em que falamos por meia hora e damos informações para as pessoas. É uma conversa, uma da maneiras que Jesus ensinava, Ele fazia perguntas", disse o padre Brian Champness.

A nova abordagem foi adotada pela igreja como forma de modernizar a igreja. As cerimônias com uso de rede social são realizadas na igreja uma vez por mês e parece que a estratégia deu certo. Segundo publicação AFPTV, o número de fiéis dobrou nos últimos cinco anos.

Notícia original em http://portugues.christianpost.com/news/igreja-libera-uso-de-redes-sociais-durante-pregacao-para-atrair-fieis-13434/ 

Nota: A ideia parece ser boa, conceitualmente falando. É verdade que os jovens, crianças e adolescentes, público que domina o uso das redes sociais, precisa ser alcançado com uma linguagem e uma forma apropriados para sua realidade. A mensagem bíblica não deve ser mudada, mas adaptada para ser entendida por esses públicos e isso também passa pela maneira de se difundir. Prova é a popularidade que alcançam projetos como Escolhi Esperar (de fortalecimento da pureza em todos os aspectos, inclusive sexual) no Facebook, ou mesmo no Twitter a iniciativa adventista para tuitar cada dia um comentário relacionado a um capítulo da Bíblia como é o caso do Reavivados por Sua Palavra. A proposta de transformar jovens internautas em evangelistas voluntários no ambiente da web é louvável e está em consonância com a Bíblia.
O que precisa ser melhor pensado, no entanto, é o incentivo ao uso de telefones e aparelhos eletrônicos para troca de mensagens durante o culto. Pode ser interessante em um programa com debate de ideias, mas em cultos regulares pode ser um problema. Em um culto comum, onde adultos e jovens estão presentes, talvez nem todos tenham esse interesse em estar conectados e, assim, pode surgir algum tipo de dissensão entre os fiéis. Além disso, nos cultos o conteúdo precisa ser entendido não apenas como uma informação repassada por um dirigente, mas como parte de um momento especial de adoração coletiva que envolve o louvor através da música, o momento das ofertas e dízimos e as oportunidades de oração. Não se trata de criar um ambiente para discutir cada palavra do orador ou brincar uns com os outros a respeito da roupa usada. Creio que esse precedente aberto é bem ruim, pois dá margem para termos uma igreja preocupada apenas com a interação social e não com a adoração.

 
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