Seriado deve distorcer visão bíblica dos apóstolos

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 1 comentários

Do site Gospel Prime, 14.02.2013.


Estreia hoje (14/2) nos Estados Unidos a série “Zero Hour” que, segundo informações divulgadas, pretende mexer com alguns conceitos bíblicos. Será exibido pela rede ABC, a mesma que no ano passado lançou as séries “GCB” e “666 Park Avenue”. Acusadas de ridicularizar os cristãos, ambas foram canceladas por causa da baixa audiência.
O novo “drama de mistério” tem o roteiro de Paul Scheuring, criador de “Prison Break”. A história envolve os 12 novos apóstolos de Jesus Cristo e sua batalha contra o que seria o “anticristo”.
O início da série mostra como um jornalista cético acaba conhecendo um dos maiores segredos da história. Ele fará uma perigosa jornada ao redor do mundo, onde poderá coletar provas sobre a existência desses novos apóstolos em nossos dias.
O personagem principal é Hank Foley (Anthony Edwards), que edita a revista “Modern Skeptic”, dedicada a questionar a tudo e a todos. Curiosamente, ele frequenta uma igreja católica. White Vincent (Michael Nyqvist), será o grande vilão por trás da conspiração que começou durante a segunda Guerra Mundial. Ele é um dos assassinos mais perigosos do mundo, estando envolvido com vários governos e religiões, mas mantém um aspecto demoníaco, indicando que ele pode ser o Anticristo ou algo similar.
Quando Laila (Jacinda Barrett), a esposa de Hank, é sequestrada, ele descobre um mapa escondido em um relógio. Esse mapa o leva a diferentes lugares do mundo onde vai descobrindo com a  agente do FBI Deck (Carmen Ejogo), como a ordem Rosacruz recriou os 12 apóstolos de Jesus Cristo para salvar o mundo.
Segundo as primeiras informações divulgadas, a série promete ser polêmica, seguindo a trilha do que os livros e filmes “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” causaram entre os cristãos alguns anos atrás. Ainda não há data de estreia prevista para o Brasil, mas certamente não deve demorar.
Hank representa o homem moderno, um cético que questiona tudo que não pode ser explicado racionalmente, alguém cujo lema seria “a lógica é o caminho certo”. Não está claro, ainda, como a ordem (ou seita) Rosacruz se encaixa no processo de salvação da humanidade, mas elementos do mundo sobrenatural devem fazer parte da trama que envolve nazistas, a descoberta da vida eterna e o possível triunfo do mal sobre o bem na Terra.
Meu comentário - Lamentavelmente se trata de mais uma investida da indústria do entretenimento barato e sem comprometimento com conteúdo (especialmente bíblico e histórico) para ganhar audiência e chamar a atenção de uma audiência com pouca base para crítica. Na linha dos filmes inspirados na obra do oportunista Dan Brown, essa série é mais uma demonstração de que o interesse da mídia em geral (incluindo o cinema) não é o de levar as pessoas a conhecerem mais sobre a Bíblia Sagrada ou fortalecerem sua fé.
A intenção é criar mistério e tornar os assuntos das Sagradas Escrituras questionáveis, irrazoáveis ou simplesmente lendários. Com isso, atrai-se a atenção da curiosidade alheia e não se ensinam mais valores e nem princípios. Além disso, a contextualização histórica também é geralmente desprezada e fatos destituídos de coerência histórica mesmo são apresentados como verdades incontestáveis.
Esses supostos "segredos" que uma organização aqui ou ali escondem não passam de desvios para que as pessoas creiam cada vez menos na Bíblia e sequer considerem a gama enorme de evidências de sua historicidade e relevância moral e espiritual para a sociedade hoje. 
Se vão gastar dinheiro com filmes, que pelo menos o façam com base no registro bíblico e busquem bons livros que aprofundem a narrativa dos evangelhos, por exemplo, para não inventar enredos que são absolutamente fictícios, mas acabam vendidos como resgates históricos.

Saída de Bento XVI: inesperada, estratégica ou profética?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 0 comentários

Cidade do Vaticano (RV) - Bento XVI anunciou esta segunda-feira que renunciará no dia 28 de fevereiro. Eis o texto integral do anúncio:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

Meu Comentário - Esse assunto da renúncia de Bento XVI interessa a todo o mundo, especialmente ao cristianismo. Independente de crenças ou descrenças, o Vaticano é um dos mais poderosos e influentes estados do mundo e o único com status religião, o que lhe empresta uma peculiaridade digna de análises. 
É muito provável que Ratzinger tenha renunciado por uma questão estratégica da Cúria Romana. As repetidas e crescentes denúncias de abusos sexuais por parte de padres e bispos têm maculado a imagem do Vaticano e isso desgastou a administração do papa alemão, cujo irmão também pode estar envolvido em denúncias. Talvez agora surja alguma estratégia diferenciada para lidar com essa permanente crise de imagem a partir de um novo líder menos comprometido com essa nefasta acusação.
O momento pode ser de ruptura com uma determinada maneira conservadora de administrar e o início de uma fase que consiga dialogar mais ainda com outras religiões e grupos antagônicos e que frequentemente causam constrangimento ao Vaticano como os pró-homossexualismo, pró-aborto, entre outro. Para isso, nova liderança pode ser necessária. 
Historicamente, conforme livros escritos, por exemplo, pelo jornalista inglês David Yallop, sabe-se que o Vaticano é um conjunto de interesses políticos e o papa tem de administrar esses interesses todos. É provável que Ratzinger já não seja o líder ideal para tudo isso. Ainda mais com um forte desgaste de imagem em tempos de globalização da informação e de secularização e crítica veemente aos modelos religiosos  por parte das correntes pós-modernas de cosmovisão.
É bom lembrar que a Bíblia não ensina nada acerca de escolhas de papas pelo simples motivo de que nunca, nas Sagradas Escrituras, foi dito que um homem governaria a igreja de Deus nesse mundo com características como infalibilidade. O tema de escolha papal, conclave ou administração político-religiosa são invenções humanas destituídas de qualquer base bíblica. 
A Bíblia assinala, no entanto, de acordo com Apocalipse 13, que um poder político e religioso se levantaria nos tempos finais desse mundo para fazer oposição final contra os fiéis a Deus enquanto guardadores dos mandamentos e do testemunho de Jesus. Ainda de acordo com a inspiração profética de Daniel, nesse perfil só se encaixa o Vaticano como herdeiro da tradição pagã-pseudocristã do Império Romano desmontado oficialmente em 476 d.C. 
Esse poder religioso teria força dos homens, mas não legitimidade divina para atuar. O Vaticano sofre abalos e agora perde repentinamente ou estrategicamente seu líder máximo. Mas outro será nomeado rapidamente antes mesmo que os boatos sobre sucessores consigam se avolumar. Não importa se será um italiano, um ganês, um canadense ou de qualquer outra nacionalidade, terá de se submeter a um sistema já existente e que é bastante forte. Forte o suficiente para, quem sabe, até trocar quem não estiver cumprindo com o papel exigido para a função. 
Vamos acompanhar essa sucessão.

Carne em essência - uma reflexão bíblica sobre o Carnaval

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 0 comentários

Por Felipe Lemos

Uma parte do Brasil da a impressão de tentar fugir do estereótipo de país do Carnaval, mas, na prática, a festa continua mais popular do que nunca e com patrocínio público e privado que lhe dá longevidade. Nos últimos anos, a participação de entidades e igrejas cristãs parece ter aumentado nesse que se transformou em um negócio lucrativo para muitos. E qual é a posição bíblica a respeito do Carnaval? Há algum tipo de aprovação, da parte de Deus, para a realização e participação nessa festa?
Antes de mencionar a Bíblia, é prudente compreender a história do Carnaval e o que hoje essa festa representa no Brasil. Segundo alguns sites de história, a origem do carnaval é desconhecida. Há os que atribuem a origem dessa festa aos cultos agrários realizados pelos povos primitivos, dez mil anos antes de Cristo, quando esses povos celebravam as boas colheitas com cânticos e danças. Outros atribuem às festas em homenagem a deusa Ísis e ao boi Ápis, no Egito antigo, ou ainda na Grécia e Roma antigas.
Segundo o Guia do Estudante da Abril, voltado a quem estuda, “eram grandes festejos pagãos, cheios de comida e bebida, para comemorar colheitas e louvar divindades e ocorriam entre novembro e dezembro”. O site Brasil Escola, também referência para pesquisas, informa que “o carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja”. Na edição de 2002, a revista Superinteressante divulgava que “só no século VII, na Grécia, o Carnaval foi oficializado como festejo à honra de Dionísio, deus do êxtase e do entusiasmo. A partir daí, os carnavais passaram a incluir orgias sexuais e etílicas – uma característica que chegou ilesa aos dias de hoje”. E a Igreja Católica, que inicialmente combatia os festejos carnais, acabou incorporando o feriado ao seu calendário oficial e o Carnaval passou a ter aval religioso também.
Conceito claro – Basta perceber, nos textos sobre a história do Carnaval, as palavras-chave mais usadas para se ter uma noção do conceito que caracteriza a festividade. Termos como pagão, orgia, bebidas e prazer dão uma ideia bem definida do que se trata o Carnaval. Foi uma invenção humana para tentar celebrar algo com as divindades aceitas por aqueles que não creem em um Deus único e pessoal tal como descrito na Bíblia Sagrada.
Na Bíblia, Deus não aprova quaisquer práticas que desvirtuem o casamento ou a sexualidade. O sexo foi estabelecido no Éden quando Deus uniu homem e mulher como uma só carne e não deu margem para que fosse praticado de maneira despreocupada ou inconsequente. Pelo contrário. Em toda a trajetória do povo de Israel, o Senhor deixou claro que um dos segredos do êxito estaria em seguir os conselhos divinos e fugir do mau exemplo de nações vizinhas quanto à adoração de vários deuses e tudo que isso acarretava como orgias e bebedeiras. Aliás, a embriaguez que leva a uma dificuldade de racionalmente estar em contato com Deus, por causa da alteração fisiológica, também não tem a aprovação divina. Os episódios que envolveram Noé, Ló, o rei Elá e outros demonstram claramente que o uso de bebidas alcoólicas em excesso não teve bons resultados.
E eu pergunto: o Carnaval mudou muito desde suas origens pagãs romanas ou gregas? Provavelmente não. Entre as grandes patrocinadoras da festa no Brasil estão cervejarias e até mesmo o governo faz questão de incentivar muita festa e busca por prazer sensual desde que a pessoa use preservativos para evitar doenças venéreas ou AIDS. Ou seja, orgia, depravação sexual e embriaguez continuam sendo palavras-chave da festa dos tempos atuais.
Testemunho prejudicado – Diante disso, é preciso refletir sobre se há espaço para pessoas cristãs, que dizem seguir os ensinamentos bíblicos, nessa festa popular. O argumento comum de muitos cristãos que vão, até mesmo em blocos organizados, para esse tipo de evento é que estão ali para influenciar, para serem o sal da terra. Só devem atentar para o fato de que o ambiente não é propício para esse tipo de intenção. Pessoas dispostas a ter o máximo de prazer sensual e carnal, muitas delas entorpecidas pelo uso de substâncias que alteram seu estado normal de consciência, dificilmente conseguirão absorver qualquer tipo de mensagem bíblica que exige a capacidade racional em seu melhor desempenho. Recordemos que Daniel, o humilde servo de Deus, não se atreveu a ingressar nas festas promovidas pelos monarcas babilônicos a fim de dar qualquer mensagem profética. Seu exemplo, como excelente profissional e fiel temente ao Senhor, falou muito mais alto e não o impediu de dar um testemunho. Mas você não lerá sobre Daniel misturado a uma festa pagã tentando mostrar os ensinos divinos.
                Além disso, há o risco de levar jovens a esse tipo de local, pois muitos deles vivem uma luta espiritual a fim de se manterem ao lado de Cristo diante de tantas tentações. Conduzi-los a um terreno em que são abertamente realizadas práticas contrárias à Bíblia é submetê-los a uma provação que poderia ser evitável. Vai causar a nítida ideia de que, afinal de contas, o pecado não é tão desagradável, visto tanta gente sorrindo. Ainda que, em essência, essa alegria seja passageira e motivada por uma alienação da realidade.
                Fico com o conselho de Paulo, que em Romanos 12:1,2 diz “rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Pessoas que desejam ter uma vida qualificada espiritualmente não podem experimentar ambientes em que o enfoque é saciar os desejos carnais.

Fortuna de líderes religiosos distorce imagem do cristianismo

domingo, 20 de janeiro de 2013 2 comentários

Portal UOL, 18.01.2013.


"Religião sempre foi um negócio lucrativo." Assim começa uma reportagem da revista americana "Forbes" sobre os milionários bispos fundadores das maiores igrejas evangélicas do Brasil.
A revista fez um ranking com os líderes mais ricos. No topo da lista, está o bispo Edir Macedo, que tem uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, segundo a revista.

Em seguida, vem Valdemiro Santiago, com R$ 400 milhões; Silas Malafaia, com R$ 300 milhões; R. R. Soares, com R$ 250 milhões; e Estevan Hernandes Filho e a bispa Sônia, com R$ 120 milhões juntos.

OS SEIS LÍDERES EVANGÉLICOS MILIONÁRIOS, SEGUNDO A "FORBES"

NomeFortunaIgreja
Edir MacedoR$ 2 biIgreja Universal do Reino de Deus
Valdemiro SantiagoR$ 400 miIgreja Mundial do Poder de Deus
Silas MalafaiaR$ 300 miAssembleia de Deus Vitória em Cristo
R.R. SoaresR$ 250 miIgreja Internacional da Graça de Deus
Estevam Hernandes Filho e bispa SôniaR$ 120 milhõesIgreja Renascer
  • Fonte: "Forbes"
Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser o pastor mais rico do Brasil, possui templos até nos Estados e um jato bimotor particular, de modelo Bombardier Global Express XRS, estimado em R$ 90 milhões.
Macedo tem 10 milhões de livros vendidos, alguns deles extremamente críticos à Igreja Católica e a algumas religiões africanas.
Seu maior movimento aconteceu na década de 1980, quando adquiriu a rede Record, a segunda maior emissora do Brasil. Além disso, é dono do jornal "Folha Universal", que tem uma circulação de 2,5 milhões de exemplares, e do canal de notícias Record News.
Seguindo os passos de Macedo, Valdemiro Santiago é ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Após se desentender com o chefe, ele fundou sua própria igreja: a Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem 900 mil seguidores e mais de 4.000 templos, muitos deles adornados com imagens dele. Sua fortuna é estimada em R$ 400 milhões.
Silas Malafaia é líder da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal brasileira. Entre os pastores, ele é o mais polêmico, e se envolve frequentemente em controvérsias com a comunidade gay do Brasil, já que declara ser o maior opositor ao casamento gay.
Ele também é uma figura proeminente no Twitter, onde possui mais de 440 mil seguidores.
Em 2011, Malafaia, cuja fortuna é estimada em R$ 300 milhões, lançou uma campanha a fim de arrecadar R$ 1 bilhão para a sua igreja, com o intuito de criar uma emissora de televisão global, que seria transmitida em 137 países. Os interessados podem contribuir com somas a partir de R$ 1.000, e em troca receberão um livro.
Já o cantor, compositor e televangelista Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, é possivelmente o mais multimídia entre os pastores brasileiros. Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares é uma das faces mais regulares da TV brasileira.
Ele também é ex-membro da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ser cunhado de Macedo. Autointitulado "missionário", tem uma fortuna estimada em R$ 250 milhões. Sua aeronave particular, de modelo King Air 350, custa "apenas" R$ 10 milhões.
Fundadores da Renascer em Cristo, o "apóstolo" Estevam Hernandes Filho e sua mulher, a "bispa" Sônia, possuem mais de mil igrejas no Brasil e no exterior – várias delas na Flórida, nos Estados Unidos.
Com uma fortuna estimada em R$ 120 milhões, o casal foi manchete dos jornais internacionais em 2007,quando foram presos em Miami sob a acusação de levarem consigo mais de R$ 100 mil não–declarados. Algumas notas estavam escondidas em meio às páginas da Bíblia, segundo agentes norte-americanos.
Eles voltaram ao Brasil um ano depois, onde respondem por outros crimes, entre eles a queda do teto de um de seus templos, que deixou nove pessoas mortas em 2009.
Entre seus ex-fiéis mais conhecidos, está o jogador de futebol Kaká, que doou mais de R$ 2 milhões no período em que frequentou a igreja. Ele deixou a instituição após as denúncias de fraude envolvendo o casal Hernandes.
Ser um pastor evangélico no Brasil é o sonho de muitas pessoas, de acordo com a Forbes. Diferente de muitas igrejas protestantes, que requerem que seus pastores tenham uma graduação, as igrejas neopentecostais brasileiras oferecem cursos intensivos para "criar" pastores com um custo de R$ 700, para poucos dias de aula.
Não é apenas uma questão de dinheiro – Malafaia, por exemplo, chega a pagar salários de R$ 20 mil a seus pastores mais talentosos – mas também de poder, segundo a reportagem.
Muitos pastores brasileiros conseguiram passaportes diplomáticos nos últimos anos. Alguns, especialmente os mais ricos, são cortejados por políticos em época de eleições. Para finalizar, igrejas são imunes a impostos.

Crescimento dos evangélicos

A Forbes também destaca o crescimento dos evangélicos no Brasil --de 15,4% para 22,2% da população na última década--, em detrimento dos católicos. Hoje, os católicos romanos somam 64,6% da população, ou 123 milhões de brasileiros. Os evangélicos, por sua vez, já somam 42 milhões, em uma população total de 191 milhões de pessoas.
Para a revista, um dos motivos do crescimento de religiões evangélicas se dá graças à teologia da prosperidade, segundo a qual o progresso material é resultado dos favores de Deus. Enquanto o catolicismo ainda prega um olhar conservador sobre o além-vida, os evangélicos --sobretudo os neopentecostais-- são ensinados a ter prosperidade nesta vida.
A fórmula parece estar funcionando. De acordo com a revista, os evangélicos formam uma parte da nova classe média brasileira, conhecida como classe C. Enquanto isso, os mais ricos e os mais pobres permanecem católicos.
Os evangélicos não só usufruem de seus bens como doam uma parte de sua renda à igreja – prática conhecida como "dízimo" e que também está presente em outras religiões cristãs. Isto faz com que certas igrejas pentecostais sejam negócios altamente lucrativos, e seus líderes, milionários. É a chamada "indústria da fé".
Outro lado
O pastor Silas Malafaia afirmou, por sua vez, que sua renda pessoal não é a informada pela revista Forbes. "Se juntarmos a receita da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é minha, mais a renda da Associação Vitória em Cristo, que não é minha, mais o faturamento da Editora Central Gospel, que é de minha propriedade, mais as ofertas voluntárias que recebo pelas palestras ministradas, chegaremos aproximadamente à metade do que foi anunciado pela Forbes como minha renda pessoal anual", disse, em uma nota.
"Tudo o que tenho está declarado na Receita Federal. Não devo e não temo a nada", continuou. Malafaia ainda destacou que "o que está em jogo é uma mensagem para criar na sociedade preconceito contra pastores e igrejas evangélicas".
Ele reiterou que não recebe "salário de igreja nenhuma" e informou que a Forbes "será inquirida judicialmente".
Meu comentário - Realmente a divulgação dessa lista, por parte da Forbes, tem obviamente uma conotação pejorativa no sentido de tentar mostrar que religião cristã, sobretudo evangélica, resume-se a um negócio lucrativo. Essa é a imagem que a imprensa em geral faz das religiões evangélicas. Aí me pergunto: por que essa imagem existe?
Não creio que seja algo tão gratuito como querem afirmar alguns líderes citados pela reportagem. Não estou aqui defendendo a revista que fez uma matéria com uma afirmação generalizada e equivocada. Mas a imagem de uma religião ou de qualquer instituição é constituída de pequenos pedaços como se fosse um quebra-cabeças. O problema é que, ao que parece, a imagem criada na mente não apenas dos formadores de opinião da imprensa mas do público em geral, é que líder evangélico é sinônimo de ganho ou lucratividade com a exploração da fé dos outros. De onde será que vem isso?
A Bíblia com certeza não é a origem desse conceito errôneo. Na Palavra de Deus, fica claro que não há problema algum em se obter riquezas. Abraão, Jó, Salomão e outros personagens eram providos de boa condição financeira. Um dos aspectos mais importantes é que as riquezas não devem se constituir no alvo principal da vida de uma pessoa, ou seja, o ser um deus alternativo. Nem serem geradas por meios ilícitos  e nem fruto da exploração da crença das pessoas.
Se os líderes citados pela reportagem e outros tantos não se enquadram em nenhuma dessas condições devem estar tranquilos quanto à divulgação da lista. O montante realmente é alto, mas, como se tratam de empresários acima de tudo, o valor pode até se tornar justificável. 
Evidentemente a aparência disso não é das melhores e não contribui, de maneira geral, para formar uma imagem do cristianismo hoje mais semelhante à do tempo dos apóstolos. É por isso, provavelmente, que chama tanto a atenção dos meios de comunicação. 
Se o cristianismo genuíno é discreto e não opulento, o que mais vai chamar a atenção são os resultados dessa fé em ação. Caso contrário, o assunto principal vai ser esse mesmo: os ganhos dos líderes religiosos. Triste, porque o cristianismo bíblico vai muito além disso. 

Travestis lançam calendário com referências religiosas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários

Portal G1, 16.01.2013.

Um grupo de travestis de Fortaleza lança nesta quarta-feira (16) a 2ª edição do “translendário”, um calendário ilustrado com imagens de travestis em referência a símbolos religiosos. Neste ano, o grupo se inspirou em santos de diversas religiões para criar os próprios deuses e santos protetores dos travestis. Em 2012, o calendário do mesmo grupo gerou polêmica ao replicar imagens sacras, como a Última Ceia, de Leonardo da Vinci, e Pietà, de Michelangelo. “No ano passado nós retratamos imagens clássicas, não apenas religiosas. Se eles entenderam isso como ofensivo, esse vai ser mais ainda”, diz o idealizador do projeto, Silvero Pereira.
 Numa das páginas do translendário 2013, há uma crucificação inspirada em um quadro de Salvador Dalí. “O objetivo não é retratar Jesus Cristo. Nós nos inspiramos em religiões e criamos nossos santos e deuses”, explica o diretor de arte do translendário, Andrei Bessa. Também na edição 2013, há a “deusa dos incubados”, inspirada no deus da mitologia nórdica Thor. “A deusa faz referência ao universo machista e preconceituoso, que mantêm gays incubados, sem assumir a homossexualidade. Nós a representamos pela figura masculina do Thor”, explica Andrei. Inspirada em uma santa católica, o grupo também criou a “Nossa Senhora Protetora das Esquinas”. “A ideia dessa santa é proteger os travestis que se prostituem nas esquinas de Fortaleza e de todo o Brasil”, explica o diretor de arte.
 O calendário com travesti também gerou polêmica em 2012 por uma denúncia feita na Assembleia Legislativa do Ceará de suposto financiamento de órgão público. Segundo Silvero, não houve o apoio financeiro denunciado pelo deputado estadual do Ceará Fernando Hugo (PSDB). “O deputado deu um tiro no pé. Toda o pronunciamento só ajudou a popularizar o nosso projeto”, diz o idealizador. Na segunda edição, o ensaio fotográfico foi feito com contribuição de pessoas que simpatizam com travestis. Eles pediram doações e arrecadaram R$ 11.200, de acordo com o Silvero Pereira. O projeto custou R$ 10 mil e o valor arrecadado restante será destinado ao Coletivo Artístico das Travestidas, um grupo de teatro, dança e música composto por travestis do Ceará.

Meu comentário - O ponto que eu quero ressaltar nessa notícia tem a ver com esse interesse em tornar a religião e práticas tipicamente humanas bem próximas e combinadas. Explico melhor. Respeito a quem é travesti ou aprecia essa prática, mas não se trata obviamente de uma criação divina e nem de uma ideia defendida por personagens bíblicos cuja vida é aprovada por Deus conforme os textos das Escrituras. 
A tentativa de conectar tradições religiosas ao travestismo é um movimento que tem o objetivo primordial de chamar a atenção e ganhar notoriedade. E isso nem sempre é bom para ambos os lados.
Pode ser que o travestismo ganhe popularidade por causa do tal polêmico calendário, mas a religiosidade, principalmente aquela verdadeiramente fundamentada nos escritos bíblicos tal como revelados, talvez não tenha tanto a ganhar. 
Lamento muito o uso da religião para benefício próprio, seja qual a maneira utilizada. Publicidade barata em torno de crenças nunca é uma atitude honesta, não importa qual a origem. O exemplo bíblico de Jesus Cristo não foi o de alguém que desejou se projetar pessoalmente como opositor ao judaísmo predominante em sua época. Ele, por outro lado, mostrou desinteressado amor pelas pessoas de todas as classes. Sua vida, sim, é uma referência segura.

Justiça bloqueia bens de líder da "igreja da maconha"

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 0 comentários

Portal UOL, 09.01.2012

A Justiça de Americana (127 km de São Paulo) decretou o sequestro dos bens de Geraldo Antonio Baptista, o Geraldinho Rastafári, 53, líder da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, a conhecida como "igreja da maconha". Ele foi preso em agosto sob a acusação de tráfico de drogas. Com a medida, os bens do líder religioso não podem ser vendidos até que o julgamento dele ocorra pela Justiça.

"Perdemos nossa liderança, então o movimento cai um pouco. Muitos universitários, principalmente, ficaram com receito após a prisão. Mas continuamos funcionando normalmente", disse. Procurado, o Ministério Público não se pronunciou sobre o caso.

A próxima audiência do caso está marcada para o dia 17 de janeiro, segundo informações do Fórum de Americana. Geraldinho foi preso em flagrante, em 15 de agosto do ano passado, quando foram encontrados 37 pés de maconha em sua casa.

Na ocasião, dois jovens de 18 anos foram presos e um adolescente foi apreendido. Ele afirmou que a planta é cultivada para uso religioso, o que é permitido pela legislação brasileira, e consumida apenas em ocasiões de culto, mas acabou sendo enquadrado por tráfico.

Manifesto
À espera de julgamento, Marlene e os adeptos da "igreja da maconha", bem como defensores da causa, têm usado a internet para realizar uma campanha a favor da libertação de Geraldinho.

Até a tarde de hoje, mais de 3.200 pessoas já assinaram uma petição virtual pedindo a libertação de Geraldinho. Segundo Marlene, o grupo também pede o auxílio de entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Segundo os advogados de Geraldinho, ele irá dizer, durante o julgamento, que a maconha pode ser usada de forma ritual nos cultos da igreja e que, ao não permitir que isso ocorra, a Justiça desrespeitaria o item constitucional que garante liberdade religiosa aos brasileiros.

"Nosso objetivo é defender não só a liberdade do Geraldinho, mas também a liberdade religiosa, garantida a todos os brasileiros pela Constituição", afirmou Marlene. "O uso cerimonial da cannabis [nome científico da maconha], que para os adeptos da cultura Rastafári Niubingui é sagrado."

Meta
A meta do grupo é fazer com que o caso chegue o mais rapidamente possível só STF (Supremo Tribunal Federal), corte que julga casos que envolvem preceitos constitucionais.

A defesa usará a mesma argumentação já elaborada para a religião do Santo Daime, que usa em seus cultos um chá elaborado com a alucinógena ayahuasca.

"Nossos advogados são os mesmos, e nosso objetivo é provar que podemos usar a canabis ritualmente", disse Marlene.
Nota: É quase surreal a reportagem feita com o líder desse grupo que se diz religioso. É preciso respeitar todas as manifestações de crença ou descrença que existem, mas alguns aspectos precisam ser pontuados. Um deles é que não há qualquer registro na literatura judaica ou cristã que relacione o uso da maconha com qualquer um dos emblemas da ceia de Cristo ou algo do gênero. Desconheço esse tipo de associação e creio que seja mera invencione para justificativa do grupo em questão.
Outro aspecto é que o Tetraidrocanabinol ou THC, uma das principais substâncias psicoativa presente na maconha, tem comprovados efeitos nocivos para o cérebro humano e clinicamente já se sabe que altera a capacidade de entendimento. Esse fator é totalmente incongruente com o ensino bíblico de que adoramos a Deus com a mente limpa, clara e livre de alterações químicas com efeitos alucinógenos. Não há, portanto, compatibilidade alguma entre o uso de um entorpecente e a religião que liga o homem a Deus. A não ser que o conceito de Deus seja distorcido completamente  e usado de forma indevida ou, no mínimo, contrário ao que a Bíblia preconiza.
Parece muito mais um grupo de apologia ao uso da maconha do que uma religião que se propõe a realmente melhorar a vida das pessoas. Liberdade de culto todos devem ter, mas isso implica oferecer algo que, pelo menos, não tenha repercussão negativa para adultos e até crianças que porventura vão se espelhar nos pais que fazem parte de grupos como esse. 

Como a Internet muda relação dos fiéis com igrejas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 0 comentários


Revista IstoÉ, Primeira semana de janeiro de 2013


Em visita à Itália, há dez anos, o padre carmelita brasileiro Reginaldo Manzotti perambulava pela cidade do Vaticano, a sede mundial do catolicismo, quando resolveu entrar em uma igreja para fazer uma oração. Para sua surpresa, o religioso descobriu que era proibido acender velas de cera dentro daquele templo. Os fiéis só podiam se valer das artificiais, que funcionam com lâmpadas, acionadas por moedas. Imediatamente, Manzotti pensou: “Se em Roma é válido eu acender uma vela que não queima ou faz fumaça, por que não criar uma vela pela internet?” Uma década depois, o pároco do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba, no Paraná, é um dos sacerdotes brasileiros mais atentos às possibilidades da evangelização digital. Aos 42 anos, é dono de um blog, possui perfil no Facebook, conta no Twitter e atua em rádio e tevê. Seu site recebe cerca de 1,1 milhão de visitas por mês, de gente que se vale dos rituais online disponíveis em um santuário virtual. Nesse espaço, a procura por serviços religiosos digitais só cresce (leia quadro). No mês passado, por exemplo, 148 mil pessoas acenderam uma vela via computador, 12 mil a mais do que no mês anterior. “É um novo modo de ser religioso”, afirma o padre Evaldo César de Souza, 35 anos, que dirige o portal A12 do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, outro que possibilita que sejam feitas novenas, vias-sacras e pedidos de orações virtuais.

Ainda não foram produzidas estatísticas capazes de medir o universo do fiel-internauta que procura Deus com o auxílio de um intermediário tecnológico. A rápida disseminação dessa prática entre católicos e evangélicos, porém, é visível e tem pautado estudiosos em comunicação religiosa. Somente nos dois últimos meses, quatro obras que investigam o tema passaram a ocupar as prateleiras do País. Autor de “E o Verbo Se Fez Bit”– a Comunicação e a Experiência Religiosas na Internet” (Editora Santuário), Moisés Sbardelotto verificou uma revolução ao pesquisar como se dava a manifestação religiosa em quatro sites católicos brasileiros. De acordo com ele, o fiel se transformou em coprodutor da própria fé, enquanto a Igreja, em vez de exigir obediência estrita, passou a conceder uma autonomia regulada e permitir, de certa forma, que um membro construa sua própria religiosidade.
Foi o que fez a católica Dulce Ponciano, 59 anos, da cidade de Governador Valadares (MG). Vivendo a cerca de três mil quilômetros de distância do santuário do padre Manzotti, ela criou um perfil no Facebook no ano passado, para interagir com esse sacerdote. Mas se viu, também, solta para dialogar sobre a sua religiosidade, inclusive com pessoas de outras denominações religiosas. Pela internet, então, Dulce ouve o programa de rádio do padre Manzotti ao mesmo tempo que posta as orações. Quase simultaneamente, seus textos são comentados pelo grupo de oração virtual criado por ela, composto por cinco mil membros. “Agora, posso expressar a minha fé de uma maneira mais livre”, diz. “Na igreja, a gente participa, mas não interage. Já a internet é uma grande catequese, uma sala de aula onde a gente debate e aprende.”
Essa desregulação social que marca os espaços disponíveis na rede coloca o fiel-internauta em contato com pessoas de diversas crenças, o que ocorreria em menor grau se ele estivesse dentro de uma igreja física. Está aí o ambiente perfeito para a pluralização religiosa. Sem a vigilância eclesiástica presente, aqueles que preferem não assumir compromissos institucionais com alguma denominação e querem crer sem pertencer se sentem em casa. Outro dado marcante desse novo modelo de vivenciar a fé: a possibilidade de o fiel se expressar de forma anônima via internet permite ao usuário confrontar posições de um líder religioso – ali, em forma de avatar – sem cerimônia, com audácia e coragem. A internet dá poder ao fiel perante as religiões. “No geral, uma denominação não fideliza o devoto por meio de rituais religiosos virtuais”, afirma José Rogério Lopes, da pós-graduação em ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). “Mas essas ferramentas são essenciais para a manutenção diária dos rebanhos.”
Padre Souza, do portal A12 de Nossa Senhora Aparecida, não acha que uma pessoa possa se satisfazer apenas com o consumo da religião pela internet. Mas há os que estreitam a relação com uma denominação religiosa depois de exercitar a fé no mundo virtual. Terapeuta pedagógica, a católica paulista Lourdes Santana, 47 anos, voltou a frequentar uma paróquia nas proximidades de sua casa após passar a acender velas, participar de novenas e escutar programas no ciberespaço. “Pela internet fortaleci a minha religiosidade”, diz ela, que agora vai à missa todos os domingos.
A evangélica paulista Amanda Santos frequenta a igreja Renascer em Cristo há oito meses. Fisicamente, faz isso toda quarta-feira e domingo. “Ir à igreja é necessário porque é lá que você ouve a voz de Deus”, diz ela, que é designer digital. Virtualmente, Amanda assiste às celebrações diariamente. “Enquanto trabalho, faço download de cultos no site e ainda envio as pregações para outras pessoas.” Aos 22 anos, Amanda também consegue se comunicar com líderes da Renascer via Facebook e SMS, quando precisa de alguma orientação espiritual para um assunto que a angustia. Ela não é a única que se utiliza de instrumentos desse tipo. Uma pesquisa recente mediu o alcance dos ambientes digitais a serviço da fé dos brasileiros. Depois de ouvir duas mil pessoas em oito países, o estudo, que investigou os hábitos dos usuários de dispositivos móveis e foi encomendado pela empresa de tecnologia Intel, apontou o Brasil como o lugar onde mais se discute religião por celular e tablet.
Os brasileiros lideram o ranking com 39% dos entrevistados, seguidos de australianos (8%), franceses (3%) e japoneses (1%). Ciente, portanto, de que precisa divulgar o evangelho também no mundo digital, até o papa Bento XVI, que tem o hábito de escrever à mão seus discursos e outros documentos, inaugurou este mês a sua conta no Twitter. No ano passado, ao passar a emprestar iPods aos peregrinos que visitassem a Basílica de São João de Latrão, o Vaticano já havia dado outro passo para se aproximar daqueles que se valem de recursos tecnológicos. Por meio de um aplicativo disponível no aparelho, o fiel passou a ser guiado de forma digital pela catedral da Diocese de Roma, considerada a mãe de todas as igrejas do mundo. Atrair a comunidade jovem seria uma das intenções desse novo recurso. Assim como fez o papa, que agora é seguido por mais de 1,2 milhão de pessoas no Twitter. Essa atitude do pontífice, porém, soa mais como uma mensagem de sintonia da Santa Sé com as novas tecnologias do que como uma estratégia de mercado, segundo o professor Airton Jungblut, da pós-graduação em ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Para ele, mais do que procurar Jesus na internet, o fiel-internauta busca se sociabilizar para discutir os pontos de sua fé com outras pessoas, informar-se e dar sentido ao que crê.
Meu comentário - Tenho acompanhado de perto o crescente uso da web pelos membros de igrejas e considero importante entendermos que há um lado muito favorável do uso das ferramentas tecnológicas para o culto e adoração e outro negativo.
O ponto positivo é que as ferramentas como a web em toda a sua abrangência (sites, portais, redes sociais, aplicativos para conversação instantânea,etc) atraem pessoas a Deus e à Bíblia que, da maneira convencional, não seriam alcançadas com tanta rapidez e eficácia. Os jovens de determinada faixa etária estão nesse contexto. Na web, com materiais e acessos adaptados a sua linguagem, a religião de modo geral pode se tornar mais palatável para esse grupo. O fato de fugir do convencional que atende a um outro determinado tipo de público é uma das principais características da web no atendimento a membros ou pessoas que buscam conhecer mais sobre religião, Deus ou a Bíblia Sagrada.
Experimentei já a participação em campanhas pela web com jovens e vi que o retorno é muito bom, pois, inclusive, nesse ambiente virtual há possibilidade de eles exporem mais suas dúvidas e participarem efetivamente das discussões, o que é saudável para uma fé racional e sólida.
Por outro lado, no entanto, o alerta é quanto ao perigo de se transformar a religião ou mesmo Deus em algo apenas virtual, distante, banal e que pode ser "coisificado", para usar uma expressão de gente como Bauman que estudam a questão do consumo. O desequilíbrio, para qualquer um dos lados, é sempre nocivo. Ignorar a web e sua importância na fé das pessoas como instrumento de apoio é errado. Mas transformá-la em um fim em si mesmo é outro erro. 
Aqui falo de um instrumento estratégico e com bons resultados. Mas é um instrumento. Tentar torná-lo mais importante do que o contato convencional com Deus por meio da oração ou da Bíblia por meio da leitura, que para mim são basilares na comunhão eficaz, não faz qualquer sentido também.

 
Realidade em Foco © 2011 | Template de RumahDijual, adaptado por Elkeane Aragão.