Mesmo com crise, livro é prioridade de compra nos EUA

domingo, 31 de janeiro de 2010 0 comentários

Folha On Line, 31.01.2010, 16h37min.

Mesmo durante tempos difíceis para a economia dos Estados Unidos, quando os consumidores tentam cortar despesas dispensáveis, eles não conseguem viver sem livros.

Três quartos dos adultos norte-americanos que participaram de uma pesquisa on-line disseram que sacrificariam férias, jantares, idas ao cinema e até compras nos shoppings, mas não conseguiriam resistir à tentação de comprar um bom livro.

Jantar fora de casa veio numa longínqua segunda posição da lista dos itens dispensáveis, com apenas 11%, seguida por compras, com 7%, viagens, com 4%, e filmes, categoria escolhida por apenas 3% dos participantes.

"A recessão realçou o declínio da ganância, dos prazeres e da entrega às tentações, mas notamos uma volta aos prazeres mais simples da vida", afirmou Michelle Renaud, gerente da Harlequin Enterprises Limited, que realizou a pesquisa.

A sondagem entrevistou 3.000 pessoas e tentou determinar o que seduzia as pessoas a gastarem mais dinheiro, como elas reagiam à tentação e quão longe elas iriam quando tentadas.

O sexo foi a principal tentação de 50% dos homens, enquanto 56% das mulheres responderam que a comida encabeçava a lista. Os gêneros também divergiram no seu enfoque em cometer desvios. Metade dos homens disse que era inofensivo cobiçar alguém que não fosse sua parceira, número que caiu para 33% entre as mulheres.

'Nossa pesquisa também revelou que 20% das mulheres e 43% dos homens tinham tentação de ficar com a parceira de um amigo [ou parceiro da amiga]", informou a empresa.

A economia em dificuldade e o alto desemprego também parecem ter aumentado a competição e as tentações no ambiente de trabalho. Segundo a sondagem, 48% das pessoas admitiram ter dado uma olhadela no holerite do companheiro de trabalho. Já 15% dos homens e 10% das mulheres disseram que sabotaram um colega.

"É muito surpreendente o número de pessoas que admitiram ter feito isso", disse Renaud, acrescentando que esse fato provavelmente ocorre devido ao competitivo mercado de trabalho.

A mesma fatia de homens e 8% das mulheres admitiram que tomaram para si o crédito por um trabalho feito por outra pessoa.

Nota: Apesar de a pesquisa falar das tentações humanas, não é exatamente isso que me chamou mais a atenção nesta pesquisa. Ficou claro o interesse dos entrevistados por leitura, em detrimento de outras atividades, muitas delas supérfluas. Fica aí uma dica interessante para quem realmente quer ter mais conteúdo para discutir ideias, crescer profissionalmente e pessoalmente e ampliar a visão do mundo ao seu redor com um olhar mais crítico. Mas, repito: leitura só ajuda se for de bons livros, não de baboseiras comerciais produzidas somente para vender.

Remédio de emagrecimento mais popular no mundo proibido na Europa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 0 comentários

O Globo On Line, 25.01.2010, 11h35min.

A Agência Europeia de Medicamentos proibiu esta semana a venda da sibutramina, atualmente a droga para emagrecer mais usada no Brasil e nos Estados Unidos, de acordo com informações do British Medical Journal (BMJ). Nos EUA, o medicamento teve sua venda restrita em dezembro após uma avaliação da Food and Drug Administration (FDA), que observou que a droga aumenta o risco de infartos e derrames.

Segundo a agência europeia, os riscos da sibutramina superam seus benefícios. Junto com a proibição, foram divulgados dados do estudo "sibutramine cardiovascular outcomes trial (SCOUT)", que mostrou que o risco de infarto do miocárdio aumenta 16% em pessoas que tomam o medicamento. Em artigo publicado no BMJ, os pesquisadores da Agência Europeia de Medicamentos afirmam que "médicos não devem mais prescrever este medicamento, e farmacêuticos não devem tê-lo em estoque. Pacientes que tomam a sibutramina devem consultar um médico e discutir formas alternativas de perder peso".

Nota: Mais um motivo para não se envolver com "miraculosas" maneiras de perder peso que comprovadamente podem ser prejudiciais à saúde, ao templo do Espírito Santo como diz a Bíblia. Melhor recorrer aos meios preventivos como alimentação saudável, exercícios, repouso, etc.

Britânicos querem transformar heavy metal em religião oficial

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 0 comentários

Portal G1, 22.01.2010, 18h50min.

A revista "Metal Hammer" lançou nesta semana na internet uma campanha para que o heavy metal seja oficialmente reconhecido como uma religião no Reino Unido. A ideia é que, no censo de 2011, os fãs do gênero escrevam a palavra "heavy metal" no campo em que devem informar a sua opção religiosa.

"Você é um defensor da fé? Você faz chifrinhos com mais frequência do que junta as mãos? Então você vai querer fazer parte da campanha Metal Britannia, da 'Metal Hammer', para fazer com que os poderosos saibam disso", diz o comunicado oficial da revista, que cita um verso de uma música de Ozzy Osbourne para endossar o movimento: "O rock'n'roll é a minha religião e a minha lei".

A campanha, com cerca de 4.700 seguidores no Facebook até agora, tem inclusive o seu próprio "embaixador mundial da paz metaleira", o vocalista da banda Saxon, Biff Byford.

"O metal foi criado aqui, portanto deve estar nos genes do Reino Unido, eu creio", diz Byford. "No começo dos anos 80 havia um enorme número de grandes bandas e éramos todos parte do mesmo clube, seja qual fosse o nome que nos chamássemos, fosse heavy rock, rock'n'roll ou heavy metal, não fazia diferença. Tinha esse grande culto de mais de um milhão de pessoas no Reino Unido e agora está acontecendo tudo de novo! Conseguir o reconhecimento do heavy metal como um religião é um grande ato de rebeldia, não?", sugere.

Os fiéis metaleiros aproveitam para lembrar que no último censo, realizado em 2001, mais de 400 mil britânicos informaram "jedi" como a sua religião graças a uma campanha massiva realizada na internet pelos fãs da série "Star wars". No balanço final, jedi acabou sendo oficializada como a quarta religião mais popular do Reino Unido, atrás apenas do cristianismo, do islamismo e do hinduísmo.

Nota: Realmente, a maneira como muitas pessoas se relacionam com a música acaba se tornando efetivamente uma religião, pois determinados estilos musicais e tudo o que se associa a eles se transformam finalmente em objetos de culto como os próprios "metaleiros" dizem na reportagem acima.
O sentido lato da palavra religião, no entanto, tem a ver com religação com Deus ou com algum tipo de divindade. Não compreendo muito bem a que tipo de religação os adeptos do heavy metal se referem, mas é preciso analisar bem qual é a motivação desta nova ideia/modismo. A música heavy metal sempre esteve associada, seja na Europa ou nos Estados Unidos, à rebeldia, sexo livre, abuso de álcool e drogas, violência e desrespeito às leis e à família. Certamente não são princípios que norteiam uma religião, por exemplo, fundamentada na Bíblia Sagrada.
Acredito ser improvável o avanço de mais este oportunismo de promoção do heavy metal, mas me preocupa seriamente a intenção de se equiparar à religião um estilo de música que tem ajudado a degradar a mente de jovens em todo o mundo ao longo dos anos e praticamente não contribui com causas verdadeiramente importantes para o bem-estar da humanidade.

Soldados britânicos no Afeganistão receberão fuzis com mensagens bíblicas

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 1 comentários

UOL Notícias, 21.01.2010, 7h52min. Indicação do internauta Rogério Ferraz.

Os soldados britânicos no Afeganistão receberão fuzis com uma mira telescópica que terá referências bíblicas, uma decisão que os críticos temem que seja aproveitada pelos talibãs.

O ministério da Defesa (MoD) assinalou que fez um pedido de 400 visores à empresa americana Trijicon, acrescentando que não sabia do significado das inscriçoes.

O partido opositor Liberal Democrata criticou a medida, enfatizando que os rebeldes que lutam contra as Otan e as forças dos Estados Unidos no Afeganistão poderão fazer uso disso.

"Isso será para alguns de nossos inimigos uma prova para convencer seus seguidores de que estamos mergulhados numa guerra religiosa entre o cristianismo e o Islã", afirmou o porta-voz do partido.

Os visores ópticos de combate exibem a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João.

Esta passagem da Bíblia, na versão do Rei James, diz: "Então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo: quem me segue, não andará nas trevas, e sim terá a luz da vida".

O ministério da Defesa esclareceu que a Trijicon foi escolhida por oferecer miras ópticas de melhor rendimento. Por sua parte, a Trijicon declarou que coloca referências das Escrituras em seus produtos há mais de duas décadas. O Reino Unido tem atualmente cerca de 10.000 soldados no Afeganistão.

Nota: Não creio que a referência a Jesus como a luz do mundo tenha qualquer relação com visores óticos para guerrear à noite. Não dá para coadunar a guerra, motivada seja por qual razão, com a mensagem de iluminação espiritual que Jesus deixou nos evangelhos bíblicos. É o tipo de atitude que só distorce o verdadeiro papel da Bíblia e da própria religiosidade. Infelizmente, ao que parece, a julgar pela história, estamos diante de conflitos muito menos ligados a questões religiosas ou de interpretação dos livros sagrados e, sim, muito mais influenciados pelo desejo de conquista de territórios estratégicos, riquezas do solo e poderio para novas e insanas guerras.

Vaticano manobra para conciliar interesses com judeus

domingo, 17 de janeiro de 2010 0 comentários

Agência Zenit, 17.01.2010, 11h14min

O Papa Bento XVI ressaltou o que une católicos e judeus neste domingo no Vaticano, horas antes de uma visita à sinagoga de Roma, que tem provocado polêmica após a decisão do Sumo Pontífice de avanças com a controversa beatificação de Pio XII.

"Apesar dos problemas e das dificuldades, se respira um ambiente de grande respeito e diálogo entre os fiéis das duas religiões", disse o Papa alemão da sacada de seu quarto no Vaticano.

Bento XVI ressaltou "as relações maduras" e "o esforço comum de valorizar o que nos une: a fé em um Deus único, primeiramente, mas também a proteção da vida e da família, a aspiração à justiça social e à paz".

Ele repetiu que a visita à sinagoga de Roma tem como objetivo marcar "uma nova etapa no caminho da concórdia e da amizade entre católicos e judeus".

A decisão de Bento XVI, em 19 de dezembro, de dar o status de "venerável" a Pio XII, acusado de ter mantido silêncio diante do genocídio dos judeus, esteve a ponto de comprometer a visita, anunciada em 13 de outobro.

A visita será acompanhada pela imprensa do mundo inteiro, com a presença de 500 jornalistas.

Nota: Historicamente, o Vaticano tem conseguido ser hábil politicamente para que seus interesses prevaleçam em todas as áreas. Resta saber, agora, qual será a manobra para conciliar uma aproximação ecumênica consistente com os judeus e a beatificação de um papa historicamente comprometido com a omissão diante do holocausto alemão.
Em um bom livro chamado "Em nome de Deus", o autor, o jornalista católico David Yallop, faz menções, também, à fortíssima ligação entre os EUA, o Vaticano e a causa em favor do estado de Israel à época do papado de João Paulo II. Ou seja, vem de mais tempo este interesse em granjear o favor dos judeus ou dos simpáticos à causa judaica no mundo. Resta saber como harmonizar posições contraditórias do passado com desejos políticos do presente.

Vampiros e zumbis representam 17% dos livros vendidos nos EUA

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 0 comentários

Folha On Line, 14.01.2010, 17 horas.

Pelo menos 17% dos livros vendidos nos EUA no ano passado falavam sobre vampiros ou morto-vivos como zumbis e criaturas paranormais. O levantamento foi feito pelo jornal norte-americano "USA Today", que elaborou uma lista das cem obras mais vendidas no país.

Atores Robert Pattinson (à dir.), Kristen Stewart e Taylor Lautner, da saga Crepúsculo no cinema

O ranking foi liderado pela série de Stephenie Meyer, autora de "Crepúsculo", "Lua Nova", "Eclipse" e "Amanhecer". Em seguida, aparecem os livros de Charlaine Harris, que inspiraram "True Blood", série de TV criada pelo canal HBO. C. Cast, autora da série "House of Night" junto com sua filha, também é lembrada na lista.

"Orgulho e Preconceito e Zumbis", que modifica a obra de Jane Austen, também está presente no ranking. O texto foi adaptado pelo norte-americano Seth Grahame-Smith.

O "USA Today" mostra que vampiros, zumbis e criaturas paranormais ganharam espaço nas livrarias em 2009. No ano anterior (2008), eles representavam só 14% dos títulos. Em 2007, a participação era bastante pequena, só de 2%.

A tendência é de que os sugadores de sangue sigam, em 2010, nesse mesmo caminho. "Eclipse" ganha adaptação cinematográfica em junho, despertando o interesse de quem ainda não foi "mordido" por esse febre literária.

Motivos

Especialistas tentam entender essa mania mundial de vampiros.

"O vampiro é o novo James Dean", diz Julie Plec, autora e produtora executiva de "The Vampire Diaries" (Diário do Vampiro), futura série de TV americana baseada nos populares romances de L.J. Smith, sobre garotas colegiais e hommes fatales. "Há algo tão silencioso e sensual nesses jovens predadores eróticos", disse.

Os vampiros fazem parte de uma tradição antiga que remonta a Nosferatu e pelo menos ao Drácula de Bram Stoker. Anne Rice atualizou o gênero, introduzindo o vampiro aristocrático Lestat. Mas os mortos-vivos estão retornando como uma vingança, em parte porque "personificam ansiedades do mundo real", disse Michael Dylan Foster, professor-assistente no departamento de folclore da Universidade de Indiana em Bloomington.

"Especialmente nesta época de maior vigilância, no pós-11 de Setembro, representações como 'Crepúsculo' refletem uma espécie de mentalidade de teoria da conspiração, um temor de que haja alguma coisa secreta e perigosa acontecendo em nossa comunidade, embaixo de nossos narizes."

E o que mantém os vampiros atraentes? Sua combinação de boa aparência imortal e sexualidade decadente. Figuras de glamour vampiresco fazem poses sedutoras em diversas publicações recentes de moda. Retratadas como criaturas andróginas, elas exibem olhares mortíferos, acentuados por sua palidez cadavérica.

A atração do vampiro "tem tudo a ver com a excitação de imaginar os monstros que poderíamos ser se nos permitíssemos", sugeriu Rick Owens, um precursor da moda cujas coleções de tom gótico às vezes evocam os mortos-vivos.

"Somos todos fascinados pela corrupção -quanto mais glamourosa, melhor", e, ele acrescentou, com a ideia de "devorar, consumir, possuir alguém que desejamos".

Esse tipo de glamour predador é personificado por Catherine Deneuve em "Fome de Viver". Nesse clássico cult da morbidez de 1983, dirigido por Tony Scott, Deneuve faz o papel de Miriam, uma chupadora de sangue sedutora que usa ternos de ombros marcados e é casada com um pálido David Bowie e atraída por Susan Sarandon, meio andrógina, uma especialista em sono e longevidade.

O controle dos impulsos é um tema que repercute especialmente na atual era de conflitos e recessão. "Os períodos de guerra, crise e turbulência econômica dão origem à produção de vampiros e à ficção fantástica", disse Thomas Garza, presidente do departamento de estudos eslavos e eurasianos da Universidade do Texas em Austin e especialista na lenda dos vampiros.

"Com a recessão e a guerra, o conflito parece se voltar para dentro, enquanto questionamos nossa situação fiscal, política e moral. Fomos excessivos demais? Precisamos ser mais contidos? Parece que estamos novamente questionando esses valores fundamentais", disse.

Nota: Este é o tipo de levantamento que me preocupa. Sou um notório defensor da leitura, ainda mais em um país como o Brasil em que a média de livros lidos pelas pessoas não chega a 2 por ano. O problema é o conteúdo do que se lê. A literatura ficcional não é uma nenhuma novidade e sempre encantou gerações ao longo dos séculos. Só que o teor voltado a vampiros, zumbis, paranormalidade, mortos-vivos sem contextualização ou mal contextualizado historicamente é algo perigoso.

Até que ponto crianças e adolescentes entendem profundamente do que se tratam histórias de zumbis e vampiros? A superficial leitura de livros do gênero sensacionalista não é certeza de compreensão de mundo. Seria uma forma de simplificar a explicação da imortalidade da alma e da eternidade em torno de seres meio humanos e meio não-humanos? Se é, é importante que os jovens leiam, também, livros que procuram explicar a origem de crenças como a imortalidade da alma de autores diversos e não apenas de prováveis oportunistas do mundo literário que veem nestas "obras" chances de alavancar suas vendas.

Entre as razões apontadas por um dos entrevistados para o interesse por este tipo de "literatura" está o desejo do ser humano de se deparar com mistérios e coisas não explicadas racionalmente. Mas será que neste tipo de leitura há respostas para isso ou mais indagações que só levam a mente a divagar em torno de ilusões criadas para consumo rápido e garantido? Engraçado ver que muitos rejeitam a Bíblia por considerarem um livro alegórico e não literal, mas dão amplo crédito para os devaneios escritos por aproveitadores de plantão ávidos por vender suas narrativas "fantasmagóricas", sensuais e historicamente infundadas muitas vezes.

Se vale uma busca pelo espiritual, sugiro a leitura, também, dos incríveis textos bíblicos que informam e formam seres humanos há milhares de anos. Palavras que dão sentido à vida e possuem muito mais coerência arqueológica e histórico-cronológica do que muita obra dita "científica" que se produz por aí.

Sobrevivência na África

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 1 comentários

Jornalista Fabiana Bertotti, que recentemente produziu vídeos no continente africano para o Serviço Voluntário Adventista - Conheça mais sobre este projeto em http://blog.portaladventista.org/missionariosvoluntarios/

Não consigo entender algumas coisas aqui, por mais que me expliquem. As pessoas aceitam ser servas das outras que consideram superiores e simplesmente não lutam por algo mais. É incrível. A cabeça é diferente, é mais que cultura. Existem enormes campos verdes, terras férteis e não se vê plantações de comida. Somente o chá dos estrangeiros. É possível plantar soja, feijão e o que mais precisarem, mas não o fazem.

O Malawi é lindo, gente, lindo mesmo! E as pessoas são miseráveis, sem precisar ser. Uma coisa me chamou a atenção num vilarejo: uma casa com a placa para recarregar celular. Não existe energia elétrica fácil por ali, mas uma galera tem celular. Eita globalização. Só que não têm onde carregar e pagam um local onde podem obter energia. No mercado, bem bonito por sinal, quase tudo vem da África do Sul, país vizinho, pois não há indústrias significativas no Malawi e de alimentos então, no way! A educação é precária, mas algumas pessoas fazem uma diferença aterradora.

Conheci um paciente do hospital, senhor Gerald Campbell que me deixou fascinada. Há 13 anos ele vive no país e há 12 montou um grande orfanato, usando uma base militar abandonada. Conseguiu algum apoio do governo, pediu doações e prosseguiu. Lá ele cuida atualmente de 115 jovens de 4 a 20 anos que recebem comida, educação técnica, ensino de inglês e muito carinho. Cada criança, com educação e tudo, custa cerca de 70 dólares por mês e ele vai atrás do dinheiro. Era um executivo de marketing do All Mart e largou tudo nos EUA para fazer isto aqui. Hoje seus "filhos" são técnicos, professores, conheci um mestre em educação e outras tantas profissões. O lugar é feio e pobre, mas é o oásis para quem perdeu a família para a Aids. A bondade do senhor Campbell torna aquela pobreza linda. Quando perguntei por que ele tinha largado tudo no seu país para viver ali, daquela forma, por gente que nem conhecida era ele calmamente e com um largo sorriso respondeu: primeiro, porque sou cristão e Cristo me pediu para amar e ajudar ao meu semelhante, está na Bíblia, pode olhar. Depois porque eu posso ajudar de alguma forma então deque valerá minha vida aqui se não tiver feito o bem para alguém e tiver vivido só pra mim? Minha dor pelo soco no estômago que ele acabara de me dar não permitiu outra pergunta sequer.

 
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