Cristãos presos no Togo aguardam justiça

domingo, 28 de julho de 2013 2 comentários

Do Portal Adventista, 18.07.2013.

No sábado, 27 de julho, a Igreja Adventista em todo o mundo estará unida em oração pelo pastor Antonio Monteiro e pelo empresário Bruno Amah, que seguem presos no Togo, um país que fica no oeste africano. Nesta data irão se completar exatos 500 dias da prisão e o lema será “500 dias de injustiça”.

Além desse movimento de oração a Igreja também disponibilizou na internet um site com explicações sobre o caso e com uma petição de libertação. Se a Igreja conseguir um milhão de assinaturas, enviará esses dados para o governo do Togo solicitando a imediata libertação dos dois adventistas. Visite o site e deixe a sua assinatura: www.pray4togo.com.

A esposa do pastor Monteiro, Madalena dos Anjos, fala da esperança que tem de que Deus irá atuar e resolver a situação. “Oro cada dia a Deus para que ele volte para casa”. Ela e a esposa do empresário Amah, diariamente levam comida para os dois prisioneiros.

Um pouco de história – O pastor Antonio Monteiro, natural de Cabo Verde, e o empresário Bruno Amah, foram presos no dia 15 de março de 2012, um ano após o assassinato de 12 mulheres que tiveram seu sangue retirado e seus órgãos sexuais extirpados. Um homem que trabalhou com o pastor Monteiro o acusou falsamente de ter provocado uma conspiração para matar as mulheres.

Advogados, a Igreja Adventista mundial e diversos diplomatas estrangeiros já intercederam por eles, mas não houve acordo. O diretor de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para o mundo, doutor John Graz, comenta que “a acusação contra Monteiro é a de que ele, como pastor adventista, fez uma conspiração para matar aquelas mulheres e usar seu sangue em uma cerimônia religiosa. Esta acusação é absolutamente inacreditável e absurda”.

Originalmente publicada em http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/gente/adventistas-seguem-presos-no-togo-veja-como-voce-pode-ajudar/

Meu Comentário - Esse tipo de problema de dimensão internacional só evidencia algo muito claro: o de que algumas instituições que deveriam promover a justiça não conseguem realizar isso com precisão e clareza em algumas partes do mundo. É muito complicado quando legislações judiciais abrem brechas ou permitem que pessoas sejam mantidas presas por mais de 1 ano sem qualquer tipo de julgamento ou com acusações formais pouco fundamentadas. No Brasil, isso também ocorre e o prejuízo para a família das pessoas que são vítimas disso é enorme. Os adventistas e outros cristãos estão fazendo sua parte ao orar e tentar, pelos meios lícitos, convencer as autoridades do Togo a libertarem os cristãos presos ou então efetuar um julgamento definitivo para avaliar, então, possíveis recursos em caso de condenação. O que não pode ocorrer é a indefinição de mais de 500 dias em relação a esse caso. Frágeis demais algumas instituições que deveriam zelar pela justiça em certas partes do mundo.

Ouça um resumo desse comentário em áudio também:

Ator encontrado morto no Canadá tinha vida dupla

terça-feira, 16 de julho de 2013 0 comentários

Site UOL, 16.07.2013.

De acordo com nota do site TMZ, o resultado da necropsia de Cory Monteith constatou que havia heroína e álcool no sangue do ator que foi encontrado morto no último sábado (13) em um quarto de hotel no Canadá. O exame preliminar foi divulgado pelo Departamento de Polícia de Vancouver que investiga o caso, nesta terça.

Ainda segundo o comunicado divulgado pela polícia, a família de Cory já tomou conhecimento do resultado e pediu que fosse respeitada a privacidade dos familiares do astro de "Glee" neste momento. A investigação sobre as causas da morte continua.
Cory levava uma vida dupla, segundo o site TMZ. Quando estava no Canadá, sua terra natal, fazia uso de drogas e bebida alcoólica. Mas mantinha um estilo de vida regrado ao lado da namorada, Lea Michele, nas temporadas que passava em Los Angeles, nos Estados Unidos. Em comunicado enviado à revista "People", a assessoria da atriz disse que "Lea está profundamente grata por todo o carinho que tem recebido dos familiares, amigos e fãs". "Desde a morte de Cory, Lea está ao lado da família dele. Eles estão se apoiando enquanto suportam esta profunda perda juntos", prosseguiu o comunicado.
Histórico com drogas

Os problemas de Cory Monteith com as drogas começaram quando ele tinha 12 anos, conforme revelou o próprio ator em entrevista ao programa "Inside the Actor's Studio", em 2012. Ele chegou a passar por 16 escolas diferentes – incluindo algumas para adolescentes problemáticos – antes de largar os estudos, aos 16 anos. Foi nessa fase que os problemas de Cory com a bebida e as drogas ficaram mais sérios. Em entrevista à revista "Parade", o ator disse que usava "qualquer coisa, todas as coisas, o máximo possível".
Quando o astro de "Glee" tinha 19 anos, a família o obrigou a fazer um tratamento, cujo resultado não durou muito tempo. Sua postura só mudou quando ele foi pego roubando uma grande quantia de dinheiro de um parente e recebeu um ultimato: ou parava de beber e usar drogas, ou iria para a cadeia.
O ator, então, mudou para outra cidade, passou a viver com um amigo de sua mãe que se recuperava do vício e resolveu que aprenderia a atuar. Nesse momento, ele conheceu a ONG Project Limeligh, cuja fundadora, Maureen Webb, o incentivou a seguir a carreira de ator.
O passado de Cory o ajudou a conseguir o papel no filme independente "McCanick", ainda inédito, no qual interpreta um viciado que vai para a prisão por assassinato. O diretor Josh C. Waller contou à revista "People" que o ator foi franco sobre seu passado: "Ele falava 'eu posso fazer esse personagem. Eu conheço esse personagem. Eu era esse personagem, vivi elementos disso'. Ele disse 'eu era um jovem com problemas'".
Meu comentário - O que me chama a atenção nessa notícia é o fato de o ator ter vivido uma vida dupla. Ou seja, com a namorada mantinha uma conduta regrada, porém longe da vigilância humana acabava escondendo um pernicioso vício que, diga-se de passagem, acabou o matando. 
A realidade desse ator é a mesma de muita gente que tem vida dupla. Inclusive alguns que se consideram religiosos. Perto dos familiares e no trabalho mostram traços de personalidade totalmente diferentes dos apresentados longe dos conhecidos. Enganam-se, na verdade, a si mesmos, pois diante de Deus tudo é conhecido e está claro. 
Na Bíblia, Jesus fez questão de frisar que algo que desagrada profundamente a Deus é a hipocrisia. Foi essa uma das principais observações de Jesus para os líderes judeus que insistiam em manter tradições que refletiam apenas uma religião exterior em detrimento de um relacionamento sincero com Deus evidenciado em atos de genuína bondade. O maior problema não é cometer erros, mas querer ocultá-los de Deus como se isso fosse possível. 
É comum a fama, o reconhecimento social e até um alto padrão de vida fazerem com que várias pessoas se iludam e pensem que podem manter vidas paralelas. O risco de se deixar levar pela aparente incapacidade de cair é responsável pela maior das quedas. Perdem a luta contra si mesmos. São vencidos pela hipocrisia e pelo orgulho próprio. 
Ouça o resumo em meu podcast

A religião simples na contramão da visão humana

sábado, 6 de julho de 2013 0 comentários


Inventamos um mundo complexo para justificarmos, quem sabe, nossa sapiência, nossa capacidade de desenvolver algo diferente e complicado até para explicar as outras gerações. Mas a sabedoria divina diz que o simples sempre foi soberano e quem o adotou realmente foi sábio. Não acredita? Pois leia o que se fala no mundo corporativo ou ouça o que tem dado resultado na vida de milhares que seguem os conceitos de simplicidade em sua existência. Milhares pagam bom dinheiro para tentar entender
o glamour de uma vida longe do ritmo frenético das grandes e nervosas cidades. No Parque Nacional do Xingu, no estado do Mato Grosso, no Brasil, turistas chegam a pagar 800 Reais para ver de perto como vivem índios no estado mais natural possível. Fazem excursões em busca do segredo dos hábitos modestos dos indígenas. 
Será que almejar uma vida mais simples é uma moda passageira ou uma necessidade que vem desde os tempos mais remotos e que o ser humano insiste em não querer suprir? Na Bíblia, livro sagrado do cristianismo, os exemplos são antigos e numerosos, mas vou me deter em três aspectos da simplicidade da vida de Jesus Cristo. Engraçado é constatar tantas pessoas admirarem Seu caráter e o que Ele representou na revolução espiritual desse mundo, mas pouco se fala sobre um de seus maiores ensinamentos: a simplicidade. 
Vida simples com relacionamentos pessoais - A febre das redes sociais virtuais com seus milhões de usuários vidrados o tempo inteiro em algum tipo de tela para ver se alguém quer lhes dizer algo ou compartilhar algum momento particular ilustra muito bem o que já acontecia há pelo menos 2 mil anos. Jesus estabeleceu vínculos pessoais para mudar os conceitos de gente que possuía necessidades específicas. Atendia a cada um dos distintos públicos com abordagens diferentes e extremamente bem sucedidas. Sabia ser empático com o sofredor, firme com o hipócrita, prudente com os criadores de armadilhas e simpático com as crianças. Gastava tempo entendendo o que se passava na vida humana, observava e então agia com um profundo amor e desejo de oferecer algo melhor para quem mantinha contato com ele. Ele sabia que os relacionamentos sólidos se transformariam em gente multiplicadora de esperança para outros. Falava a multidões, mas mantinha relações pessoais. Não baseou Seu ministério em meros discursos, projetos com ideias que "desciam de cima para baixo" ou despotismo. Partia do pensamento humano para levá-lo ao ideal divino e o fazia por meio de relacionamentos. Ele tinha sua rede social pessoal com poucos seguidores e amigos, mas a força de Sua vida (mensagem encarnada) logo se traduziu em milhões de adeptos. Relacionamentos simples, mas eficazes. No livro Beyond Imagination, Baldwin, Gibson e Thomas analisam que, desde a criação do mundo, Deus estabeleceu o livre arbítrio ou livre possibilidade de decisão para justamente o homem ser livre e estabelecer relacionamentos. É o caso de alguém escolher ser amigo de outra pessoa e Deus mesmo quis esse tipo de contato com o ser humano desde o princípio. 
Simples métodos de trabalho -  Se analisarmos os métodos usados por Cristo veremos que eram fundamentalmente simples. Ele agiu em torno de um pequeno grupo de influência (começou com apenas doze e não comeuzentos), foi um líder-servo em todas as oportunidades (não apena falava, mas era em essência aquilo que dizia aos outros para serem) e trabalhou de maneira individualizada e não "por atacado". Era regrado e não se desviava do Seu foco principal por nenhuma razão. Jesus poderia ter exercido diversas e diferentes atividades inclusive de subversão aos governos vigentes, poderia ter empreendido uma obra puramente assistencial ou mesmo criado uma seita única e arregimentado um considerável séquito de seguidores fiéis, mas nada disso era Sua missão. Sua simples metodologia envolvia grupos menores de convivência e um ensino por parábolas que aludiam aos elementos familiares do povo. Seu ideal era alcançar o âmago da existência humana, muito mais do que apenas ser bem visto, bajulado ou aceito socialmente.
Simples hábitos sem exageros - Jesus nutria hábitos modestos e provavelmente comia alimentos mais simples e saudáveis, mas, ao mesmo tempo, via como estratégicos alguns almoços com cobradores de impostos, prostitutas e outros proscritos da sociedade. Acordava cedo e, portanto, dormia mais cedo, caminhava muitos quilômetros diários e mantinha conversação sadia com qualquer tipo de pessoa em vez do que hoje é a realidade da maioria das pessoas. Esse comportamento, que era seu estilo de vida e não uma moda passageira, fazia dele um homem singular. Para alguns, um louco revolucionário que não sabia aonde iria chegar. Para outros, um sujeito de ótimo coração e, na avaliação de poucos, alguém como Deus em pessoa. Mesmo sem participar da vida social daquela época e sem exercer qualquer cargo público importante, Sua trajetória alterou drasticamente os conceitos e preconceitos mantidos a ponto de finalmente resolverem aprovar Sua morte.
Não sou exemplo ou referência para ninguém, mas creio sinceramente na simplicidade bíblica, sobretudo a manifestada por Cristo, como algo muito forte para a humanidade imersa em tantas opções, tantas tecnologias, tantas estratégias, tantos alvos e tantas metas a perseguir. E para quem pensa que o simples significa alo raso ou superficial, basta comparar os profundos e radicais resultados obtidos por Jesus com Sua maneira de pensar e agir com aquilo que se conseguiu até hoje de mais real e concreto para qualidade de vida em todos os aspectos. 

Maior site de traição do mundo vai investir R$ 9 milhões em marketing no Brasil

segunda-feira, 1 de julho de 2013 0 comentários

Do Jornal Atual Maior.

O AshleyMadison.com é o primeiro e maior serviço de relacionamentos extraconjugais do mundo já criado, com cerca de 20 milhões de usuários cadastrados e no ano passado totalizou um faturamento de R$ 240 milhões. Em 2013, o site pretende investir até R$ 9 milhões em marketing e divulgação no Brasil, país que representa o segundo maior faturamento do grupo, atrás apenas dos Estados Unidos, onde o mercado da infidelidade movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano, contando viagens, hotéis, restaurantes etc.
Em 2005, o adultério saiu do Código Penal brasileiro e deixou de ser motivo de prisão. Desde então começaram a surgir muitos apressadinhos em terras tupiniquins. O Brasil demorou apenas um ano para atingir o primeiro milhão de usuários do AshleyMadison.com, pulando (a cerca) de 250 mil para um milhão de infiéis, ou seja, aumento de 300%. É o país que teve o maior e mais rápido crescimento do grupo de 26 países em que o site está inserido, e a cada dia pelo menos 3.000 novas pessoas começam a procurar por um (a) amante. Com cerca de 400 mil usuários, o estado de São Paulo lidera o número de cadastrados, seguido pelo Rio de Janeiro, com 160 mil. Para ter uma ideia comparativa, os Estados Unidos, país com maior quantidade de usuários de internet, levaram quatro anos para ultrapassar a marca do primeiro milhão de cadastrados.

Meu Comentário: Há pelo menos duas coisas mais importantes a dizer diante de uma notícia como essa. A primeira, e a mais óbvia, é que a infidelidade conjugal se tornou, a exemplo de outras práticas até então moralmente reprovadas, uma oportunidade comercial. Quem lucra com esse tipo de mercado se defende dizendo que só está cobrando por um serviço para quem já tinha a intenção de ser infiel em sua relação. Ou seja, não está criando nenhuma nova depravação moral, mas apenas   ficando mais rico com a destruição de eventuais casamentos alheios. 
Quem usa o serviço tem a garantia do anonimato e, assim, fomenta não apenas esse mercado biblicamente condenável, mas um conceito de que tudo, na verdade, é um produto a ser explorado e a infidelidade está entre esses produtos.
Para mim, quem vende ambiente virtual para adultério é tão responsável pela destruição não apenas de relacionamentos, mas de lares, quanto quem participa (usuários ou clientes).  A reportagem chama  a atenção para o fato de que o adultério deixou de ser crime em 2005, mas a prática sempre existiu e, no Brasil, se alguém foi condenado judicialmente por trair a esposa ou esposo isso deve ter ocorrido há mais de meio século. A questão aqui não é legal e nem moral, mas espiritual. José, o filho de Jacó, homem importante no período de governo egípcio antigo, resistiu à tentação de adulterar com a mulher de seu superior porque resolveu ser fiel primeiramente a Deus. Não foi por conveniência política (já que acabou preso mesmo não cometendo adultério com a mulher de Potifar) e nem por convenção social (já que, em culturas como a egípcia, esse tipo de preocupação era muito pequeno). Suas razões para a decisões corajosa residiam em uma base bem fundamentada de relacionamento espiritual com Deus.
O outro aspecto que merece ser pensado é sobre a necessidade de cristãos erguerem com maior força   sites e redes de relacionamento que fortaleçam a família tal como descrita no plano ideal apresentado pela Bíblia Sagrada. Se há franca oposição virtual contra os valores familiares, que os cristãos crentes nos valores sagrados familiares ergam a voz virtualmente e multipliquem bons materiais, palestras, testemunhos, enfim, algo que possa ser, no mínimo, uma segunda opinião sobre o assunto. Falta proatividade cristã.

Ouça em áudio um resumo desse post:

Manifestações sociais no Brasil e o contexto bíblico

sábado, 22 de junho de 2013 0 comentários

As manifestações organizadas e sistemáticas em vários pontos do Brasil não podem ser desconsideradas e nem lidas apenas sob um ponto de vista. Vários são os fatores que proporcionam essa nova realidade em um país que sempre foi caracterizado por um povo passivo diante de injustiças sociais. E isso tudo é sintomático. Não se trata de algo casual ou descontextualizado. A mídia convencional não tem condições de minimizar os efeitos disso, pois a tecnologia fez com que qualquer pessoa, via seus perfis pessoais na Internet e equipamentos móveis, reportasse o que tem ocorrido há alguns dias em todo o País.
                Vamos, porém, a alguns aspectos que podem falar sobre a origem disso. Há uma forte e crescente insatisfação de uma parte dos brasileiros com a corrupção generalizada nas instituições políticas e partidárias formais. A popularização do uso de redes sociais virtuais também colabora para que seja mais fácil chamar a mobilização de um grande número de pessoas (mais de 60 mil se somarem todos os pontos de manifestações). As más notícias sobre inflação dos preços dos produtos e serviços e risco de perda de poder de consumo também ajudam a compor um cenário geral de descontentamento popular.
                Mas quero olhar sob outro prisma essas manifestações. A Bíblia deixa claro que todos são livres para se expressarem da maneira que desejarem. Deus concedeu o livre arbítrio, ou seja, a possibilidade real de decisão autônoma sobre a vida. E quem participa de manifestações assim tem todo o direito de caminhar pacificamente em prol de uma causa na qual acredita. Há liberdade, também, para os que preferem realizar caminhadas de oração e compreendem que também estão agindo em prol do seu semelhante.
Violência - A Bíblia, no entanto, condena a violência contra pessoas ou mesmo patrimônio público e privado. Em Provérbios 10:6 é dito que “sobre a cabeça do justo há bênçãos, mas na boca dos perversos mora a violência” (versão Almeida Revista e Atualizada). Nada justifica destruir algo que é de todos ou mesmo colocar em risco a vida do semelhante. E, por mais que os líderes das manifestações aleguem, a existência desse tipo de ação sempre abrirá espaço para algum tipo de violência. Tanto da parte dos manifestantes, quanto da parte da polícia que inevitavelmente vai agir para reprimir o que considerar ameaça à segurança pública.
O palco - Li alguns textos interessantes da escritora norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen White, a respeito desse assunto. E percebo como realmente profeticamente já se falava sobre o fato de as grandes cidades se tornarem palco de ações como essas manifestações. Textos do século retrasado ou passado são bastante atuais. No livro Testimonies for the church é dito que “não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas em que se fundamenta o presente estado da sociedade. Os que detêm as rédeas de governo não são capazes de solver o problema da corrupção moral, da pobreza, do pauperismo (miséria e extrema pobreza) e da criminalidade crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em bases mais seguras. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, encontrariam solução para os problemas que os assoberbam”.
                As grandes cidades do mundo são e ainda serão palco de muitas tragédias sociais como as que assistimos preocupados no Brasil. Mas em vários outros países isso tem ocorrido regularmente. E infelizmente pouco se vê em termos de avanços sociais a partir desses embates com repercussões quase sempre violentas. Em outros livros, Ellen White aconselha as pessoas a viverem fora dos grandes centros, mas a se envolverem com a missão evangelizadora nas grandes cidades. Parece um paradoxo, mas não é. Os cristãos, que se pautam pela Bíblia Sagrada, devem trabalhar para levar a mensagem divina a todos, inclusive nas grandes cidades. Por outro lado, a vida em lugares mais afastados oferecerá melhores condições de saúde mental e física.
                O que as grandes cidades talvez precisem tanto não são passeatas, originalmente pacíficas, mas que dão margem em seu entorno a vandalismo e violência generalizada. As grandes cidades precisam de uma intervenção de Deus. E isso se dará por meio de pessoas realmente motivadas pelo Espírito Santo que deverão fazer a diferença na sociedade. Mas e as injustiças sociais desse mundo? Ao que tudo indica e podemos ver, são consequência do pecado e não irão cessar, nem pela realização de passeatas ordeiras, muito menos porque alguns estão quebrando tudo o que vem à frente ou colocando fogo em veículos. Serve para nossa reflexão. O conflito é outro...

Felipe Lemos, mantenedor desse blog. 



Bispos gays: quando a cultura é mais importante que a religião

domingo, 16 de junho de 2013 0 comentários

Na semana passada, a Igreja Evangélica Luterana da América (ELCA) votou pela primeira vez em um homem abertamente homossexual para que se tornasse bispo. Durante vinte anos, R. Guy Erwin foi banido do ministério ordenado na ELCA; em 2009, a Igreja Luterana levantou a proibição e ele foi ordenado. Agora, apenas quatro anos depois, o Sr. Erwin está prestes a se tornar o primeiro bispo luterano gay.

Por padre Dwight Longenecker, em http://www.aleteia.org/pt/religiao/documentos/bispos-gays-quando-a-cultura-e-mais-importante-que-a-religiao-1875001


Com mais de quatro milhões de membros em 10.000 congregações, a ELCA é a sétima maior igreja protestante do país, e a segunda depois da Igreja Episcopal a ordenar e promover "parcerias homossexuais". O fato de que as igrejas episcopais e luteranas tenham reconhecido os ministérios umas das outras, e que os ministros luteranos trabalhem regularmente em igrejas episcopais e vice-versa, significa que, em muitos aspectos, existe agora uma denominação protestante liberal que poderia ser chamada de a Igreja Luterana Episcopal dos EUA.

Não é minha intenção brigar com os luteranos episcopais sobre a sua decisão. Também não pretendo argumentar sobre a moralidade do ato de sodomia. Qualquer ser humano com bom senso conhece os fatos sobre a sexualidade humana e entende que a relação sexual entre dois homens não é o que Deus planejou.

Deixando de lado tais debates, existe uma dificuldade mais profunda e preocupante na decisão de tolerar a homossexualidade. Isso não tem nada a ver com a sexualidade humana, mas com os próprios princípios fundamentais da fé cristã e, de fato, da própria religião.

O luteranos episcopais não votaram simplesmente para "ser legais com as pessoas homossexuais". A razão pela qual os luteranos episcopais votaram a favor da homossexualidade é porque eles acreditam que a sua compreensão e seu ambiente cultural são mais importantes do que a revelação divina.

Eles não são ignorantes, pois sabem que a Bíblia condena o comportamento homossexual. Eles entendem que praticamente todas as religiões, em todos os momentos e em todos os lugares, condenaram a prática da homossexualidade. E, no entanto, nada disso importou; em vez disso, eles demonstraram acreditar que o cristianismo pode e deve ser adaptado ao contexto cultural às necessidades pastorais do momento. Eles realmente acreditam que a sua cultura e sua compreensão são superiores a tudo o que já aconteceu antes.

Existem duas categorias básicas na igreja cristã hoje: aqueles que acreditam que a fé cristã é uma construção cultural que deve se adaptar e se transformar de acordo com as necessidades culturais e pastorais de cada sociedade, e aqueles que acreditam que a fé cristã é revelada por Deus e que, em vez do cristianismo se conformar com o mundo, o mundo deve estar de acordo com o cristianismo. O luteranos episcopais seguem a primeira concepção.

Portanto, o que estamos testemunhando na decisão luterana episcopal não é simplesmente uma apologia da homossexualidade. Isto é apenas um sintoma da doença. A decisão de ordenar o Sr. Erwin como um bispo luterano é simplesmente a consequência de uma posição filosófica mais fundamental – de que a religião deve estar em conformidade com o mundo.

Por que isso é importante? Porque uma escolha muito fundamental tem de ser feita. Alguém acredita que a fé cristã é uma construção humana, que pode ser adaptada de acordo com qualquer vento de mudança na sociedade? Alguém acredita que a religião é um acidente histórico – uma instituição feita pelo homem, que simplesmente tem uma função prática necessária no mundo? Se for sim, então acredita-se que toda a religião cristã foi criada apenas por pessoas. Se ela foi feita por pessoas, para começar, então ela pode ser alterada pelas pessoas sempre que tais pessoas desejarem.

Será que ninguém vê que isso significa a morte da própria religião? Porque, se a religião não é mais do que uma construção humana, então a religião realmente não é mais que uma ilusão humana. Se a religião é uma construção humana, então ela não é mais importante do que qualquer outra instituição nobre. Se a religião não é mais do que uma construção humana, ela não é mais importante do que os escoteiros, o Rotary Club ou a Cruz Vermelha.

A alternativa é acreditar que a fé cristã é revelada pelo próprio Deus, através de seu filho Jesus Cristo encarnado, e que Jesus Cristo, o Filho de Deus, fundou a sua Igreja sobre o apóstolo Pedro e seus sucessores; e que, até hoje, a Igreja, através o poder do Espírito Santo, fala a verdade ao mundo e administra os sacramentos da salvação para alcançar e redimir toda a raça humana.

A primeira opção não pode realmente ser chamada de religião. É um artifício humano. É uma máscara religiosa que os seres humanos usam.

A segunda opção continuará sendo a igreja de Jesus Cristo. Como tal, continuará sendo sacramento de salvação – ou pedra de tropeço, para aqueles que simplesmente desejam se conformar com o mundo.

Meu comentário: considerei bem interessante esse artigo do referido padre por se tratar de uma análise mais profunda da questão das religiões e das questões culturais. 
Deixo claro, no entanto, que discordo dele quanto à parte que fala da fundação da Igreja Católica. Não tenho esse ponto de vista.
Voltando ao assunto principal, talvez esse seja um dilema pela qual passe o cristianismo de maneira geral no mundo. O aspecto da aceitação de bispos homossexuais é apenas um dos fatores em jogo nesse duelo entre cristianismo bíblico e cultura predominante. E os dois lados se tornam cada vez mais excludentes. O caminho natural de muitas denominações religiosas cristãs é simplesmente aceitar que não conseguem lutar contra aspectos culturais que sempre se chocaram com suas crenças e incorporá-los. Algumas poucas representações religiosas cristãs insistem em se manter fiéis ao que efetivamente foi revelado na Bíblia Sagrada (máxima referência do cristianismo) e evitam o que alguns chamam de contextualização cultural dos princípios. Se os princípios bíblicos fundamentam justamente o cristianismo, qual a vantagem de abrir mão deles? Não seria um golpe contra as próprias denominações a longo prazo, tornando-as completamente inócuas e irrelevantes?
Não me atrevo aqui a discutir esse dilema entre cultura e religião, pois existem sérias pesquisas e pesquisadores que debruçaram tempo para analisar isso e possuem propriedade para falar a respeito. Uma coisa, no entanto, é praticamente inegável. O cristianismo parece perder muito mais a relevância para a sociedade onde as doutrinas bíblicas que sempre foram sua base também deixaram de ser pregadas e ensinadas. A conformidade com o mundo não tem feito o cristianismo crescer onde isso ocorre. Pelo contrário. É algo a ser pensado com verdadeira seriedade.

Empresas aceitam vigilância dos EUA: o que pode estar por trás?

domingo, 9 de junho de 2013 1 comentários

Da Folha de São Paulo, 09.06.2013.

As maiores companhias de internet reagiram mal quando autoridades do governo dos Estados Unidos foram ao Vale do Silício, na Califórnia, lhes cobrar meios facilitados para acessar dados de usuários, como parte de um programa de monitoramento. No fim, porém, a maioria cooperou ao menos um pouco com a Casa Branca.
Dentre as grandes empresas, o Twitter se recusou a colaborar, mas outras foram mais receptivas. De acordo com participantes dessas negociações, a lista das que aceitaram conversar inclui Google, Microsoft, Yahoo, Facebook, AOL, Apple e Paltalk. Elas foram legalmente requisitadas a compartilhar seus dados com base na Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, em inglês).
Repassar informações em cumprimento à Fisa é uma obrigação legal, mas facilitar o trabalho do governo em obter dados não o é. Por isso, o Twitter pôde se recusar a cooperar de forma mais ampla.
Em pelo menos dois casos, no Google e Facebook, uma das propostas discutidas era criar uma versão digital dos escritórios onde as empresas guardam suas informações sigilosas, geralmente em grandes servidores. Por meio desses portais, o governo pediria os dados e as companhias os forneceriam.
Esses episódios se chocam com a posição oficial das empresas. "O governo americano não tem acesso direto ou uma porta dos fundos' para obter informação armazenada em nossos servidores", disse o executivo-chefe do Google, Larry Page, em uma nota divulgada anteontem. "Nós fornecemos dados de usuários ao governo apenas em cumprimento à lei".
Comunicados de Facebook, Microsoft, Yahoo, Apple, AOL e Paltalk seguiam o mesmo argumento. Mas, em vez de uma "porta dos fundos" para acessar os servidores, as companhias foram essencialmente requisitadas a fazer uma caixa postal fechada e dar a chave ao governo, segundo os envolvidos nas negociações. O Facebook, por exemplo, elaborou um sistema nesse formato para o pedido e a coleta de dados por parte das autoridades.
A existência dessas negociações revela como as companhias de internet, cada vez mais no centro da vida privada dos cidadãos, se relacionam com agências de espionagem, interessadas em seu vasto acervo de e-mails, vídeos, conversas on-line, fotos e conteúdos de pesquisa. O diálogo ilustra a forma intrínseca como governo e empresas de tecnologia trabalham juntos.
As negociações se estenderam nos últimos meses. O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, foi ao Vale do Silício para se reunir com executivos do Facebook, do Google, da Microsoft e da Intel.
Apesar de que o propósito oficial fosse discutir o futuro da internet, as conversas também abordaram como as companhias poderiam colaborar com o governo em seu esforço de coletar dados para operações de inteligência.
Cada uma das nove companhias que tiveram suas bases de dados interceptadas pelo governo afirmou que não tinha conhecimento de um programa da Casa Branca destinado a tal tarefa.
VIGILÂNCIA EM ALTA
Os pedidos com base na Fisa podem variar de solicitações sobre um usuário específico a uma vasta gama de dados, como um acervo de pesquisas sobre um determinado termo em mecanismos de busca. No ano passado, o governo fez 1.856 requerimentos amparados nessa lei, um aumento de 6% em relação a 2011.
Num caso recente, a Agência Nacional de Segurança (NSA) se valeu da Fisa para enviar um agente à sede de uma empresa de tecnologia para monitorar um suspeito de um ciberataque, de acordo com um advogado da companhia. O oficial instalou um programa do governo nos servidores e trabalhou no escritório por várias semanas, transferindo informações para um laptop da NSA.


Meu Comentário - Esse precedente aberto nos EUA é sintomático. No momento em que oficialmente se noticia que um governo consegue acesso a dados dos cidadãos, acende um alerta para o controle sobre a vida e o próprio direito à individualidade. Não se trata apenas de se falar sobre questões relacionadas à segurança nacional, mas do uso político dessas informações. Quem pode garantir que o governo norte-americano e outros - que depois podem aproveitar esse exemplo e também solicitar o mesmo- utilizarão os dados exclusivamente para finalidades de identificar criminosos?
O risco de se dar acesso irrestrito aos governos de dados de pessoas físicas é a intenção que pode nortear essa vigilância. Ninguém estará a salvo de interesses comerciais, ideológicos e até religiosos para se fazer uma devassa nos dados online que, em primeira instância, deveriam pertencer apenas a quem é dono dos perfis e contas de e-mails e redes sociais. Evidentemente que, na hipótese de suspeitas fundamentadas de crimes, não deve haver impedimentos legais para se buscar essas informações. 
Mas será que o bom senso vai prevalecer? Quem vai controlar isso?
Hoje há perseguições realizadas por motivos comerciais, ideológicos e religiosos em todo o mundo. Quem tem acesso a dados estratégicos pode, com muita facilidade, impedir que um determinado grupo de pessoas, por exemplo, continue a se reunir em liberdade por não ter necessariamente o mesmo pensamento do governo vigente. E o pior: isso poderá ser feito em nome do combate ao terrorismo e em favor da segurança nacional.
Uma das premissas do ser humano, inclusive, amparada biblicamente, é a liberdade de crer ou não crer e do livre pensamento. Esse passo dado nos EUA é um risco indireto para essa liberdade. 

 
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